{"id":557,"date":"2011-10-19T04:02:42","date_gmt":"2011-10-19T07:02:42","guid":{"rendered":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=557"},"modified":"2011-10-19T04:02:42","modified_gmt":"2011-10-19T07:02:42","slug":"a-literatura-brasileira-no-mundo-%e2%80%93-quem-e-quem","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=557","title":{"rendered":"A Literatura Brasileira no Mundo \u2013 Quem \u00e9 quem?"},"content":{"rendered":"<p>Na semana passada dediquei todos os posts deste blog \u00e0 Feira de Frankfurt \u2013 edi\u00e7\u00e3o 1994 -, recuperando essa experi\u00eancia, na qual tive o privil\u00e9gio de trabalhar como um dos organizadores. Eventualmente voltarei a tratar da presen\u00e7a do Brasil em 1994, e certamente das prepara\u00e7\u00f5es que est\u00e3o sendo feitas para 2013.<br \/>\nDesde ontem, entretanto, estou em Santigo de Compostela, na Galiza, Espanha, participando do IV Encontro Internacional do Conex\u00f5es Ita\u00fa Cultural \u2013 Mapeamento Internacional da Literatura Brasileira, do qual sou um dos curadores. Claudiney Ferreira, que conhe\u00e7o desde quando produzia o programa de r\u00e1dio Certas Palavras, \u00e9 o Gerente do N\u00facleo Di\u00e1logos do Ita\u00fa Cultural, onde est\u00e1 o Conex\u00f5es, cuja curadoria compartilho com o professor Jo\u00e3o Cezar de Castro Rocha.<br \/>\n<!--more--><\/p>\n<p>Anualmente fazemos um encontro do Conex\u00f5es, reunindo pesquisadores, professores e tradutores da literatura brasileira e escritores, para conversar sobre a difus\u00e3o da nossa literatura no mundo . Este ano, gra\u00e7as ao empenho de Carmen Villarino Pardo, professora de literatura na Universidade de Santiago de Compostela, e com o patroc\u00ednio do Consello da Cultura Galega e de outras institui\u00e7\u00f5es, fazemos o encontro aqui na cidade dos peregrinos.<br \/>\nDuas coisas j\u00e1 h\u00e1 muito entraram no meu radar. A primeira, mais antiga, \u00e9 a da origem comum do galego e do portugu\u00eas, com o galaico-portugu\u00eas como tronco comum. A segunda, \u00e9 a da import\u00e2ncia, na Espanha p\u00f3s-Franco, do renascimento do sentimento nacionalista das comunidades aut\u00f4nomas: catal\u00e3es, valencianos, bascos, galegos (Castilha n\u00e3o entra nessa hist\u00f3ria porque os madrilenos se consideram, pura e simplesmente, como \u201cdonos\u201d da hispanidade).<br \/>\n Depois de algumas visitas a Barcelona, j\u00e1 sabia da for\u00e7a do nacionalismo catal\u00e3o. Meu amigo Vicente Gomez Roig, valenciano (que vivem em disputa com os catal\u00e3es), conta a piada de que a Catalunha \u00e9 a comunidade espanhola onde existem mais ateus: \u201c\u00e9 dif\u00edcil para os catal\u00e3es acreditarem em um ser superior a um catal\u00e3o\u201d, diz ele. O nacionalismo basco \u00e9, por sua vez, muito conhecido por conta da ETA.<br \/>\nN\u00e3o conhecia de perto, entretanto, o nacionalismo galego.<br \/>\nUma boa parte dos imigrantes portugueses que emigraram ao Brasil, desde o final do s\u00e9culo XIX, s\u00e3o minhotos. O Minho \u00e9 a Gal\u00edcia portuguesa que n\u00e3o se reconhece como tal. Os galegos, por sua vez, contribu\u00edram com grandes contingentes de emigrantes para a Am\u00e9rica hispano-falante.<br \/>\nO nacionalismo galego vive uma situa\u00e7\u00e3o complicada, da qual certamente n\u00e3o pretendo dar conta aqui. Basta dizer que os dirigentes da Comunidade Auton\u00f4mica s\u00e3o do PP \u2013 Partido Popular, da direita, que procura negar essa diversidade cultural e \u201cnacional\u201d espanhola. Jos\u00e9 Maria Aznar, ex-premi\u00ea espanhol, pretendeu colocar na Constitui\u00e7\u00e3o artigos \u201cunitaristas\u201d, inclusive com a declara\u00e7\u00e3o da predomin\u00e2ncia da igreja cat\u00f3lica na constitui\u00e7\u00e3o da \u201chispanidade\u201d. Franco era galego (Salazar tamb\u00e9m), e reprimiu ferozmente as autonomias espanholas. Assim, o nacionalismo galego se v\u00ea meio pendurado na brocha na arena pol\u00edtica, imprensado entre alguns grupos reduzid\u00edssimos de ultranacionalistas \u201cde esquerda\u201d (aspas de prop\u00f3sito), e o governo auton\u00f4mico de direita.<br \/>\nNa \u00e1rea cultural, entretanto, existem movimentos interessantes.