{"id":3292,"date":"2022-09-07T15:25:00","date_gmt":"2022-09-07T18:25:00","guid":{"rendered":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=3292"},"modified":"2022-09-07T15:26:53","modified_gmt":"2022-09-07T18:26:53","slug":"a-c-scartezini-jornalista-e-amigo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=3292","title":{"rendered":"A.C. SCARTEZINI \u2013 JORNALISTA E AMIGO"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Scarta.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3293\" width=\"116\" height=\"168\" srcset=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Scarta.jpg 353w, http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Scarta-207x300.jpg 207w\" sizes=\"(max-width: 116px) 100vw, 116px\" \/><figcaption>A. C. Scartezini<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Conheci Antonio Carlos Scartezini em 1968. Ele, rep\u00f3rter pol\u00edtico no JORNAL DO BRASIL, trabalhando na lend\u00e1ria sucursal do jornal em Bras\u00edlia, chefiada pelo lend\u00e1rio Carlos Castello Branco, o Castelinho (quando algu\u00e9m far\u00e1 uma biografia dele?). A Maria Jos\u00e9 Silveira, com quem viria me casar, trabalhava l\u00e1 como estagi\u00e1ria. Era um dos grandes momentos do jornalismo brasiliense.<br>Eu trabalhava na sucursal do Estad\u00e3o, chefiada pelo Evandro Carlos de Andrade, onde tinha como colegas, entre outros, o Ronan Soares, Ricardo Setti, Ary Ribeiro, al\u00e9m do meu amigo de toda vida, Haroldo Sab\u00f3ia. Maria Jos\u00e9, no JB, tinha v\u00e1rios colegas que se tornaram refer\u00eancia nos jornais. Al\u00e9m do chefe, Castelinho, A.C. Scartezini (o Scarta, como todos o chamavam), D\u2019Alembert Jaccoud, Jos\u00e9 Le\u00e3o Filho, cuja reportagem sobre a invas\u00e3o da UnB, em 1968, \u00e9 transcrita pela Maria Jos\u00e9 no romance \u201cO Fantasma de Luis Bu\u00f1uel\u201d, ainda no primeiro cap\u00edtulo do livro.<br>Como jornalistas, obviamente, nos encontr\u00e1vamos muitas vezes pelos bares da capital.<br>Mas minha primeira intera\u00e7\u00e3o s\u00e9ria com o Scarta foi uma viagem que fizemos juntos. Na \u00e9poca, as CPIs podiam se deslocar. Havia uma CPI sobre grilagem de terras, em particular por estrangeiros, no norte de Goi\u00e1s e no Par\u00e1. O presidente da CPI era o deputado e ex-brigadeiro Veloso, o not\u00f3rio golpista que tentou derrubar o governo JK. Pois bem, o Veloso simplesmente requereu um DC-4 da FAB para visitar in loco essas regi\u00f5es. No DC-4 estavam tr\u00eas jornalistas: dois nomes reconhecidos no jornalismo pol\u00edtico de Bras\u00edlia, o Scartezini pelo JB, Rubem de Azevedo Lima, da Folha e este foca pelo Estad\u00e3o. Al\u00e9m do Veloso, mais uns dois ou tr\u00eas deputados, dos quais n\u00e3o lembro o nome, e um delegado e um escriv\u00e3o da PF, que tamb\u00e9m conduzia um inqu\u00e9rito sobre o assunto.<br>E l\u00e1 fomos, n\u00f3s em um pinga-pinga pelo norte de Goi\u00e1s at\u00e9 chegar a Bel\u00e9m. Vimos de tudo, de roubo de livros de igrejas, onde se registravam, al\u00e9m dos nascimentos, as transa\u00e7\u00f5es imobili\u00e1rias das par\u00f3quias e outras trapalhadas de grileiros nacionais e estrangeiros. Todos n\u00f3s publicamos mat\u00e9rias na volta, e a minha extensa mat\u00e9ria saiu em (se n\u00e3o me engano) tr\u00eas edi\u00e7\u00f5es do Estad\u00e3o, assinadas, como as dos dois colegas nos respectivos jornais.