{"id":2993,"date":"2017-04-27T09:50:00","date_gmt":"2017-04-27T12:50:00","guid":{"rendered":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=2993"},"modified":"2017-04-28T13:00:07","modified_gmt":"2017-04-28T16:00:07","slug":"discoverability-empowerment-e-os-problemas-de-traduzir-neologismos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=2993","title":{"rendered":"\u201cDISCOVERABILITY\u201d, \u201cEMPOWERMENT\u201d E OS PROBLEMAS DE TRADUZIR NEOLOGISMOS."},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_2994\" aria-describedby=\"caption-attachment-2994\" style=\"width: 950px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-2994\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/discovery-3.jpg\" alt=\"\" width=\"950\" height=\"534\" srcset=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/discovery-3.jpg 950w, http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/discovery-3-300x169.jpg 300w, http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/discovery-3-768x432.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 950px) 100vw, 950px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2994\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;Discoverability&#8221; tem a ver com achar agulha no palheiro.<\/figcaption><\/figure>\n<p>H\u00e1 alguns dias, a autora Rosa Amanda Strauz postou no FB uma nota acerca de mat\u00e9ria publicada no PublishNews, assim:<\/p>\n<p>\u201cMat\u00e9ria do PublishNews de 18\/04 tem o seguinte subt\u00edtulo:<br \/>\n&#8220;Kobo adquire tecnologia que utiliza uma foto para ajudar na &#8216;descobertabilidade&#8217; de e-books&#8221;.<br \/>\nCuma???? DESCOBERTABILIDADE??? Onde foram parar os dicion\u00e1rios de sin\u00f4nimos???\u201d Veja <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www.facebook.com\/rosa.amanda.strausz\/posts\/10212543708498872?pnref=story');\"  href=\"https:\/\/www.facebook.com\/rosa.amanda.strausz\/posts\/10212543708498872?pnref=story\" onclick=\"return TrackClick('https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2Frosa.amanda.strausz%2Fposts%2F10212543708498872%3Fpnref%3Dstory','aqui')\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p>Os coment\u00e1rios que seguiram foram de v\u00e1rios tipos. Desde os que desprezavam o problema tradut\u00f3rio\/sociol\u00f3gico levantado pela quest\u00e3o, at\u00e9 os que conversavam e davam sugest\u00f5es sobre como resolver essa quest\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cDanielle Sales Tudo porque querem usar o &#8220;discoverability&#8221; do ingl\u00eas&#8230; Tsc, tsc, tsc<br \/>\nOlivio Petit imagina Cabral justificando a calmaria.<br \/>\nRenato Kress Em breve seus netos entrar\u00e3o na dirigibilidade-escola para improvar sua guiabilidade. Aguarde e confie<br \/>\nMaria Val\u00e9ria Rezende Isso agora \u00e9 &#8220;linguagem acad\u00eamica&#8221; rsrs\u201d<\/p>\n<p>A mat\u00e9ria do PN \u00e9 <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www.publishnews.com.br\/materias\/2017\/04\/13\/a-prateleira-black-mirror');\"  href=\"http:\/\/www.publishnews.com.br\/materias\/2017\/04\/13\/a-prateleira-black-mirror\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fwww.publishnews.com.br%2Fmaterias%2F2017%2F04%2F13%2Fa-prateleira-black-mirror','esta')\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">esta<\/a>.<\/p>\n<p>Como o uso de \u201cdescoverability\u201d \u00e9 muito comum no tratamento das quest\u00f5es relacionadas com metadados, meti minha colher de pau torta no assunto: \u201cA quest\u00e3o \u00e9 que os dois termos em ingl\u00eas cobrem um conceito mais amplo que descoberta, por exemplo (trata-se de &#8220;tornar poss\u00edvel de ser descoberto&#8221;, ou \u201cfor\u00e7ar ser descoberto&#8221;. O mesmo acontece com \u201cempowerment\u201d. Tenho absoluta certeza que podemos achar termos corretos em portugu\u00eas, mas at\u00e9 hoje n\u00e3o consegui\u201d.