Listas de mais vendidos – a que vem o digital?


Confesso que sempre tive profunda descrença nas listas de mais vendidos. Até hoje não me convenci com nenhum método de coleta desses dados por uma razão muito simples: não podem ser aferidos por terceiros. É um axioma do método científico que uma observação só é válida se puder ser repetida independentemente por outro pesquisador. Mas, vá lá, serve como indicador de tendências.
O Prosa e Verso d’O Globo publica já faz algum tempo uma lista dos “mais vendidos” em formato digital, com base nas informações da Cultura, Saraiva e Gato Sabido. Entusiasta que sou dos livros digitais, considero essa iniciativa mais uma “força” que o jornal dá para a ampliação do uso do formato que um indicador real de preferências.
O Kindle da Amazon é, também no Brasil, o e-reader mais usado, se não contarmos o acesso às publicações acadêmicas disponibilizadas pela CAPES/CNPQ e FAPESP nas universidades federais e paulistas. E nada disso é considerado. Mas tudo bem, força ao Globo pelo esforço de difusão do formato digital.

D’O CAPITAL AO LIVRO DIGITAL (PASSANDO PELO CINEMA)

Dias atrás enfrentei uma maratona de 492 minutos para assistir as três partes do filme “Notícias da Antiguidade Ideológica: Marx, Eisenstein, O Capital”, do cineasta alemão Alexander Kluge. Sem querer entrar na seara do colega colunista aqui do Publish News, Pedro Almeida, e sua coluna “Veja antes de ler”, quero aproveitar o filme para fazer algumas considerações sobre livro e cinema. Não entro na seara dele porque não se trata de “ver antes de ler”. Muito pelo contrário. O que eu quero falar é sobre a especificidade do ler e, portanto, da irredutibilidade do livro.
As notícias sobre o filme vendiam uma coisa e, na verdade, o esforço do cineasta era outro. As matérias falavam de “um filme sobre O Capital” e até insinuavam que se tratava de uma tentativa de filmar a obra fundamental de Marx.

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Presidente Dilma na Bienal do Rio

A Coluna No Prelo, do Prosa e Verso de hoje, sábado, anuncia que a Presidente Dilma poderá não apenas inaugurar a próxima Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, como também  ser entrevistada no Mulher e Ponto por uma jornalista. Ótima notícia, mas a coluna comeu mosca ao dizer que esta seria a primeira vez que um Presidente da República inaugurava a Bienal do Rio. O Sarney inaugurou, como Presidente da República, a II Bienal do Livro do Rio de Janeiro, que acontecia então no São Conrado Fashion Mall. O então presidente do SNEL era o Sérgio Lacerda, da Nova Fronteira.

Eu estava lá. Era a primeira vez que a Marco Zero participava de uma Bienal, e o Sarney até passou pelo nosso estande.

Como a memória é fraca, lembro que o Fernando Henrique visitou a Bienal do Livro de S. Paulo e que o Lula, esse cujos detratores dizem que não gosta do livro, prestigiou a inauguração da Bienal de São Paulo em 2004.

Aliás, para ficar também na ladeira da memória, foi o Senador José Sarney que encaminhou a emenda da desoneração fiscal das editoras (eliminação da cobrança do PIS/PASEP-COFINS), em acordo com o então ministro Palocci e com o aval do Presidente Lula.

Não é porque o Sarney agora quer que os documentos governamentais permaneçam em sigilo eterno que os editores (ingratos?!) devam deixar de registrar o que ele fez pelo livro.

 

Editoras e Universidades ampliam uso do livro eletrônico

Como já havia mencionado em post anterior, a popularização do livro eletrônico, seja sob a forma dos e-readers ou via laptops, tablets e netbooks – esta estreitamente ligado ao uso educacional.
A base de usuários crescerá muito a partir desse mercado.
Depois dos acordos da Xerif com a Universidade Estácio de Sá e algumas outras, uma nova iniciativa vem se somar a essa. Saraiva, o Grupo A, GEN e Atlas se unem em uma nova empresa, a Minha Biblioteca para fornecer livros para universidades.
A iniciativa traz outra novidade, que é a chegada ao Brasil da Vital Source, uma empresa da Ingram, dos Estados Unidos. Essa subsidiária da Ingram nos EUA desenvolveu exatamente a plataforma My Library para oferecer esse serviço às editoras e universidades americanas. A Ingram não apenas é a maior distribuidora de livros físicos daquele país, como tem também o sistema Lighning Source, de printing on demand que é fundamental para o funcionamento do comércio de livros.
Veja matéria completa publicada hoje pelo Publish News, texto de Maria Fernanda Rodrigues.