<br>Mas o epis\u00f3dio mais hil\u00e1rio, de certa forma, foi em Porto Nacional, onde pernoitamos, os tr\u00eas no mesmo quarto. O problema \u00e9 que morr\u00edamos de medo de sermos picados por barbeiros, um inseto que infestava a regi\u00e3o e provocava uma doen\u00e7a card\u00edaca s\u00e9ria. Resultado, nos revezamos, cada um ficando algumas horas acordados, de luz acesa, procurando ver se aparecia algum barbeiro. N\u00e3o apareceu.<br>Passamos v\u00e1rios anos sem nos ver. Milit\u00e2ncia clandestina, pris\u00e3o, torturas, Pres\u00eddio Tiradentes (eu) e trabalho pol\u00edtico clandestino no ABC (Maria Jos\u00e9) e depois ex\u00edlio no Peru.<br>De volta ao Brasil, em 1980, Maria Jos\u00e9, eu e depois o M\u00e1rcio Souza, fundamos a editora Marco Zero.<br>Dezoito anos de aventura editorial, per\u00edodo no qual publicamos dois livros do Scartezini.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/segredos-de-Medici.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3295\" width=\"89\" height=\"145\" srcset=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/segredos-de-Medici.jpg 355w, http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/segredos-de-Medici-184x300.jpg 184w\" sizes=\"(max-width: 89px) 100vw, 89px\" \/><figcaption>Segredos de M\u00e9dici &#8211; 1983<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Dr.-Ulysses.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3296\" width=\"74\" height=\"109\" srcset=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Dr.-Ulysses.jpg 295w, http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Dr.-Ulysses-204x300.jpg 204w\" sizes=\"(max-width: 74px) 100vw, 74px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>O primeiro, \u201cSegredos de M\u00e9dici\u201d, foi o resultado de uma dif\u00edcil entrevista do Scarta com o ex-Ditador, publicado em 1983. Para contrabalan\u00e7ar problemas, Scarta pediu duas introdu\u00e7\u00f5es: Jarbas Passarinho (ex-ministro do M\u00e9dici) e Paulo Brossard, senador, um dos pr\u00f3ceres do ent\u00e3o MDB \u201caut\u00eantico\u201d. O M\u00e9dici n\u00e3o queria falar de modo algum, mas a persist\u00eancia do Scarta rendeu uma das rar\u00edssimas entrevistas do ditador. Em um momento, ele diz que n\u00e3o falava \u201cporque era o passado, o arb\u00edtrio\u201d e que n\u00e3o queria ter sido presidente, \u201cao contr\u00e1rio dos Geisel, que se prepararam a vida inteira para isso\u201d. O livro, um documento significativo de uma das \u00e9pocas mais sombrias da ditadura, s\u00f3 pode ser encontrado em sebos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais trade, j\u00e1 em 1993, publicamos \u201cDr. Ulysses \u2013 uma biografia\u201d, no qual Scarta trabalhou o material que recolhia h\u00e1 anos, al\u00e9m de entrevistas com o biografado. Tamb\u00e9m s\u00f3 nos sebos.<\/p>\n\n\n\n<p>Da \u00faltima vez que estivemos em Bras\u00edlia, quando Maria Jos\u00e9 lan\u00e7ou seu romance mais recente, \u201cAqui. Neste Lugar\u201d, Scartezini, que havia sido convidado, mandou e-mail para a autora lamentando n\u00e3o poder ir \u201cporque n\u00e3o estava bem\u201d. Mas que compraria o livro e comentaria, como fez com todos os seus livros.<\/p>\n\n\n\n<p>Scartezini esteve mais de cinquenta anos casado com Virg\u00ednia, m\u00e3e de seu \u00fanico filho, Bernardo, tamb\u00e9m jornalista.<\/p>\n\n\n\n<p>Antonio Carlos Scartezini morreu no \u00faltimo dia 4.<\/p>\n\n\n\n<p>Um grande e estimado amigo nosso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conheci Antonio Carlos Scartezini em 1968. 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