Todos os posts de Felipe Lindoso

Felipe Lindoso é jornalista, tradutor, editor e consultor de políticas públicas para o livro e leitura. Foi sócio da Editora Marco Zero, Diretor da Câmara Brasileira do Livro e consultor do CERLALC – Centro Regional para o Livro na América Latina e Caribe, órgão da UNESCO. Publicou, em 2004, O Brasil Pode Ser um País de Leitores? Política para a Cultura, Política para o Livro, pela Summus Editorial.

Estatísticas e precisões meia-boca

Recebi vários e-mails perguntando se eu não iria comentar a pesquisa de produção editorial feita pela FIPE para a CBL e o SNEL.

Respondi que não. Já escrevi sobre o assunto anteriormente, expressando várias vezes minhas reservas quanto à atual qualidade dessa pesquisa. Além disso, a matéria do Carrenho no PublishNews cobre muito bem vários tópicos do assunto.

Mas a matéria do Carrenho tem um trecho que quero comentar rapidamente. Na entrevista coletiva, ele questionou o economista da pesquisa, Leonardo Müller, sobre a história do preço médio, que teria aumentado de 2011 para 2012. Respondeu Müller ao questionamento:

“A FIPE reconhece a fragilidade do preço médio do livro como um dado estatístico. ‘Não se trata de um índice de preços ou de inflação, é apenas o faturamento dividido pelo número de livros vendidos’, enfatizou o pesquisador Leonardo Müller, coordenador do projeto. ‘O que dá para dizer é que as editoras estão oferecendo livros mais baratos, tivemos os pocket books, por exemplo’, complementou referindo-se aos últimos anos. ‘Não é possível inferir que o preço ao consumidor tenha caído com este dado, embora isto seja bastante possível’, ainda declarou o economista”.

Concordo, em princípio, com as observações do Carrenho sobre o assunto na referida matéria.

Mas acrescento: a resposta lembra um velho ditado, que diz que a estatística é a forma científica de contar lorotas. É mas não é. Não é, mas pode ser.

Não é. Esse “preço médio” inventado pela FIPE é uma invenção sem sentido. Feita a pedido dos editores, que não querem cumprir o negociado e contribuir para o fundo que foi acordado quando da desoneração do PIS/PASEP-COFINS. E a declaração do economista não passa de uma justificativa que não significa rigorosamente nada.

Quem quiser, leia aqui e aqui meus dois posts. O primeiro sobre a tortura que os números sofreram. E o outro exatamente sobre o tal “preço médio”.

A batalha pela tradução literária nos EUA

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Chad Post é um editor independente e blogueiro que há anos denuncia o fato de que apenas 3% dos livros de literatura publicados nos EUA são traduzidos. Ele esteve no Brasil no começo de julho, convidado pelo projeto APEX/CBL, o Brazilian Publishers para visitar o Rio de Janeiro e a FLIP. O prof. João Cezar de Castro Rocha e eu estivemos com ele quando apresentamos o Conexões Itaú Cultural – projeto do qual somos os curadores – para o grupo, que incluía jornalistas e editores alemães e espanhóis.

A editora dirigida por Chad, a Open Letter é uma iniciativa sem fins lucrativos, apoiada pela University of Rochester. Juntamente com a New Directions e a Dalkey Archive Press são três dos mais importantes divulgadores de literatura traduzida nos EUA. A Open Letters, entretanto, é a única a se dedicar exclusivamente à tradução. As duas outras (New Directions foi fundada em 1936 e a Dalkey Archives Press nos anos 1980) publicam também literatura em inglês (ficção e poesia) e, embora sejam oficialmente “comerciais”, dependem muito de doações e bolsas de fundações. A Open Letters, entretanto, tem mais semelhanças em seu modelo com outras editoras universitárias dos EUA. A Tagus Press, vinculada Continue lendo A batalha pela tradução literária nos EUA

#TUITERATURA – Uma experiência que vale ser vista

O SESC de Santo Amaro (SP) está com a exposição #Tuiteratura, até o final do próximo fim de semana. Vale a pena ir lá ver. O projeto foi concebido por Giselle Zamboni, advogada e tuiteira (@gisellezamboni) e é totalmente interativo. Gisele localizou e convidou sessenta e um “autores tuiteiros”, mais vinte autores já publicados em papel, aos quais convidou para elaborar tuítes especialmente para a mostra. Além disso, quem escreve tuítes com a hashtag #tuiteratura corre o risco de ter sua obra selecionada para o painel, assim como quem tuíta na hora, lá na exposição.

