{"id":622,"date":"2011-11-23T13:17:20","date_gmt":"2011-11-23T16:17:20","guid":{"rendered":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=622"},"modified":"2011-11-23T13:17:20","modified_gmt":"2011-11-23T16:17:20","slug":"publicar-classicos-exoticos-e-modernos-no-exterior","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=622","title":{"rendered":"Publicar cl\u00e1ssicos, ex\u00f3ticos e modernos no exterior"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?attachment_id=623\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Foxisdoproblema.com.br%2F%3Fattachment_id%3D623','Capturar')\" rel=\"attachment wp-att-623\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/Capturar4.jpg\" alt=\"\" title=\"Capturar\" width=\"856\" height=\"445\" class=\"aligncenter size-full wp-image-623\" srcset=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/Capturar4.jpg 856w, http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/Capturar4-300x155.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 856px) 100vw, 856px\" \/><\/a><\/p>\n<p>No dia treze de novembro passado, em Ouro Preto, fiz a media\u00e7\u00e3o de uma mesa no <strong>F\u00f3rum das Letras<\/strong>, iniciativa de Universidade Federal de Ouro Preto que j\u00e1 est\u00e1 na s\u00e9tima edi\u00e7\u00e3o, e que \u00e9 um dos mais interessantes festivais de literatura entre os que acontecem por aqui. A mesa foi sobre \u201c<strong>Propostas para a Internacionaliza\u00e7\u00e3o da literatura Brasileira<\/strong>\u201d, com a participa\u00e7\u00e3o de Affonso Romano de Sant\u2019Anna, ex-presidente da Funda\u00e7\u00e3o Biblioteca Nacional, dos agentes Nicole Witt e Jonah Strauss, da Alemanha e dos Estados Unidos, respectivamente, e do professor e tradutor Berthold Zilly, que j\u00e1 verteu pera o alem\u00e3o <strong>Os Sert\u00f5es<\/strong> de <em>Euclides da Cunha<\/em> e romances de <em>Raduan Nassar<\/em>.<\/p>\n<p>Um dos pontos levantados na mesa foi a expectativa de editores estrangeiros de receber livros \u201cex\u00f3ticos\u201d, quando se falava em literatura brasileira. Os agentes diziam que havia um trabalho adicional para mostrar a qualidade e os temas universais tratados por autores brasileiros.<\/p>\n<p>Segundo o <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/portal.unesco.org\/culture\/en\/ev.php-URL_ID=7810&#038;URL_DO=DO_TOPIC&#038;URL_SECTION=201.html');\"  href=\"http:\/\/portal.unesco.org\/culture\/en\/ev.php-URL_ID=7810&#038;URL_DO=DO_TOPIC&#038;URL_SECTION=201.html\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fportal.unesco.org%2Fculture%2Fen%2Fev.php-URL_ID%3D7810%26URL_DO%3DDO_TOPIC%26URL_SECTION%3D201.html','Index+Translationum')\" target=\"_blank\">Index Translationum<\/a> da UNESCO, entre os dez autores de l\u00edngua portuguesa mais traduzidos, seis s\u00e3o brasileiros (os quatro portugueses s\u00e3o <em>Saramago, Fernando Pessoa, Ant\u00f3nio Lobo Antunes e E\u00e7a de Queiroz<\/em>):<\/p>\n<p><em>Paulo Coelho<br \/>\nJorge Amado<br \/>\nLeonardo Boff<br \/>\nJos\u00e9 Mauro de Vasconcelos<br \/>\nClarice Lispector<br \/>\nMachado de Assis<\/em><\/p>\n<p>Vejamos, por outro lado, a lista dos autores que tiveram livros solicitados para receber a bolsa de est\u00edmulo \u00e0 tradu\u00e7\u00e3o da Biblioteca Nacional, cujo primeiro resultado foi recentemente divulgado:<\/p>\n<p><strong>Poesia Completa<\/strong> &#8211; <em>Carlos Drummond de Andrade<\/em><br \/>\n<strong>Gabriela, Cravo e Canela<\/strong> &#8211; <em>Jorge Amado<\/em><br \/>\n<strong>A Guerra no Bom Fim<\/strong> (por duas editoras) e <strong>Os Deuses de Raquel<\/strong> &#8211; <em>Moacyr Scliar<\/em><br \/>\n<strong>Sinfonia em Branco<\/strong> e <strong>Azul-Corvo<\/strong> &#8211; <em>Adriana Lisboa<\/em><br \/>\n<strong>Sombra Severa<\/strong> &#8211; <em>Raimundo Carrero<\/em><br \/>\n<strong>O Movimento