{"id":743,"date":"2012-01-23T13:29:01","date_gmt":"2012-01-23T16:29:01","guid":{"rendered":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=743"},"modified":"2012-01-23T13:29:01","modified_gmt":"2012-01-23T16:29:01","slug":"entrevista-para-materia-na-carta-capital","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=743","title":{"rendered":"Entrevista para mat\u00e9ria na Carta Capital"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?attachment_id=745\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Foxisdoproblema.com.br%2F%3Fattachment_id%3D745','carta+capital_NEW')\" rel=\"attachment wp-att-745\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/carta-capital_NEW1-227x300.jpg\" alt=\"\" title=\"carta capital_NEW\" width=\"227\" height=\"300\" class=\"alignleft size-medium wp-image-745\" srcset=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/carta-capital_NEW1-227x300.jpg 227w, http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/carta-capital_NEW1.jpg 443w\" sizes=\"(max-width: 227px) 100vw, 227px\" \/><\/a><br \/>\nEsta semana na Carta Capital, o rep\u00f3rter Lucas Callegari publica uma mat\u00e9ria interessante sobre a ind\u00fastria editorial e as livrarias.<br \/>\nLucas me enviou uma s\u00e9rie de perguntas, que respondi por escrito.<br \/>\nEvidentemente essas s\u00e3o grandes demais para uma revista, e por isso vou public\u00e1-las aqui, em v\u00e1rios posts.<\/p>\n<p><em>&#8211; O que significa para o mercado brasileiro a entrada da Penguin no capital da Companhia das Letras? Este neg\u00f3cio pode ser visto como parte de movimento dentro do setor levando a uma maior concentra\u00e7\u00e3o? Refor\u00e7a a tend\u00eancia maior presen\u00e7a das empresas estrangeiras adquirindo brasileiras? O que o mercado brasileiro tem de atrativo que pode ter motivado o neg\u00f3cio?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o se conhecem os detalhes do neg\u00f3cio. Uma parte do investimento da Penguin foi a compra da participa\u00e7\u00e3o de s\u00f3cios minorit\u00e1rios, do respons\u00e1vel pelas finan\u00e7as da empresa e de duas editoras da casa. Mas n\u00e3o sabemos se houve um aumento do capital, com a consequente redistribui\u00e7\u00e3o de cotas, ou se os ingleses compraram partes dos demais s\u00f3cios. Nesse sentido n\u00e3o d\u00e1 para saber se essa movimenta\u00e7\u00e3o leva a uma \u201cconcentra\u00e7\u00e3o\u201d no setor dos livros gerais. Certamente abre portas estrat\u00e9gicas para a Companhia das Letras, que passa a fazer parte de um grupo com articula\u00e7\u00f5es internacionais do qual j\u00e1 fazem parte outras editoras.<br \/>\n<!--more--><br \/>\nA Pearson, que \u00e9 a controladora da Penguin, j\u00e1 est\u00e1 no Brasil h\u00e1 v\u00e1rios anos, atuando na \u00e1rea dos livros t\u00e9cnico-cient\u00edficos e do ensino de idiomas, e tamb\u00e9m nos \u201csistemas de ensino\u201d (COC, Dom Bosco, Pueri Domus), e trabalhando para a ado\u00e7\u00e3o desses sistemas em munic\u00edpios. Al\u00e9m disso, lidera uma a\u00e7\u00e3o de disponibilizar para universidades e col\u00e9gios uma \u201cBiblioteca Virtual\u201d \u2013 e-books lidos em laptops e desktops \u2013 com a participa\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias editoras. Tamb\u00e9m montam edi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas para cursos, uma atualiza\u00e7\u00e3o das famosas \u201cpastas do professor\u201d que antes eram produtos piratas em reprografia de trechos de livros, e que agora s\u00e3o legalizados e impressos sob demanda.