{"id":356,"date":"2011-09-20T12:51:23","date_gmt":"2011-09-20T15:51:23","guid":{"rendered":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=356"},"modified":"2011-10-09T20:13:40","modified_gmt":"2011-10-09T23:13:40","slug":"a-%e2%80%9cbiblioteca-civilizatoria%e2%80%9d-e-a-biblioteca-como-servico-publico","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=356","title":{"rendered":"A \u201cBiblioteca Civilizat\u00f3ria\u201d e a Biblioteca como servi\u00e7o p\u00fablico"},"content":{"rendered":"<p>Uma das afirmativas mais recorrentes nos trabalhos que tratam de bibliotecas p\u00fablicas diz respeito ao \u201cpapel civilizat\u00f3rio\u201d que esta deve desempenhar. Entende-se por \u201cpapel civilizat\u00f3rio\u201d, essencialmente, a presen\u00e7a nos acervos de bibliotecas p\u00fablicas de certa quantidade de t\u00edtulos aos quais se atribui \u2013 geralmente em meio a disputas acirradas \u2013 a qualidade de comporem um \u201cc\u00e2non\u201d de leituras indispens\u00e1veis. Geralmente os \u201cleitur\u00f3logos\u201d atribuem a esse c\u00e2non a capacidade de transformar um leitor \u201cinstrumental\u201d em um \u201cleitor cr\u00edtico\u201d.<br \/>\nQuando aceitam ir mais al\u00e9m do c\u00e2non, os \u201cleitur\u00f3logos\u201d geralmente passam a argumentar sobre a necessidade de que, pelo menos, os livros sejam \u201cde qualidade\u201d. Ou seja, acervos cujo valor simb\u00f3lico \u00e9 o valorizado por aquele campo intelectual que discute e legitimiza os atributos do \u201cbom livro\u201d e da \u201cboa leitura\u201d. \u00c9 uma atitude pr\u00f3xima \u00e0 da cr\u00edtica liter\u00e1ria tradicional. Mas, no que diz respeito aos \u201cleitur\u00f3logos\u201d h\u00e1 um componente adicional autorit\u00e1rio que o campo da cr\u00edtica muitas vezes gostaria de ter, mas n\u00e3o disp\u00f5e de instrumentos.<br \/>\nOs cr\u00edticos disp\u00f5em principalmente de um poder simb\u00f3lico, que incorpora ou exclui as obras no c\u00e2non, mas deixa aberta ao leitor a decis\u00e3o final sobre o que ler ou n\u00e3o.<br \/>\n<!--more--><\/p>\n<p>Os \u201cleitur\u00f3logos\u201d querem dar mais um passo. Pretendem estender seu poder classificat\u00f3rio \u00e0 composi\u00e7\u00e3o dos acervos, de fato impedindo que os frequentadores das bibliotecas tenham acesso ao que seja por eles considerado irrelevante, sem qualidade ou mesmo mal\u00e9fico. O \u201cpapel civilizat\u00f3rio\u201d das bibliotecas se expressaria, portanto, na disponibiliza\u00e7\u00e3o para o p\u00fablico t\u00e3o somente dos livros \u201cde qualidade\u201d.<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 uma posi\u00e7\u00e3o nova. Apenas atualiza o que aconteceu nos prim\u00f3rdios da Renascen\u00e7a, quando \u201cbiblioteca\u201d e \u201cc\u00e2non\u201d eram quase sin\u00f4nimos, como mostra Mattew Battles em \u201cA conturbada Hist\u00f3ria das bibliotecas\u201d.<br \/>\nCuriosamente, o embate sobre a qualidade dos livros se d\u00e1 de formas bem diferenciadas entre os bibliotec\u00e1rios e leitur\u00f3logos formados na tradi\u00e7\u00e3o do racionalismo iluminista \u2013 no caso, principalmente a tradi\u00e7\u00e3o francesa e suas afiliadas \u2013 e os formados na tradi\u00e7\u00e3o pragm\u00e1tica da Inglaterra do S\u00e9culo XIX.