<\/p>\n<p>Como a lista de palpites e coment\u00e1rios \u00e9 grande, quem quiser acompanhar tudo v\u00e1 no FB e procure os posts da Rosa Amanda. Que, ali\u00e1s, sugeriu \u201cComo minhas sugest\u00f5es ficaram escondidas no meio da discuss\u00e3o, repito aqui: Kobo adquire tecnologia que facilita a descoberta de e-books por meio de fotos.\u201d<\/p>\n<p>Certo, traduzir uma palavra em um conceito pode resolver, em muitos casos.<\/p>\n<p>Mas para entender a compreens\u00e3o e as dificuldades do problema, particularmente na quest\u00e3o do \u201cdiscoverability\u201d, \u00e9 preciso saber o que gerou o uso desse neologismo em ingl\u00eas.<\/p>\n<p>Note-se que n\u00e3o sou contra a incorpora\u00e7\u00e3o de neologismos ao nosso portugu\u00eas. Para al\u00e9m da moda atual dos anglicismos, j\u00e1 tivemos a \u00e9poca dos galicismos e outras. Em alguns casos, considero \u00f3timos achados, at\u00e9 porque remetem tamb\u00e9m a ra\u00edzes latinas: deletar, por exemplo, que n\u00e3o vejo nenhum problema em usar como sin\u00f4nimo de apagar ou obliterar, para ficarmos em um exemplo.<\/p>\n<p>Voltando \u00e0s origens do problema.<\/p>\n<p>Classificar cole\u00e7\u00f5es \u00e9 algo bastante antigo na humanidade. E muito especialmente no que diz respeito a livros. Matthew Battles, autor do divertido e altamente informativo \u201cLibrary, an Unquiet History\u201d (h\u00e1 uma tradu\u00e7\u00e3o aqui, da Planeta, infelizmente fora do cat\u00e1logo) chama aten\u00e7\u00e3o que j\u00e1 a Biblioteca de N\u00ednive, sob o reino de Asurban\u00edpal II, os 25.000 tabletes de argila colecionados por ordem do Rei, estavam unidos por tema, cada grupo com marca\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. As bibliotecas gregas e latinas, inclusive a famosa de Alexandria, tinham marca\u00e7\u00f5es coladas no <em>umbilicus<\/em> (o peda\u00e7o de madeira em torno do qual eram enrolados ao papiros), com o t\u00edtulo e o nome do autor.<\/p>\n<p>A saga prossegue, e a classifica\u00e7\u00e3o come\u00e7a a envolver censura, a defini\u00e7\u00e3o dos livros \u201cbons\u201d e aqueles cuja leitura n\u00e3o era condizente com o saber institu\u00eddo (a ideia por tr\u00e1s da se\u00e7\u00e3o \u201cinferno\u201d da Biblioteca Vaticana e de v\u00e1rias outras). A pr\u00f3pria instaura\u00e7\u00e3o de um m\u00e9todo de classifica\u00e7\u00e3o que apelava para o alfabeto (ordenamento por t\u00edtulo ou autor pela ordem das letras) foi objeto de intensa discuss\u00e3o. Para a mentalidade escol\u00e1stica do medievo, a classifica\u00e7\u00e3o era \u201cracional\u201d, segundo as \u00e1reas de conhecimento que se ligavam harmonicamente. <em>E la nave va<\/em>&#8230;<\/p>\n<figure id=\"attachment_2995\" aria-describedby=\"caption-attachment-2995\" style=\"width: 275px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-2995\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/discovery1.jpg\" alt=\"\" width=\"275\" height=\"183\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2995\" class=\"wp-caption-text\">Achar livros, mesmo em uma biblioteca menor, j\u00e1 \u00e9 um problema. Nas gigantescas, ent\u00e3o&#8230;<\/figcaption><\/figure>\n<p>J\u00e1 no in\u00edcio da idade moderna, as grandes bibliotecas (como a Vaticana e a British), batalhavam com o estabelecimento de sistemas de classifica\u00e7\u00e3o. De vez em quando brinco com bibliotec\u00e1rios dizendo que alguns s\u00e3o capazes de assassinar por conta de como classificar um livro, como mostra a trama do divertido romance do Umberto Eco, \u201cO Nome da Rosa\u201d.