A exposição em si está em uma sala comprida, onde uma tela de material especial, revestida com uma película que nem sei mesmo do que é feita, mas que segundo a Gisele é a maior do mundo fabricada assim, vai mostrando contínuos dos tuítes, com diferentes formas de interação com o espectador. Na primeira seção, é a silhueta do corpo que destaca os tuítes que vão desfilando. Na segunda, o gestual de quem joga coisas no ar (como quem espalha água) levanta uma chuva de letras que são “aparadas” com as mãos e revelam os tuítes. Pode-se repetir o gesto à vontade, descobrindo o que foi produzido pelos tuiteiros convidados e os diariamente selecionados pela equipe. Na terceira seção uma há espécie de mandala com todas as letras e sinais gráficos que permitem que o visitante construa seus tuítes.

Em frente a essa tela, um banco de madeira com os tuítes em braile – Gisele pensou nos deficientes visuais. Quando alguém se senta em cada uma das seções, dispara uma gravação por cima de sua cabeça, recitando os tuítes.

No saguão de entrada do SESC uma quantidade de tsuru, cegonhas da sorte feitas em origami, estão arrumadas formando uma @, esse eu internético.

Pois bem, na noite do dia 25, chuvosa e desgraçadamente paulistana, lá fui para o SESC Santo Amaro, convidado para mediar uma mesa sobre Tuiteratura. A mesa tinha a presença de Cristiane Costa, que foi editora do finado e pranteado caderno “Ideias”, que existia quando o JB ainda era jornal; André Vallias , nosso cyberpoeta, facebuqueiro. tuiteiro (@andrevallias); e o prof. João Cezar Castro Rocha, da UERJ (que não havia sido apresentado nem ao tweeter nem ao FB).
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Preços de e-books no Brasil. Conquista de mercado e indiferença

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Há alguns dias fiz uma pesquisa de preços para comprar um livro que me interessava. Queria ler The Financial Lives of the Poets, de Jess Walter. Sabia que havia uma tradução e resolvi verificar se leria o livro em inglês ou na tradução, e se havia disponibilidade dessa tradução em e-book, fosse no formato ePub ou Kindle.

Havia. A Benvirá, editora no Brasil, vendia (exclusivamente) na loja da sua matriz, a Saraiva o livro em formato ePub. O preço de capa do livro impresso era R$ 39,90, adquirido na Saraiva saía por R$ 33,90 e o e-book… custava R$ 35,90! (Isso até o dia 22. No dia 23, o site apresentou uma mudança significativa: passou a vender os dois formatos pelo mesmo preço de R$ 35,90.

Ou seja, a Benvirá dava 15% de desconto para quem comprasse o livro na Saraiva, mas quem o adquirisse para ler no app da cadeia de livrarias ou em algum Kobo ou tablete, ganhava só míseros 10%. A Saraiva, como se sabe, não vende nenhum e-reader próprio. Apenas disponibiliza app para quem quiser ler nos desktops ou em tablets.

À surpresa seguiu-se a perplexidade. Quem seria idiota o suficiente para comprar um e-book, depois de ter gasto no mínimo mais R$ 259,00 (Kobo mini) ou R$ 299,00 (o Kindle mais barato), para pagar mais caro que o livro impresso? Afinal, quem tem ou pensa em comprar um e-reader (ou um tablete, que é mais caro, mas é multiuso) sabe perfeitamente que a grande vantagem dos e-books está no preço, e que um leitor assíduo amortiza rapidamente o investimento com o que economiza no preço dos livros.
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MOVIMENTOS ATUAIS DA LITERATURA BRASILEIRA

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O projeto Conexões Itaú Cultural – mapeamento Internacional da Literatura Brasileira, se propõe a construir um banco de dados sobre professores, pesquisadores e tradutores da literatura brasileira no exterior. Já escrevi algumas vezes aqui sobre o Conexões, do qual sou um dos curadores, juntamente com o professor João Cezar de Castro Rocha. Alguns dos dados estatísticos sobre os quase 250 mapeados podem ser consultados aqui. Ali também podem ser consultados textos resgatados de pesquisadores, alguns produzidos especialmente para o projeto. Também podem ser vistos cerca de 150 vídeos gravados com depoimentos de autores e pesquisadores que participaram dos vários eventos do Conexões e de outros programas do Itaú Cultural.

