{"id":64,"date":"2011-06-28T21:39:39","date_gmt":"2011-06-29T00:39:39","guid":{"rendered":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/blog\/?p=64"},"modified":"2011-06-28T21:39:40","modified_gmt":"2011-06-29T00:39:40","slug":"o-x-do-problema","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=64","title":{"rendered":"O X do Problema"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/blog\/?attachment_id=65\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Foxisdoproblema.com.br%2Fblog%2F%3Fattachment_id%3D65','capa+pn')\" rel=\"attachment wp-att-65\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/capa-pn.jpg\" alt=\"\" title=\"capa pn\" width=\"854\" height=\"417\" class=\"aligncenter size-full wp-image-65\" srcset=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/capa-pn.jpg 854w, http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/capa-pn-300x146.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 854px) 100vw, 854px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Inaugurei hoje a coluna no <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www.publishnews.com.br\/');\"  href=\"http:\/\/www.publishnews.com.br\/\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fwww.publishnews.com.br%2F','PublishNews')\" target = \"blank\">PublishNews<\/a>, a newsletter fundada e dirigida pelo Carlo Carrenho que presta um inestim\u00e1vel servi\u00e7o ao mercado editorial.<br \/>\nAqui est\u00e1 a coluna, como post inicial deste blog, que espero seja um meio de discuss\u00e3o sobre os problemas do mercado editorial brasileiro e dos problemas do acesso ao livro e \u00e0 leitura pela nossa popula\u00e7\u00e3o. No Publish News a coluna se chama &#8220;O X da Quest\u00e3o&#8221;. Aqui no blog, a coisa se amplia e vira o X do Problema. A\u00ed est\u00e1:<\/strong><\/p>\n<p>Quando fundamos a Editora Marco Zero, em 1980, Maria Jos\u00e9 Silveira, M\u00e1rcio Souza e eu, quer\u00edamos publicar os livros que nos agradassem e que fossem de interesse do p\u00fablico. N\u00e3o era um projeto simplesmente \u201cest\u00e9tico\u201d. T\u00ednhamos uma clara inten\u00e7\u00e3o comercial.<br \/>\nLogo nos deparamos com as peculiaridades e dificuldades da vida editorial nesse nosso pa\u00eds de dimens\u00f5es continentais, sem bibliotecas e com uma rede de livrarias muito prec\u00e1ria. Ent\u00e3o, como cientista social, comecei a matutar sobre quais as raz\u00f5es que impediam que os belos e substanciosos livros que public\u00e1vamos chegassem \u00e0s m\u00e3os dos leitores na quantidade que ach\u00e1vamos que eles mereciam. A editora se afiliou \u00e0 C\u00e2mara Brasileira do Livro, onde acabei sendo diretor e comecei a me enfronhar nas quest\u00f5es das pol\u00edticas p\u00fablicas relacionadas com o livro e a leitura.<br \/>\n<!--more--><br \/>\nMais de trinta anos depois, e para al\u00e9m do livro O Brasil Pode ser Um Pa\u00eds de Leitores? Pol\u00edtica para a Cultura, Pol\u00edtica para o Livro, que publiquei em 2004, passo a compartilhar aqui pensatas sobre o tema.<br \/>\nO primeiro assunto sobre o qual quero tratar aproveita uma not\u00edcia publicada no dia 7, no portal IG: O Ministro das Comunica\u00e7\u00f5es, Paulo Bernardo, vai conversar com os ministros da Educa\u00e7\u00e3o, Fernando Haddad, da Ci\u00eancia e Tecnologia, Alo\u00edsio Mercadante, e Fernando Pimentel, do Desenvolvimento, Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio Exterior, para discutir o uso de tablets na educa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nA educa\u00e7\u00e3o sempre foi um fator de primordial import\u00e2ncia no desenvolvimento da ind\u00fastria editorial.  