<br \/>\nSem que as respectivas posi\u00e7\u00f5es sejam necessariamente excludentes ou antag\u00f4nicas, os primeiros valorizam muito mais a forma, a exibi\u00e7\u00e3o de erudi\u00e7\u00e3o e o que a cr\u00edtica convenciona em aceitar como literariamente relevante, os segundos se at\u00eam muito mais \u00e0s restri\u00e7\u00f5es do conte\u00fado \u2013 moral e religioso, principalmente \u2013 que possam transparecer nos livros. Assim, a cr\u00edtica racionalista e iluminista absorve positivamente Rabelais, para dar um exemplo, sem se escandalizar com a escatologia de Pantagruel e Gang\u00e2ntua, louva mais adiante O Amante de Lady Chatterley e Ulisses. Todos s\u00e3o livros que se incorporam ao c\u00e2non em fun\u00e7\u00e3o do reconhecimento de suas qualidades est\u00e9ticas.<br \/>\nNo universo anglo-sax\u00e3o, entretanto, d\u00e1-se um peso muito maior ao conte\u00fado moral e eventualmente religioso dos livros. Evidentemente O Para\u00edso Perdido de Milton \u00e9 n\u00e3o apenas um poema cl\u00e1ssico no sentido estrito do termo, pela sua beleza e rigor formal. Mas \u00e9, antes disso, ou paralelamente a isso, uma express\u00e3o acabada da teologia puritana, sendo assim um livro edificante. O pr\u00f3prio Milton \u2013 acompanhado de muitos pensadores puritanos \u2013 simplesmente detestava o esteticismo, o prazer da leitura por si mesmo e n\u00e3o hesitava em condenar asperamente as express\u00f5es liter\u00e1rias de papismo, ate\u00edsmo e outras varia\u00e7\u00f5es que se enfrentassem ao puritanismo. Para eles, a leitura que n\u00e3o fosse teologicamente consistente era simplesmente pecaminosa e condenada. O paradoxo provocado por essa vis\u00e3o \u00e9 a presen\u00e7a da censura nos pa\u00edses onde a liberdade de express\u00e3o \u00e9 cultivada, como nos Estados Unidos, onde a censura tentou impedir a venda \u2013 e a presen\u00e7a nas bibliotecas \u2013 das mesmas obras de Joyce e D.H. Lawrence t\u00e3o louvadas na Fran\u00e7a. E na mesma linha de racioc\u00ednio essas pessoas tentam impedir a presen\u00e7a da s\u00e9rie do Harry Potter nas bibliotecas americanas (bruxaria!).<br \/>\nAssim, enquanto livros \u201cpr\u00e1ticos\u201d est\u00e3o no fundamento da organiza\u00e7\u00e3o dos sistemas de bibliotecas na Inglaterra e nos Estados Unidos \u2013 impulsionados por um esp\u00edrito pr\u00e1tico e empreendedor, do saber para fazer e resolver problemas (inclusive emocionais) \u2013 os nossos \u201cleitur\u00f3logos\u201d esteticistas e adeptos das grandes filosofias, enfatizam ad nauseam a quest\u00e3o da \u201cqualidade\u201d, como garantia do papel civilizat\u00f3rio das bibliotecas, locus da forma\u00e7\u00e3o do \u201cleitor cr\u00edtico\u201d, capaz de ter uma percep\u00e7\u00e3o ampla da sociedade e de seu lugar nela, capacitando-o para agir de modo a transform\u00e1-la.<br \/>\nAs duas posi\u00e7\u00f5es representam campos de disputa intelectual que se desenvolvem segundo din\u00e2micas pr\u00f3prias. O que interessa aqui \u00e9 perceber como \u2013 e em que medida \u2013 essas disputas podem interferir legitimamente nas pol\u00edticas p\u00fablicas, e em particular em uma pol\u00edtica p\u00fablica para bibliotecas.<br \/>\nEm primeiro lugar \u00e9 evidente que as bibliotecas p\u00fablicas devem ter dispon\u00edveis, em seus acervos, tanto os livros pr\u00e1ticos e edificantes quanto os liter\u00e1ria e esteticamente significativos; tantos os livros \u201chow to do\u201d quanto os tratados filos\u00f3ficos. Enfim, uma biblioteca p\u00fablica deve ser, tanto quanto poss\u00edvel, universal.