Além do mapeamento, o Conexões suscita, junto aos curadores e outros pesquisadores, a produção de pesquisas específicas, seja usando o banco de dados, sejam inspiradas pelos temas do projeto. Foi assim na última FLIP, quando o Conexões apresentou quatro pesquisas inéditas reunidas como “Movimentos Atuais da Literatura Brasileira”. As quatro em breve estarão disponíveis no site mencionados.

A professora Laetitia Jensen Eble, que integra o Grupo de Estudos em Literatura Brasileira da UnB (coordenado pela prof. Regina Dalcastagné) preparou um trabalho, a partir do levantamento dos currículos da Plataforma Lattes, do CNPq.

O professor João Cézar Castro Rocha aproveitou alguns dados dessa pesquisa, comparou-os com os do banco de dados do Conexões e preparou um instigante trabalho sobre o novo perfil do “brasilianista”, e que autores são estudados.

Fábio Malini, professor da Universidade Federal do Espírito Santo, onde coordena o Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura (Labic) do Departamento de Comunicações, preparou um interessante mapeamento das fanpages e hashtags dos retuítes sobre cinco autores da literatura brasileira: Leminski, Machado de Assis, Clarice Lispector e Caio Fernando de Abreu.

Eu, que não dou aula em lugar nenhum, fiz um levantamento sobre o espetacular aumento de feiras de livros e festivais literários no Brasil, assim como o montante gasto por prefeituras e governos estaduais em diversas formas de “cheque-livro” ou “vale-livro” entregues para professores, alunos e bibliotecas nessas feiras de livro. Continue lendo MOVIMENTOS ATUAIS DA LITERATURA BRASILEIRA

Luiz Brás e sua pesquisa sobre o “estado atual” da literatura brasileira.

Luiz Brás – anteriormente conhecido como Nelson de Oliveira (eu me divirto muito com esse heterônimo?) – propôs ao Rogério Pereira, editor do jornal Rascunho, uma Pesquisa sobre a evolução literária no Brasil. E me enviou a pergunta abaixo:

Tendo em vista a quantidade de livros publicados e a qualidade da prosa e da poesia brasileiras contemporâneas, em sua opinião a literatura brasileira está num momento bom, mediano ou ruim?

A minha resposta, que saiu no Rascunho deste mês:

Pode-se usar vários critérios para tentar responder à questão.

Primeiro, um critério “quantitativo”. A quantidade de livros publicados no país denota, efetivamente, aquilo que chamou atenção de Antonio Cândido há décadas: temos um sistema literário com escritores que almejam o reconhecimento como tais; um sistema de transmissão (a língua, o mercado editorial); e um público leitor. Esse sistema é cada vez mais forte, maior e mais desenvolvido. E nele cabe e ele abriga uma imensa diversidade de expressões literárias, de temas, de abordagens. São milhares de autores em busca de seus leitores.

Uma segunda medida seria dada pela própria divisão por gêneros. Literatura adulta, literatura para crianças e jovens e poesia. Mas, nesse caso, é necessário também considerar dinâmicas próprias para cada uma delas.

Tome-se a poesia, por exemplo. Na pesquisa “Retratos da leitura no Brasil 3” (Instituto Pró-livro/Imprensa Oficial, S. Paulo, 2012) Temos os seguintes poetas citados entre os 25 autores brasileiros mais admirados: Carlos Drummond de Andrade (5º.), Vinícius de Moraes (8º.), Cecília Meireles (12º.), Manuel Bandeira (16º.), Fernando pessoa (18º.) e Mário Quintana (23º.). Será que os brasileiros estão lendo assim tanta poesia? A resposta, na verdade, tem a ver com os livros didáticos. Esses poetas aparecem com frequência nesses livros, e em vários contextos, nem todos ligados ao ensino de literatura. E é significativo que todos estejam solidamente encastelados no cânone. Nada de poetas novos. E esses poetas estão na companhia, na mesma lista, do Monteiro Lobato (por conta da TV), Maurício de Souza, Ziraldo e Pedro Bandeira. Todos autores amplamente lidos nas escolas.