<\/p>\n<p>Algumas empresas estrangeiras j\u00e1 investem no setor editorial brasileiro h\u00e1 v\u00e1rios anos. A MacGraw-Hill, que tinha se afastado do Brasil, voltou; a Santillana, do grupo espanhol Prisa, adquiriu a Moderna \u2013 did\u00e1ticos \u2013 a tem uma participa\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria na Objetiva; a Edi\u00e7\u00f5es SM \u2013 forte nas \u00e1reas de did\u00e1tico, livros infantis e dicion\u00e1rios, tamb\u00e9m est\u00e1 presente; A Planeta, de livros gerais e de enciclop\u00e9dias (Barsa-Planeta) e colecion\u00e1veis, investe na forma\u00e7\u00e3o de seu cat\u00e1logo; Oceano, de livros porta-a-porta e colecion\u00e1veis; a Leya e a Babel, portuguesas. Outras editoras inglesas da \u00e1rea t\u00e9cnico-cient\u00edfica, que antes se faziam presentes apenas na importa\u00e7\u00e3o de seus produtos, agora j\u00e1 come\u00e7am a editar aqui, como a Cambridge e a Oxford. Enfim, o leque \u00e9 muito amplo. <\/p>\n<p>Por que vieram para c\u00e1? <\/p>\n<p>Para al\u00e9m do Brasil estar \u201cna moda\u201d \u2013 v\u00e1rias chegaram antes disso acontecer \u2013 h\u00e1 um detalhe importante que se evidencia nas proje\u00e7\u00f5es demogr\u00e1ficas: a nossa popula\u00e7\u00e3o \u00e9 jovem, com uma imensa quantidade de pessoas inserida no sistema escolar, e essa situa\u00e7\u00e3o deve continuar assim at\u00e9 aproximadamente meados do s\u00e9culo XXI. Ora, o mercado educacional \u00e9 a grande \u00e1rea de neg\u00f3cios do mundo editorial. Os livros de obra geral (trade, como s\u00e3o chamados na ind\u00fastria), s\u00e3o muito vistosos e conhecidos, e seu valor econ\u00f4mico n\u00e3o \u00e9 desprez\u00edvel, mas \u00e9 na \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o e da produ\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o t\u00e9cnico-cient\u00edfica que se movimenta o grosso do investimento editorial. Contraste-se essa situa\u00e7\u00e3o com a da Europa, onde a popula\u00e7\u00e3o envelhece e a pir\u00e2mide et\u00e1ria come\u00e7a a se achatar&#8230; O Brasil, assim, se torna muito atraente. Claro que isso acontece tamb\u00e9m com outros pa\u00edses, mas poucos s\u00e3o t\u00e3o grandes como Brasil, China \u2013 alvo de todas as cobi\u00e7as \u2013 \u00cdndia e R\u00fassia.<\/p>\n<p>A concentra\u00e7\u00e3o, por sua vez, \u00e9 fen\u00f4meno t\u00edpico do desenvolvimento capitalista, e se acelera nesses momentos de crescimento. Mas, note-se, a entrada no setor editorial \u00e9 muito f\u00e1cil. \u00c9 mais f\u00e1cil \u201ccome\u00e7ar\u201d uma editora que abrir um botequim. Ent\u00e3o, h\u00e1 uma alt\u00edssima \u201ctaxa de natalidade\u201d de editoras. S\u00f3 que acompanhada tamb\u00e9m por uma igualmente alta \u201ctaxa de mortalidade\u201d. Essa profus\u00e3o de editoras novas tem um papel importante na bibliodiversidade: apostam mais em autores de vanguarda, novos, etc. S\u00f3 que quando esses autores se firmam, s\u00e3o capturados pelas grandes, que s\u00e3o mais conservadoras em suas linhas editoriais. Ent\u00e3o, a \u201cconcentra\u00e7\u00e3o\u201d se d\u00e1 pelo crescimento e fortalecimento de um grupo seleto de editoras, mas n\u00e3o impede o surgimento de muitas editoras menores. As grandes s\u00e3o grandes hoje porque cresceram e se fortaleceram, n\u00e3o porque foram adquirindo ou jogando fora as editoras menores.<\/p>\n<p><em>&#8211; Quais caracter\u00edsticas que diferenciam o mercado brasileiro de outros, como Europa, Estados Unidos e Am\u00e9rica Latina?<\/em><\/p>\n<p>J\u00e1 respondi em parte \u00e0 pergunta. Sinteticamente, al\u00e9m do momento econ\u00f4mico, um grande fator a ser considerado \u00e9 a composi\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica desses pa\u00edses. H\u00e1 um aspecto em particular que favorece o mercado norte-americano e o ingl\u00eas: o idioma ingl\u00eas, que se expande cada vez mais como l\u00edngua franca da informa\u00e7\u00e3o e do conhecimento, e d\u00e1 base para que as editoras dos EUA e da Inglaterra possam ter uma proje\u00e7\u00e3o internacional maior.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta semana na Carta Capital, o rep\u00f3rter Lucas Callegari publica uma mat\u00e9ria interessante sobre a ind\u00fastria editorial e as livrarias. Lucas me enviou uma s\u00e9rie de perguntas, que respondi por escrito. 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