A INTERVENÇÃO GOVERNAMENTAL PODE SALVAR AS LIVRARIAS? NA FRANÇA, TALVEZ.

Reproduzimos em seguida o artigo publicado Na Publishing Perspectives no dia 28 de março passado. Talvez possa provocar reflexões úteis por aqui.

Dennis Abrams

LIR
A França possui uma forte rede de 3.500 livrarias independentes. E o governo está fazendo todo o possível para mantê-las vivas.

Em 2009, o governo implementou o há tempo esperado selo de “Librairie Indépendante de Référence”,  um selo que classifica as livrarias tal como um crítico poderia qualificar uma garrafa de vinho. Para se qualificar e receber o selo LIR, que é válido por três anos, as livrarias devem preencher seis condições, entre as quais a que a livraria tenha um papel cultural importante na comunidade, organizando leituras e eventos culturais; que tenha empregados que contribuam para a qualidade do serviço e que o proprietário seja o responsável pela compra de estoques; que a loja mantenha uma grande seleção de livros – tipicamente pelo menos 6.000 títulos, a maioria dos quais deve ter sido editada há pelo menos um ano ou mais.

As livrarias com o selo LIR recebem incentivos fiscais e subsídios especiais administrados pelo Centre National du Livre, inclusive empréstimos sem juros para melhorias na loja erecursos para pagar as leituras e eventos. Inicialmente forma reservados € 500.000 para projetos relacionados com o selo LIR.

Agora a Bookseller, a revista do mercado editorial inglês publicou reportagem informando que Aurelie Filippetti, a Ministra da Cultura francesa, revelou a primeira etapa de um novo plano para “escorar” as livrarias independentes – isso apesar das informações anteriores sobre o gigantesco déficit que a deixaria incapacitada para agir. Ela anunciou que se estabeleceria um fundo de € 5 milhões para empréstimos às livrarias “com problemas de fluxo de caixa”, e que o orçamento da ADELC – Association pour le dévelopment de la libraririe de création, a associaçãoo que ajuda a subsidiar as livrarias, levantaria € 4-7 milhões para ajudar as lojas quando estas mudassem de proprietário. Além disso, um fundo geral para os livreiros e outras medidas “que precisam de maior reflexão”, mas que devem ser anunciadas no final do verão europeu.

O governo, insistiu Filippetti, quer ter certeza que a França “jamais sofra o mesmo destino que os Estados Unidos”, com o “colapso de várias cadeias [livrarias] e as resultantes dificuldades para os editores”.
Mathieu de Montchalin, presidente do Syndicat de la Librairie Française – SLF, ficou satisfeito com os anúncio da Ministra Filippetti. “Nos últimos dez anos, jamais vi uma ministra [da cultura] propor tantas medidas concretas”. Ele ficou especialmente entusiasmado com a decisão do ministério de controlar as infringências da Lei Lang, que fixou o preço dos livros impressos e da lei de 2011 que instituiu a mesma medida para os e-books. Essa tarefa, declarou De Montchalin, “é muito difícil para nós”, acrescentando que um mediador, que já havia sido considerado pelo governo no decorrer de vários anos, seria “valioso para resolver os problemas como o da aplicação da Lei Lang aos livros usados”.

Entretanto talvez não seja surpresa que os editores, pelo menos segundo Hervé de la Martinière, executivo chefe do grupo La Martinière, não acreditem na necessidade desse mediador. “Ninguém [entre os editores franceses] é a favor, mas ninguém ousa dizer isso”, declarou ao The Bookseller. “Podemos resolver o problema entre nós mesmos”.

Se tanta intervenção pode ou não ajudar as livrarias francesas na luta contra o adversário que são as livrarias online é algo para se ver no futuro. Mas certamente não as prejudicará.

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Resta saber se o exemplo da ministra de lá pode ser seguido pela ministra de cá…

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