<br \/>\nEssa \u201cuniversalidade\u201d da biblioteca p\u00fablica evidentemente se enfrenta com os condicionantes materiais da dimens\u00e3o de cada unidade, sua localiza\u00e7\u00e3o, sua inser\u00e7\u00e3o em um sistema de bibliotecas. Um sistema de bibliotecas sup\u00f5e hierarquias e especializa\u00e7\u00f5es eventuais. Cada biblioteca em particular, entretanto, deve ser formatada considerando as caracter\u00edsticas da comunidade na qual se instala.<br \/>\nAqui se introduz um conceito fundamental: a biblioteca deve estar a servi\u00e7o da comunidade na qual est\u00e1 inserida. A biblioteca \u00e9 um servi\u00e7o p\u00fablico.<br \/>\nEssa proposi\u00e7\u00e3o inverte a quest\u00e3o colocada tanto pelos \u201cpragm\u00e1ticos e doutrin\u00e1rios\u201d quanto pelos \u201ccivilizat\u00f3rios\u201d. N\u00e3o se trata de resolver a dicotomia entre as duas propostas optando por uma delas, e sim de aceitar a diversidade que se expressa na imensa pluralidade de livros existentes. O eixo dessa proposi\u00e7\u00e3o \u00e9 a caracteriza\u00e7\u00e3o da biblioteca como um servi\u00e7o p\u00fablico.<br \/>\nConsiderada dessa maneira, o acervo de cada biblioteca deve ir se constituindo &#8211; \u00e9 um processo infind\u00e1vel \u2013 a partir de dois eixos: em primeiro lugar, a partir das caracter\u00edsticas e da demanda de seu p\u00fablico; em segundo lugar, a partir da a\u00e7\u00e3o de seus animadores (bibliotec\u00e1rias, volunt\u00e1rios e demais funcion\u00e1rios) no sentido de apontar para as poss\u00edveis alternativas de leitura para esse p\u00fablico.<br \/>\nA forma\u00e7\u00e3o do acervo das bibliotecas p\u00fablicas e seu desenvolvimento sempre implicam em escolhas. A imensa quantidade de livros publicados a cada instante torna imposs\u00edvel a inclus\u00e3o de todos. A ideia da biblioteca universal s\u00f3 pode subsistir hoje como proposta a ser desenvolvida a partir da digitaliza\u00e7\u00e3o dos acervos. Em termos pr\u00e1ticos, a \u201cuniversaliza\u00e7\u00e3o poss\u00edvel\u201d depende da estrutura\u00e7\u00e3o e do alcance do sistema de bibliotecas dentro do qual cada uma delas possa se inserir. Uma biblioteca isolada ser\u00e1 sempre uma c\u00e9lula amea\u00e7ada de estiolar por n\u00e3o conseguir atender \u00e0s demandas de seus frequentadores.<br \/>\nAs escolhas, ainda que sempre abriguem um grau consider\u00e1vel de arbitrariedade, devem se pautar pelos dois eixos mencionados. Ou seja, devem traduzir sempre a intera\u00e7\u00e3o entre os respons\u00e1veis pela biblioteca e seus usu\u00e1rios. Uma intera\u00e7\u00e3o que sempre deve ser positiva, com os respons\u00e1veis e animadores da biblioteca procurando n\u00e3o apenas atender passivamente as demandas dos usu\u00e1rios, mas buscando apresentar-lhes as alternativas.<br \/>\nAs demandas dos usu\u00e1rios certamente refletem a posi\u00e7\u00e3o dominante no campo da produ\u00e7\u00e3o editorial, o que angustia os respons\u00e1veis pelas bibliotecas e indigna profundamente os \u201cleitur\u00f3logos\u201d, que nisso s\u00f3 percebem a consagra\u00e7\u00e3o da mediocridade e do dom\u00ednio do que consideram como o pior da ind\u00fastria editorial, para dizer o m\u00ednimo.