E n\u00e3o s\u00f3 no Brasil. Internacionalmente, os grupos editoriais mais poderosos s\u00e3o, de longe, os que produzem materiais para educa\u00e7\u00e3o, ci\u00eancia e tecnologia, como se pode ver no estudo que o consultor Rudiger Wischenbart divulgou em Frankfurt, cuja vers\u00e3o atualizada a PublishNews publicou recentemente: dos dez maiores grupos editoriais mundiais, apenas tr\u00eas n\u00e3o se dedicam exclusivamente \u00e0 publica\u00e7\u00e3o na \u00e1rea educacional. No Brasil tamb\u00e9m, os dados conhecidos mostram que as editoras chamadas \u201cdid\u00e1ticas\u201d constituem o grupo de maior faturamento, encabe\u00e7adas pela Abril Educa\u00e7\u00e3o. As tr\u00eas empresas editoriais brasileiras que aparecem no ranking internacional \u2013 Abril Educa\u00e7\u00e3o, Saraiva e FTD \u2013 s\u00e3o do setor did\u00e1tico-educacional.<br \/>\n\u00c9 sempre temer\u00e1rio fazer analogias entre o mercado brasileiro e o dos Estados Unidos. Mas l\u00e1, tamb\u00e9m, a expans\u00e3o dos e-readers e dos e-books n\u00e3o passou por fora do setor educacional. O estado da Calif\u00f3rnia, um dos mais afetados pela crise de 2008, h\u00e1 tr\u00eas anos s\u00f3 compra e-books para o sistema educacional p\u00fablico. A Amazon, quando do lan\u00e7amento do Kindle DX, estabeleceu parcerias com v\u00e1rias universidades, inclusive Princeton, para o uso desse \u201cleitor\u201d nos seus cursos. Assim, apesar da vis\u00edvel euforia que aparece ali, nos jornais, em refer\u00eancia \u00e0 massa dos compradores de e-readers e de tablets, uma parcela muito significativa desses aparelhos est\u00e1 sendo usada nas escolas. Esse uso vem se justificando sob v\u00e1rios pretextos, que v\u00e3o da diminui\u00e7\u00e3o do peso das mochilas escolares ao pre\u00e7o de venda dos e-books, significativamente mais baixos que os livros escolares em papel.<br \/>\nDesse modo, a an\u00e1lise da poss\u00edvel evolu\u00e7\u00e3o do uso de e-readers e e-books no Brasil deve levar em considera\u00e7\u00e3o a ado\u00e7\u00e3o desse meio pelas escolas, em diferentes n\u00edveis do ensino.<br \/>\nInfelizmente as estat\u00edsticas a respeito s\u00e3o precar\u00edssimas, quando n\u00e3o simplesmente inexistentes. Mas existem sintomas pipocando:<br \/>\n&#8211; As editoras est\u00e3o adotando cada vez mais vers\u00f5es eletr\u00f4nicas da venda de cap\u00edtulos de livros, que substituem as mal afamadas \u201cpastas do professor\u201d, copiadas sem controle, principalmente nas universidades. Os contratos s\u00e3o feitos na maioria com as pr\u00f3prias universidades, que montam com as editoras o que na verdade s\u00e3o e-books (lidos em desktops e laptops), de acordo com as demandas de texto dos professores;<br \/>\n&#8211; V\u00e1rias universidades j\u00e1 anunciam a ado\u00e7\u00e3o de tablets para seus alunos acompanharem o material did\u00e1tico.<br \/>\nO peso das compras governamentais de livros did\u00e1ticos \u00e9 um fator muito importante para a defini\u00e7\u00e3o do futuro (ou da rapidez com que esse futuro chega) do uso de e-readers e tablets no sistema educacional do pa\u00eds.<br \/>\nO programa de entregar um laptop de cem d\u00f3lares para cada estudante do ensino fundamental, originalmente proposto por Nicholas Negroponte, esbarrou em v\u00e1rios problemas tecnol\u00f3gicos e de custo. O prot\u00f3tipo desenvolvido pelo projeto, usando software livre e gratuito, acabou ultrapassado. Fabricantes chineses j\u00e1 est\u00e3o produzindo tablets a menos de US $ 100 a unidade, com sistema operacional livre \u2013 o que basicamente quer dizer n\u00e3o da Microsoft ou da Apple \u2013 com funcionalidades muito mais abrangentes que o projeto inicial do laptop de cem d\u00f3lares, inclusive com o acesso via telefonia 3G e wireless.