Será a Amazon mesmo uma empresa “Consumer Centric”?

Mentirinha....

As disputas entre a Amazon e a Apple pelos “corações e mentes” dos consumidores são intensas. As duas empresas têm, entretanto, uma característica comum: a extrema opacidade na divulgação dos dados. Até hoje, por exemplo, ninguém sabe com certeza a quantidade dos respectivos aparelhos vendidos por uma e outra. Os números do Kindle e do iPad são quase segredos de Estado.
A Apple virou religião para alguns de seus clientes, para os quais tudo que a empresa faz tem um toque divino. E a Amazon se gaba do atendimento ao consumidor, e do êxito de seus programas de fidelização.

A Amazon faz questão de se anunciar como uma empresa “consumer centric”. Ou, no vulgar, centrada no consumidor. E é verdade que, na maioria das vezes, o atendimento segue um processamento impecável. Os livros chegam no Kindle em segundos e, até hoje, nunca perdi algo físico comprado na Amazon.

Mas, recentemente, uma experiência pessoal me deixou com as orelhas em pé e revelou um lado arrogante da gigante de Seattle.

Conto a historinha.

Sou usuário do Kindle há anos. Comprei o aparelhinho assim que a versão internacional foi lançada. Logo me surpreendi positivamente. A Barnes & Noble lançou o Nook (que não funciona fora dos EUA) uns quinze dias depois disso, a um preço, na época, de dez dólares a menos. A Amazon creditou no meu cartão essa quantia. Não queria vender mais caro que a B&N.

Parabéns.

Uma das vantagens da Amazon é a sincronização da biblioteca entre os diferentes dispositivos. O livro que está no Kindle está sincronizado com os demais nos quais se instalou o app: no desktop, em notebooks e em celulares. No meu caso, tenho o app no desktop, no notebook e tinha também em um iPhone. Tudo funcionando muito bem.

Em outubro passado troquei de celular, em uma das promoções enganchadoras das operadoras e passei a usar um WindowsPhone, com o novíssimo sistema operacional 7.5.

Tinha certeza que haveria uma app para o aparelho, mesmo sabendo que a loja do Zune não tem toda a imensa variedade da iTunes Store.

De fato, existe um app do Kindle para WindowsPhone. Só que, misteriosamente, está bloqueado para uso no Brasil. Só funciona em aparelhos americanos ou europeus.

Obviamente intrigado, entro em contato com as duas ajudas ao consumidor: a da Windows e a da Amazon. A primeira me responde que a autorização para o app depende do seu proprietário, a Amazon. A resposta veio rápida e inteligível. Coisa que também não é comum de acontecer com a Microsoft.

Já na Amazon…

A resposta demorou três dias para chegar, via e-mail. E foi de uma arrogância ímpar. Em resumo, dizia que eles liberariam o app quando lhes desse na telha e que eu não enchesse o saco. Mais ainda. Da primeira vez que acessei a ajuda do Kindle, na aba que conduzia às diferentes apps, o link levava diretamente ao Marketplace do Zune onde estava o app do Kindle – indisponível para o Brasil. Depois dessa primeira reclamação, o link NÃO leva mais ao site. Só diz que existe um app para o aparelho.

Tentei mais duas vezes. A mesma resposta atrevida e arrogante.

O que diabos impede a Amazon de liberar um app grátis e que também é instrumento de venda é algo que escapa à minha compreensão. Mais curioso ainda: existe um app no WindowsPhone que liga diretamente à loja da Amazon, e permite adquirir livros. Ou seja, o WindowsPhone permite que eu compre livros que não posso ler no aparelho… Franz Kafka andou passeando em Seattle…

Quando soube que a Amazon finalmente contratara um executivo para o Kindle no Brasil, pensei com meus botões: vou dar ao cara a chance de começar resolvendo um problema levantado por um fiel consumidor do Kindle (já tenho mais de 150 títulos no aparelhinho), e mandei um e-mail contando a história para o Widman. Dia 18 de janeiro.

Perguntem se recebi alguma resposta?

Necas de pitibiribas…

Para completar meu azar, na segunda-feira passada saí com meu Kindle na mão para ir a um encontro profissional. Na saída do táxi me atrapalhei com o guarda-chuva para enfrentar a tempestade que desabou naquela tarde. Meu Kindle escorregou do braço, caiu na enxurrada e entrou numa boca de lobo. Coitado. Contribuí involuntariamente para a poluição do Tietê, fiquei sem o aparelhinho.

Estou arrumando paciência para comprar outro, já que detesto ler textos grandes na tela brilhante do desktop.

E a Amazon desceu muitos pontos na escala da minha consideração.

2 comentários em “Será a Amazon mesmo uma empresa “Consumer Centric”?”

  1. Incrível que os infelizes me vendem um kindle, incluindo os impostos, tudo certinho, e não conseguem liberar a p*rra de um app pro windows phone.
    Eu não ligo muito pq nunca usei mto o app qnd tinha android, mas como consumidor quero aproveitar tudo que a empresa tem a me oferecer.
    Enfim, fica aqui minha reprovação à Amazon.

    1. Henrique
      Essa história do app para o Windows Phone também é uma das minhas queixas. É inexplicável e ninguém dá uma resposta satisfatória. Nem em Seattle nem o Windman, aqui, que diz que não é com ele.

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