<\/p>\n<p>A primeira grande virada come\u00e7a a ser desenhada por Antonio Panizzi, revolucion\u00e1rio italiano condenado \u00e0 morte em M\u00f3dena e que acaba como bibliotec\u00e1rio do British Museum. Panizzi foi o primeiro a estabelecer que \u201co primeiro e principal objetivo do Cat\u00e1logo\u201d, diz Battles descrevendo seu trabalho, citando o relat\u00f3rio que ele preparou, \u201c\u00e9 o acesso f\u00e1cil \u00e0s obras que fazem parte da cole\u00e7\u00e3o\u201d. E esse n\u00e3o era simplesmente uma ferramenta para os bibliotec\u00e1rios, mas um instrumento \u201cque o p\u00fablico tem o direito de esperar em tal institui\u00e7\u00e3o\u201d. (Battles, pg, 130). Os livros deixavam de ser o dom\u00ednio dos eruditos e seu acesso passava a ser um \u201cdireito do p\u00fablico\u201d. Era uma tarefa monumental, ainda baseada na ordem alfab\u00e9tica, com as rela\u00e7\u00f5es tem\u00e1ticas dos livros especificadas. S\u00f3 a cataloga\u00e7\u00e3o da letra \u201cA\u201d demorou onze anos. E despertou pol\u00eamicas.<\/p>\n<p>Para encurtar a hist\u00f3ria, o sistema de indexa\u00e7\u00e3o adquiriu sua forma final nas m\u00e3os de Melville Dewey, e a inven\u00e7\u00e3o do Sistema Decimal de Classifica\u00e7\u00e3o. N\u00e3o vou me estender aqui sobre o assunto, de amplo conhecimento geral, e constante desenvolvimento por parte das associa\u00e7\u00f5es de bibliotec\u00e1rios. De qualquer modo, o eixo da cataloga\u00e7\u00e3o era a <strong>indexa\u00e7\u00e3o<\/strong> dos t\u00edtulos. Que permitia aos bibliotec\u00e1rios localizar os livros por temas espec\u00edficos ou relacionados. Era uma ferramenta eficiente, mas muito dependente do trabalho especializado dos bibliotec\u00e1rios (ou conhecimento dos interessados), mesmo quando os cart\u00f5es de cataloga\u00e7\u00e3o foram colocados online.<\/p>\n<p>O problema se complicou geometricamente com duas quest\u00f5es: a) o aumento tamb\u00e9m exponencial dos livros publicados e colocados \u00e0 venda; b) al\u00e9m do aumento ainda mais vertiginoso dos t\u00edtulos dispon\u00edveis, com a digitaliza\u00e7\u00e3o e os livros eletr\u00f4nicos, apareceu tamb\u00e9m a quest\u00e3o dos \u201clivros \u00f3rf\u00e3os\u201d. A pr\u00f3pria digitaliza\u00e7\u00e3o das bibliotecas, processo iniciado pelo Google, deixou acess\u00edveis milh\u00f5es de t\u00edtulos previamente confinados em cole\u00e7\u00f5es impressas em bibliotecas j\u00e1 de por si gigantescas, espalhados pelo mundo inteiro.<\/p>\n<p>Pelo lado da ind\u00fastria editorial, alguns problemas j\u00e1 eram sentidos h\u00e1 muito. Uma primeira quest\u00e3o enfrentada foi a da identifica\u00e7\u00e3o de cada edi\u00e7\u00e3o. Na distribui\u00e7\u00e3o, a identifica\u00e7\u00e3o correta de um t\u00edtulo \u00e9 crucial para os mais diversos controles. Diferentes livros, de autores distintos, com o mesmo t\u00edtulo; edi\u00e7\u00f5es diferentes do mesmo t\u00edtulo; identifica\u00e7\u00e3o de cada tradu\u00e7\u00e3o ou formato de um t\u00edtulo, e por a\u00ed vai. Da\u00ed nasceu o ISBN, l\u00e1 pelos anos sessenta. ISBN, para os que ainda n\u00e3o sabem, \u00e9 o acr\u00f4nimo de <em>International Standard Book Number<\/em>. \u00c9 um c\u00f3digo que usa uma identifica\u00e7\u00e3o para cada pa\u00eds, para cada editora e para cada t\u00edtulo publicado, diferenciando de forma un\u00edvoca um livro de outro, seja l\u00e1 por qual fator seja (nova edi\u00e7\u00e3o \u2013 modifica\u00e7\u00f5es da primeira; formatos diferentes; tradu\u00e7\u00f5es, etc. etc.).