MAPEADOS DO CONEXÕES RECEBEM PRÊMIO BLAISE CENDRARS

Professora Rita Olivieri-Godet recebu o prêmio Blaise Cendrars da ABRALIC

A Associação Brasileira de Literatura Comparada – ABRALIC, instituiu desde 2016 o “Prêmio Blaise Cendrars”, oferecido a um pesquisador que trabalhe no exterior a literatura brasileira em chave comparada. A ganhadora deste ano foi a professora Rita Olivieri-Godet, da Universidade de Rennes, na França, e mapeada do Conexões Itaú Cultural.

Em sua carta de agradecimento à diretoria da ABRALIC, a prof. Rita Olivieri-Godet lembrou que sua carreira inclui “vinte e quatro anos dedicados ao ensino, à pesquisa e à difusão da literatura brasileira, através de publicações em francês e em português e da organização de colóquios, na França ou em universidades brasileiras e quebequenses, em parceria com colegas. Uma longa travessia que me possibilitou construir muitas pontes e, sobretudo, muitas amizades. Amigos e cúmplices das letras que nos permitem resistir, existir. No momento atual em que as universidades brasileiras sofrem um ataque inusitado por parte do governo, o prêmio Blaise Cendrars, que muito me orgulha, também me confere mais responsabilidade para continuar produzindo e mais legitimidade para me associar à luta em defesa do ensino, da pesquisa e da extensão nas instituições federais brasileiras”.

Os dois primeiros premiados pela ABRALIC com o Blaise Cendrars também são mapeados do Conexões Itaú Cultural. O primeiro agraciado foi o prof. Pierre Rivas, e o segundo o prof. Berthold Zilly.

Blaise Cendrars foi importante poeta franco-suíço da primeira metade do Século XX e teve uma importância singular na literatura brasileira. Visitou o Brasil nos anos 1920, conheceu e ficou muito impressionado com Oswald de Andrade – que reconheceu ter influenciado sua obra posterior. Um dos pontos altos da visita do poeta foi a famosa viagem a Minas Gerais com o trio modernista, Oswald de Andrade, Mário de Andrade e a pintora Tarsila do Amaral, que o acompanharam a algumas das cidades históricas. A valorização da obra do Aleijadinho e do barroco mineiro se consolidou nessa viagem de 1924, a segunda que Mário de Andrade fez a Minas Gerais, que os modernistas apelidaram de “Viagem da Descoberta do Brasil”, dando novo tom à aventura modernista, muito calcada em influências europeias.

O papel de Cendrars foi importante na percepção comparativa da literatura brasileira, e certamente influenciou as obras posteriores dos modernistas acrescentando mais uma camada na percepção da literatura brasileira vis-à-vis a literatura internacional. A influência de Cendrars na literatura brasileira (e vice-versa) foi o tema do discurso de recepção do prêmio proferido pelo prof. Pierre Rivas, seu primeiro ganhador, e também mapeado.

Berthold Zilly, que ganhou o prêmio em 2017, grato e feliz por recebe-lo, destacou a importância em sua formação acadêmica dos seus estudos de literatura brasileira, tanto no tom comparativo como em suas pesquisas tradutórias. Zilly é tradutor de Euclides da Cunha e Raduan Nassar para o alemão, e trabalha em uma nova tradução de Grande Sertão: Veredas.

Publicado originalmente no blog do Conexões Itau Cultural

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