{"id":2882,"date":"2016-03-30T10:16:18","date_gmt":"2016-03-30T13:16:18","guid":{"rendered":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=2882"},"modified":"2016-03-30T10:16:18","modified_gmt":"2016-03-30T13:16:18","slug":"os-membros-do-mercado-editorial-a-crise-e-manifestos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=2882","title":{"rendered":"OS MEMBROS DO MERCADO EDITORIAL, A CRISE E MANIFESTOS"},"content":{"rendered":"<p>Semana passada, em \u00f3tima iniciativa, o PublishNews publicou duas opini\u00f5es sobre o recente manifesto \u201c<strong><a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/secure.avaaz.org\/po\/petition\/Para_os_poderes_constituidos_e_toda_a_sociedade_brasileira_Preservem_a_Constituicao\/edit\/');\"  href=\"https:\/\/secure.avaaz.org\/po\/petition\/Para_os_poderes_constituidos_e_toda_a_sociedade_brasileira_Preservem_a_Constituicao\/edit\/\" onclick=\"return TrackClick('https%3A%2F%2Fsecure.avaaz.org%2Fpo%2Fpetition%2FPara_os_poderes_constituidos_e_toda_a_sociedade_brasileira_Preservem_a_Constituicao%2Fedit%2F','Escritores+e+profissionais+do+livro+pela+democracia')\" target=\"_blank\">Escritores e profissionais do livro pela democracia<\/a>\u201d <\/strong>que, pela contagem que acabei de fazer, j\u00e1 tem quase nove mil assinaturas. <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www.publishnews.com.br\/materias\/2016\/03\/23\/o-contraponto-ao-manifesto');\"  href=\"http:\/\/www.publishnews.com.br\/materias\/2016\/03\/23\/o-contraponto-ao-manifesto\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fwww.publishnews.com.br%2Fmaterias%2F2016%2F03%2F23%2Fo-contraponto-ao-manifesto','Henrique+Farinha')\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fwww.publishnews.com.br%2Fmaterias%2F2016%2F03%2F23%2Fo-contraponto-ao-manifesto','Lu%C3%ADs+Maffei')\" target=\"_blank\">Lu\u00eds Maffei<\/a> defende a necessidade do manifesto, e <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www.publishnews.com.br\/materias\/2016\/03\/23\/o-contraponto-ao-manifesto');\"  href=\"http:\/\/www.publishnews.com.br\/materias\/2016\/03\/23\/o-contraponto-ao-manifesto\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fwww.publishnews.com.br%2Fmaterias%2F2016%2F03%2F23%2Fo-contraponto-ao-manifesto','Henrique+Farinha')\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fwww.publishnews.com.br%2Fmaterias%2F2016%2F03%2F23%2Fo-contraponto-ao-manifesto','Lu%C3%ADs+Maffei')\" target=\"_blank\">Henrique Farinha<\/a> escreve que &#8220;a luta pol\u00edtica n\u00e3o pode contaminar as pautas profissionais&#8221;.<\/p>\n<p>Com o devido \u2013 e sincero \u2013 respeito \u00e0s posi\u00e7\u00f5es pessoais do Henrique Farinha, n\u00e3o posso deixar passar a oportunidade de comentar o assunto.<\/p>\n<p>Para deixar claro: assinei o manifesto, votei na Dilma em 2014 \u2013 e votaria novamente, apesar das in\u00fameras e imensas cr\u00edticas que tenho ao seu governo. Trabalhei pela legaliza\u00e7\u00e3o do PT, l\u00e1 pelos anos 1980, mas n\u00e3o sou afiliado ao partido e nem tenho nenhuma milit\u00e2ncia partid\u00e1ria <em>estrictu senso<\/em>.<\/p>\n<p>Mas me considero um <em>homo politicus<\/em>, inclusive no sentido aristot\u00e9lico da palavra. Eu n\u00e3o <strong>sou<\/strong> fora da <em>polis<\/em> onde vivo. E minha rela\u00e7\u00e3o com a <em>polis<\/em> (ou com a <em>societas<\/em>, como queiram), \u00e9 que me conforma como cidad\u00e3o, como profissional. Como ser humano, em suma.