Resenhas e críticas, o livro na imprensa… e na rede

Há muito que autores, editores e leitores reclamam que o espaço dedicado ao livro diminuiu radicalmente na imprensa escrita. Acabaram-se os cadernos literários, substituídos pelos de variedades, onde o livro ocupa um espaço ocasional e muito menor que antes. Comenta-se com nostalgia o desaparecimento dos críticos de “rodapé”, os titulares que mantinham seções fixas nos jornais, mal substituídos pela chamada crítica universitária, hermética na forma, e que também não aparece na grande imprensa, e se refugia nas publicações acadêmicas, anais de congressos etc.
Para entender e superar essa choradeira geral é preciso considerar algumas coisas.
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Raul Wassermann contribui para pensar as Bienais do Livro

Raul Wassermann, ex-presidente da CBL e diretor da Summus, enviou-me o texto abaixo comentando notícia publicada na Folha de S. Paulo do domingo 17 de julho, que tenho o prazer de compartilhar com vocês.

CONSIDERAÇÕES RÁPIDAS SOBRE BIENAIS DO LIVRO

1 – Neste fim de semana, 17/7/11, a Revista da Folha entrou num assunto tabu para todos os promotores de eventos: qual o número correto de pessoas presentes? O interessante é que, para chamar a atenção da própria imprensa, que se interessa mais por grandes números e menos por conteúdo e qualidade, todos os eventos ano a ano vão aumentando o número de presenças para mostrar um crescimento que “é notícia”. Assim foi com as bienais do livro de São Paulo e do Rio, que foram inflando para virar notícia e para concorrer entre si até que chegaram a números absurdos que decretaram uma volta a índices mais realistas em 1999/2000. A partir daí, voltaram a “crescer”….

2 – “Repensando a Bienal” foi o nome de uma comissão de trabalho da Câmara Brasileira do Livro que sempre pensou em como fazer mais do mesmo. Até hoje não houve coragem para mudar tudo que se faz e voltar a encarar o evento como impulsionador de mercado. E assim vamos gastando cada vez mais para, cada vez mais, recebermos o público que opta por vir à Bienal em vez de ir passear no shopping. Os antigos compradores das bienais do livro ficam em casa fuçando prateleiras na internet.

3 – Paulo Wernek, ao comentar a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) em 10/7 (FSP, p. A2), utiliza o primeiro parágrafo para deixar claro uma verdade inconteste: “ (a Flip)…uma clara tentativa do mercado editorial de superar um modelo de divulgação de livros que se mostrava esgotado: o das bienais que ano a ano se alternam entre o Rio e São Paulo”. Pois a tentativa deu certo, mas o mercado editorial a que o jornalista se refere é aquela parcela que, mesmo representando pouco no bolo geral do faturamento, é a que mais aparece (eu gosto de chamá-las de “as editoras do charme”). Enquanto isso, nada se faz para superar o modelo esgotado para atender as outras áreas do mercado. Até quando vamos gastar tanto com a montagem de estandes bonitos que vendem cada vez menos e que não desenvolvem mercado? Até quando o modelo será o de mercados desenvolvidos apenas para se mostrar como a maior da América Latina ou a terceira do mundo? Desde quando o aumento de metros quadrados leva ao aumento da demanda?

4 – Ideias, existem aos montes. Coragem para realizá-las é mais difícil pois em vez de nos preocuparmos com o mercado e nele pescarmos, estamos preocupados em mais, aqui, agora e primeiro o meu. Porque não feiras anuais, menores, com estandes padronizados? Por que não feiras setoriais como infanto-juvenis, universitárias, religiosas, etc. ? Por que não reativar o cheque-livro — muito mais fácil de administrar hoje com a tecnologia dos cartões de crédito — , que levava público às livrarias após as bienais e foi enterrada sabe-se lá por que ?

O PORTUGUÊS “É UM OBSTÁCULO” PARA A DIFUSÃO DA LITERATURA BRASILEIRA NO EXTERIOR?

O projeto Conexões Itaú Cultural – Mapeamento Internacional da Literatura Brasileira, incluiu no questionário enviado para professores, pesquisadores e tradutores a pergunta sobre o papel do idioma português como um fator positivo, negativo ou neutro na difusão internacional da nossa literatura.
As respostas dos cerca de cento e cinquenta “mapeados” que tinham respondido ao questionário na época da elaboração deste texto (Hoje, o número de “mapeados” já está próximo de duzentos), são muito interessantes. Revelam uma determinada percepção do papel do idioma na difusão da literatura que vale a pena discutir.

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Políticas públicas para o livro e o mercado editorial