{"id":549,"date":"2011-10-11T13:13:44","date_gmt":"2011-10-11T16:13:44","guid":{"rendered":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=549"},"modified":"2011-10-11T13:13:44","modified_gmt":"2011-10-11T16:13:44","slug":"o-brasil-em-frankfurt-em-1994-%e2%80%93-daqui-para-2013","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=549","title":{"rendered":"O BRASIL EM FRANKFURT EM 1994 \u2013  DAQUI PARA 2013"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?attachment_id=550\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Foxisdoproblema.com.br%2F%3Fattachment_id%3D550','Capturar')\" rel=\"attachment wp-att-550\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/Capturar.jpg\" alt=\"\" title=\"Capturar\" width=\"854\" height=\"467\" class=\"aligncenter size-full wp-image-550\" srcset=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/Capturar.jpg 854w, http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/Capturar-300x164.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 854px) 100vw, 854px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A Feira do Livro de Frankfurt 2011 come\u00e7a amanh\u00e3. O Brasil estar\u00e1 presente em um estande que conta com o apoio da Biblioteca Nacional e do programa Brazilian Publishers, da APEX \u2013 Ag\u00eancia de Promo\u00e7\u00e3o de Exporta\u00e7\u00f5es, do Minist\u00e9rio da Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio. Mais editoras brasileiras ter\u00e3o estandes pr\u00f3prios. Durante muitos anos algumas editoras religiosas se abrigavam junto de suas cong\u00eaneres internacionais, como a Paulus e as Paulinas. J\u00e1 h\u00e1 algum tempo, a Companhia das Letras mantinha seu pr\u00f3prio estande, este ano acompanhada nesse tipo de iniciativa pela Record e pelo Grupo A. O Brasil \u00e9 foco de aten\u00e7\u00f5es. O olho grande do mercado internacional considera o pa\u00eds, hoje, um dos principais mercados de direitos autorais. <\/p>\n<p>\u00d3timo que esteja assim hoje.<\/p>\n<p>Dezenove anos depois da primeira vez em que o Brasil foi Pa\u00eds Convidado da Feira, tentei, nestes \u00faltimos dias, no meu blog www.oxisdoproblema.com.br, dar um panorama do que foi feito e dos problemas enfrentados. Meu objetivo \u00e9 muito simples: como n\u00e3o se constr\u00f3i a partir do nada, queria refrescar a mem\u00f3ria, fazer o balan\u00e7o do bom e do ruim e contribuir, assim, para termos uma participa\u00e7\u00e3o vibrante e proveitosa em 2013. Aqui vou tentar resumir o caso.<br \/>\n<!--more--><br \/>\nUma primeira e muito significativa diferen\u00e7a entre 1994 e 2013 \u00e9 a participa\u00e7\u00e3o e a postura do governo brasileiro e das entidades do livro.<\/p>\n<p>Em 1994, a iniciativa coube principalmente aos editores. A CBL \u2013 C\u00e2mara Brasileira do Livro, e o SNEL \u2013 Sindicato Nacional de Editores de Livros (principalmente a primeira) tomaram a iniciativa (e pagaram uma parcela nada desprez\u00edvel da conta), organizaram a participa\u00e7\u00e3o e, de certa forma, arrastaram um Minist\u00e9rio da Cultura desarticulado para participar do evento. Desta vez \u00e9 o contr\u00e1rio. Tudo indica que o Minist\u00e9rio da Cultura, atrav\u00e9s da Funda\u00e7\u00e3o Biblioteca Nacional, \u00e9 quem tomar\u00e1 a iniciativa.<\/p>\n<p>Quais os principais resultados positivos de 1994?<\/p>\n<p>O Brasil levou para Frankfurt uma amostra ampla de sua cultura, atrav\u00e9s de exposi\u00e7\u00f5es, presen\u00e7a de autores antes, durante e depois da Feira. At\u00e9 aquele momento, pouqu\u00edssimas vezes fora apresentada tal variedade de aspectos da cultura brasileira no exterior, e a repercuss\u00e3o foi muito significativa.