<\/p>\n<p>O aumento do n\u00famero de edi\u00e7\u00f5es, formato, meios de acesso, etc. \u00e9 que complicou mais e mais o problema. Imaginemos que desde a biblioteca de N\u00ednive e seus 25.000 tabletes, at\u00e9 a nossa Biblioteca Nacional (com seus cerca de oito milh\u00f5es de t\u00edtulos), e outras bem maiores, como a quest\u00e3o se complicou. A nossa Biblioteca Nacional, ainda tem gargalos de cataloga\u00e7\u00e3o, incorpora\u00e7\u00e3o do dep\u00f3sito legal e outros probleminhas, mas avan\u00e7ou na digitaliza\u00e7\u00e3o do acervo, particularmente de obras raras, dentro de um programa da UNESCO. No que diz respeito ao mercado editorial, o n\u00famero de t\u00edtulos dispon\u00edveis no cat\u00e1logo, aqui no Brasil, chega a v\u00e1rias centenas de milhares de t\u00edtulos. No mundo inteiro&#8230; S\u00e3o v\u00e1rios bilh\u00f5es de t\u00edtulos, entre os dispon\u00edveis no mercado e os dispon\u00edveis nas bibliotecas virtuais.<\/p>\n<p>Os livros est\u00e3o l\u00e1. Como descobrir o texto que desejo, seja para leitura ou para pesquisa? Se fosse ler todas as fichas catalogr\u00e1ficas para achar tudo que se refira, por exemplo, a \u201csistema pol\u00edtico brasileiro\u201d, a correla\u00e7\u00e3o de temas seria gigantesca, mesmo com sistemas eletr\u00f4nicos, porque cada \u201ctema\u201d n\u00e3o estaria vinculado aos demais como tags de metadados.<\/p>\n<p>Uma parte do problema foi solucionado com os sistemas booleanos de busca, que usa operadores l\u00f3gicos para organizar as pesquisas (veja <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www.asclepios.com.br\/node\/19');\"  href=\"https:\/\/www.asclepios.com.br\/node\/19\" onclick=\"return TrackClick('https%3A%2F%2Fwww.asclepios.com.br%2Fnode%2F19','aqui')\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a> uma descri\u00e7\u00e3o simples do uso ). Mas esses sistemas de busca ainda exigem um certo preparo t\u00e9cnico para serem produtivos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2996\" aria-describedby=\"caption-attachment-2996\" style=\"width: 283px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-2996\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/discovery-2.jpg\" alt=\"\" width=\"283\" height=\"178\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2996\" class=\"wp-caption-text\">\u00c9 preciso um mapa de navega\u00e7\u00e3o pelo labirinto<\/figcaption><\/figure>\n<p>Foi ent\u00e3o que come\u00e7ou a preocupa\u00e7\u00e3o com o conceito de metadados. J\u00e1 escrevi v\u00e1rios posts sobre o assunto, que podem ser consultados no meu blog , <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www.oxisdoproblema.com.br');\"  href=\"http:\/\/www.oxisdoproblema.com.br\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fwww.oxisdoproblema.com.br','aqui')\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>. Nem vou lista-los aqui. Basta olhar na coluna da esquerda, na se\u00e7\u00e3o \u201ctags\u201d, e poder\u00e3o achar \u201cmetadados\u201d e muitos outros \u201ctags\u201d semelhantes. O que \u00e9 isso? \u00c9 a forma pelo qual indico aos eventuais leitores quais os temas (ou o tema) que est\u00e1 tratado em cada post. E posso colocar quantos \u201ctags\u201d queira em um post, j\u00e1 que cada um deles pode eventualmente se referir tamb\u00e9m outros assuntos relacionados.<\/p>\n<p>Pois bem, os metadados \u00e9 que abriram caminho para a cria\u00e7\u00e3o do conceito de \u201cdiscoverability\u201d. Parece que a palavra foi importada das teorias de marketing para indicar o \u201ctempo de exposi\u00e7\u00e3o\u201d de um determinado produto nas prateleiras. Os marquet\u00f3logos que confirmem ou n\u00e3o isso.