Amazon apresenta seu tablet a US$ 199 e com muitas novidades

Há anos sou usuário do Kindle e tenho uma experiência de leitura fantástica. E fico esperando que haja mais conteúdo em português, quando as editoras brasileiras conseguirem abrir a cabeça a fornecer conteúdo no formato mobi, que nem precisa ser vendido pela Amazon.

Hoje a Amazon lançou o Kindle Fire, que estará nas lojas em novembro. Veja no link um vídeo de apresentação, em inglês.

O preço inicial do tablet demonstra que a Amazon decidiu partir para a briga séria com a Apple: US $ 199 contra US $ 499 do iPad mais barato.

A Amazon anuncia também que o browser do Kindle Fire, apelidado de Silk, terá uma ligação contínua com a computação em nuvem da empresa, através do whispernet. O Kindle reader 3G faz isso quando a sincronização está ligada, de modo que é possível transferir a leitura do Kindle para o desktop ou para o celular (ou para outro tablet – é possível registrar até seis aparelhos em seu nome).

O que não se sabe ainda é se o Kindle Fire estará disponível para o mercado internacional e em que condições essa conexão whispernet será cobrada (há uma taxa pelo download direto no Kindle através desse sistema, que não é cobrada se for feito pelo desktop).

Além do Kindle Fire, a Amazon anunciou o lançamento de três novos modelos do Kindle reader, dois dos quais com tela sensível. O Kindle mais simples será vendido a US$ 79, e os dois modelos com tela touch (apenas wi-fi ou com 3G), a US$ 99 e US% 149.

Enfim, nos próximos dias teremos quilômetros de comentários impressos ou milhões de megabytes na web falando sobre o novo aparelhinho da Amazon.

O português brasileiro no mundo e a tradução.

A tradução é um grande fator de consolidação e expansão das línguas literárias. Mesmo depois de sua consolidação – geralmente por um processo político, mas que inclui em muitos casos a cristalização em uma grande obra literária – o enriquecimento dos idiomas sempre se dinamiza com a polinização feita pelas traduções. No caso das línguas neolatinas, deu-se a necessidade de traduzir os textos originários do latim, que em muitos casos já eram traduções do grego, e mais ainda, traduções feitas através do árabe. No caso do inglês e do alemão as respectivas traduções da Bíblia foram fator importantíssimo na cristalização dos respectivos idiomas. As traduções de Lutero e a do Rei Jaime introduziram e consolidaram muitas palavras e expressões que, paulatinamente, se tornaram comuns no alemão e no inglês.

No decorrer da história, algumas circunstâncias políticas, econômicas e sociais fazem que, em um determinado período, alguns idiomas assumam um papel predominante. No início do mundo moderno o português e o espanhol assumiram esse papel, e espalharam vocábulos pelo mundo afora. Mais tarde foi a vez do francês, a língua da diplomacia, talvez a primeira – depois da eliminação do latim – a se tornar “língua franca” no chamado Ocidente. Finalmente o inglês, impulsionando primeiro pelo Império Britânico e depois pela preponderância econômica e militar dos Estados Unidos, assumiu esse papel.
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As traduções no mundo – A UNESCO tem levantamento

A UNESCO, o órgão das Nações Unidas dedicado à ciência e à cultura, mantem um levantamento das traduções no mundo inteiro. O Index Translationum, com informações fornecidas pelas bibliotecas nacionais dos países membros, organiza as informações. A Biblioteca Nacional do Brasil deixou de enviar as informações desde 1977.
Veja aqui informações sobre o assunto.

Ultimas tendências no mercado de e-books

Aptara é uma empresa americana especializada em prestar serviços para o mercado editorial na produção de e-books e materiais educacionais. Há três anos vem fazendo levantamentos sobre a dinâmica e o crescimento desse mercado a partir de questionários respondidos não apenas por seus clientes. Acabou de lançar seu terceiro levantamento.
O acesso ao levantamento (em inglês) é gratuito e o link está abaixo.
Em breve tecerei comentários sobre os pontos principais da pesquisa.

Aptara

Bibliotecas americanas emprestam livros através do Kindle

A Amazon e a OverDrive, distribuidora de livros para bibliotecas, anunciaram hoje de manhã o início da permissão para que as bibliotecas emprestem livros através do Kindle, anunciou a edição eletrônica do Publisher’s Weekly, o semanário da indústria editorial. O serviço estará disponível em cerca de 11.000 bibliotecas americanas, e permite que estas ampliem o empréstimo de e-books para o aparelho mais popular no país. Anteriormente os e-books só estavam disponíveis para aparelhos com o formato ePub e smartphones.

Espera-se que essa medida aumente dramaticamente a demanda das bibliotecas para e-books, que já vem aumentando nos últimos dois anos. A OverDrive, que ocupa posição dominante no segmento, anunciou recentemente que, em 2010, o aumento de empréstimos de e-books em bibliotecas públicas aumentou 200% em relação a 2009, com mais de quinze milhões de empréstimos de 400.000 títulos.

Segundo o acordo da OverDrive com a Amazon, os usuários das bibliotecas verificam a disponibilidade do título na homepage da sua biblioteca local e acessam um link para a Amazon (o sujeito precisa ter uma conta na Amazon, mas quem tem Kindle automaticamente tem uma). O livro é transferido diretamente para o dispositivo do usuário, via wi-fi ou USB pelos computadores pessoais ou pelo whispernet, o sistema proprietário da Amazon. O empréstimo vale por duas semanas. O leitor pode fazer as anotações que desejar, como se fosse o proprietário do título, e estas estarão disponíveis caso ele volte a emprestar o título ou o adquira posteriormente.