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o brasileira contratou uma empresa especializada para recolher o clipping de mat\u00e9rias publicadas sobre o Brasil \u2013 particularmente sobre as atividades relacionadas com a Feira \u2013 nos jornais alem\u00e3es. O resultado foi a contabiliza\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias com o espa\u00e7o (cent\u00edmetro\/coluna) equivalente a 178,82 p\u00e1ginas de jornal tamanho padr\u00e3o brasileiro. Esse espa\u00e7o foi avaliado pelos crit\u00e9rios da Stamm Presse-und-Medienhandbuch Tariffe e o valor encontrado correspondia a US $ 8.854.950 (oito milh\u00f5es, oitocentos e cinquenta e quatro mil, novecentos e cinquenta d\u00f3lares americanos). O investimento brasileiro foi equivalente a US $ 2.947.000 (dois milh\u00f5es, novecentos e quarenta e sete mil d\u00f3lares americanos), dos quais a CBL teve que usar recursos pr\u00f3prios no valor de US $ 1.047.000 (hum milh\u00e3o e quarenta e sete mil d\u00f3lares), tudo em valores da \u00e9poca. O investimento p\u00fablico, considerando-se recursos or\u00e7ament\u00e1rios e o incentivo fiscal, foi de US $ 1.900.000 (hum milh\u00e3o e novecentos mil d\u00f3lares). Desses, um milh\u00e3o coube ao minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores.<\/p>\n<p>O notici\u00e1rio internacional sobre a participa\u00e7\u00e3o do Brasil na Feira de Frankfurt em 1994 mostrou ao p\u00fablico de outros pa\u00edses que o Brasil era um pa\u00eds muito mais rico e complexo culturalmente do que transparecia na imprensa internacional de ent\u00e3o. As not\u00edcias foram amplamente positivas para o pa\u00eds, com aproximadamente 90% de avalia\u00e7\u00f5es positivas ou neutras. Mesmo as not\u00edcias negativas, com aspectos cr\u00edticos, n\u00e3o deixavam de mencionar diferentes aspectos positivos do Brasil e de sua cultura.  O notici\u00e1rio internacional na \u00e9poca n\u00e3o tinha a menor semelhan\u00e7a com o que se fala do Brasil hoje. \u00c9ramos o pa\u00eds que massacrava crian\u00e7as na Candel\u00e1ria, o pa\u00eds das injusti\u00e7as sociais, o pa\u00eds que tinha impedido o presidente da Rep\u00fablica e que rec\u00e9m tinha feito uma reforma monet\u00e1ria que ningu\u00e9m ainda tinha certeza de que daria certo.<\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o do Brasil em Frankfurt rendeu, naquele ano e por mais algum tempo, um aumento no n\u00famero de tradu\u00e7\u00f5es de autores brasileiros. Nada que possa nos colocar nem perto do volume de tradu\u00e7\u00f5es de autores anglo-sax\u00f5es, evidentemente. Mas, para autores que escrevem em portugu\u00eas, um idioma insular, de escassa import\u00e2ncia econ\u00f4mica internacional, com falantes restritos ao Brasil e Portugal e uma pequena parcela dos habitantes das ex-col\u00f4nias portuguesas em \u00c1frica e \u00c1sia, foi um aumento significativo. Tanto assim que Frankfurt 1994 \u00e9 uma das raz\u00f5es pelas quais, anos depois, o Instituto Ita\u00fa Cultural instituiu o programa <strong><a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www.conexoesitaucultural.org.br');\"  href=\"http:\/\/www.conexoesitaucultural.org.br\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fwww.conexoesitaucultural.org.br','Conex%C3%B5es+%E2%80%93+Mapeamento+Internacional+da+Literatura+Brasileira')\" target=\"_blank\">Conex\u00f5es \u2013 Mapeamento Internacional da Literatura Brasileira<\/a><\/strong>, que mapeia a presen\u00e7a da nossa literatura pelo mundo afora, e com resultados positivamente surpreendentes.<\/p>\n<p>Foi tudo bem?<\/p>\n<p>Evidentemente que n\u00e3o. Ao se observar o passado, vemos os erros cometidos: pod\u00edamos ter escolhido um autor mais vibrante e significativo para fazer o discurso de abertura, por exemplo. Outros certamente podem apontar mais defici\u00eancias, erros e equ\u00edvocos. Certamente aconteceram.<\/p>\n<p>Mas a grande oportunidade desperdi\u00e7ada a partir do esfor\u00e7o de Frankfurt 1994 aconteceu depois, com o esvanecimento das tentativas de estabelecer pol\u00edticas p\u00fablicas de divulga\u00e7\u00e3o da cultura e do livro brasileiro no exterior, e mesmo com o n\u00e3o aproveitamento do material recolhido na ocasi\u00e3o.<\/p>\n<p>Tome-se, por exemplo, o clipping j\u00e1 mencionado. Podia muito bem ter sido a base para que o Itamaraty ou o Minist\u00e9rio da Cultura come\u00e7asse a montar um amplo cadastro de jornalistas e meios de comunica\u00e7\u00e3o para os quais se enviassem, sistematicamente, informa\u00e7\u00f5es sobre a cultura brasileira. N\u00e3o foi feito isso.