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que, aplicado ao mercado editorial, esse conceito de \u201ctempo de exposi\u00e7\u00e3o\u201d torna-se extremamente el\u00e1stico. Mesmo quando um determinado t\u00edtulo saiu do cat\u00e1logo, ainda pode ser localizado por um dos \u201ctags\/metadados\u201d que estejam embutidos l\u00e1 dentro. Da\u00ed que, para identificar a disponibilidade do t\u00edtulo, existem \u201ctags\u201d espec\u00edficos para informar isso em rela\u00e7\u00e3o a cada t\u00edtulo.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o da \u201cdiscoverability\u201d aparece, portanto, da necessidade de \u201cdeixar um t\u00edtulo com a possibilidade de ser descoberto\u201d com certa facilidade. Um dos meus posts que est\u00e3o sob a \u201ctag\u201d de metadados oferece um exemplo pr\u00e1tico de como isso poderia funcionar (o condicional \u00e9 por conta do desprezo com que os metadados s\u00e3o ainda tratados por editoras e livrarias por aqui, comparados com os de alhures (veja <a href=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=1061\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Foxisdoproblema.com.br%2F%3Fp%3D1061','aqui')\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a> esse post, e repita a experi\u00eancia se quiser). Evidentemente, ainda que n\u00e3o seja um trabalho especificamente \u201ct\u00e9cnico\u201d, a qualidade dos tags e metadados pode melhorar significativamente a \u201cdiscoverability\u201d de um determinado t\u00edtulo.<\/p>\n<p>Particularmente, considero isso fundamental para as pequenas e m\u00e9dias editoras. \u00c9 um modo de permitir que os livros que editem tenham a possibilidade de ser descobertos por leitores interessados, para al\u00e9m da m\u00e1quina de marketing das grandes editoras e do espa\u00e7o cada vez menos nos jornais.<\/p>\n<p>Essa hist\u00f3ria come\u00e7ou mesmo a tomar corpo com a entrada da Amazon no mercado livreiro. O Bezos descobriu (porque foi fazer o curso de livreiro da ABA \u2013 American Booksellers Association) que os livros podem ser disponibilizados atrav\u00e9s das editoras e das distribuidoras, e que a livraria n\u00e3o precisa t\u00ea-los em estoque para vende-los (e ainda tem mais prazo para pagar). O que fez? Contatou a Ingram e a Baker &amp; Taylor, as duas maiores distribuidoras, incorporou o cat\u00e1logo delas no seu projeto de site e investiu o que podia em tecnologia de \u201cdiscoverability\u201d, primeiro colocando os metadados dispon\u00edveis, depois aperfei\u00e7oando isso, e praticamente fazendo as editoras desenvolveram padr\u00f5es mais consistentes de metadados. \u00c9 o que faz at\u00e9 hoje: mant\u00e9m estoques m\u00ednimos, medidos pela demanda registrada no sistema e pareadas com os prazos de entrega de distribuidores e editoras, e apresenta seu imenso cat\u00e1logo ao p\u00fablico. Isso foi o que tornou poss\u00edvel seu slogan inicial \u201cA livraria com mais de um milh\u00e3o de t\u00edtulos dispon\u00edveis\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi ele quem descobriu essa possibilidade, mas certamente foi dos que levou essa quest\u00e3o \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o, refinando cada vez mais os metadados e manipulando-os na constru\u00e7\u00e3o de listas de \u201cmais vendidos\u201d, atuando proativamente junto aos clientes\/leitores (e depois aos que compram qualquer coisa na loja da Amazon), como bem sabe quem j\u00e1 fez uma compra nessa varejista.<\/p>\n<figure id=\"attachment_3000\" aria-describedby=\"caption-attachment-3000\" style=\"width: 620px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-3000\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/farois_fotos_impressionantes22.