Pendular<\/strong> &#8211; <em>Alberto Mussa<\/em><br \/>\n<strong>O Opositor<\/strong> e <strong>Os Espi\u00f5es<\/strong> &#8211; <em>Lu\u00eds Fernando Verissimo<\/em><br \/>\n<strong>Black Music<\/strong> &#8211; <em>Arthur Dapieve<\/em><br \/>\n<strong>Elite da Tropa 2 <\/strong>&#8211; <em>Luiz Eduardo Soares, Claudio Ferraz, Andr\u00e9 Batista e Rodrigo Pimentel<\/em><br \/>\n<strong>Cidade Livre<\/strong> &#8211; <em>Jo\u00e3o Almino<\/em><br \/>\n<strong>Leite Derramado<\/strong> &#8211; <em>Chico Buarque<\/em><br \/>\n<strong>O Cemit\u00e9rio dos Vivos<\/strong> &#8211; <em>Lima Barreto<\/em><br \/>\n<strong>Mastigando Humanos<\/strong> &#8211; <em>Santiago Nazarian<\/em><br \/>\n<strong>O Livreiro do Alem\u00e3o<\/strong> &#8211; <em>Ot\u00e1vio J\u00fanior<\/em><br \/>\n<strong>M\u00e9todo Pr\u00e1tico de Guerrilha<\/strong> &#8211; <em>Marcelo Ferroni<\/em><br \/>\n<strong>A Batalha do Apocalipse<\/strong> &#8211; <em>Eduardo Spohr<\/em><br \/>\n<strong>Ravenalas (Poemas 2004-2008)<\/strong> &#8211; <em>Hor\u00e1cio Costa<\/em><br \/>\n<strong>Eles e Elas<\/strong> &#8211; <em>Julia Lopes de Almeida<\/em><br \/>\n<strong>Perto do Cora\u00e7\u00e3o Selvagem<\/strong> e <strong>La\u00e7os de Fam\u00edlia<\/strong> &#8211; <em>Clarice Lispector<\/em><br \/>\n<strong>Litro Magazine Brazil Issue 2012<\/strong> &#8211; V\u00e1rios autores<br \/>\n<strong>Mensagem Para Voc\u00ea<\/strong> &#8211; <em>Ana Maria Machado<\/em><br \/>\n<strong>V\u00e1rias Hist\u00f3rias<\/strong> &#8211; <em>Machado de Assis<\/em><br \/>\n<strong>Se eu fechar meus olhos agora<\/strong> &#8211; <em>Edney Silvestre<\/em> <\/p>\n<p>Ou seja, vinte e dois autores e uma antologia. Dos quais, apenas dois est\u00e3o na lista dos mais traduzidos: Machado e Clarice Lispector.<\/p>\n<p>Se examinarmos esses t\u00edtulos a partir da rubrica \u201cexotismo\u201d come\u00e7amos a nos complicar. Jorge Amado j\u00e1 foi acusado (o verbo \u00e9 proposital) de ex\u00f3tico. Hoje sua posi\u00e7\u00e3o na literatura brasileira est\u00e1 mais pr\u00f3xima da de um \u201ccl\u00e1ssico\u201d, ainda que, para um olhar estrangeiro, seus personagens tenham um sabor \u00fanico. Mas, sabor por sabor, e exotismo, recentemente Benjamin Moser, o bi\u00f3grafo e coordenador das tradu\u00e7\u00f5es ao ingl\u00eas de Clarice Lispector chamava aten\u00e7\u00e3o para o car\u00e1ter ex\u00f3tico das constru\u00e7\u00f5es da nossa estimada escritora&#8230; A \u201cbatalha do Apocalipse\u201d, do Eduardo Spohr? Eu poderia at\u00e9 dizer que \u00e9 um romance ex\u00f3tico, mas o exotismo ali est\u00e1 longe de ser \u201cbrasileiro\u201d. \u201cO livreiro do Alem\u00e3o\u201d e \u201cElite da Tropa 2\u201d s\u00e3o \u201cex\u00f3ticos\u201d? Tanto quanto o \u201cLivreiro de Cabul\u201d ou qualquer relato sobre viol\u00eancia policial, seja nos Estados Unidos ou na Uganda. O \u201cex\u00f3tico\u201d, definitivamente, \u00e9 um conceito dif\u00edcil de trabalhar.<\/p>\n<p>Se voltarmos aos autores da lista da UNESCO, a coisa tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Paulo Coelho \u00e9 t\u00e3o ex\u00f3tico que nem brasileiro \u00e9 considerado pela maioria dos seus leitores. Afinal, peregrinos, mensageiros das luz e similares pertencem mais \u00e0 esfera do extraordin\u00e1rio do que do \u201cex\u00f3tico\u201d. J\u00e1 falei do Jorge Amado e da Clarice Lispector. O que dizer do frade? Francamente, n\u00e3o sei em que escaninho de exotismo coloca-lo. Jos\u00e9 Mauro Vasconcelos? A cr\u00edtica o execrou, na \u00e9poca, n\u00e3o por ex\u00f3tico, mas por \u00e1gua-com-a\u00e7\u00facar, sentimentalismo. Continua sem reconhecimento cr\u00edtico, mas para muitos leitores no exterior ele mostra \u201cuma comovente vis\u00e3o da realidade brasileira\u201d (Ouvi isso h\u00e1 um m\u00eas, na Galiza&#8230; e da boca de uma autora experimental!). Sobra o Machado de Assis. Definitivamente, um ex\u00f3tico. S\u00f3 um dessa esp\u00e9cie produziria a literatura que ele escreveu no Brasil do S\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p>Ou seja, basta nos aproximarmos com mais cuidado do assunto e verificamos uma percep\u00e7\u00e3o bem mais complexa e diversa da literatura brasileira.