{"id":2990,"date":"2017-04-23T21:27:24","date_gmt":"2017-04-24T00:27:24","guid":{"rendered":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=2990"},"modified":"2017-04-23T21:27:24","modified_gmt":"2017-04-24T00:27:24","slug":"margaret-atwood-profetisa-da-distopia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=2990","title":{"rendered":"MARGARET ATWOOD, Profetisa da Distopia"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-2991\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/margaret-atwood.jpg\" alt=\"\" width=\"594\" height=\"831\" srcset=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/margaret-atwood.jpg 594w, http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/margaret-atwood-214x300.jpg 214w\" sizes=\"(max-width: 594px) 100vw, 594px\" \/> Em uma longa mat\u00e9ria sobre Margaret Atwood, \u201c<a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www.newyorker.com\/magazine\/2017\/04\/17\/margaret-atwood-the-prophet-of-dystopia');\"  href=\"http:\/\/www.newyorker.com\/magazine\/2017\/04\/17\/margaret-atwood-the-prophet-of-dystopia\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fwww.newyorker.com%2Fmagazine%2F2017%2F04%2F17%2Fmargaret-atwood-the-prophet-of-dystopia','A+Profetisa+da+Distopia%E2%80%9D')\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">A Profetisa da Distopia\u201d<\/a>, \u00a0escrita por Rebecca Mead para o The New Yorker traduz um excelente testemunho sobre uma das maiores escritoras vivas, que mereceria n\u00e3o apenas o Nobel, mas todos os pr\u00eamios poss\u00edveis, mais al\u00e9m do Booker Prize que ganhou uma vez e foi finalista em cinco outras ocasi\u00f5es.<\/p>\n<p>Maria Jos\u00e9, eu e o M\u00e1rcio Souza (que a conheceu no Harbourfront Book Festival em Toronto, e trouxe seus livros) temos o enorme orgulho da Marco Zero ter sido a primeira editora a public\u00e1-la em tradu\u00e7\u00e3o. Margaret Atwood j\u00e1 era muito conhecida no Canad\u00e1, nos EUA e na Inglaterra, mas nunca havia sido traduzida para o portugu\u00eas (nem, pelo que sabemos, para outros idiomas). \u201cMadame Or\u00e1culo\u201d, traduzido por Domingos Demasi, em 1984. Depois publicamos as tradu\u00e7\u00f5es de A Vida Antes do Homem (Th\u00e9a Fonseca), A Hist\u00f3ria da Aia (M\u00e1rcia Serra), Olho de Gato (Maria Jos\u00e9 Silveira), A Noiva Ladra (Maria Jos\u00e9 Silveira), e Vulgo, Grace (Maria Jos\u00e9 Silveira).<\/p>\n<p>S\u00f3 deixamos de traduzi-la quando, for\u00e7ados, tivemos que vender nossa participa\u00e7\u00e3o na Marco Zero para a Nobel, que enterrou a lista da editora, exceto alguns livros de culin\u00e1ria, e hoje existe publicando sabe-se l\u00e1 o qu\u00ea de uma empacotadora inglesa&#8230;<\/p>\n<p>A Rocco, que acabou ficando com a autora (a Vivian Wyler n\u00e3o dormia no ponto), republicou alguns dos livros que hav\u00edamos publicado, com novas tradu\u00e7\u00f5es, e continuou publicando os que se seguiram.<\/p>\n<p>Nunca li essas novas tradu\u00e7\u00f5es. A de <em>The Handmaids Tale<\/em>, por n\u00f3s publicado como <em>A Hist\u00f3ria da Aia, <\/em>romance dist\u00f3pico sobre um EUA fundamentalista evang\u00e9lico, transformado em Rep\u00fablica Gilead, voltou com for\u00e7a para a lista dos best-sellers nos EUA. Aqui, ao que parece, continua escondido. O novo t\u00edtulo dado ao livro \u00e9 \u201cO Conto da Aia\u201d. Para n\u00f3s, como editores, o \u201ctale\u201d em ingl\u00eas, nesse caso, est\u00e1 mais para \u201chist\u00f3ria\u201d (no sentido que usamos de \u201ccontar hist\u00f3rias\u201d e n\u00e3o \u201ccontar contos\u201d(sic)). Bem, cada tradutor tem uma margem de escolha. Mas hoje, uma autora como a Margaret s\u00f3 leio no original.<\/p>\n<p>A capacidade t\u00e9cnica, a imagina\u00e7\u00e3o, a maestria na constru\u00e7\u00e3o de personagens que fazem de Margaret Atwood uma grande autora n\u00e3o est\u00e3o nunca distantes de uma tomada de posi\u00e7\u00e3o impl\u00edcita no texto, como exemplificado por esse trecho da mat\u00e9ria do <em>The New Yorker<\/em>:<\/p>\n<p>\u201c<em>Como seus antecessores vitorianos, Atwood n\u00e3o se afasta da ideia de que o romance \u00e9 um lugar onde se pode explorar quest\u00f5es de moralidade. Em um e-mail que escreveu para mim, \u201cVoc\u00ea n\u00e3o pode usar a linguagem e evitar as dimens\u00f5es morais, j\u00e1 que as palavras t\u00eam tanto peso (l\u00edrios que