{"id":2851,"date":"2016-02-17T09:27:03","date_gmt":"2016-02-17T12:27:03","guid":{"rendered":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=2851"},"modified":"2016-02-17T09:27:03","modified_gmt":"2016-02-17T12:27:03","slug":"os-tipos-moveis-de-gutenberg","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=2851","title":{"rendered":"OS TIPOS M\u00d3VEIS DE GUTENBERG"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_2852\" aria-describedby=\"caption-attachment-2852\" style=\"width: 284px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-2852\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/gutenberg-foto.jpg\" alt=\"Johannes Gutenberg, em gravura produzida depois de sua morte.\" width=\"284\" height=\"360\" srcset=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/gutenberg-foto.jpg 284w, http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/gutenberg-foto-237x300.jpg 237w\" sizes=\"(max-width: 284px) 100vw, 284px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2852\" class=\"wp-caption-text\">Johannes Gutenberg, em gravura produzida depois de sua morte.<\/figcaption><\/figure>\n<p>No grande universo dos livros, um dos campos pelo qual sempre fui fascinado \u00e9 o da sua fabrica\u00e7\u00e3o. Sou da \u00e9poca em que se compunha com linotipo, recebia-se as provas feitas com tira-prova e depois das corre\u00e7\u00f5es o livro ia para as impressoras e depois para o acabamento. Atravessei a \u00e9poca dos fotolitos (ainda com composi\u00e7\u00e3o a quente), pela composi\u00e7\u00e3o com uma esp\u00e9cie de m\u00e1quina de datilografia aperfei\u00e7oada da IBM, que produzia textos justificados e j\u00e1 com uma boa variedade de tipos (as \u201cbolinhas\u201d eram trocadas). Esse material ia para uma mesa de paste-up e depois era fotolitado. Hoje todo mundo usa editora\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica e o resultado \u00e9 enviado por e-mail e j\u00e1 vai direto para a impressora, pelo sistema computer-to-plate.<\/p>\n<p>Mas antes dos livros, ainda adolescente, trabalhei em jornal, em Manaus, que ainda usava composi\u00e7\u00e3o a quente (linotipo, monotipo e clich\u00eas) e impress\u00e3o em m\u00e1quinas planas. Uma coisa! Uma vez vi uma p\u00e1gina mal amarrada estourar e espalhar colunas de linotipo e blocos de clich\u00eas para todo lado, com risco de ferir um gr\u00e1fico. Ali\u00e1s, essa exig\u00eancia t\u00e9cnica de produzir uma p\u00e1gina completamente \u201camarrada\u201d da tipografia perdeu-se na etapa seguinte do paste-up, e o que se viu de colunas tortas e fotos mal ajustadas&#8230; S\u00f3 a editora\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica recuperou a beleza de uma p\u00e1gina bem montada.<\/p>\n<p>Cada uma dessas etapas vividas s\u00f3 aumentava minha admira\u00e7\u00e3o pelo sujeito que inventou o b\u00e1sico: a impress\u00e3o com tipos m\u00f3veis. Sim, o famoso Johann Gutenberg.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2853\" aria-describedby=\"caption-attachment-2853\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-2853 size-medium\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/gutenberg-museum-300x225.jpg\" alt=\"gutenberg museum\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/gutenberg-museum-300x225.jpg 300w, http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/gutenberg-museum.jpg 700w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2853\" class=\"wp-caption-text\">Gutenberg Museum &#8211; Mainz<\/figcaption><\/figure>\n<p>Nunca fui a Mainz, sua cidade e sede de um <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www.gutenberg-museum.de\/index.php?id=29&amp;L=1');\"  href=\"http:\/\/www.gutenberg-museum.de\/index.php?id=29&amp;L=1\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fwww.gutenberg-museum.de%2Findex.php%3Fid%3D29%26amp%3BL%3D1','museu')\" target=\"_blank\">museu<\/a> e de um centro de estudos sobre tipografia, embora a cidade esteja bem perto de