<\/p>\n<p>Mas existe outra abordagem poss\u00edvel. Considerar que a lista da UNESCO reflete, de alguma maneira, uma consagra\u00e7\u00e3o internacional. Ou seja, mais traduzidos, mais consagrado.<\/p>\n<p>Examinemos o <strong>Index<\/strong> da UNESCO para ver o que acontece com outros idiomas.<\/p>\n<p>Os dez autores mais traduzidos do ingl\u00eas: <em>Agatha Christie, Shakespeare, Enid Blyton (voc\u00eas j\u00e1 ouviram falar? Eu, n\u00e3o), Barbara Cartland, Danielle Steel, Stephen King, Mark Twain, Conan Doyle, Nora Roberts e Jack London<\/em>.<\/p>\n<p>Os dez autores mais traduzidos do franc\u00eas: <em>Jules Verne, Alexandre Dumas, Geoges Simenon, Ren\u00e9 Goscinny, Balzac, Charles Perrault, Saint-Exup\u00e9ry, Albert Camus, Herg\u00e9 e Victor Hugo<\/em>>.<\/p>\n<p>Do espanhol: <em>Gabriel Garcia M\u00e1rquez, Isabel Allende, M\u00e1rio Vargas Llosa, Cervantes, Jorge Luis Borges, Jos\u00e9 Maria Parram\u00f3n Vilasal\u00f3 <\/em>(\u00e9 autor de manuais de desenho art\u00edstico!), <em>Federico Garcia Lorca, Pablo Neruda, J\u00falio Cort\u00e1zar, Manuel Vasquez Montalb\u00e1n<\/em>.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 mesmo uma salada. Provavelmente indigesta para muita gente. E que reflete determinados momentos do gosto da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Diante dessa salada, dessa geleia geral, o que pode orientar um gestor de pol\u00edticas p\u00fablicas, seja para a aquisi\u00e7\u00e3o de acervos para bibliotecas p\u00fablicas, seja para conceder bolsas de aux\u00edlio para a tradu\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>\u00c9 uma pergunta que aparece sempre. H\u00e1 os que defendem, por exemplo, um \u201ccrit\u00e9rio de qualidade\u201d para seja l\u00e1 o que se fa\u00e7a \u2013 aquisi\u00e7\u00e3o de livros ou outorga de bolsas para a tradu\u00e7\u00e3o. Crit\u00e9rio, \u00e9 claro, que corresponda ao seu. Quem defende \u201cqualidade\u201d est\u00e1 sempre defendendo o seu conceito de qualidade, assim como seu conceito de exotismo. E existe at\u00e9 mesmo quem diga que, no caso de bolsas para a tradu\u00e7\u00e3o, que se adote o crit\u00e9rio exatamente inverso ao da popularidade. Por exemplo, n\u00e3o dar bolsas para a tradu\u00e7\u00e3o do Jorge Amado, ou para o Carlos Drummond de Andrade. O primeiro t\u00e1 na cara: al\u00e9m de ex\u00f3tico, \u00e9 popular. O segundo? No lo s\u00e9. S\u00f3 quem pode dizer \u00e9 quem defende essa proposta.<\/p>\n<p>O fio da navalha sobre o qual caminha o gestor de pol\u00edticas p\u00fablicas \u00e9 afiado. Manter a postura de que \u00e9 democr\u00e1tico garantir que sejam atendidas as demandas do p\u00fablico pagante de impostos e ao mesmo tempo desenvolver a\u00e7\u00f5es proativas de inclus\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil. Caminhar na linha entre os que defendem interesses espec\u00edficos e a aten\u00e7\u00e3o \u00e0s demandas que surgem traz o risco de levar pancada de quem quer que se ache dono de verdades. De qualquer verdade. Verdades pessoais, mas que sempre s\u00e3o apresentadas como universais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia treze de novembro passado, em Ouro Preto, fiz a media\u00e7\u00e3o de uma mesa no F\u00f3rum das Letras, iniciativa de Universidade Federal de Ouro Preto que j\u00e1 est\u00e1 na s\u00e9tima edi\u00e7\u00e3o, e que \u00e9 um dos mais interessantes festivais de literatura entre os que acontecem por aqui. 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