REVISTA MACHADO DE ASSIS – O NÚMERO DOIS NO AR

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Já assinalei, neste espaço, algumas características da publicação: não pode ser caracterizada como uma ¨revista literária˝, pois os textos não são editados como amostra representativa de qualquer tendência da literatura brasileira contemporânea. São instrumentos de trabalho de agentes e editores para facilitar as negociações de direitos autorais de autores no exterior. A escolha dos autores e textos não é feita para apresentar tal panorama. São escolhidos dentre os que se apresentam para seleção, e a diversidade de autores, gerações, tendências e estilos é ativamente buscada pela revista.

Muito embora os textos apresentados neste número da MACHADO DE ASSIS MAGAZINE estejam em alemão, inglês e espanhol, as traduções podem ser negociadas para publicação em qualquer idioma. O alemão está presente neste número por conta da homenagem que o Brasil receberá como País Tema da próxima Feira do Livro de Frankfurt, pela segunda vez. Inglês e espanhol são os dois idiomas de trabalho do mercado editorial internacional.

Também já mencionei que a simples publicação de textos na revista não constitui nenhuma garantia de tradução e publicação no exterior. Se agentes, editores e os próprios autores não trabalharem o material nas feiras, junto aos demais agentes internacionais e departamentos de tradução das editoras internacionais, nada acontecerá.

Quero aproveitar agora para assinalar outros aspectos da MACHADO DE ASSIS MAGAZINE.

Tivemos 147 inscrições para o número dois. Para o próximo número – que será dedicado à literatura para crianças e jovens – já são mais de duzentos textos inscritos. Selecionar vinte autores para participar de cada número não é tarefa fácil. A seleção final é feita pelo Conselho Editorial. Como editor, nem sempre o que eu escolheria coincide com o que o Conselho acaba escolhendo. Mas isso é ótimo. Se não fosse um trabalho coletivo, quem escolhesse ficaria com 127 desafetos na sua conta e vinte autores que achariam simplesmente merecida a escolha. Assim, o processo de seleção acaba refletindo certo “consenso diversificado”.

Mas é importante dizer que, na perspectiva da revista, não há uma predisposição de favorecimento – ou não – de qualquer filiação estético-literária dos autores. Há um critério que procuramos reforçar, principalmente a partir do segundo número: se o livro já foi publicado no exterior (principalmente em inglês, espanhol ou francês), não cabe o excerto na Machado de Assis Magazine, pois os agentes e editores já dispõem de material de trabalho. É preciso abrir espaço para quem ainda não tem esse acesso ao mercado externo. Mas, repito, o Conselho Editorial tem autonomia total de decisão, configurada na contagem das escolhas de seus membros.

A seleção feita pelo Conselho Editorial passa por uma avaliação da qualidade da tradução apresentada. Quem inscreve os textos está ciente de que este poderá ser eliminado se, a critério da edição, a tradução não apresentar uma qualidade mínima. Essa qualidade não é, certamente, a de uma tradução acabada e editada. Até porque, se o editor for romeno, ou sueco, ou seja lá de onde for, escolherá um tradutor que faça a versão para o idioma em que o livro será publicado. Mas um mínimo de qualidade deve ser assegurada, inclusive para que o autor não seja prejudicado.

Infelizmente, entretanto, já encontramos traduções de má qualidade, que não puderam ser aproveitadas. Considero que isso reflete uma profissionalização ainda precária na escolha dos tradutores. Não é admissível – e seria ilusório e prejudicial aos autores – apresentar textos em um ¨portunhol˝ caricato, que não tem nada a ver com as experiências desenvolvidas por autores fronteiriços e só reflete amadorismo. Ou em inglês macarrônico. Publicar esse tipo de material seria um desserviço para os autores.

A MACHADO DE ASSIS MAGAZINE faz parte do esforço da Fundação Biblioteca Nacional de contribuir para o aumento da presença dos autores brasileiros no exterior. E a iniciativa se articula com a do programa CONEXÕES – MAPEAMENTO INTERNACIONAL DA LITERATURA BRASILEIRA, do Itaú Cultural, que procura identificar a presença de nossa literatura construindo um banco de dados sobre quem estuda, pesquisa e traduz os livros de nossos autores no campo internacional.

Os dois projetos partem da compreensão de que os autores brasileiros têm o que dizer na ¨República Mundial das Letras˝, o belo conceito iluminista estudado por Pascale Casanova. Nossos autores devem, e precisam participar desse diálogo internacional. É impressionante – e deprimente – ver como algumas pessoas insistem na perspectiva provinciana de que as políticas para o livro e a leitura devem se circunscrever exclusivamente ao plano interno, como se um tipo de ação excluísse o outro. Devem ser os resquícios da famosa mentalidade de vira-lata a que Nelson Rodrigues fazia menção.

Os vinte autores do segundo número da MACHADO DE ASSIS MAGAZINE, assim como os vinte do primeiro número e os que virão em seguida estão, portanto, em busca do seu espaço no mercado editorial internacional. Não são os únicos, pois o trabalho de agentes literários está cada vez mais ativo, seja na busca de melhores condições para as edições nacionais, seja na busca da projeção internacional. A MACHADO DE ASSIS MAGAZINE quer tão somente contribuir para que essa projeção internacional se acelere, de modo que o programa de Bolsas de tradução da FBN seja cada vez mais solicitado e aproveitado.

Da minha parte, resta apenas declarar minha satisfação por participar do projeto e ressaltar o caráter de equipe da publicação da MACHADO DE ASSIS MAGAZINE, inclusive do pessoal da Libero +, nas pessoas do Bruno Thomás e do Lincoln Kodi.

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