<br \/>\nA vis\u00e3o de que a biblioteca deve ser um servi\u00e7o p\u00fablico atendendo em primeiro lugar \u00e0s demandas de seus usu\u00e1rios n\u00e3o deve ser vista como conivente com essa situa\u00e7\u00e3o. Ao contr\u00e1rio, deve simplesmente servir de base para que se abra um campo de disputa pelos \u201ccora\u00e7\u00f5es e mentes\u201d do p\u00fablico. Essas disputas se expressam no desenvolvimento de programas e atividades de est\u00edmulo \u00e0 leitura. Esses ser\u00e3o, sempre, express\u00e3o das convic\u00e7\u00f5es, da forma\u00e7\u00e3o educacional e pol\u00edtica de quem os implementa.<br \/>\nO desenvolvimento e a aplica\u00e7\u00e3o de programas de est\u00edmulo \u00e0 leitura, entretanto, deve evitar uma armadilha: a da arrog\u00e2ncia que desqualifica as op\u00e7\u00f5es dos que n\u00e3o leem o que gostamos e leem o que consideramos de baixa qualidade. Para disputar o \u201ccora\u00e7\u00e3o e a mente\u201d do leitor alvo desses programas n\u00e3o se pode come\u00e7ar por desrespeit\u00e1-lo. Se tal ou qual livro parece med\u00edocre, diluidor, de baixa qualidade e n\u00e3o responde \u00e0s minhas necessidades intelectuais, nem por isso deixa de responder \u00e0s necessidades emocionais, intelectuais e filos\u00f3ficas de quem o l\u00ea.<br \/>\nA posi\u00e7\u00e3o do administrador de uma biblioteca p\u00fablica, enquanto agente do Estado, deve respeitar uma premissa simples: o cidad\u00e3o tem o direito de ler o que quiser.  Eu tenho o direito de n\u00e3o gostar do que ele esteja lendo e eventualmente posso tentar convenc\u00ea-lo a mudar seus h\u00e1bitos de leitura, mas n\u00e3o posso impor o meu gosto e minhas convic\u00e7\u00f5es a ele.<br \/>\nA arrog\u00e2ncia do desrespeito esconde-se claramente por tr\u00e1s da ilus\u00e3o de que, ao definir o acervo da biblioteca segundo o gosto do c\u00e2non ilustrado, est\u00e1-se induzindo o leitor a ser o \u201cleitor cr\u00edtico\u201d desejado pelos leitur\u00f3logos. A inclus\u00e3o de livros feita a partir da deliberada exclus\u00e3o n\u00e3o leva a nada. Ningu\u00e9m vai come\u00e7ar a gostar de ler Guimar\u00e3es Rosa ou Proust simplesmente porque seus livros est\u00e3o na biblioteca que rejeita a presen\u00e7a do best-seller do momento. Ou seja, a chamada eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de leitura s\u00f3 pode ser alcan\u00e7ada com a combina\u00e7\u00e3o de dois fatores: educa\u00e7\u00e3o e convencimento. Jamais por imposi\u00e7\u00e3o e desqualifica\u00e7\u00e3o dos que leem livros diferentes dos que gostamos.<br \/>\n\u00c9 bobagem pensar que a imposi\u00e7\u00e3o do c\u00e2non da qualidade resulte em melhora real. Se houvesse possibilidade de impor algo civilizat\u00f3rio derivado da cultura francesa eu, de minha parte, preferia impor a obriga\u00e7\u00e3o de que os jantares fossem sempre da forma cl\u00e1ssica: entrada, prato principal e sobremesa. E com um belo \u201cplateau de fromages\u201d no final, sem esquecer os vinhos de acompanhamento. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma das afirmativas mais recorrentes nos trabalhos que tratam de bibliotecas p\u00fablicas diz respeito ao \u201cpapel civilizat\u00f3rio\u201d que esta deve desempenhar. 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