<\/p>\n<p>\u00c9 esse o cerne da quest\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o vivo em Marte nem em et\u00e9reos mundos isolados dessa <em>polis<\/em>. Vivo neste Brasil de 2016, com sessenta e seis anos. Vivi a ditadura em sua integridade. Combati-a como pude, fui preso, torturado, e tive que me exilar. Meu primeiro filho nasceu no exterior.<\/p>\n<p>Assim, al\u00e9m do mais, \u00e9 minha hist\u00f3ria que me define.<\/p>\n<p>Mas isso \u00e9 gen\u00e9rico.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que ser editor hoje, e ter sido editor nos estertores da ditadura me ensinou uma diferen\u00e7a fundamental: a import\u00e2ncia da legalidade democr\u00e1tica. Que n\u00e3o se expressa t\u00e3o somente nas formalidades. O ambiente pol\u00edtico social em que vivemos marca indelevelmente <strong>nossa atividade profissional. <\/strong>Ter a garantia de que um tira n\u00e3o pode me prender pela minha cara ou pelo que fa\u00e7o que n\u00e3o seja criminalmente definido por lei \u00e9 algo inestim\u00e1vel para quem viveu os anos sombrios. Por isso, n\u00e3o bastam os formalismos, mas a forma \u00e9 tamb\u00e9m fundamental.<\/p>\n<p>Pensam que \u00e9 f\u00e1cil?<\/p>\n<p>Uma anedota ilustrativa.<\/p>\n<p>Na <strong>Marco Zero<\/strong>, a editora que Maria Jos\u00e9 Silveira, M\u00e1rcio Souza e eu tivemos entre os anos 1980 e 1990, fomos os primeiros a publicar no Brasil um certo autor portugu\u00eas, ent\u00e3o muito jovem. <strong>Os Cus de Judas,<\/strong> de Ant\u00f3nio Lobo Antunes, foi publicado por n\u00f3s nos anos oitenta. Pois bem, um belo dia vimos uma resenha do livro ocupando quase uma p\u00e1gina no ent\u00e3o prestigiad\u00edssimo Caderno B. S\u00f3 com um pequeno detalhe: o t\u00edtulo n\u00e3o era mais o original. Para o JB passara a ser \u201cOs Cafund\u00f3s do Judas\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o havia mais censura expl\u00edcita. Mas o ambiente da ditadura ainda perpassava tudo. Cu, nem no singular nem no plural, podia ser impresso em um jornal de circula\u00e7\u00e3o nacional. Hoje virou impreca\u00e7\u00e3o de est\u00e1dio na Copa do Mundo&#8230;.<\/p>\n<p>E o ambiente que vivemos hoje me evoca isso \u2013 com dor no cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A deteriora\u00e7\u00e3o do ambiente pol\u00edtico do pa\u00eds \u00e9 simplesmente assustadora. Quando as pessoas t\u00eam que pensar qual a cor da roupa que vestem, porque isso pode provocar uma agress\u00e3o, \u00e9 uma trag\u00e9dia. E isso aconteceu muito rapidamente.<\/p>\n<p>Apesar da dureza da campanha de 2014, ainda se mantinha um n\u00edvel de civilidade que, de l\u00e1 para c\u00e1, perdeu-se completamente. Nas elei\u00e7\u00f5es de 2014 sa\u00ed de casa para votar no Col\u00e9gio S\u00e3o Lu\u00eds, na Paulista (onde o A\u00e9cio deve ter tido uns 80% dos votos), com uma camiseta vermelha, comprada em Leningrado, em homenagem \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro na R\u00fassia. Depois, fiquei observando o movimento e uma senhora me pediu ajuda para saber como votar no A\u00e9cio. Ensino o beab\u00e1 para ela, que saiu toda pimpona para votar no seu candidato.<\/p>\n<p>Isso, h\u00e1 pouco mais de dois anos. Hoje seria, literalmente, impens\u00e1vel. Se eu aparecer para votar com camiseta vermelha, no Col\u00e9gio S\u00e3o Lu\u00eds, a possibilidade de ser agredido \u00e9 alt\u00edssima, como se tem visto. E que haja algu\u00e9m que me pergunte como votar em candidato que n\u00e3o seja o meu&#8230; sem palavras.<\/p>\n<p>\u00c9 a ruptura da liberdade vestir de qualquer cor, de dizer o que quero, publicar o que desejo e que os leitores leiam o que lhes d\u00ea na gana que vejo amea\u00e7ada nessa quadra de proposi\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos ilegais para depor a Presidenta Dilma Roussef, eleita com a maioria absoluta dos votos em 2014.