{"id":794,"date":"2012-02-10T16:51:53","date_gmt":"2012-02-10T19:51:53","guid":{"rendered":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=794"},"modified":"2012-02-10T16:51:53","modified_gmt":"2012-02-10T19:51:53","slug":"poliglota-versus-tradutor-diferentes-abordagens-do-multilinguismo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=794","title":{"rendered":"Poliglota versus Tradutor: diferentes abordagens do Multilinguismo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?attachment_id=795\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Foxisdoproblema.com.br%2F%3Fattachment_id%3D795','Capturar')\" rel=\"attachment wp-att-795\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/Capturar1.jpg\" alt=\"\" title=\"Capturar\" width=\"195\" height=\"296\" class=\"alignleft size-full wp-image-795\" \/><\/a><br \/>\n<em>H\u00e1 algumas semanas li, no New York Times Book Review, a resenha desse livro, que achei muito interessante. Hoje, o autor publicou um artigo na newsletter <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/migre.me\/7So49');\"  href=\"http:\/\/migre.me\/7So49\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fmigre.me%2F7So49','Publishing+Perspectives')\" target=\"_blank\">Publishing Perspectives<\/a>. Tomei a liberdade de escrever ao Ed Nawotka, editor da newsletter, para traduzir e publicar aqui o artigo, que compartilho com voc\u00eas.<strong><\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>Poliglota versus Tradutor: diferentes abordagens do Multilinguismo<\/strong><\/p>\n<p><em>Michael Erard<\/em><\/p>\n<p>O tradutor e o poliglota assumem posi\u00e7\u00f5es bem distintas diante do fato de que todos os seres humanos n\u00e3o falam a mesma l\u00edngua. O tradutor est\u00e1 no neg\u00f3cio da transposi\u00e7\u00e3o, levando significados de um lado para o outro das barreiras lingu\u00edsticas, para benef\u00edcio daqueles mais linguisticamente enraizados. O poliglota, por outro lado, vai sozinho, raramente retra\u00e7a seus passos, e n\u00e3o leva nada para ningu\u00e9m. O tradutor pilota uma balsa de transporte. O poliglota \u00e9 como Marco Polo.<br \/>\n<!--more--><br \/>\n\u00c9 claro, alguns poliglotas e hiperglotas sobre os quais escrevo em meu livro Babel No More (rec\u00e9m publicado pela Free Press) s\u00e3o (ou foram) tradutores, em parte porque \u00e9 um modo de ganhar a vida com suas experi\u00eancias lingu\u00edsticas. Lomb Kat\u00f3, uma figura estimada em sua Hungria nativa, trabalhou como tradutora; e aprendia seu 17\u00ba. Idioma, o hebraico, j\u00e1 com seus oitenta anos. Erik Gunnemark, o autor sueco de The Art and Science of Learning Languages, podia traduzir entre quarenta a tantas l\u00ednguas, e Emil Krebs, diplomata alem\u00e3o que morreu em 1930, foi treinado como tradutor do chin\u00eas, mas dizia poder trabalhar tamb\u00e9m em mais 31 l\u00ednguas. O diplomata e militar americano Vernon Walters trabalhou como int\u00e9rprete em m\u00faltiplas l\u00ednguas para v\u00e1rios presidentes americanos.<\/p>\n<p>Muita da aten\u00e7\u00e3o positiva para <em>Babel No More<\/em> veio de tradutores (por exemplo, Peter Constantine, um tradutor premiado, escreveu a resenha para o <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/migre.me\/7Snzv');\"  href=\"http:\/\/migre.me\/7Snzv\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fmigre.me%2F7Snzv','New+York+Times')\" target=\"_blank\">New York Times<\/a>). Como hiperpoliglotas, s\u00e3o amantes apaixonados da linguagem, envolvidos com idiomas de um modo que a maioria das pessoas, mesmo falantes nativos, n\u00e3o \u00e9. Suas habilidades envolvem um tipo especializado de intelig\u00eancia e habilidades lingu\u00edsticas que supera at\u00e9 as melhores met\u00e1foras para explicar a pr\u00e1tica. E, como os hiperpoliglotas, s\u00e3o incompreendidos, ou subestimados, e negligenciados.