São Paulo – A Babel começa a fazer sentido


A Biblioteca de Babel borgiana, onde todo conhecimento se acumula e nada acontece porque tudo já está lá, só pode ser decifrada quando se consegue recuperar a informação, para assim lhe dar sentido. Esta semana o Sistema de Bibliotecas Públicas de S. Paulo (que está muitíssimo longe de ter esse alcance borgiano, mas que já é um sistema considerável), deu um passo importante para que se possa explorar seu conteúdo.

A Secretaria Municipal de Cultura de S. Paulo completou a catalogação retrospectiva do acervo circulante de todo seu sistema de bibliotecas públicas: 52 bibliotecas de bairro, a Biblioteca Mário de Andrade – segunda maior do país em acervo – Biblioteca Monteiro Lobato, as quatro Bibliotecas do Centro Cultural S. Paulo (Vergueiro), dez ônibus-biblioteca, Biblioteca do Centro Cultural da Juventude e treze pontos de cultura. O sistema abriga também as bibliotecas dos CEUs (45), cujos acervos são adquiridos pela Secretaria Municipal de Educação.
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Informatização das Bibliotecas de S. Paulo


A Coordenadoria do Sistema Municipal de Bibliotecas Públicas da Secretaria de Cultura do Município de S. Paulo dá nesta segunda feira, dia 19, um importante passo na democratização do acesso ao acervo de livros do sistema de bibliotecas da cidade, anunciando a conclusão da informatização da catalogação retrospectiva do acervo das suas bibliotecas. A cerimônia acontecerá na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, na Av. Henrique Schaumann,777, do bairro de Pinheiros, na Capital. A partir das 10:30 hs.

Essa informatização permite a qualquer cidadão saber que títulos, quantos exemplares existem em todo o sistema e em que biblioteca está cada exemplar. E também se o livro está disponível para empréstimo e em que unidade.

O sistema de gerenciamento de bibliotecas da SMC é o Alexandria Online, um dos mais fortes e eficientes programas do gênero, que desde 2005 fez a catalogação retrospectiva do acervo de 82 unidades do sistema – 55 bibliotecas de bairro, o acervo circulante da Biblioteca Mário de Andrade, da Biblioteca Monteiro Lobato, das quatro bibliotecas do Centro Cultural São Paulo, dos dez ônibus-biblioteca, da biblioteca do Centro Cultural da Juventude e de treze pontos de cultura. Nesse processo foram catalogados e cadastrados um milhão e meio de exemplares.
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Quem representa quem no mundo editorial?

Uma evidente constatação do meio editorial brasileiro é a da multiplicidade de instituições “representativas” do mundo editorial e livreiro. Temos a CBL – Câmara Brasileira do livro, que reúne editores, distribuidores, livreiros; o SNEL – Sindicato Nacional de Editores de Livros, a entidade sindical oficial da estrutura corporativista do Estado brasileiro; a ABRELIVROS – Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares, nascidas de uma dissidência da CBL quando os editores de didáticos não se sentiram convenientemente representados; a LIBRE – Liga Brasileira de Editoras, que pretende representar as editoras independentes e de menor porte; a ABDL – Associação Brasileira de Difusão do Livro, que reúne editores e distribuidores de livros de coleções, os vendidos de “porta-a-porta”; a ANL – Associação Nacional de Livrarias, que reivindica a representação dos livreiros. Além desses, uma miríade de câmaras, associações e entidades de âmbito estadual, entre as quais se destacam a Câmara Riograndense do Livro, que organiza a feira de livros mais antiga do país, a de Porto Alegre; a Câmara Mineira do Livro; o Sindicato dos Livreiros do Ceará, e vou parando por aqui porque a coisa vai se multiplicando numa sopa de letrinhas.
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Preço fixo, agenciamento e direitos autorais. E as livrarias no meio

Recentemente foi publicada a notícia de que a Comissão Europeia estaria iniciando um procedimento investigativo para verificar se o modelo de “agenciamento” na venda de e-books estaria ou não infringindo a legislação comunitária que protege a livre concorrência. A investigação da CE abrangeria inclusive a possibilidade de um “conluio” entre a Apple a as grandes editoras americanas (algumas das quais, hoje, pertencem a conglomerados europeus) para controlar o preço dos livros. Em resumo, a acusação era de cartelização.

Já tratei algumas vezes de certos aspectos da comercialização de livros físicos, notando como os descontos cada vez maiores (além de vantagens adicionais) exigidos pelas grandes cadeias tende a puxar o preço dos livros para cima, disfarçando esse fenômeno com os descontos oferecidos no varejo – pelas grandes cadeias – e efetivamente jogando para fora da competição as livrarias independentes, incapazes de competir nesse jogo, particularmente no caso dos livros que entram na lista dos best-sellers (ou que já são “desenhados” para a lista).
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“Preço médio” dos livros: uma ficção aritmética

Além das divergências das duas “versões” de dados de 2009, os últimos relatórios da pesquisa “Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro”, encomendada pela CBL e pelo SNEL e executada pela FIPE, apresentam uma novidade: tabelas de “preços médios” dos livros no Brasil.

A aparência é sofisticada: as tabelas estão divididas entre vários tipos de “preço médio”: por subsetor editorial (no “preço médio” de mercado) e pelos diferentes programas governamentais, nas vendas para o governo.

Em 2005, quando da desoneração do setor editorial, quando o Presidente Lula assinou lei isentando as editoras do pagamento do PIS/PASEP-COFINS, as entidades do setor haviam assumido um compromisso: em troca da isenção, que significava um alívio de mais de 4% sobre o faturamento das empresas, assumiam o compromisso de contribuir para um fundo de promoção do livro e da leitura, no valor de 1% do faturamento.
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Os números torturados do Relatório de Produção Editorial de 2010

Alguns dias atrás um amigo, sócio da CBL, enviou um e-mail pedindo que eu lhe mandasse o relatório da Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro de 2010. Respondi-lhe que não tinha. Não sou sócio da CBL e são os sócios que recebem regularmente o material, assim como os do SNEL. Eu, como pesquisador do setor, consigo cópias precisamente através de amigos editores.

Mas eu havia solicitado uma cópia para a administração da CBL, há coisa de dois meses. Na ocasião, a administração me respondeu que “ainda não havia recebido o relatório integral da pesquisa enviado pela FIPE”, e que logo que recebesse me enviaria. O tempo passou e me apareceu esse pedido do meu amigo. Entro no site da CBL e lá só aparece o relatório da pesquisa de 2009.

Um padrão comum nos relatórios desse tipo é colocar os dados do ano anterior junto com os dados do ano. Facilita uma pesquisa rápida da evolução dos números do mercado.

Por força de hábito, abro minha cópia do relatório anterior, relativo a 2009 que, esse sim, eu já tinha. Aí teria pelo menos mais um ano para examinar os números e tecer meus eventuais comentários.

Minha surpresa: OS DADOS DE 2009 APRESENTADOS NO RELATÓRIO DE 2010 ERAM DIFERENTES DOS QUE HAVIAM SIDO APRESENTADOS NO RELATÓRIO ANTERIOR, DE 2009.
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