{"id":974,"date":"2012-04-15T11:46:34","date_gmt":"2012-04-15T14:46:34","guid":{"rendered":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=974"},"modified":"2012-04-16T12:09:53","modified_gmt":"2012-04-16T15:09:53","slug":"china-politicas-para-o-livro-na-visao-de-um-ingles","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=974","title":{"rendered":"China \u2013 Pol\u00edticas para o livro na vis\u00e3o de um ingl\u00eas"},"content":{"rendered":"<p>R<strong>oger Tagholm visitou recentemente a China no contexto da organiza\u00e7\u00e3o do Market Focus Program, da Feira de Livros de Londres, que colocar\u00e1 o pa\u00eds asi\u00e1tico no centro das perspectivas do mercado naquele evento internacional. Tagholm publicou o artigo abaixo no Publishing Perspectives<a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/migre.me\/8EZfz');\"  href=\"http:\/\/migre.me\/8EZfz\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fmigre.me%2F8EZfz','')\" target=\"_blank\"><\/a>,    que autorizou sua reprodu\u00e7\u00e3o aqui.<\/strong><\/p>\n<p><strong>CHINA, UMA HIST\u00d3RIA LITER\u00c1RIA QUE SE DESENROLA<\/strong><\/p>\n<p><em>Existe uma grande \u00eanfase hoje na China no enorme projeto governamental de Salas de Leitura Rurais, uma ambiciosa iniciativa que tem como alvo colocar uma \u201csala de leitura\u201d \u2013 de fato uma biblioteca \u2013 em cada uma das 630.000 aldeias da na\u00e7\u00e3o. At\u00e9 agora cerca de 500.000 j\u00e1 foram instaladas e quando o projeto terminar, o investimento do governo chin\u00eas dever\u00e1 ficar por volta de 18,5 bilh\u00f5es de yuan (aproximadamente US$ 2,9 bilh\u00f5es, ou R$ 5,22 bilh\u00f5es).<\/p>\n<p>Esse esquema, orgulhosamente apresentado por Wu Shuilin, vice-ministro da Administra\u00e7\u00e3o Geral de Imprensa e Publica\u00e7\u00f5es da China (AGIPC), o \u00f3rg\u00e3o governamental que dirige toda a m\u00eddia do pa\u00eds, est\u00e1 entre a grande quantidade de ideias e informa\u00e7\u00f5es absorvidas pela m\u00eddia do Reino Unido durante a recente visita ao pa\u00eds, organizada pelo British Council e ligadas ao papel da China como Market Focus na Feira de Livros de Londres, este m\u00eas. Como a maioria de meus colegas jornalistas, jamais havia estado antes na China e o programa apertado, cobrindo tr\u00eas cidades, foi cheio de descobertas.<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\n<em>\u201cA China ainda \u00e9 um pa\u00eds em desenvolvimento e 800 milh\u00f5es de pessoas ainda vivem nas \u00e1reas rurais\u201d, disse Shulin. \u201cComo garantir a eles o acesso aos livros \u00e9 um assunto importante. Os governos central e locais j\u00e1 gastaram muito dinheiro para ajudar os fazendeiros a ter acesso aos livros. As Salas de Leitura nas pequenas aldeias tem 1.500 t\u00edtulos e 100 peri\u00f3dicos e jornais, mas em algumas das maiores, as Salas de leitura podem chegar a ter 50.000 livros. Estamos despendendo muito tempo e energia no direito dos cidad\u00e3os saber e ler.\u201d<\/p>\n<p>\u00c9 claro que os c\u00ednicos dir\u00e3o que esse projeto trata apenas da doutrina\u00e7\u00e3o das pessoas para que se transformem em aut\u00eanticos seguidores do Partido, ou coisa assim. \u00c9 interessante observar que a atitude inicial de muitas pessoas no Ocidente \u00e9 criticar a China em tudo que fa\u00e7a \u2013 a menos, \u00e9 claro, que voc\u00ea seja diretor da Cartier, Dior, Burbery, ou qualquer outra dessas marcas de luxo, casos em que sua l\u00edngua fica de fora, realmente babando por todos esses yuans.<\/p>\n<p>A ocidentaliza\u00e7\u00e3o de partes de Shangai, Nanjing e Beijing \u00e9 impressionante. Parece existir mais marcas familiares ali que nos pa\u00edses de origem. A China deve ser o  mais capitalista dos pa\u00edses comunistas do planeta, com os muitos shoppings centres verticais de Beijing ao mesmo tempo familiares e irreconhec\u00edveis. Fica-se esperando ver uma Waterstones ou uma Foyles (esses lugares parecem muito com os dois shoppings de Westfield, em Londres), ou mesmo uma Barnes &#038; Noble.