<\/p>\n<p>O Itamaraty, ali\u00e1s, ainda que possamos tranquilamente cit\u00e1-lo como exemplo de excel\u00eancia no servi\u00e7o p\u00fablico \u2013 e sua atua\u00e7\u00e3o em Frankfurt 1994 mostrou isso, como assinalei e elogiei &#8211; permanece aqu\u00e9m das exig\u00eancias de uma pol\u00edtica de Estado para a cultura. Aparte o acompanhamento de tratados e conven\u00e7\u00f5es internacionais, onde nossos diplomatas atuam com vigor, como foi o caso da Conven\u00e7\u00e3o sobre a Diversidade Cultural, sob outros aspectos a atua\u00e7\u00e3o do Itamaraty deixa muit\u00edssimo a desejar. V\u00e1rios Centros de Estudos Brasileiros foram fechados como consequ\u00eancia de uma pol\u00edtica equivocada de exigir que se mantivessem com recursos locais, implementada a partir de 1996; as a\u00e7\u00f5es das embaixadas e consulados, na \u00e1rea cultural, dependem quase exclusivamente da iniciativa dos seus titulares e n\u00e3o existe uma diretriz e uma pol\u00edtica coerente e aplicada de forma sistem\u00e1tica. O Instituto Machado de Assis para a promo\u00e7\u00e3o da l\u00edngua portuguesa e da nossa cultura nunca saiu do papel. Sinceramente, quando vemos o que faz o Instituto Cam\u00f5es, d\u00e1 vergonha.<\/p>\n<p>No \u00e2mbito do Minist\u00e9rio da Cultura a coisa foi ainda pior. J\u00e1 mencionei como o programa de bolsas para tradu\u00e7\u00e3o foi irregular, com alguns anos sem ser aplicado e sempre com valores muito aqu\u00e9m do necess\u00e1rio. Somente este ano institui-se, com Galeno Amorim, uma pol\u00edtica de longo prazo, que esperamos d\u00ea frutos consistentes. C\u00e1tedras de estudos de literatura que existiram durante algum tempo tamb\u00e9m foram fechadas, como \u00e9 particularmente o caso da de Oxford.<\/p>\n<p>Em suma, ao sucesso de 1994 sucedeu-se a falta de continuidade. E o que se tinha conseguido foi sendo dilu\u00eddo e quase perdido.<br \/>\nA grande li\u00e7\u00e3o de 1994 (e de alguns outros eventos mais recentes, como o Ano do Brasil na Fran\u00e7a e da Fran\u00e7a no Brasil, Copa da Cultura e etc.) \u00e9 que, se n\u00e3o h\u00e1 continuidade e coer\u00eancia nas pol\u00edticas p\u00fablicas de cultura, fazemos belas festas, mas o resultado dessas se esgota rapidamente. Isso \u00e9 o que tem que ser evitado.<\/p>\n<p>Para 2013, devo assinalar como positivo o esfor\u00e7o de estabelecimento dessas pol\u00edticas p\u00fablicas de Estado. O programa de tradu\u00e7\u00f5es e o apoio \u00e0 presen\u00e7a de autores brasileiros no exterior, os pr\u00eamios e bolsas de viagem de tradutores estrangeiros para o Brasil s\u00e3o exemplos altamente positivos. Receio que j\u00e1 estejamos um tanto atrasado na constru\u00e7\u00e3o das parcerias com as institui\u00e7\u00f5es alem\u00e3s, t\u00e1tica que usamos com muita felicidade e \u00eaxito em 1994, e que n\u00e3o apenas diminuiu consideravelmente os custos, como permitiu uma repercuss\u00e3o mais significativa para as exposi\u00e7\u00f5es levadas.<\/p>\n<p>Vamos ter, certamente, a repeti\u00e7\u00e3o das pol\u00eamicas relacionadas com os autores que participar\u00e3o dos eventos em 2013. Como disse em post anterior, isso \u00e9 inevit\u00e1vel. <\/p>\n<p>Fiz um levantamento, incompleto, de mat\u00e9rias publicadas na \u00e9poca pela imprensa brasileira. Pensei em deixar aqui os links para que os leitores vissem por si mesmos a famosa mentalidade de vira-latas, met\u00e1fora t\u00e3o cara ao Nelson Rodrigues, da imprensa brasileira, mas desisti. Sinceramente, n\u00e3o queria que os leitores de hoje tivessem \u201cvergonha alheia\u201d ao ler certas mat\u00e9rias publicadas em jornais e revistas, inclusive artigos publicados por editores naquela \u00e9poca. Afinal, o esfor\u00e7o daquele ano valeu a pena e n\u00e3o quero que minha alma se apequene.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Feira do Livro de Frankfurt 2011 come\u00e7a amanh\u00e3. O Brasil estar\u00e1 presente em um estande que conta com o apoio da Biblioteca Nacional e do programa Brazilian Publishers, da APEX \u2013 Ag\u00eancia de Promo\u00e7\u00e3o de Exporta\u00e7\u00f5es, do Minist\u00e9rio da Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio. Mais editoras brasileiras ter\u00e3o estandes pr\u00f3prios. 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