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"414\" srcset=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/farois_fotos_impressionantes22.jpg 620w, http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/farois_fotos_impressionantes22-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3000\" class=\"wp-caption-text\">Os metadados s\u00e3o o farol que permite a descobertabilidade dos livros<\/figcaption><\/figure>\n<p>Por essas e algumas outras raz\u00f5es fundamentais que o conceito de \u201cdiscoverability\u201d passou a circular e a ser cada vez mais importante. N\u00e3o por um modismo acad\u00eamico, mas como fruto do desenvolvimento da ind\u00fastria editorial. E que tem repercuss\u00f5es TAMB\u00c9M para as bibliotecas e aumento da leitura em geral: melhores mecanismos de busca geram demandas e amplia\u00e7\u00e3o de leitores&#8230; e press\u00e3o sobre as bibliotecas que t\u00eam verba para compras. O que n\u00e3o acontece por aqui, tanto pela falta de verbas como pela mania de encomendar a \u201cespecialistas\u201d as listas de aquisi\u00e7\u00f5es de acervo. Mas isso j\u00e1 \u00e9 outro papo.<\/p>\n<p>Por tudo isso \u00e9 que a poss\u00edvel tradu\u00e7\u00e3o do termo ingl\u00eas fica longe de ser preciosismo ou subservi\u00eancia. \u00c9 uma quest\u00e3o de terminologia (t\u00e9cnica, que seja) que, tenho certeza, ir\u00e1 adquirir cada vez mais relev\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Estou usando, por enquanto, descobertabilidade. Acho a palavra feia, n\u00e3o gosto, mas \u00e9 a dispon\u00edvel no momento. Por isso mesmo, aceito sugest\u00f5es.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, s\u00f3 para brincar. Outro dia sonhei (juro!) com uma tradu\u00e7\u00e3o melhor para esse outro horror que \u00e9 o \u201cempowerment\u201d. Quando acordei, lembrei do que tinha sonhado, mas n\u00e3o da palavra. E fico pensando se Hipnos, Morfeu, e os Oneiroi (os benignos) voltar\u00e3o a me ajudar. Espero que o \u00f4neiro do pesadelo n\u00e3o se fa\u00e7a presente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 alguns dias, a autora Rosa Amanda Strauz postou no FB uma nota acerca de mat\u00e9ria publicada no PublishNews, assim: \u201cMat\u00e9ria do PublishNews de 18\/04 tem o seguinte subt\u00edtulo: &#8220;Kobo adquire tecnologia que utiliza uma foto para ajudar na &#8216;descobertabilidade&#8217; de e-books&#8221;. Cuma???? DESCOBERTABILIDADE??? Onde foram parar os dicion\u00e1rios de sin\u00f4nimos???\u201d Veja aqui. Os coment\u00e1rios &hellip; <a href=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=2993\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Foxisdoproblema.com.br%2F%3Fp%3D2993','Continue+lendo+%E2%80%9CDISCOVERABILITY%E2%80%9D%2C+%E2%80%9CEMPOWERMENT%E2%80%9D+E+OS+PROBLEMAS+DE+TRADUZIR+NEOLOGISMOS.+%26rarr%3B')\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">\u201cDISCOVERABILITY\u201d, \u201cEMPOWERMENT\u201d E OS PROBLEMAS DE TRADUZIR NEOLOGISMOS.<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[178,1],"tags":[103,773,772,774,776,101,775],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2993"}],"collection":[{"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2993"}],"version-history":[{"count":4,"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2993\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3001,"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2993\/revisions\/3001"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2993"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2993"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2993"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}