Essa lista daria panos para muitas mangas, com a presença de outros autores, numa verdadeira salada de frutas: Paulo Coelho (3º.), Zíbia Gasparetto (9º.), Augusto Cury (10º.), Chico Xavier (13º.), Padre Marcelo Rossi (14º.) e Silas Malafaia (24º.). Os demais autores citados são do cânone: Machado de Assis (2º.), Jorge amado (4º), José de Alencar (7º.), Érico Veríssimo (11º.), Paulo Freire (17º.), Clarice Lispector (19º.), Ariano Suassuna (20º.), Graciliano Ramos (21º.), Mário de Andrade (22º.).

Ou seja, dos autores vivos não há presença de nenhum dos que estão no campo de apreciação da crítica contemporânea. Há, portanto, uma profunda dissociação entre o que o campo literário (no sentido dado ao termo por Bourdieu) privilegia, e o que aparece na preferência dos leitores.

O que leva, simplesmente, a uma reformulação da pergunta: de que literatura se está falando? Da que entra no radar das forças dominantes do campo literário ou da que, por uma ou outra razão, é efetivamente lida no Brasil?

Quem quiser, responda para o Nelson: luiz.bras@uol.com.br

LIVROS BONS E LIVROS RUINS – COMO É MESMO ISSO?

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A distinção entre livros bons e livros ruins é algo que assombra o sentido comum. Afinal, cada um de nós qualifica o que lê (ou o que quer ou não ler) dessa maneira. É um bom livro (e por isso gostei dele), ou é um livro ruim (portanto, detestei). Fazemos isso todos os dias (e não só a respeito de livros, é claro), e esse exercício de distinção passa pela crítica, pelas resenhas de jornais e, certamente, pela avaliação das editoras que decidem publicar ou não determinado original.

O assunto desborda das escolhas individuais (ou empresariais) até para o terreno das políticas de aquisição de acervos para bibliotecas públicas. Há quem defenda que só devem ser colocados à disposição dos leitores não apenas livros bons, mas os que “transformem” o leitor em um ser humano melhor. E por aí vai.

Pierre Bourdieu, em seus estudos de sociologia, elaborou alguns conceitos que nos podem ser úteis. O sociólogo francês assinala que as avaliações de qualidade – ou aquilo que sua discípula Pascale Casanova viria a chamar de “capital literário” – depende de relações internas no campo da crítica, e da produção literária, no caso da que se considera culta. As disputas de poder no campo literário adquirem uma dinâmica própria, que leva a sucessivas transformações na escala de valores do que é considerado “bom”, “inovador”, “medíocre” ou de “mau-gosto” e assim sucessivamente.

Essas disputas dentro de campos podem muito bem ser – e de fato são – interpoladas com o que acontece em outros campos. Por exemplo, os livros que os pedagogos podem levar em alta consideração (no campo da pedagogia, ou como úteis para o ensino de literatura, por exemplo), podem não ser idênticos aos que os críticos literários talvez valorizem. Livros que esses consideram inovadores, ou que apontam para caminhos promissoramente transgressores (com um sinal positivo nessa transgressão), podem ser considerados nocivos pelos pedagogos.
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E-BOOKS EM INGLÊS VENDIDOS NO MUNDO TODO – E NÓS COM ISSO?

A Associação dos Editores dos EUA divulgou dados sobre as vendas internacionais das editoras daquele país. As exportações de livros dos EUA alcançaram US 883.389 milhões de dólares. É importante notar que a venda de e-books cresceu 63% em relação ao ano anterior, enquanto a de livros impressos cresceu apenas 1,3%.

A exportação de livros dos EUA para o resto do mundo tem um de seus pilares na venda de livros técnico-científicos. Os dados anunciados, entretanto, dizem respeito apenas ao segmento trade – ficção e não-ficção – deixando de lado esse outro segmento.
A venda de e-books cresceu, portanto, exponencialmente. Os livros de ficção e não-ficção são particularmente aptos para a leitura em dispositivos móveis, ao contrário dos livros ilustrados para adultos e para crianças, que ficam melhor impressos, apesar das tentativas de desenvolvimento de apps interativas nos livros para crianças.
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Direito de Empréstimo

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Nos últimos anos vem se firmando, principalmente na Europa, o recolhimento para autores e editores de somas que as bibliotecas pagam bibliotecas pelo empréstimo das obras ainda com direito de autor válido. Já escrevi sobre o surgimento e história das RROs (Reproduction Rights Organizations, ou seja, as Sociedades de Arrecadação de Direitos Reprográficos). E remeti também ao site da IFFRO mas vale a pena sintetizar aqui o assunto.

