Ritmo de expansão dos e-books: aqui será como lá?

Recente artigo publicado por Philip Jones, no site The Bookseller comentou os dados divulgados pela Hachette sobre o mercado de e-books no Reino Unido. Segundo Jones, a editora anunciou vendas de e-books no valor de £ 21 milhões e que isso equivalia a uma participação de 20% no total do mercado de e-books no Reino Unido ano passado, e que tivera um incremento de 500% sobre suas próprias vendas entre 2010 e 2011. A Hachette não explicitou se esse número equivalia ao preço faturado ou preço de mercado (o preço faturado, obviamente, é o líquido recebido pela editora, depois dos descontos aos distribuidores e livrarias).

A Associação dos Editores do Reino Unido anunciou em 2011 um total de vendas em e-books (líquido das editoras), no valor de £ 13 milhões, e que esse valor era 570% sobre o valor do ano anterior. Ao mesmo tempo, foi constatado um declínio na venda dos livros impressos.

Sejam lá quais forem os números, comenta Jones, eles indicam que o crescimento da venda de e-books para os leitores finais cresce em um nível bem constante. Ritmo superior ao observado nos anos iniciais da venda de e-books nos EUA.

Jones diz que uma das possíveis razões para esse fenômeno se deve ao fato de que a venda de e-books no Reino Unido encontrou um mercado mais maduro em termos de infraestrutura: muitos leitores já tinham em mãos e-readers, inclusive o Kindle e iPads, importados dos EUA, o que geraria uma demanda mais alta para o conteúdo tanto na loja local da Amazon como na cadeia Watterstones, que começou a operar firme no setor ano passado.

O crescimento da venda de e-books nos EUA, aparentemente, ocorreu em um ritmo menor, dobrando a cada ano a partir de 2007, mas com a previsão de, em 2011, esse crescimento não ter sido tão exponencial assim.

A próxima entrada no mercado brasileiro da loja da Amazon, com a possível oferta de venda de aparelhos Kindle a R$ 199 (que é praticamente o mesmo preço praticado nos EUA, sem os impostos de importação e o custo de frete), e a busca por e-readers nacionais mais baratos pode indicar um fenômeno semelhante no Brasil. Será que teremos um crescimento exponencialmente mais significativo nos primeiros anos, até chegarmos ao ritmo equivalente ao de hoje nos EUA?

Há várias outras interrogantes para matizar esse raciocínio no que diz respeito às nossas condições locais, inclusive a precariedade da rede de distribuição de livros impressos, problema antigo e não resolvido, e a disponibilidade de leitores no formato e-pub (diferentes do Kindle) que forem ofertados no mercado brasileiro. Como não existem números oficiais sobre a quantidade de aparelhos existentes no Brasil (Kindles e iPads), a base inicial para fazer o cálculo é precária. De qualquer forma, tanto nos EUA quanto no Reino Unido, a estimativa é de que a venda de e-books chegue pelo menos a um patamar equivalente a 30% do total do mercado livreiro.

Veremos.

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