{"id":603,"date":"2011-11-17T16:50:18","date_gmt":"2011-11-17T19:50:18","guid":{"rendered":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=603"},"modified":"2011-11-17T16:50:18","modified_gmt":"2011-11-17T19:50:18","slug":"concorrencia-internet-e-a-falencia-da-border%e2%80%99s","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=603","title":{"rendered":"Concorr\u00eancia, Internet e a fal\u00eancia da Border\u2019s"},"content":{"rendered":"<p>A edi\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica do <em>Publisher\u2019s Weekly<\/em>, a revista da ind\u00fastria editorial americana, publicou hoje uma mat\u00e9ria com Mike Edwards, que era o principal executivo da cadeia de livrarias Border\u2019s quando de sua fal\u00eancia, h\u00e1 alguns meses. Edwards fez uma palestra na Confer\u00eancia Anual do Varejo da Associa\u00e7\u00e3o do Crescimento Corporativo, em New York.<\/p>\n<p>A mat\u00e9ria relata diferentes aspectos do desenvolvimento dos problemas da Border\u2019s, dos quais destacamos aqui alguns:<\/p>\n<p>1 \u2013 A companhia come\u00e7ou a \u201ccrescer por crescer\u201d, no final dos anos 90, segundo Edwards, com um esfor\u00e7o de expans\u00e3o internacional que drenou os recursos e \u201cdistraiu\u201d seus executivos do foco no seu principal mercado, o dos EUA. Recompra de a\u00e7\u00f5es em 2005 aumentou essa drenagem, deixando a companhia com problemas de cash-flow que foram piorando progressivamente;<br \/>\n<!--more--><\/p>\n<p>2 \u2013 Segundo Edwards, o equ\u00edvoco estrat\u00e9gico fundamental da Border\u2019s foi n\u00e3o levar a Internet a s\u00e9rio. A empresa simplesmente terceirizou sua opera\u00e7\u00e3o de Internet. E entregou sua lista de clientes para a Amazon. Visto em retrospectiva, essa medida realmente se mostrou catastr\u00f3fica: literalmente, entregou o ouro ao bandido. <\/p>\n<p>3 \u2013 Ainda em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Internet, Edwards afirmou que a estrutura de custos das lojas f\u00edsicas da Border\u2019s  implicava em \u201ccustos operacionais\u201d de 22% (sobre o que, a mat\u00e9ria n\u00e3o explica), que \u201ca Amazon n\u00e3o tinha\u201d.<\/p>\n<p>4 \u2013 A concorr\u00eancia por descontos no pre\u00e7o de venda e facilidades de entrega foi outro fator de import\u00e2ncia. Segundo Edwards, os clientes iam at\u00e9 uma loja f\u00edsica, folheavam os livros e consultavam o pre\u00e7o na Amazon. Mesmo quando ofereciam \u00e0 Border\u2019s a possibilidade de cobrir a oferta, a loja n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es de faz\u00ea-lo, e perdia a venda. Al\u00e9m disso, com o aumento das vendas de e-books, surgia a necessidade de redimensionar (para menor) o espa\u00e7o das lojas, o que era praticamente imposs\u00edvel. \u201cComo encolher as lojas?\u201d, se perguntava Edwards.<\/p>\n<p>Edwards acredita na conviv\u00eancia de livros eletr\u00f4nicos e livros em papel, mas que essa conviv\u00eancia exigir\u00e1 uma profunda modifica\u00e7\u00e3o nas estrat\u00e9gias e na mentalidade das lojas f\u00edsicas.<\/p>\n<p>No pano de fundo, digo eu, um ponto n\u00e3o mencionado por Edwards: a pol\u00edtica de descontos desenfreada liquida n\u00e3o apenas com as livrarias independentes, mas amea\u00e7a tamb\u00e9m as grandes cadeias diante dos varejistas on-line. N\u00e3o apenas no varejo de livros, j\u00e1 que os vendedores de eletr\u00f4nicos come\u00e7am a enfrentar o mesmo problema. E, nos EUA, onde uma cultura de \u201ccompra por cat\u00e1logo\u201d j\u00e1 estava solidificada desde o s\u00e9culo XIX, o risco \u00e9 que as lojas f\u00edsicas se transformem apenas em alguns poucos e selecionados \u201cshow-rooms\u201d nas grandes cidades. O resto vai online.<\/p>\n<p>Evidentemente isso se apoia em uma cultura de compras e vendas que \u00e9 bem peculiar dos EUA, e que n\u00e3o se transplanta com facilidade para outras sociedades, mas o pre\u00e7o, que mexe com o \u00f3rg\u00e3o mais sens\u00edvel da anatomia humana, vai pesar cada vez mais.