<br \/>\nUm desses aspectos \u00e9, na \u00e1rea acad\u00eamica, um aprofundamento das liga\u00e7\u00f5es do galego com o portugu\u00eas. Os galegos consideram que seu idioma n\u00e3o est\u00e1 apenas na origem do portugu\u00eas, mas que o idioma na verdade \u00e9 o galaico-portugu\u00eas, que t\u00eam tr\u00eas vertentes principais: o galego, o portugu\u00eas de Portugal e o portugu\u00eas do Brasil. Ou, como diriam outros, o galego, o portugu\u00eas e o brasileiro. Tanto assim que a Comunidade Galega solicitou seu ingresso na Comunidade dos Pa\u00edses da L\u00edngua Portuguesa, como observador.<br \/>\nPosso afirmar que compreendo melhor o galego falado do que o portugu\u00eas lisboeta. \u00c9 impressionante. O galego tem uma sonoridade, um tratamento das vogais, principalmente, que nos soa com maior familiaridade que o lisboeta.<br \/>\nA ortografia sim, tem diferen\u00e7as significativas. Diz Carmen Villarino que isso se deve a que a consolida\u00e7\u00e3o ortogr\u00e1fica j\u00e1 se deu no contexto da influ\u00eancia do castelhano, e da\u00ed o \u201cestranhamento\u201d que notamos na ortografia. Compreens\u00edvel para n\u00f3s, depois do choque inicial mas, ainda assim, intelig\u00edvel.<br \/>\nO curioso \u00e9 que o rev\u00e9s aparentemente n\u00e3o \u00e9 verdadeiro. Os galegos, aparentemente, n\u00e3o sentem tanta dificuldade na leitura do portugu\u00eas (pelo menos os galegos mais cultos). Tanto assim que est\u00e1 sendo lan\u00e7ada hoje, aqui em Santiago, uma antologia de contos brasileiros organizada pela Carmen Villarino e pelo Luiz Ruffato, com a ortografia original brasileira.<br \/>\nPosso imaginar que isso se deva a um fen\u00f4meno paralelo ao que meu professor de lingu\u00edstica na Universidad de San Marcos, Alfredo Torero , usava para explicara facilidade que os brasileiros tinham para falar espanhol, e principalmente entender o espanhol (castelhano) tanto falado quanto o escrito. Dizia o Torero que isso se devia ao fato de que existiam, no portugu\u00eas, todos os fonemas do castelhano, enquanto neste estavam ausente as nasais (\u00e3o, \u00f5es, etc.) Bem, o galego tem todos os fonemas do portugu\u00eas (ou do galaico-portugu\u00eas, como dizem), de modo que essas dificuldades fon\u00e9ticas para a compreens\u00e3o do portugu\u00eas e do brasileiro est\u00e3o ausentes. Apesar das diferen\u00e7as ortogr\u00e1ficas, os fonemas est\u00e3o ali.<br \/>\nO presidente do Consello da Cultura Galega, em seu discurso de abertura do Conex\u00f5es, usou uma express\u00e3o deliciosa: na Galiza \u2013 disse ele \u2013 est\u00e1 o manancial original dessa grande corrente que desceu por Portugal at\u00e9 o Algarve e dali atravessou os mares e foi parar no Brasil e nos pa\u00edses africanos de l\u00edngua portuguesa.<br \/>\nOs galegos querem ler mais literatura brasileira, na sua vers\u00e3o original, n\u00e3o em \u201ctradu\u00e7\u00f5es\u201d que consideram desnecess\u00e1rias. E temos que encontrar meios para resolver os problemas log\u00edsticos. Tanto quanto precisamos encontrar o modo de resolver os problemas de distribui\u00e7\u00e3o de livros no Brasil, onde levar livros para o interior do Amazonas talvez seja mais dif\u00edcil que leva-los para a Galiza. Porque, como assinalou Carlos Quiroga, romancista galego, os livros brasileiros poderiam chegar aqui atrav\u00e9s do \u201cprint on demand\u201d, com impress\u00f5es digitais em pequenas tiragens. O que n\u00e3o \u00e9 solu\u00e7\u00e3o poss\u00edvel para ser aplicada em Manicor\u00e9, o munic\u00edpio amazonense no rio Madeira onde meu pai nasceu, mas vi\u00e1vel em Santiago de Compostela.<br \/>\nO III Encontro Conex\u00f5es Ita\u00fa Cultural \u2013 Mapeamento Internacional da Literatura Brasileira est\u00e1 com transmiss\u00f5es ao vivo pela internet, em streaming gerado pelo site do <strong><a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www.consellodacultura.org\/');\"  href=\"http:\/\/www.consellodacultura.org\/\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fwww.consellodacultura.org%2F','Consello+da+Cultura+Galega')\" target=\"_blank\">Consello da Cultura Galega<\/a><\/strong>. A programa\u00e7\u00e3o pode ser consultada ali ou no site do <a href=\"www.conexoesitaucultural.org.br\" target=\"_blank\">Conex\u00f5es<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na semana passada dediquei todos os posts deste blog \u00e0 Feira de Frankfurt \u2013 edi\u00e7\u00e3o 1994 -, recuperando essa experi\u00eancia, na qual tive o privil\u00e9gio de trabalhar como um dos organizadores. Eventualmente voltarei a tratar da presen\u00e7a do Brasil em 1994, e certamente das prepara\u00e7\u00f5es que est\u00e3o sendo feitas para 2013. 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