<br \/>\nSegundo informa\u00e7\u00f5es que me foram repassadas pela Assessoria de Imprensa do FNDE, o \u00f3rg\u00e3o do MEC que adquire os livros para os programas federais, o custo de log\u00edstica \u2013 embalagem e transporte dos livros adquiridos \u2013 varia entre 13% e 18% dos custos totais dos programas de aquisi\u00e7\u00e3o de livros did\u00e1ticos (PNLD-Fundamental, PNLD-Ensino M\u00e9dio, PNBE). S\u00f3 para o programa do ensino m\u00e9dio (PNLD-Ensino M\u00e9dio), nos anos 2008 a 2010, esse custo chegaria a aproximadamente 105 milh\u00f5es de Reais, ou quase 60 milh\u00f5es de d\u00f3lares. Acrescente-se a isso o que seria conseguido com a diminui\u00e7\u00e3o do custo unit\u00e1rio do livro (livro em papel versus livro eletr\u00f4nico), mesmo que os editores conseguissem melhores condi\u00e7\u00f5es de remunera\u00e7\u00e3o por unidade do FNDE, e j\u00e1 ter\u00edamos recursos suficientes para o desenvolvimento de um programa de grande porte para os alunos do ensino m\u00e9dio, mesmo considerando a necessidade de apropria\u00e7\u00e3o de custo de log\u00edstica para a distribui\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios tablets ou e-readers.<br \/>\nUma vez entregues os tablets ou e-readers aos alunos, o \u201crecheio\u201d de conte\u00fado tem seus custos de log\u00edstica reduzidos a uma insignific\u00e2ncia relativa, j\u00e1 que pode ser usada a infraestrutura montada para o programa de banda larga, que usaria recursos provenientes de outras fontes.<br \/>\nEntretanto, ainda haveria muitos pontos a detalhar na execu\u00e7\u00e3o de um programa desse porte.<br \/>\nUm desses pontos seria precisamente a op\u00e7\u00e3o entre e-readers ou tablets. Como usu\u00e1rio do Kindle, da Amazon, com a tecnologia do e-ink, ou tinta eletr\u00f4nica, sei que a experi\u00eancia de leitura \u00e9 fant\u00e1stica nesse tipo de aparelho. Entretanto eles ainda t\u00eam problemas n\u00e3o resolvidos: a pouca funcionalidade do mecanismo de anota\u00e7\u00f5es e realce dos textos; a impossibilidade atual (a ser provavelmente resolvida nos pr\u00f3ximos dois anos) de usar telas coloridas; a pouca intera\u00e7\u00e3o entre o leitor e a m\u00e1quina. Todos esses fatores contribuem vantajosamente, hoje, para a escolha dos tablets, apesar da dificuldade de leitura \u00e0 luz do sol.<br \/>\nEntretanto, seja tablet ou e-reader, abre-se de forma incontest\u00e1vel a possibilidade de acesso a uma quantidade enorme de textos pelos alunos, seja pelo acesso \u00e0s bibliotecas de livros com direitos autorais j\u00e1 liberados (como os do portal Dom\u00ednio P\u00fablico do MEC), quanto pela diminui\u00e7\u00e3o do custo unit\u00e1rio dos livros adquiridos pelo MEC\/FNDE. Isso permitiria que fosse entregue aos alunos uma quantidade de livros de literatura e de refer\u00eancia muito maior do que os atualmente proporcionados pelo programa da Biblioteca na Escola.<br \/>\nE seria um passo decisivo na implanta\u00e7\u00e3o do uso de tablets e e-readers no mercado \u201cn\u00e3o governamental\u201d, gerando volume de demanda e capacidade de produ\u00e7\u00e3o para as editoras.<br \/>\nEsperemos que frutifique a conversa do ministro Paulo Bernardo com seus colegas. O \u201cxis do problema\u201d da ado\u00e7\u00e3o de tablets e e-readers no Brasil passa pela educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Inaugurei hoje a coluna no PublishNews, a newsletter fundada e dirigida pelo Carlo Carrenho que presta um inestim\u00e1vel servi\u00e7o ao mercado editorial. 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