<\/p>\n<p><strong>Isolamento e \u201cmeio-ambiente\u201d digital<\/strong><\/p>\n<p>Por outro lado, o blog <em>Publishing Perspectives<\/em> publicou, h\u00e1 alguns dias, mat\u00e9ria sobre o abandono do formato XMDF de livros eletr\u00f4nicos e a descontinuidade do tablet\/e-reader <em>Galapagos<\/em>, da Sharp, vendido no Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>O formato XMDF, propriet\u00e1rio da Sharp, oferecia muitas facilidades para a publica\u00e7\u00e3o com os caracteres japoneses, sem prejudicar a apresenta\u00e7\u00e3o de textos no alfabeto ocidental. Segundo a mat\u00e9ria da <em>Publishing Perspectives<\/em>, dois fatores levaram a esse abandono: a) a Sharp superestimou a quantidade de t\u00edtulos que as grandes editoras japonesas estavam dispostas a oferecer nesse formato, de modo a torna-lo atraente em quantidade de oferta; o mesmo valendo para o n\u00famero de apps desenvolvidos para funcionar exclusivamente no aparelho; b) como leitor dedicado (destinado fundamentalmente \u00e0 leitura de livros eletr\u00f4nicos), as fun\u00e7\u00f5es de tablet do <em>Galapagos<\/em> eram limitadas, fazendo que os consumidores continuassem a preferir o <em>iPad<\/em>, onde as editoras japonesas publicavam t\u00edtulos no formato EPUB, j\u00e1 em plena evolu\u00e7\u00e3o para EPUB3, que permite a apresenta\u00e7\u00e3o de caracteres japoneses com toda fluidez.<\/p>\n<p>O que leva a outras quest\u00f5es.<\/p>\n<p>O leitor de livros eletr\u00f4nicos da Amazon, o <em>Kindle<\/em>, ganha disparado na categoria de leitores dedicados, por duas raz\u00f5es: a) a leitura de textos corridos em p\u00e1ginas de tinta eletr\u00f4nica (e-ink), \u00e9 muito confort\u00e1vel; b) no que diz respeito \u00e0 oferta, a Amazon bate os concorrentes, embora sua oferta seja basicamente de livros em ingl\u00eas e a empresa encontre dificuldades para acrescentar livros em outros idiomas em seu cat\u00e1logo.<\/p>\n<p>O aplicativo do Kindle est\u00e1 dispon\u00edvel tamb\u00e9m para os tablets e smartphones em v\u00e1rios formatos (e eu j\u00e1 reclamei que ainda n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel em portugu\u00eas para o Windows Phone 7,5, embora exista para os aparelhos vendidos fora do Brasil). Ou seja, quem compra livros da Amazon pode l\u00ea-los no <em>iPad<\/em>, nos tablets <em>Android<\/em> e numa multid\u00e3o de smartphones.<\/p>\n<p>Mas, e o <em>Kindle Fire<\/em>? Ser\u00e1 que o tablet da Amazon permite que se leiam livros em EPUB?<\/p>\n<p>As primeiras avalia\u00e7\u00f5es do <em>Kindle Fire<\/em>, j\u00e1 com usu\u00e1rios testando a traquitana, confirmam sua excel\u00eancia como plataforma para produtos da Amazon, mas j\u00e1 andam falando das limita\u00e7\u00f5es do aparelho como plataforma para outras apps, e falta de conectividade 3G, at\u00e9 mesmo pelo Whispernet (plataforma de atualiza\u00e7\u00e3o dos Kindle normais via 3G) j\u00e1 tem provocado muitas cr\u00edticas. O aparelho \u00e9 dependente da conex\u00e3o WI-FI. A funcionalidade do browser propriet\u00e1rio da Amazon tamb\u00e9m j\u00e1 suscitou cr\u00edticas.<\/p>\n<p>Se o <em>Kindle Fire<\/em> jogar exclusivamente na oferta de produtos da Amazon e n\u00e3o abrir as portas para funcionalidades pr\u00f3prias de tablets (especialmente as que est\u00e3o presentes no <em>iPad<\/em>), a Amazon pode estar cometendo um grave erro estrat\u00e9gico. Como a Barnes&#038;Noble est\u00e1 fazendo, posto que sua plataforma <em>Nook<\/em> n\u00e3o vende para o exterior, nem para quem tem o aplicativo instalado em um PC ou smartphone.<\/p>\n<p>Como vemos, a vida digital \u00e9 movimentada&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A edi\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica do Publisher\u2019s Weekly, a revista da ind\u00fastria editorial americana, publicou hoje uma mat\u00e9ria com Mike Edwards, que era o principal executivo da cadeia de livrarias Border\u2019s quando de sua fal\u00eancia, h\u00e1 alguns meses. 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