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Planeta controla a Tusquets – de novo

Beatriz de Moura em priscas eras. Foto de Isabel Steva i Hernández
Beatris de Moura e Antonio Lopez Lamadrid, da Tusquets

Beatriz de Moura, fundadora e controladora da Tusquets, uma das editoras literárias independentes da Espanha, anunciou que vendeu pelo menos 50% da empresa para o conglomerado da Planeta.

Beatriz de Moura, cuja beleza e inteligência foram celebrados pela intelectualidade espanhola desde os anos sessenta, era filha de um diplomata brasileiro, estudou tradução literária, história e ciências sociais em Genebra. Em 1968, casada com Oscar Tusquets, fundou a editora, que logo se tornou uma referência no mundo intelectual espanhol nesse período do franquismo tardio e início da redemocratização.

Em 2009 morre seu segundo marido e sócio, Antonio Lopez. O casal já havia tentado uma associação com a Planeta em 1995. Três anos depois o casal comprou de volta os 40% que Planeta detinha na Tusquets. Desta vez, Beatriz de Moura declarou que “tirou um peso” das costas e que a editora precisava garantir sua continuidade nessa época de transformações, com as publicações digitais e as dificuldades dos novos tempos. Ela se disse preocupada com o emprego de seus 24 colaboradores e pensou nisso ao se associar à Planeta.

Entrevista para matéria na Carta Capital


Esta semana na Carta Capital, o repórter Lucas Callegari publica uma matéria interessante sobre a indústria editorial e as livrarias.
Lucas me enviou uma série de perguntas, que respondi por escrito.
Evidentemente essas são grandes demais para uma revista, e por isso vou publicá-las aqui, em vários posts.

– O que significa para o mercado brasileiro a entrada da Penguin no capital da Companhia das Letras? Este negócio pode ser visto como parte de movimento dentro do setor levando a uma maior concentração? Reforça a tendência maior presença das empresas estrangeiras adquirindo brasileiras? O que o mercado brasileiro tem de atrativo que pode ter motivado o negócio?

Não se conhecem os detalhes do negócio. Uma parte do investimento da Penguin foi a compra da participação de sócios minoritários, do responsável pelas finanças da empresa e de duas editoras da casa. Mas não sabemos se houve um aumento do capital, com a consequente redistribuição de cotas, ou se os ingleses compraram partes dos demais sócios. Nesse sentido não dá para saber se essa movimentação leva a uma “concentração” no setor dos livros gerais. Certamente abre portas estratégicas para a Companhia das Letras, que passa a fazer parte de um grupo com articulações internacionais do qual já fazem parte outras editoras.
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