apodrecem versus ervas daninhas, etc.) e todos os personagens t\u00eam que viver em algum lugar, mesmo que sejam os coelhos de A Longa Jornada (Watership Down), e t\u00eam que viver em alguma \u00e9poca&#8230; e t\u00eam que fazer escolhas\u201d. O desafio, ela assinalou, \u00e9 evitar o moralismo: \u201cComo voc\u00ea se engaja sem bancar o pregador e reduzir os personagens a simples alegorias? Um problema perene. Mas quando grandes temas sociais s\u00e3o realmente grandes (Doutor Jivago), os personagens agir\u00e3o dentro \u2013 e sofrer\u00e3o a influ\u00eancia \u2013 de tudo que est\u00e1 a seu redor<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Para mim, \u00e9 uma defini\u00e7\u00e3o perfeita do labor do romancista, ontem, hoje e sempre. Se um romance n\u00e3o trata de personagens que vivem em um contexto no qual a escolha das palavras tem peso, e as escolhas dependem da sociedade e do momento em que vivem, esse \u00e9 um romance descarnado. Pode satisfazer o ego dos autores (quantos vivem assim na literatura contempor\u00e2nea?), mas n\u00e3o subsistir\u00e3o.<\/p>\n<p>No in\u00edcio deste ano, Margaret Atwood recebeu o \u201c<em>Lifetime Award<\/em>\u201d do <em>National Book Critics Circle<\/em>, por seu trabalho como cr\u00edtica e resenhista. Foi pouco depois da posse do laranja, no dia em que ele anunciou sua primeira tentativa de barrar imigrantes. Logo no come\u00e7o de seu discurso, Atwood brincou: \u201cAinda bem que n\u00e3o me barraram na fronteira\u201d e, no final, assinalou, depois de jocosamente comentar a sensibilidade dos autores sobre qualquer coisa que pare\u00e7a desmerecedora do talento de cada um, esquecendo os elogios. Como reporta Rebecca Mead:<\/p>\n<p>\u201c<em>Por que me dedico a uma tarefa t\u00e3o dolorosa?\u201d \u2013 disse ela. \u201cPela mesma raz\u00e3o pela qual dou sangue. Todos temos que fazer o que pudermos, porque se ningu\u00e9m contribui para esse empreendimento merit\u00f3rio, ent\u00e3o n\u00e3o haver\u00e1 nada, justamente quando \u00e9 mais necess\u00e1rio.\u201d Estamos em um desses momentos, ela advertiu: \u201cA democracia americana nunca foi t\u00e3o desafiada\u201d. As condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para uma ditadura, assinalou Atwood, incluem o emudecimento da m\u00eddia independente, o que impede a express\u00e3o da contradi\u00e7\u00e3o ou de opini\u00f5es subversivas; os escritores fazem parte dessa fr\u00e1gil barreira que se antep\u00f5e entre o controle autorit\u00e1rio e a democracia aberta. \u201cAinda existem lugares neste planeta onde quem for surpreendido lendo voc\u00eas, ou mesmo a mim, pode ser submetido a penalidades severas\u201d, disse ela. \u201cEspero que logo haja menos lugares como esses\u201d. Sua voz caiu para o tom de sussurro teatral: \u201cN\u00e3o estou segurando a respira\u00e7\u00e3o<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Nem n\u00f3s. Nem os autores de verdade. L\u00e1, como aqui, vivemos uma democracia amea\u00e7ada pela trucul\u00eancia. E o m\u00ednimo dos m\u00ednimos que podemos fazer \u00e9 deixar nosso protesto e nosso testemunho. Por escrito.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em uma longa mat\u00e9ria sobre Margaret Atwood, \u201cA Profetisa da Distopia\u201d, \u00a0escrita por Rebecca Mead para o The New Yorker traduz um excelente testemunho sobre uma das maiores escritoras vivas, que mereceria n\u00e3o apenas o Nobel, mas todos os pr\u00eamios poss\u00edveis, mais al\u00e9m do Booker Prize que ganhou uma vez e foi finalista em cinco &hellip; <a href=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=2990\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Foxisdoproblema.com.br%2F%3Fp%3D2990','Continue+lendo+MARGARET+ATWOOD%2C+Profetisa+da+Distopia+%26rarr%3B')\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">MARGARET ATWOOD, Profetisa da Distopia<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[771,758,155],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2990"}],"collection":[{"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2990"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2990\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2990"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2990"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2990"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}