{"id":447,"date":"2011-10-04T12:30:50","date_gmt":"2011-10-04T15:30:50","guid":{"rendered":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=447"},"modified":"2011-10-09T20:11:43","modified_gmt":"2011-10-09T23:11:43","slug":"a-biblioteca-de-babel-existe","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=447","title":{"rendered":"A Biblioteca de Babel existe?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?attachment_id=448\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Foxisdoproblema.com.br%2F%3Fattachment_id%3D448','pn+4-10-2011')\" rel=\"attachment wp-att-448\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/pn-4-10-2011.jpg\" alt=\"\" title=\"pn 4-10-2011\" width=\"990\" height=\"416\" class=\"aligncenter size-full wp-image-448\" srcset=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/pn-4-10-2011.jpg 990w, http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/pn-4-10-2011-300x126.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 990px) 100vw, 990px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Acabei de ler (no meu Kindle), o livro Information \u2013 A History \u2013 A Theory \u2013 A Flood (Informa\u00e7\u00e3o \u2013 Uma Hist\u00f3ria \u2013 Uma Teoria \u2013 Uma Inunda\u00e7\u00e3o), de James Gleick (Pantheon Press). J\u00e1 li dois outros livros de Gleick \u2013 Genius, que \u00e9 uma biografia de Richard Feynman, talvez o \u00faltimo g\u00eanio da f\u00edsica do S\u00e9culo XX, e a biografia de Isaac Newton, quando o autor teve que tirar leite de pedra para conseguir os fatos do formulador da lei da gravidade, um bizarro que gostava de queimar todos seus papeis.<br \/>\nEm Information, Gleick come\u00e7a mostrando como funciona, de fato, a comunica\u00e7\u00e3o por tambores usada na \u00c1frica, trata do tel\u00e9grafo, da criptografia e detalha o surgimento da teoria da informa\u00e7\u00e3o e de como esta foi se imbricando com a f\u00edsica qu\u00e2ntica, a gen\u00e9tica, o acaso, o facebook e a Wikip\u00e9dia, e termina nas indaga\u00e7\u00f5es sobre a biblioteca de Babel.<br \/>\nMas, antes de chegar l\u00e1, Gleick vai mostrando uma galeria de personagens fant\u00e1sticos. Ele realmente consegue transformar em algo sensacional e eletrizante (!) a vida de f\u00edsicos, engenheiros e outros quetais.<br \/>\n<!--more--><br \/>\nAlgumas p\u00e9rolas.<br \/>\nTodos n\u00f3s, letrados, j\u00e1 ouvimos falar do poeta rom\u00e2ntico ingl\u00eas Lord Byron. N\u00e3o apenas por seu papel no romantismo como pelas viagens, inclusive a famosa estadia em Genebra com Percy e Mary Shelley, quando esta escreveu Frankenstein. Acusado de ter tido uma filha com a irm\u00e3, Augusta, Byron casou-se com outra aristocrata inglesa, Anne Milbanke, e com ela teve uma filha, Ada Augusta Byron King, Condessa de Lovelace. Essa mocinha, com esse nome que nos faz lembrar o filme Deep Throath, foi uma matem\u00e1tica de alt\u00edssimo n\u00edvel, e \u00e9 considerada a primeira programadora de computadores \u2013 na primeira metade do s\u00e9culo XIX. Ela programou o computador projetado por Babbage, outro matem\u00e1tico, que n\u00e3o conseguiu construi-lo porque a metalurgia da \u00e9poca n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas para isso. J\u00e1 no s\u00e9culo XX a m\u00e1quina foi feita e funcionou, seguindo a programa\u00e7\u00e3o de Lovelace.<br \/>\nPodem acreditar que o livro tem muito mais personagens geniais, bizarros e pacatamente criativos que foram construindo a teoria da informa\u00e7\u00e3o. Uma del\u00edcia de leitura.<br \/>\nClaude Shannon, matem\u00e1tico e pesquisador do Bell Laboratory, foi quem definiu o \u201cbit\u201d como a unidade m\u00ednima de informa\u00e7\u00e3o existente. No mesmo laborat\u00f3rio e na mesma \u00e9poca da inven\u00e7\u00e3o do trans\u00edstor, e a combina\u00e7\u00e3o das duas coisas levou a hoje podermos ler esse texto em computadores que podem estar separados por milhares de quil\u00f4metros, recebendo dados armazenados na \u201cnuvem\u201d.<br \/>\nEssa tortuosa hist\u00f3ria, entretanto, interessa aqui pelas implica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas e filos\u00f3ficas que dizem respeito \u00e0 Biblioteca de Babel, a inven\u00e7\u00e3o borgiana, na qual metaforicamente estaria depositado todo o conhecimento humano. \u201cO Universo, (que outros chamam de biblioteca)\u201d e o seu paradoxo: nenhum conhecimento pode ser descoberto ali porque todo conhecimento j\u00e1 est\u00e1 l\u00e1, lado a lado nas prateleiras que contem todos os livros sobre todas as coisas em todos os idiomas.<br \/>\nA Biblioteca de Babel \u00e9 o caso perfeito do empanturramento de informa\u00e7\u00e3o que nos assola. Imaginariamente, Borges j\u00e1 tinha descrito esse verdadeiro caos que \u00e9 a abund\u00e2ncia da informa\u00e7\u00e3o, que nos bombardeia por todos os lados, a todo instante. Biblioteca de Babel que a Wikip\u00e9dia imagina reproduzir, como a enciclop\u00e9dia de todas as enciclop\u00e9dias. Biblioteca de Babel que o Google quer que exista online, com todos os livros do mundo, em todos os idiomas, digitalizados e dispon\u00edveis \u201cna nuvem\u201d.<br \/>\nO caos.<br \/>\nNo entanto, no final, a sem\u00e2ntica, o significado, termina por prevalecer. Ao contr\u00e1rio da inven\u00e7\u00e3o borgiana, os sistemas de informa\u00e7\u00e3o criaram seus sistemas de busca e filtro, e \u00e9 isso que nos separa da Biblioteca de Babel, onde tudo est\u00e1 e nada \u00e9 encontrado. Diferenciar entre informa\u00e7\u00e3o e significado no meio dessa pletora de bits \u00e9 o que restaura nossa humanidade. Os engenheiros simplesmente nos deram a oportunidade de explorar melhor, ao compreender, que informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 significado, n\u00e3o \u00e9 conhecimento.<br \/>\nO Universo \u00e9 a Biblioteca de Babel, mas n\u00f3s \u00e9 que damos significado a ela.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acabei de ler (no meu Kindle), o livro Information \u2013 A History \u2013 A Theory \u2013 A Flood (Informa\u00e7\u00e3o \u2013 Uma Hist\u00f3ria \u2013 Uma Teoria \u2013 Uma Inunda\u00e7\u00e3o), de James Gleick (Pantheon Press). 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