Frankfurt, tantas vezes visitada nas feiras. \u00a0Mas sempre vou ao estande do Museu na feira, brinco de impressor e h\u00e1 muito tenho minha c\u00f3pia tipogr\u00e1fica de uma p\u00e1gina da famosa B\u00edblia de 42 linhas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2854\" aria-describedby=\"caption-attachment-2854\" style=\"width: 215px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-2854\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/Gutenberg_bible_Old_Testament_Epistle_of_St_Jerome-215x300.jpg\" alt=\"Facs\u00edmile da B-42, impressa por Gutenberg\" width=\"215\" height=\"300\" srcset=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/Gutenberg_bible_Old_Testament_Epistle_of_St_Jerome-215x300.jpg 215w, http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/Gutenberg_bible_Old_Testament_Epistle_of_St_Jerome.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 215px) 100vw, 215px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2854\" class=\"wp-caption-text\">Facs\u00edmile da B-42, impressa por Gutenberg<\/figcaption><\/figure>\n<p>Recentemente li uma das poucas biografias s\u00e9rias de Gutenberg existentes em tradu\u00e7\u00e3o. Os trabalhos sobre a descoberta e vida dele s\u00e3o quase todos em alem\u00e3o. \u00c9 \u201cJohann Gutenberg \u2013 The Man and his Invention\u201d, de Albert Kapr. Achar o livro foi dif\u00edcil. Encomendei atrav\u00e9s da Amazon mas o livro nunca chegou. Achei em um sebo por aqui e consegui comprar e ler.<\/p>\n<p>\u00c9 certamente um livro fascinante, com uma s\u00f3lida abordagem do contexto da vida do inventor. Mainz estava feudalmente submetida a um Bispo Eleitor do Sacro Imp\u00e9rio Alem\u00e3o, personagem pol\u00edtico de primeira grandeza. Mas a cidade vivia \u00e0s turras com os bispos, principalmente no per\u00edodo de vida de Gutenberg, quando o crescimento da burguesia j\u00e1 era evidente e entrava em choque com aquelas institui\u00e7\u00f5es feudais.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia de Gutenberg (as explica\u00e7\u00f5es sobre os sobrenomes na \u00e9poca s\u00e3o deliciosas) fazia parte da nobreza, e em v\u00e1rios momentos, por conta das disputas, teve que se exilar para a cidade-sede do bispado, Eltville (onde tamb\u00e9m est\u00e3o alguns dos principais vinhedos do Reno). Essa origem social perpassa muitos aspectos da vida de Gutenberg, inclusive a disputa com o s\u00f3cio Fust, epis\u00f3dio muito importante no desenvolvimento da imprensa.<\/p>\n<p>N\u00e3o se conhece a data exata de seu nascimento (entre 1400 e 1403). Estudou em Efurt e sabe-se que se aperfei\u00e7oou em ourivesaria e em t\u00e9cnicas de estampagem, que seriam fundamentais para o desenvolvimento da tipografia.<\/p>\n<p>Alguns detalhes que ressaltei da biografia.<\/p>\n<p>&#8211; O processo de \u201cinven\u00e7\u00e3o\u201d da tipografia foi extremamente complicado. Gutenberg foi o primeiro \u2013 e a\u00ed est\u00e1 a raiz de tudo \u2013 a conceber um processo vi\u00e1vel e simples de fundi\u00e7\u00e3o de tipos. As tentativas anteriores de impress\u00e3o inclu\u00edam tipos de madeira, cer\u00e2mica e a impress\u00e3o em blocos de madeira, como xilogravuras, com os textos desenhados. O <strong>tipo m\u00f3vel<\/strong> \u00e9 a primeira e a mais fundamental das descobertas de Gutenberg. Ele inventou uma esp\u00e9cie de portador dos moldes que permitiu a fabrica\u00e7\u00e3o r\u00e1pida dos tipos de impress\u00e3o a partir de uma patriz (escultura das letras em pun\u00e7\u00f5es com instrumentos de ourives). Essas pun\u00e7\u00f5es eram aplicadas em uma barra de cobre, criando as matrizes. Como o golpe deformava a matriz, era necess\u00e1rio retific\u00e1-las (outra habilidade de ourives) e da\u00ed se tinha uma matriz final. Essa, usando o tal fundidor de tipos, gerava os caracteres necess\u00e1rios para a impress\u00e3o. S\u00f3 para a impress\u00e3o da B-42, Gutenberg fundiu cerca de <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www.tipografos.net\/tecnologias\/fundicao-tipos.html');\"  href=\"http:\/\/www.tipografos.net\/tecnologias\/fundicao-tipos.html\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fwww.tipografos.net%2Ftecnologias%2Ffundicao-tipos.html','dois+milh%C3%B5es+de+tipos%2C')\" target=\"_blank\">dois milh\u00f5es de tipos,<\/a> de 290 formatos. \u00a0Esse processo necessariamente tinha que ter muita precis\u00e3o, para que os tipos pudessem se alinhar e se ajustar entre si. Para isso, tamb\u00e9m se fundiram ligaduras (combina\u00e7\u00f5es de letras, como o \u00c6), sinais de pontua\u00e7\u00e3o, etc.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2856\" aria-describedby=\"caption-attachment-2856\" style=\"width: 202px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-2856\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/donatus.jpg\" alt=\"Donatus, manual de ensino de latim, foi o primeiro livro completo impresso por Gutenberg\" width=\"202\" height=\"232\" srcset=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/donatus.jpg 400w, http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/donatus-261x300.jpg 261w\" sizes=\"(max-width: 202px) 100vw, 202px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2856\" class=\"wp-caption-text\">Donatus, manual de ensino de latim, foi o primeiro livro completo impresso por Gutenberg<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_2857\" aria-describedby=\"caption-attachment-2857\" style=\"width: 168px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-2857\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/prensa-g.jpg\" alt=\"R\u00e9plica no Gutenberg Museum - Mainz\" width=\"168\" height=\"225\" srcset=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/prensa-g.jpg 250w, http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/prensa-g-223x300.jpg 223w\" sizes=\"(max-width: 168px) 100vw, 168px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2857\" class=\"wp-caption-text\">R\u00e9plica no Gutenberg Museum &#8211; Mainz<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; A impressora foi constru\u00edda a partir de modelos de prensas de vinho, com adapta\u00e7\u00f5es importantes: uma bandeja deslizante para se colocar a composi\u00e7\u00e3o. Essa bandeja tinha que deslizar de modo bem preciso, para que a mancha ficasse sempre no mesmo lugar, e depois para que impress\u00f5es de cores n\u00e3o perdessem o registro. A impress\u00e3o propriamente dita se dava quando uma prancha de madeira descia por uma alavanca manejada pelo impressor e \u201ccarimbava\u201d o papel colocado (tamb\u00e9m ajustado) sobre a composi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; Finalmente, Gutenberg teve que desenvolver uma tinta que n\u00e3o borrasse e permitisse a impress\u00e3o com clareza. A tinta usada por Gutenberg era feita a partir da fuligem de candeeiros, verniz, albume e urina humana como prov\u00e1veis aditivos. A qualidade da tinta de Gutenberg at\u00e9 hoje impressiona quem v\u00ea um exemplar da B-42.<\/p>\n<p>&#8211; O primeiro impresso atribu\u00eddo a Gutenberg, em Estrasburgo, \u00e9 um trecho intitulado \u201cFragmento do Weltgerich\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2855\" aria-describedby=\"caption-attachment-2855\" style=\"width: 253px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-2855\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/weltgericht.jpg\" alt=\"Fragment vom Weltgericht - possivelmente um dos primeiros impresso de Gutenberg, em Estrasburgo\" width=\"253\" height=\"147\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2855\" class=\"wp-caption-text\">Fragment vom Weltgericht &#8211; possivelmente um dos primeiros impresso de Gutenberg, em Estrasburgo<\/figcaption><\/figure>\n<p>Mas os primeiros livros, j\u00e1 impressos em Mainz (com tipos fabricados em Estrasburgo) foram os chamados Donatus. Eram simplesmente livros did\u00e1ticos, um manual escolar de latim.