<\/p>\n<p>Mas muitos hiperpoliglotas n\u00e3o trabalharam muito em tradu\u00e7\u00e3o. Elihu Burrit, ianque de Connecticut do S\u00e9culo XIX, por exemplo, aprendeu sozinho a ler em 30 idiomas. De vez em quando ajudava quando apareciam documentos estranhos em idiomas desconhecidos, mas trabalhou principalmente como ferreiro, e depois se transformou num reformador do tr\u00e1fego postal transatl\u00e2ntico (ele achava que a postagem das cartas s\u00f3 deveria custar um centavo). Em 1806, a primeira men\u00e7\u00e3o publicada sobre um cardeal italiano e famoso aprendiz de idiomas, Giuseppe Mezzofanti, foi sobre um pequeno trabalho de tradu\u00e7\u00e3o feito por ele, que mais tarde desenraizou heresias potenciais embutidas em tradu\u00e7\u00f5es ineptas das Escrituras. Mas na verdade ele n\u00e3o passava muito tempo disponibilizando as experi\u00eancias de outros.<\/p>\n<p>Mas se pensarmos sobre isso, poliglotas e tradutores na verdade n\u00e3o est\u00e3o no mesmo time. Cada uma dessas pr\u00e1ticas, na sua forma mais pura, assume posi\u00e7\u00f5es opostas sobre a compet\u00eancia da tradu\u00e7\u00e3o. Sim, o incans\u00e1vel ac\u00famulo de l\u00ednguas do poliglota est\u00e1 enraizado nas mesmas condi\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas e culturais que ajudaram a formar as tradi\u00e7\u00f5es da tradu\u00e7\u00e3o. E, sim, tradi\u00e7\u00f5es de tradu\u00e7\u00e3o se orientam de v\u00e1rias maneiras no sentido de construir-significado e preservar significado. Mas isso n\u00e3o quer dizer que uma pr\u00e1tica seja melhor que a outra. Na verdade, \u00e9 interessante ver como essas afinidades s\u00e3o t\u00e3o profundas a despeito das diferen\u00e7as.<\/p>\n<p>As pessoas se tornam poliglotas porque precisam ou querem ler os textos nos idiomas originais. \u00c0s vezes n\u00e3o h\u00e1 tradutores que fa\u00e7am o tr\u00e2nsito entre aquela l\u00edngua e a do poliglota. \u00c0s vezes existe esse tr\u00e2nsito, mas o texto \u00e9 muito pouco conhecido para chamar aten\u00e7\u00e3o. Outras pessoas se tornam poliglotas porque acreditam que as resson\u00e2ncias do idioma original s\u00e3o t\u00e3o sutis, t\u00e3o sublimes, que n\u00e3o podem ser suficientemente representadas na tradu\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m n\u00e3o querem se limitar ao que foi traduzido. Se voc\u00ea conhece a l\u00edngua, pode ler qualquer coisa, ir a qualquer lugar. O poliglota pensa, se essa linguagem \u00e9 suficientemente boa para seus falantes nativos, por que n\u00e3o para mim? O tradutor pensa, se alguma coisa na l\u00edngua A \u00e9 suficientemente boa para seus falantes nativos, por quer n\u00e3o para os outros?<\/p>\n<p>\u00c9 claro que nem todo mundo se transforma em poliglota, de modo que sempre precisamos de tradutores. Por outro lado, os tradutores n\u00e3o conseguem traduzir tudo para todos, e \u00e9 por essa abertura que sempre haver\u00e1 pessoas seguindo o caminho do poliglota.<\/p>\n<p><em>Michael Erard \u00e9 autor de<\/em> <strong>Babel No More: The Search for the World Most Extraordinary Language Learners<\/strong> <em>(Free Press). Artigos seus apareceram tamb\u00e9m no<\/em> <strong>New York Times, Science, Wired, Slate<\/strong> e muitas outras publica\u00e7\u00f5es. Seu livro sobre o que dizemos (mas desejamos n\u00e3o ter dito), <strong>Um&#8230;: Slips, Stumbles, and Verbal Blunders, and What They Mean<\/strong> foi publicado em 2007 (Pantheon)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 algumas semanas li, no New York Times Book Review, a resenha desse livro, que achei muito interessante. Hoje, o autor publicou um artigo na newsletter Publishing Perspectives. Tomei a liberdade de escrever ao Ed Nawotka, editor da newsletter, para traduzir e publicar aqui o artigo, que compartilho com voc\u00eas. 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