A questão dos direitos reprográficos surgiu, obviamente, quando máquinas de copiar se generalizaram, do final dos anos 1960 em diante. O nome da Xerox, uma das empresas pioneiras na área, chegou a ser usado como sinônimo de qualquer cópia reprográfica (“xeroqueia isso aqui”). As disposições da Convenção de Berna sobre o chamado “fair use” estavam centradas, até então, nas reproduções não autorizadas de obras protegidas em formato impresso, e regulavam o tamanho e a forma das citações, de modo que estas não caracterizassem plágio ou cópia não autorizada. Com as máquinas “xerox” a coisa mudou de figura e levou, principalmente a partir dos anos 1970, ao surgimento dessas sociedades de arrecadação de direitos reprográficos. A IFRRO começou a ser pensada em 1980, a partir do estabelecimento de um grupo de trabalho conjunto da Associação Internacional dos Editores (IPA) e do Grupo Internacional de Editores de Obras Científicas, Técnicas e de Medicina (STM). Em 1988, em uma reunião em Copenhagen, a IFRRO foi formalmente fundada como federação das RROs existentes, a mais antiga das quais havia sido constituída apenas em 1973.

Basicamente, uma associação de administração de direitos reprográficos está constituída por autores e editores, unidos na administração desses direitos. Os resultados do recolhimento das licenças é geralmente dividido entre os dois tipos de interessados, deduzidos antes os custos de administração, que estão por volta de 10% do arrecadado. Informações adicionais sobre esse processo podem ser vistas nos sites mencionados.

O recolhimento de direitos dava-se essencialmente através de dois mecanismos: a) licenciamento das reproduções, geralmente cobrada por página copiada de um livro; b) taxas sobre equipamentos de reprografia, cobradas no momento em que estes são vendidos. Os modos de cobranças, a combinação entre os fundos provenientes do licenciamento ou das taxas têm variações nacionais importantes, que os interessados podem conhecer mais de perto também nos sites mencionados. A maioria das RROs está na União Europeia, mas a Copyright Clearance Center, dos EUA, é uma das maiores sociedades de arrecadação, recolhendo mais de 250 milhões de dólares em 2011.
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POLÍTICA DO LIVRO – ARQUEOLOGIA

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Recentemente abri um CD onde havia arquivado os documentos do computador que eu usava quando trabalhava na Câmara Brasileira do Livro. Quando de lá saí, em 2003, copiei-os, deixando os originais no equipamento que pertencia à instituição.

Nesse CD recuperei muitos documentos do período. Sem dúvida, um dos mais interessantes é o transcrito abaixo. Trata-se de carta da diretoria da CBL, então presidida por Raul Wassermann, aos comitês de campanhas dos principais os candidatos à Presidente da República nas eleições de 2002: Lula, Serra, Garotinho e Ciro Gomes. Todos receberam a carta e foram convidados a discuti-la com os editores. Como assessor para assuntos institucionais da CBL, na época, participei ativamente da discussão das propostas e ajudei a redigi-la, juntamente com o Dr. Plínio Cabral, então assessor jurídico da entidade.

A iniciativa de preparar a carta e enviá-la, como disse, foi da diretoria da CBL.

A campanha do Lula foi a primeira a responder, enviando Antonio Palloci, Marco Aurélio Garcia e Galeno Amorim, como representantes da campanha, para se reunirem com os editores – e quem mais quisesse aparecer, o encontro era aberto – na sede da instituição. Um pouco depois, Clóvis Carvalho, ex-ministro de FHC e um dos coordenadores da campanha do Serra, também visitou a entidade. As campanhas de Garotinho e Ciro Gomes não deram pelota.

Abaixo transcrevo o documento, memória de uma época em que a CBL tomava iniciativas de fazer propostas e não recebia repasses para simples execução de ações.


Propostas para os candidatos à Presidência da República

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