<\/p>\n<p>Gutenberg regressa a Mainz por volta de 1448, e estabelece a oficina na casa de sua fam\u00edlia, a Gurtenberghof. L\u00e1 imprimiu v\u00e1rias tiragens do Donatus, mas o local e as condi\u00e7\u00f5es eram insuficientes para desenvolver seu grande projeto, a impress\u00e3o da B\u00edblia.<\/p>\n<p>\u00c9 a\u00ed que entra em cena Fust, comerciante (tamb\u00e9m livreiro, de manuscritos), e ligado \u00e0s corpora\u00e7\u00f5es da cidade. Fust investe pesadamente no empreendimento e tamb\u00e9m coloca l\u00e1 Peter Schoeffer, seu filho adotivo. Schoeffer era escriba, e provavelmente tamb\u00e9m recebeu forma\u00e7\u00e3o de ourives. H\u00e1 quem diga que o desenho da letra da B-42 teve sua participa\u00e7\u00e3o. Para compor e imprimir a B-42, novas instala\u00e7\u00f5es foram montadas na Humbrechthof, uma casa muito maior, alugada por Fust. Provavelmente todos os artes\u00e3os envolvidos na empreitada moravam ali, como geralmente acontecia nas oficinas dos mestres medievais.<\/p>\n<p>A B-42 foi impressa entre 1452 e 1455, e o impacto da qualidade do trabalho, como sabemos, repercute at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>As rela\u00e7\u00f5es entre Gutenberg e Fust se deterioraram, por conta de dinheiro, \u00e9 claro, e o assunto foi parar nos tribunais. Fust ganhou a causa e ficou com a imprensa e os tipos que estavam na Humbrechthof. Mas Gutenberg, segundo Kapr, continuou com a oficina na Gutenberghof, at\u00e9 que foi obrigado a se exilar de Mainz em mais um confronto entre as corpora\u00e7\u00f5es e o bispo-eleitor. Gutenberg mudou-se para Eltville, continuou imprimindo (embora sem a qualidade da B-42) e recebeu honrarias do bispo.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2858\" aria-describedby=\"caption-attachment-2858\" style=\"width: 236px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-2858\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/biblia-moguncia-374-214x300.jpg\" alt=\"B\u00edblia de Mog\u00fancia - 1462 - Biblia Pulchra, impressa por Fust &amp; Schoeffer, da qual h\u00e1 um exemplar na Biblioteca Nacional - RJ\" width=\"236\" height=\"331\" srcset=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/biblia-moguncia-374-214x300.jpg 214w, http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/biblia-moguncia-374.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 236px) 100vw, 236px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2858\" class=\"wp-caption-text\">B\u00edblia de Mog\u00fancia &#8211; 1462 &#8211; Biblia Pulchra, impressa por Fust &amp; Schoeffer, da qual h\u00e1 um exemplar na Biblioteca Nacional &#8211; RJ<\/figcaption><\/figure>\n<p>Fust e Schoeffer tamb\u00e9m continuaram imprimindo e produziram alguns dos incun\u00e1bulos mais preciosos da primeira idade da impress\u00e3o, como uma edi\u00e7\u00e3o dos Salmos e outra da B\u00edblia, em 1562.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2860\" aria-describedby=\"caption-attachment-2860\" style=\"width: 222px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-2860\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/Schoeffer-colofon.jpg\" alt=\"Ex-libris de Schoeffer, o primeiro a ser usado para identificar o impressor\" width=\"222\" height=\"186\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2860\" class=\"wp-caption-text\">Ex-libris de Schoeffer, o primeiro a ser usado para identificar o impressor<\/figcaption><\/figure>\n<p>J\u00e1 no s\u00e9culo XVI, um dos filhos de Schoeffer tentou atribuir ao pai a inven\u00e7\u00e3o dos tipos m\u00f3veis, movido evidentemente por interesses comerciais.<\/p>\n<p>Todo o desenvolvimento da impress\u00e3o deu-se no meio das tens\u00f5es religiosas que j\u00e1 prenunciavam a reforma e a cis\u00e3o do cristianismo, e n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que, al\u00e9m dos Donatus, o que se imprimiu mais foram livros religiosos, inclusive missais, e indulg\u00eancias que, vendidas, podiam n\u00e3o garantir a salva\u00e7\u00e3o eterna para os compradores, mas rendiam grandes recursos para os emitentes, bispos, mosteiros e o papa.