{"id":2845,"date":"2016-01-27T10:23:01","date_gmt":"2016-01-27T13:23:01","guid":{"rendered":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=2845"},"modified":"2016-01-27T10:23:01","modified_gmt":"2016-01-27T13:23:01","slug":"as-mudancas-no-papel-de-editores-e-livreiros","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=2845","title":{"rendered":"AS MUDAN\u00c7AS NO PAPEL DE EDITORES E LIVREIROS"},"content":{"rendered":"<p>O come\u00e7o do ano \u00e9 sempre oportunidade para pensar perspetivas e tend\u00eancias em cada ramo de atividades, e o mercado editorial n\u00e3o escapa disso. Foram v\u00e1rios artigos e posts publicados em janeiro tentando dar conta do que anda acontecendo no mercado editorial e livreiro.<\/p>\n<p>Como quase tudo, o foco principal se situa ao redor do mercado editorial dos EUA. \u00c9 o maior mercado do mundo e o que acontece por l\u00e1, em maior ou menor medida, acaba se refletindo por aqui tamb\u00e9m. Como meu estoque de pensamentos originais anda baixo, procurei refletir a partir de alguns dos que li.<\/p>\n<p>Mike Shatzkin, conhecido consultor do mercado editorial internacional, publicou recentemente em seu blog <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www.idealog.com\/blog\/book-publishing-lives-in-an-environment-shaped-by-larger-forces-and-always-has\/');\"  href=\"http:\/\/www.idealog.com\/blog\/book-publishing-lives-in-an-environment-shaped-by-larger-forces-and-always-has\/\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fwww.idealog.com%2Fblog%2Fbook-publishing-lives-in-an-environment-shaped-by-larger-forces-and-always-has%2F','Idealog')\" target=\"_blank\">Idealog<\/a> um post no qual afirma que \u201ca ind\u00fastria editorial vive em um ambiente moldado por for\u00e7as mais amplas, e sempre foi assim\u201d. No fundo, \u00e9 uma observa\u00e7\u00e3o de senso comum: nenhum segmento econ\u00f4mico vive exclusivamente a partir de sua pr\u00f3pria din\u00e2mica. Como fen\u00f4meno social, sempre est\u00e1 sujeito a for\u00e7as sociais e econ\u00f4micas mais amplas. Na verdade, o que Shatzkin queria enfatizar era o contexto hist\u00f3rico da evolu\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria editorial dos EUA, e como isso foi moldando a situa\u00e7\u00e3o atual.<\/p>\n<p>Para tanto, lembra de alguns marcos importantes. O papel de Andrew Carnegie no estabelecimento de um amplo sistema de bibliotecas p\u00fablicas; a introdu\u00e7\u00e3o do sistema de devolu\u00e7\u00f5es, pela Simon&amp;Schuster e a Putnan, por conta da depress\u00e3o; a entrada dos distribuidores de revistas no neg\u00f3cio, que originou a revolu\u00e7\u00e3o dos livros de bolso; finalmente, o interesse de Wall Street nas superlojas em shopping centers e a inflex\u00e3o das editoras para a busca dos grandes bestsellers. Em todo esse per\u00edodo, assinala Shatzkin, as editoras se dedicavam a um modelo de neg\u00f3cios business-to-business. A quest\u00e3o era vender para as livrarias, para as cadeias de livrarias, para as grandes superf\u00edcies. Para apoiar isso, a promo\u00e7\u00e3o nos jornais, resenhas, entrevistas de autores no r\u00e1dio e na TV.<\/p>\n<p>At\u00e9 1995. At\u00e9 a Amazon. E, concomitantemente, com o fortalecimento dos \u201cQuatro Cavaleiros do Apocalipse\u201d: Amazon, Apple, Facebook e Google.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-2846\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/banner-e-books1.jpg\" alt=\"banner-e-books1\" width=\"631\" height=\"229\" srcset=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/banner-e-books1.jpg 631w, http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/banner-e-books1-300x109.