<\/p>\n<p><strong>LIVRARIAS COMO EM NENHUM OUTRO LUGAR<\/strong><\/p>\n<p>Minha visita \u00e0 enorme livraria Wang Fujing, que faz parte da imensa cadeia Xinhua, que \u00e9 propriedade do governo, foi um ponto alto pessoal. A loja est\u00e1 perto da Pra\u00e7a Tiananmen e viu os tanques passando em 1989. Retratos emoldurados do Presidente Mao e seus camaradas Chu Enlai, Deng Xiaoping e Sun Zhong Shan recepcionam os clientes, enquanto abaixo deles, incongruentemente, h\u00e1 uma grande se\u00e7\u00e3o dedicada aos livros de Dale Carnegie. Os t\u00edtulos das se\u00e7\u00f5es s\u00e3o dignos de admira\u00e7\u00e3o: \u201cObras dos L\u00edderes do Estado\u201d, \u201cTeorias e Obras de Marx, Engels e L\u00eanin\u201d, \u201cHist\u00f3ria e Desenvolvimento do Partido Comunista\u201d, e uma enorme exibi\u00e7\u00e3o de t\u00edtulos associados a Li Feng, um leal soldado mao\u00edsta, pouco conhecido no Ocidente, que morreu jovem e \u00e9 saudado como cidad\u00e3o modelo. \u201cTodos esses livros s\u00e3o clamados de \u2018cl\u00e1ssicos vermelhos\u2019\u201d, disse Meijing, do British Council em Beijing.  \u201cAlgumas empresas estatais os compram para leitura dos funcion\u00e1rios\u201d.<\/p>\n<p>Nessa enorme livraria, o departamento de fic\u00e7\u00e3o \u2013 tanto chinesa quanto fic\u00e7\u00e3o estrangeira traduzida \u2013 estava no \u00faltimo andar, fazendo o papel, sup\u00f5e-se, como o de muitos restaurantes nas lojas de departamento, de atrair os clientes para a loja. Notei cerca de 20 estantes marcadas como \u201cRomances de Detetive Estrangeiros\u201d, com o pa\u00eds de origem marcado na lombada, assim como uma enorme se\u00e7\u00e3o de caligrafia, incluindo pinceis e papel \u2013 uma lembran\u00e7a da longa e nobre tradi\u00e7\u00e3o caligr\u00e1fica da poesia chinesa.<\/p>\n<p><strong>N\u00c3O SE ESCREVE COMPLETAMENTE SEM RESTRI\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<p>Nossa programa\u00e7\u00e3o intensa teve encontro com escritores, editores, publishers de livros e revistas, assim como com a diretoria da AGIPC. Esse foi um encontro significativo, j\u00e1 que esse tipo de encontros com jornalistas s\u00e3o raros. Alistar Burtenshaw, Diretor da Feira de Livros de Londres tamb\u00e9m acompanhou o grupo, para salientar a import\u00e2ncia do Market Focus deste m\u00eas, que \u00e9 o maior de todos j\u00e1 acontecidos.<\/p>\n<p>Em nosso primeiro encontro com escritores, em Shangai, ambos os lados (desculpem esse linguajar da Guerra Fria) estavam um pouco nervosos. Podemos mencionar a Pra\u00e7a Tiananmen? Que liberdade teriam os autores para dizer o que desejassem? Algumas das respostas foram fascinantes.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 melhor escrever sem liberdade do que com liberdade\u201d, disse o romancista e professor universit\u00e1rio Xiao Bai. Metaforicamente \u2013 e os chineses s\u00e3o adeptos de tais conceitos \u2013 saltamos sobre ele para que explicasse. \u201cSe existem restri\u00e7\u00f5es, voc\u00ea sente a necessidade de quebrar essas restri\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o queremos o papel de oposi\u00e7\u00e3o [pol\u00edtica]. Os escritores devem observar uma pol\u00edtica humana desde sua perspectiva pessoal, individual.\u201d<\/p>\n<p>Seu colega romancista Sun Ganlu, diretor da Associa\u00e7\u00e3o de Escritores de Shangai, acrescentou: \u201cAcredito que seja obriga\u00e7\u00e3o de todos n\u00f3s expressar nossas opini\u00f5es sobre as pol\u00edticas p\u00fablicas, mas os escritores t\u00eam maneiras diferentes de fazer isso. Nenhuma escrita \u00e9 completamente livre, completamente sem restri\u00e7\u00f5es \u2013 voc\u00ea est\u00e1 restrito por seu g\u00eanero, ra\u00e7a, o tempo, ou pelo estilo de escrever. Assim, a pol\u00edtica talvez seja apenas mais uma dessas restri\u00e7\u00f5es.\u201d<\/p>\n<p>Sobre Tiananmen, a vis\u00e3o era a de que foi um momento na hist\u00f3ria, e que as atuais limita\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m passar\u00e3o a fazer parte da hist\u00f3ria. O romancista Fang Teng \u2013 que est\u00e1 entre os autores que ir\u00e3o \u00e0 Feira de Londres \u2013 disse, \u201cEu escrevo t\u00e3o livremente quanto quero, mas dou aos meus editores a liberdade de cortar o que quiserem. Fiz meu acordo com o mundo\u201d.<\/p>\n<p><strong>REVISTAS LITER\u00c1RIAS E A BIBLIOTECA 2666<\/strong><\/p>\n<p>A sa\u00fade das revistas liter\u00e1rias \u00e9 impressionante, como a Chutzpah (porque aud\u00e1cia foi necess\u00e1ria para lan\u00e7\u00e1-la) e que vende 30.000 de cada n\u00famero, segundo seu editor-chefe, Ou Ning. Ele ir\u00e1 participar de um painel de discuss\u00e3o sobre revistas liter\u00e1rias na feira do livro e espera achar um distribuidor para sua revista no Reino Unido. Muitas obras novas, inclusive romances, aparecem inicialmente em um caleidosc\u00f3pio de revistas liter\u00e1rias \u2013 Literatura do Povo, Caminho de Luz, Colheita \u2013 e ent\u00e3o mais tarde podem se transformar em livro. Publicar primeiro nesse formato parece ser comercialmente menos arriscado e tamb\u00e9m prepara o mercado para o livro. O contista Li Er, que tamb\u00e9m ir\u00e1 a Londres, colocou de modo simples: \u201cO futuro da literatura na China est\u00e1 nas revistas\u201d.