<\/p>\n<p>Uma curiosidade que est\u00e1 no livro de Kapr \u00e9 que a primeira tradu\u00e7\u00e3o da B\u00edblia para o vern\u00e1culo n\u00e3o foi a de Lutero, em 1522. Dois dos impressores de Col\u00f4nia, Bartholom\u00e4us von Unkel e Heinrich Quentell imprimiram vers\u00f5es nos dialetos baixo-alem\u00e3o<\/p>\n<figure id=\"attachment_2859\" aria-describedby=\"caption-attachment-2859\" style=\"width: 225px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-2859 size-medium\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/baixo-alem\u00e3o-225x300.jpg\" alt=\"B\u00edblia em Baixo Alem\u00e3o\" width=\"225\" height=\"300\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2859\" class=\"wp-caption-text\">B\u00edblia em Baixo Alem\u00e3o impressa por Bartholom\u00e4us von Unkel e Heinrich Quentell<\/figcaption><\/figure>\n<p>e sax\u00e3o, entre os mais de 400 itens bibliogr\u00e1ficos que produziram, entre 1479 e 1500. Evidentemente os eruditos sabem disso, mas eu achava que Lutero era o pioneiro. \u00a0E me refiro aqui a tradu\u00e7\u00f5es impressas, porque outros manuscritos traduzidos e \u201ceditados\u201d da B\u00edblia j\u00e1 haviam sido feitos, como se pode ler <a href=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=2487\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Foxisdoproblema.com.br%2F%3Fp%3D2487','aqui')\" target=\"_blank\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p>No final da leitura eu me perguntava se o conceito de tipos m\u00f3veis, como o elemento central da inven\u00e7\u00e3o da imprensa, ainda persistia. N\u00e3o se tratava da discuss\u00e3o de McLuhann sobre o fim da \u201cGal\u00e1xia de Gutenberg\u201d, uma bobagem que a continuada produ\u00e7\u00e3o de livros (ou superprodu\u00e7\u00e3o) j\u00e1 desmentiu. O que eu me perguntava era se a ideia dos tipos m\u00f3veis permanecia vigente na era da editora\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica.<\/p>\n<p>Acho que sim.<\/p>\n<p>A comunica\u00e7\u00e3o entre os homens, depois que deixou de ser puramente oral, passou por v\u00e1rias formas de escrita. Mas nenhuma com a complexidade e flexibilidade do alfabeto. Um pequeno conjunto de sinais combinados permite expressar&#8230; tudo. Depois da escrita, que permitiu esse registro, a composi\u00e7\u00e3o com tipos m\u00f3veis \u00e9 que foi o motor da multiplica\u00e7\u00e3o da palavra. Desde a composi\u00e7\u00e3o manual, at\u00e9 hoje, \u00e9 a combina\u00e7\u00e3o de letras formando palavras, frases, livros, expressando o pensamento e as sensa\u00e7\u00f5es da humanidade e a sua infinita reprodutibilidade.<\/p>\n<p>Afinal, o que \u00e9 a composi\u00e7\u00e3o digital sen\u00e3o o uso de impulsos eletr\u00f4nicos para emendar uma letra ap\u00f3s a outra? O livro n\u00e3o deve \u201cser convertido em algum tipo de aparelho tecnol\u00f3gico ou outro\u201d, como diz Kapr. O fundamental da comunica\u00e7\u00e3o e reprodutibilidade da palavra escrita \u00e9 essa combina\u00e7\u00e3o, primeiro mec\u00e2nica e hoje eletr\u00f4nica, que permite a leitura de todas as express\u00f5es do pensamento humano por bilh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso \u00e9 que Gutenberg permanece ainda hoje como uma figura viva: porque estabeleceu esse ideal para o futuro, quaisquer que sejam as metamorfoses que seus tipos de chumbo e antim\u00f4nio tenham passado, ou venham a passar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No grande universo dos livros, um dos campos pelo qual sempre fui fascinado \u00e9 o da sua fabrica\u00e7\u00e3o. Sou da \u00e9poca em que se compunha com linotipo, recebia-se as provas feitas com tira-prova e depois das corre\u00e7\u00f5es o livro ia para as impressoras e depois para o acabamento. 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