INDEPENDENTES DOS EUA APROVAM CONVÊNIO DA ABA COM A KOBO

A American Bookstore Association (ABA), que congrega dos livreiros independentes dos EUA, anunciou que as livrarias que estão vendendo aparelhos da Kobo superaram em muito a venda de livros eletrônicos que fizeram quando a associação mantinha um acordo com a GoogleBooks, informa o Digital Book World.

As vendas, entretanto, ainda não contribuem significativamente para a receita das livrarias. A rede independente The Book Inc., com 12 lojas, vendeu 200 e-readers (130 Kobo Glo e o resto do modelo mini) e entre 300 a 400 e-books. Essa constatação é explicada em parte pelo volume ainda relativamente pequeno das vendas e pelas margens estreitas oferecidas pela Kobo aos varejistas, que é de apenas 5% do preço de venda. Segundo os cálculos da DBW, essas vendas geraram apenas US$ 1.105 (um mil, cento e cinco dólares) de lucro na venda dos aparelhos e US$ 496 (quatrocentos e noventa e seis dólares) na venda de livros eletrônicos. Isso para doze lojas e em seis meses.

A Kobo informa que mais de 460 lojas participam do projeto, e que espera alcançar a marca de mil lojas até o final do ano. A ABA, por sua vez, louva o sucesso da parceria por ter ultrapassado as vendas que eram feitas através da GoogleBooks.

Os livreiros entrevistados na matéria lamentam a margem estreita, mas reconhecem que o fato de ter um e-reader para oferecer aos clientes é o que permite a muitos deles entrar no mundo dos livros eletrônicos sem perder a ligação com as livrarias independentes. “Os livros eletrônicos não vão desaparecer e é bom termos uma alternativa ao Nook e ao Kindle, algo que possa trazer as pessoas para uma loja da comunidade”, disse Derek Harmening, livreiro da The Book Cellar, em Chicago, que vendeu apenas sete e-readers.

A questão das margens de vendas é, entretanto, um problema sério. Vários livreiros declararam, na reportagem, que só mantem a venda dos aparelhos Kobo porque se trata de uma alternativa para enfrentar os gigantes. Mas lamentam, por sua vez, o fato de não terem certeza de que os livros adquiridos pelos compradores dos e-readers em sua loja serão comprados também ali. Essa situação aumenta o problema causado pelas margens baixas.

Esse exemplo da ABA, entretanto, reforça observações que tenho feito anteriormente: se os independentes não dispuserem de um e-reader e de um ecossistema para venda de livros eletrônicos, sua expulsão do segmento será inevitável.

Como a maioria das iniciativas no mercado de livros eletrônicos, o acordo ABA/KOBO tem um caráter altamente experimental. Certamente as partes irão procurar aparar arestas para que o arranjo funcione de modo mais efetivo. A ABA, por exemplo, já experimentou um sistema de vendas online para as livrarias independentes no qual os pedidos eram feitos a partir de um site/loja centralizado, mas as vendas eram processadas pela livraria independente mais perto do CEP (zipcode) do comprador.

Aqui no Brasil, ao contrário dos EUA, a Kobo optou por fazer um acordo com uma única cadeia de livrarias, a da Cultura. Não sei se a ANL foi procurada (ou tomou alguma iniciativa) para participar da venda dos Kobo.

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