<\/p>\n<p>Ju\u00edzes e outras cabe\u00e7as falantes arrotam declara\u00e7\u00f5es na imprensa dizendo que o \u201cimpeachment \u00e9 legal\u201d. Ora, at\u00e9 nosso prezado Conselheiro Ac\u00e1cio iria se ruborizar com tal platitude. O pedido em tramita\u00e7\u00e3o foi feito com base na acusa\u00e7\u00e3o de que a Presidenta fez \u201cpedaladas\u201d fiscais \u2013 adiantou recursos para pagar as contas. Ou seja, usou o cheque especial. Est\u00e1 na companhia de mais dezessete governadores, de todo o espectro partid\u00e1rio, que fizeram a mesma coisa. V\u00e1rios dos quais, l\u00e9pidos e fagueiros, engrossam o coro da deposi\u00e7\u00e3o. S\u00f3 que nem se fala mais nas tais \u201cpedaladas\u201d, e se imputa \u00e0 Presidenta acusa\u00e7\u00f5es que nunca foram nem mesmo mencionadas, sequer dentro desse sistema inquisitorial de prender para delatar, inaugurado quinhentos anos atr\u00e1s por Torquemada e colegas.<\/p>\n<p>A justi\u00e7a funciona, a pol\u00edcia investiga \u2013 ainda que muito seletivamente \u2013 e j\u00e1 houve condena\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m correndo a membros de todos os partidos. Todos.<\/p>\n<p>S\u00f3 que a solu\u00e7\u00e3o para os imensos e profundos problemas que afetam nosso pa\u00eds n\u00e3o \u00e9 apelar para pesquisas de opini\u00e3o para \u201cdecidir\u201d o que a \u201cmaioria\u201d deseja. A maioria decide na hora de votar. Quatro anos depois isso \u00e9 julgado pelos eleitores, e ponto par\u00e1grafo.<\/p>\n<p>Tudo isso afeta, sim, nosso trabalho profissional. N\u00e3o apenas como cidad\u00e3os, como tamb\u00e9m como membros dessa comunidade que vive do interc\u00e2mbio de ideias, do contradit\u00f3rio de opini\u00f5es. Quem acha que \u00e9 poss\u00edvel dar uma de avestruz e enfiar a cabe\u00e7a no seu mundinho supostamente profissional pode, mais tarde, se arrepender. Como alguns \u00f3rg\u00e3os de imprensa que apoiaram o golpe de 1964, \u201ccontra a corrup\u00e7\u00e3o\u201d, e pagaram caro por isso.<\/p>\n<p>Evidentemente, todo o direito \u00e9 devido a quem acha o contr\u00e1rio. Mas considero que, quem est\u00e1 no mercado editorial, editor, escritor, ilustrador \u2013 enfim, toda a gama de of\u00edcios \u2013 e for favor\u00e1vel \u00e0 deposi\u00e7\u00e3o da Presidenta deve diz\u00ea-lo com todas as letras, e n\u00e3o se escudar em uma irreal neutralidade profissional, que n\u00e3o existe. Podem (devem) ir \u00e0 luta e arregimentar assinaturas para suas posi\u00e7\u00f5es, sem desqualificar os demais. E, diga-se de passagem, defender o mandato e a democracia n\u00e3o significa nem ser conivente com crimes e muito menos apoiar as pol\u00edticas aplicadas.<\/p>\n<p>A express\u00e3o de posi\u00e7\u00f5es n\u00e3o prejudica \u2013 necessariamente \u2013 rela\u00e7\u00f5es pessoais nem profissionais. Meu quadro de relacionamentos, e acredito que o de muita gente \u2013 inclui pessoas (parentes, inclusive), de todos os quadrantes pol\u00edticos. Com firmeza, mas sem argumentos <em>ad hominem<\/em> e destemperos, n\u00e3o s\u00f3 podemos, como temos obriga\u00e7\u00e3o de nos colocarmos no mundo. E convivermos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Semana passada, em \u00f3tima iniciativa, o PublishNews publicou duas opini\u00f5es sobre o recente manifesto \u201cEscritores e profissionais do livro pela democracia\u201d que, pela contagem que acabei de fazer, j\u00e1 tem quase nove mil assinaturas. 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