Note-se, entretanto, que algumas das grandes editoras, como a McMillan e a Simon&Schuster não permitem que as bibliotecas emprestem seus e-books.

Note-se também que nestes dias acontece um encontro entre a Association of American Publishers,o órgão de classe dos editores, e a American Library Association, dos bibliotecários. As discussões vão ser animadas.
Um dia a gente chega lá!

21 DE SETEMBRO – O DIA DA BIBLIODIVERSIDADE

A Aliança Internacional de Editores Independentes instituiu o dia 21 de setembro como Dia B – o Dia da Bibliodiversidade, para marcar a importância do assunto. Segundo Guido Indij, editor e livreiro argentino, coordenador da Red Hispanohablante de la Alianza Internacional de Editores Independientes, em artigo publicado no Publishing Perpectives, a “bibliodiversidade é a diversidade cultural aplicada ao mundo do livro. Ecoando a noção de biodiversidade, procura garantir a diversidade de ofertas editoriais disponíveis para os leitores”.”> Dia B – o Dia da Bibliodiversidade, para marcar a importância do assunto. Segundo Guido Indij, editor e livreiro argentino, coordenador da Red Hispanohablante de la Alianza Internacional de Editores Independientes, em artigo publicado no Publishing Perpectives, a “bibliodiversidade é a diversidade cultural aplicada ao mundo do livro. Ecoando a noção de biodiversidade, procura garantir a diversidade de ofertas editoriais disponíveis para os leitores”.

Com a avalanche de títulos publicados diariamente, pode-se perguntar qual a razão dessa preocupação. Como diz Gabriel Zaid, existem Livros Demais, como afirmou em livro publicado pela Summus, que traduzi e indiquei para que fosse editado no Brasil.

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A “Biblioteca Civilizatória” e a Biblioteca como serviço público

Uma das afirmativas mais recorrentes nos trabalhos que tratam de bibliotecas públicas diz respeito ao “papel civilizatório” que esta deve desempenhar. Entende-se por “papel civilizatório”, essencialmente, a presença nos acervos de bibliotecas públicas de certa quantidade de títulos aos quais se atribui – geralmente em meio a disputas acirradas – a qualidade de comporem um “cânon” de leituras indispensáveis. Geralmente os “leiturólogos” atribuem a esse cânon a capacidade de transformar um leitor “instrumental” em um “leitor crítico”.
Quando aceitam ir mais além do cânon, os “leiturólogos” geralmente passam a argumentar sobre a necessidade de que, pelo menos, os livros sejam “de qualidade”. Ou seja, acervos cujo valor simbólico é o valorizado por aquele campo intelectual que discute e legitimiza os atributos do “bom livro” e da “boa leitura”. É uma atitude próxima à da crítica literária tradicional. Mas, no que diz respeito aos “leiturólogos” há um componente adicional autoritário que o campo da crítica muitas vezes gostaria de ter, mas não dispõe de instrumentos.
Os críticos dispõem principalmente de um poder simbólico, que incorpora ou exclui as obras no cânon, mas deixa aberta ao leitor a decisão final sobre o que ler ou não.
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Conexões em destaque no Prosa & Verso

O Conexões – Mapeamento Internacional da Literatura Brasileira é um dos projetos de que participo e mais me orgulho. Hoje o Prosa e Verso d’O Globo abriu duas páginas para o Conexões.
Quem quiser saber mais sobre a matéria pode visitar o Conexões para constatar sua importância, examinar as tabelas construídas com os questionários de mais de duzentos pesquisadores, professores e tradutores de literatura brasileira espalhados pelo mundo, assistir vídeos e conhecer alguns textos recuperados da história de nossa literatura ou produzidos especialmente para o Conexões.

Um abrigo entre livros

As Edições SM, de origem espanhola, aportou há alguns anos no Brasil. Uma das ações da editora, através da Fundação SM, é o Prêmio Barco a Vapor de literatura para crianças e jovens.

Acho um prêmio importante, mas o que quero aqui não é fazer propaganda dele – disso a SM se ocupa muito bem.

Na segunda edição do Prêmio Barco a Vapor, em 2006, a Fundação SM produziu um pequeno documentário sobre uma experiência que então se desenrolava em S. Paulo.

Um edifício abandonado há anos, no centro da cidade, foi ocupado por moradores de rua. Depois de limpá-lo e deixar o prédio com condições mínimas de uso, os moradores, sob a liderança de Severino Manoel de Souza, instalaram uma biblioteca no lugar da garagem do edifício.

O vídeo dura apenas onze minutos, e vale a pena assistir todo:

Mas, se tiverem apressados, podem avançar até a marca dos 3:13 e ver a declaração do Sr. Severino Manoel de Souza.

Um abrigo entre livros

Viram?
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O Grande Gatsby em estilo Nintendo

Essa é ótima. O Publishing Perspectives de hoje tem um artigo sobre a iniciativa de Charlie Hoey, um desenvolvedor WEB de San Francisco e Peter Smith, editor de um website de culturas pop, que fizeram um joguinho Nintendo a partir do Grande Gatsby, do F. S. Fitzgerald.

É um curioso exemplo de “transmidia”, a partir de um clássico da literatura americana. Pode-se jogar no computador, com Gatsby atirando seu chapéu de coco nos outros personagens e coisas assim.

Não sei se isso ajuda ou não na divulgação de literatura – os autores prometem mais jogos, inclusive um a partir de “Esperando Godot”. Quem sabe jogar Nintendo pode experimentar.

Só sei uma coisa. O Manguel deve ter espumantes ataques de raiva quando souber disso.