{"id":734,"date":"2012-01-17T13:57:08","date_gmt":"2012-01-17T16:57:08","guid":{"rendered":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=734"},"modified":"2012-01-17T13:57:08","modified_gmt":"2012-01-17T16:57:08","slug":"teremos-mais-e-melhores-dados-sobre-as-vendas-em-2012","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=734","title":{"rendered":"TEREMOS MAIS E MELHORES DADOS SOBRE AS VENDAS EM 2012?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?attachment_id=735\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Foxisdoproblema.com.br%2F%3Fattachment_id%3D735','Capturar')\" rel=\"attachment wp-att-735\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/Capturar1.jpg\" alt=\"\" title=\"Capturar\" width=\"841\" height=\"465\" class=\"aligncenter size-full wp-image-735\" srcset=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/Capturar1.jpg 841w, http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/Capturar1-300x165.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 841px) 100vw, 841px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A anunciada possibilidade de que o BookScan, da Nielsen ou outra solu\u00e7\u00e3o da BfK possam vir a ser empregadas no Brasil para rastrear o consumo de livros no pa\u00eds permite fazer algumas observa\u00e7\u00f5es sobre a quest\u00e3o dos dados do mercado editorial brasileiro.<\/p>\n<p>Tanto a Nielsen quando a BfK j\u00e1 est\u00e3o presentes no Brasil h\u00e1 anos, fazendo v\u00e1rios tipos de pesquisa para diferentes segmentos da ind\u00fastria nacional. Inclusive pesquisas online sobre o consumo de bens. A Nielsen, por exemplo, oferece  Servi\u00e7os de Mensura\u00e7\u00e3o de Varejo, linha de produtos da qual a BookScan faz parte. A BfK tem a Shopper Inteligence, produto do mesmo tipo do oferecido pela concorrente.  Todas trabalham com informa\u00e7\u00f5es recolhidas diretamente nos PDVs \u2013 pontos de venda \u2013 atrav\u00e9s do registro de c\u00f3digos de barra.<br \/>\n<!--more--><br \/>\nEvidentemente a primeira e mais b\u00e1sica informa\u00e7\u00e3o \u00e9 a da simples venda: qual o produto que foi vendido, e onde. Mas essa informa\u00e7\u00e3o pode ser agregada e trabalhada de muitas maneiras, dependendo do programa e do acordo das empresas de pesquisa com os varejistas: qual a forma do pagamento, que bandeira de cart\u00e3o de cr\u00e9dito foi usada, se a venda foi parcelada ou n\u00e3o, que outros produtos acompanharam a venda daquele determinado item, a hora da venda (al\u00e9m do dia) e sabe-se l\u00e1 mais quantas informa\u00e7\u00f5es podem ser recolhidas no ponto de venda, no simples ato de fazer a compra.<\/p>\n<p>Os varejistas mais preparados \u2013 e as grandes cadeias de livrarias e as independentes mais organizadas \u2013 usam tamb\u00e9m essas informa\u00e7\u00f5es para os mais diferentes controles empresariais, do fluxo de caixa ao controle de estoque, pagamento de comiss\u00f5es para vendedores, etc. etc. Tudo depende dos sistemas instalados e da capacidade do varejista de extrair e analisar os dados que lhe possibilitem trabalhar melhor seus clientes.<\/p>\n<p>A possibilidade de ter uma vers\u00e3o mais confi\u00e1vel das listas de mais vendidos \u00e9 o menor dos benef\u00edcios da instala\u00e7\u00e3o de algum desses sistemas no Brasil. Se as editoras realmente come\u00e7arem a explorar a riqueza de informa\u00e7\u00f5es que pode advir da\u00ed, a sofistica\u00e7\u00e3o na concorr\u00eancia e seu acirramento com base em dados trabalhados pode modificar de forma significativa o panorama da edi\u00e7\u00e3o no Brasil.<\/p>\n<p>Infelizmente, por\u00e9m, a maioria dos editores n\u00e3o se d\u00e1 conta de como usar os dados j\u00e1 dispon\u00edveis, e algumas dessas informa\u00e7\u00f5es recentemente tamb\u00e9m perdeu parte de sua confiabilidade.<\/p>\n<p>A pesquisa de produ\u00e7\u00e3o editorial, executada pela FIPE sob encomenda da CBL e do SNEL, apresentou neste \u00faltimo ano uma anomalia at\u00e9 agora n\u00e3o explicada: os dados da produ\u00e7\u00e3o de 2009 diferem substancialmente em dois relat\u00f3rios (quer dizer, entre um relat\u00f3rio e tabelas de um relat\u00f3rio ainda n\u00e3o apresentado). A pesquisa dos dados de 2009 apresenta os dados levantados na amostragem, comparando-os com os de 2008. A pesquisa de 2010 \u2013 cujo relat\u00f3rio final n\u00e3o foi divulgado at\u00e9 o presente \u2013 teve tabelas apresentadas durante a Bienal do Rio de Janeiro onde os dados de 2009 apareciam modificados em rela\u00e7\u00e3o ao relat\u00f3rio anterior. Nem as entidades que patrocinam a pesquisa nem a FIPE se manifestaram ainda para explicar esse fen\u00f4meno.