<\/p>\n<p>Em vez de sermos levados \u00e0 enorme biblioteca de Shangai, seguimos o guia por um estreito hutong (beco) at\u00e9 a min\u00fascula Biblioteca 2666, que deve ser uma das mais escondidas do mundo. Fundada h\u00e1 um ano por cinco jornalistas como recurso comunit\u00e1rio para os moradores locais, a biblioteca emprestou seu nome do romance 2666, do autor chileno Roberto Bola\u00f1o. Um dos fundadores, Shi Jan Feng, disse: \u201cSomos diferentes de outras bibliotecas \u2013 pequena e aconchegante. Temos cerca de 3.000 livros, com alguns autores doando seus livros, alguns dos quais, autografados, temos \u00e0 venda. Fazemos eventos diferentes todas as semanas e organizamos a visita de 20 ou 30 autores anos passado, inclusive Janette Winterson. \u00c0s vezes ficamos abertos at\u00e9 a uma da madrugada \u2013 frequentemente s\u00e3o os usu\u00e1rios que nos ajudam a fechar\u201d. <\/p>\n<p>Como introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 ind\u00fastria editorial chinesa a visita n\u00e3o poderia ter sido melhor. Mostrou uma ind\u00fastria \u2013 tal como o pr\u00f3prio pa\u00eds \u2013 em processo de transi\u00e7\u00e3o, deixando de ser propriedade estatal para um h\u00edbrido de estatal\/particular. As livrarias de algumas prov\u00edncias recebem ajuda estatal, fato que deve interessar \u00e0s associa\u00e7\u00f5es profissionais do Ocidente, e a continuidade da exist\u00eancia de livrarias f\u00edsicas \u00e9 evidentemente valorizada pelo governo. Os escritores parecem ter liberdade para escrever o que querem, mesmo que \u00e0s vezes nem sempre possam publicar o que escrevem. Cr\u00edticas ao governo saem via NET ou o weibo , o Twitter chin\u00eas, que \u00e9 dif\u00edcil de policiar. <\/p>\n<p>Burteenshaw voltou ainda uma vez para supervisionar os \u00faltimos detalhes do extenso programa chin\u00eas, que ele resume dessa maneira: \u201cComo conv\u00e9m ao maior mercado editorial por volume, e o tamanho do pa\u00eds, o programa do China Market Focus ser\u00e1 o mais extenso que fizemos. O pavilh\u00e3o deles cobre mais de 2.100 metros quadrados no qual mais de 180 editoras chinesas est\u00e3o expondo. Al\u00e9m disso, muitas companhias chinesas far\u00e3o exposi\u00e7\u00f5es independentes. A escala do pavilh\u00e3o, o programa e o n\u00famero de visitantes chineses dever\u00e1 proporcionar uma oportunidade fant\u00e1stica para os editores internacionais desenvolverem suas redes, construindo contatos e aumentando seu conhecimento da ind\u00fastria editorial chinesa.<\/p>\n<p>Eu certamente passarei para dizer ni hao a meus novos amigos e contatos e saber mais sobre essa hist\u00f3ria fascinante, e que ainda est\u00e1 em curso.<\/p>\n<p><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Roger Tagholm visitou recentemente a China no contexto da organiza\u00e7\u00e3o do Market Focus Program, da Feira de Livros de Londres, que colocar\u00e1 o pa\u00eds asi\u00e1tico no centro das perspectivas do mercado naquele evento internacional. Tagholm publicou o artigo abaixo no Publishing Perspectives, que autorizou sua reprodu\u00e7\u00e3o aqui. CHINA, UMA HIST\u00d3RIA LITER\u00c1RIA QUE SE DESENROLA Existe &hellip; <a href=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=974\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Foxisdoproblema.com.br%2F%3Fp%3D974','Continue+lendo+China+%E2%80%93+Pol%C3%ADticas+para+o+livro+na+vis%C3%A3o+de+um+ingl%C3%AAs+%26rarr%3B')\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">China \u2013 Pol\u00edticas para o livro na vis\u00e3o de um ingl\u00eas<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[149,189,307,267],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/974"}],"collection":[{"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=974"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/974\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":978,"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/974\/revisions\/978"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=974"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=974"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=974"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}