<\/p>\n<p>Os dados da pesquisa editorial s\u00e3o importantes por v\u00e1rias raz\u00f5es. Para a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas, permitem uma avalia\u00e7\u00e3o do comportamento global do mercado editorial no ano anterior, inclusive a propor\u00e7\u00e3o de sua participa\u00e7\u00e3o no PIB.<\/p>\n<p>Para as empresas, entretanto, sua utilidade \u00e9 diferente: os dados da pesquisa, cuidadosamente analisados, permitem que se tornem um <em>benchmark<\/em>, um padr\u00e3o de compara\u00e7\u00e3o para o desempenho da pr\u00f3pria empresa. E mais, a tabela da classifica\u00e7\u00e3o tem\u00e1tica permite inferir, ainda que em linhas gerais, as tend\u00eancias dos tipos de livros que est\u00e3o sendo produzidos e vendidos no pa\u00eds. Pena que esse \u00faltimo (n\u00e3o) relat\u00f3rio com n\u00fameros divergentes comprometa a confiabilidade da pesquisa.<\/p>\n<p>Ainda que essas informa\u00e7\u00f5es sejam valiosas, as editoras \u2013 e suas entidades profissionais \u2013 n\u00e3o t\u00eam acompanhado os avan\u00e7os na tecnologia de informa\u00e7\u00e3o j\u00e1 existentes desde o final do s\u00e9culo passado. Desde aproximadamente o ano 2000, o BISG \u2013 Book Industry Study Group, dos EUA &#8211; prop\u00f4s uma nova metodologia de coleta de dados que podem ser inclu\u00eddos em bancos de dados (metadados), chamada ONIX \u2013 ONline Information eXchange -, uma tabela complexa e totalmente informatizada montada n\u00e3o apenas para agregar todas as informa\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e de produ\u00e7\u00e3o de cada livro, como tamb\u00e9m agregar as informa\u00e7\u00f5es que permitam que eles sejam mais facilmente localiz\u00e1veis pelos mecanismos de busca informatizados. Ou seja, nessa babel da prolifera\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o, permitem que aquele t\u00edtulo espec\u00edfico seja mais facilmente localiz\u00e1vel, mesmo por quem n\u00e3o sabe o t\u00edtulo do livro, o nome do autor ou da editora: com palavras chaves, a busca pode ir se refinando.<\/p>\n<p>Isso permite aos gigantes do com\u00e9rcio online, como a Amazon, organizar listas de best-sellers bem segmentadas, o que facilita tamb\u00e9m a busca pelos leitores.<\/p>\n<p>Aqui no Brasil muitos editores n\u00e3o aprenderam ainda a import\u00e2ncia e a necessidade de atribuir ISBN de forma correta. No cadastramento dos livros para o Programa do Livro Popular uma s\u00e9rie de inconsist\u00eancias foi anotada nessa \u00e1rea (os livros s\u00e3o cadastrados basicamente a partir do ISBN). A Biblioteca Nacional tem sua parte de culpa nisso, ao n\u00e3o manter atualizados os sistemas do ISBN, assim como n\u00e3o modernizar sua coleta e atribui\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>A CBL h\u00e1 anos prop\u00f4s a constru\u00e7\u00e3o de um cat\u00e1logo coletivo com base em uma vers\u00e3o j\u00e1 desatualizada do ONIX, herdada dos espanh\u00f3is, e nem isso conseguiu ser feito at\u00e9 hoje. A \u00faltima \u201cnovidade\u201d tecnol\u00f3gica da entidade foi a \u201cficha catalogr\u00e1fica\u201d do livro digital. Ficha catalogr\u00e1fica foi um grande avan\u00e7o no processamento de informa\u00e7\u00f5es sobre os livros, para as bibliotecas, h\u00e1 quase cinquenta anos atr\u00e1s. Hoje, seja para o livro em papel, seja para o livro digital, \u00e9 um instrumento absolutamente insuficiente, diria mesmo anacr\u00f4nico, de organiza\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Em suma, h\u00e1 um atraso muito significativo nessa \u00e1rea por parte do mercado editorial brasileiro em seu conjunto. Certamente algumas das editoras mais atentas j\u00e1 desenvolveram sistemas de TI e de coleta de informa\u00e7\u00e3o mais sofisticados, mas a verdade \u00e9 que o conjunto da ind\u00fastria est\u00e1 muit\u00edssimo atrasado. E pode pagar caro por isso no curto prazo, perdendo vendas pelo fato dos leitores n\u00e3o conseguirem localizar os livros que desejam.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A anunciada possibilidade de que o BookScan, da Nielsen ou outra solu\u00e7\u00e3o da BfK possam vir a ser empregadas no Brasil para rastrear o consumo de livros no pa\u00eds permite fazer algumas observa\u00e7\u00f5es sobre a quest\u00e3o dos dados do mercado editorial brasileiro. 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