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 631px) 100vw, 631px\" \/><\/p>\n<p>O modelo de neg\u00f3cios da Amazon, como todos sabem, come\u00e7ou com os livros. Mas a venda de livros foi s\u00f3 o in\u00edcio do projeto Bezos de construir sua loja que vende de tudo, a partir do conhecimento extenso do que os clientes compram (e capacidade de transformar isso em desejo).<\/p>\n<p>Mas, como assinala Shatzkin, o projeto da Amazon ia muito al\u00e9m disso. \u201cAmazon operava em um ambiente sem restri\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas; suas vendas n\u00e3o eram restringidas ao local, como as livrarias f\u00edsicas. Podiam efetivamente prestar servi\u00e7o para clientes de qualquer lugar. Assim, mesmo no in\u00edcio, quanto tomavam apenas pequenas parcelas do mercado das lojas, t\u00e3o pouco que estes mal notavam, a Amazon constru\u00eda uma substancial base de clientes para si pr\u00f3pria\u201d.<\/p>\n<p>Era como a hist\u00f3ria do sapo na panela: a \u00e1gua vai esquentando pouco a pouco, at\u00e9 que&#8230;<\/p>\n<p>Shatzkin nota um aspecto interessante da opera\u00e7\u00e3o da Amazon, no seu in\u00edcio. A empresa usava um banco de dados (de livros) da Baker &amp; Taylor muito \u201csujo\u201d, com muitos t\u00edtulos fora de cat\u00e1logo. A Amazon reverteu isso a seu favor: se o cliente procurava um livro em uma loja e n\u00e3o encontrava, podia procurar em outra, e outra. A Amazon dizia de cara: fora do cat\u00e1logo, o que induzia eventualmente \u00e0 busca de outro t\u00edtulo. E um dos primeiros grupos de clientes influentes que passaram a usar a Amazon foi o pessoal da academia. E assim a Amazon se transformou no local prim\u00e1rio de busca de t\u00edtulos \u2013 posi\u00e7\u00e3o que era anteriormente ocupada pelas superlojas.<\/p>\n<p>E vai por a\u00ed.<\/p>\n<p>Mas a \u00eanfase que Shatzkin quer dar \u00e9 que, com isso, a Amazon multiplicou a for\u00e7a dos clientes na escolha dos livros. O seu esfor\u00e7o de prestar o melhor servi\u00e7o e indicar alternativas modificou radicalmente o escopo do neg\u00f3cio. Para as editoras, n\u00e3o se tratava mais de decidir <em>o que publicar<\/em>, mas sim como <em>fazer que o livro chamasse a aten\u00e7\u00e3o do leitor<\/em>. Isso, no modelo anterior, era secund\u00e1rio: na medida em que convencesse as livrarias a expor os livros que decidiam publicar, os leitores eram induzidos a compr\u00e1-los.<\/p>\n<p>Nesse novo cen\u00e1rio, o leitor\/cliente passa a ter um papel muito mais relevante. E a Amazon est\u00e1 posicionada para atend\u00ea-lo. Certamente a Apple tamb\u00e9m se esfor\u00e7a nesse sentido \u2013 e tentou tirar as editoras das garras de um dos \u201cCavaleiros do Apocalipse\u201d para que gentilmente se entregassem em suas m\u00e3os. N\u00e3o teve o sucesso que esperava, mas continua no jogo.<\/p>\n<p>E os outros dois \u201cCavaleiros\u201d, Google e Facebook? Bom, a Google \u2013 que tem um papel muito menos na venda de produtos \u2013 tem, no entanto, um papel crucial no fortalecimento da Amazon, j\u00e1 que seu mecanismo de buscas aponta, de forma dominante, o banco de dados da empresa como fonte de informa\u00e7\u00e3o sobre autores e t\u00edtulos procurados na Internet. Com o Google + tamb\u00e9m atua, subsidiariamente com o Facebook, no papel de criar presen\u00e7a e \u201cdescobertabilidade\u201d para t\u00edtulos e autores.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2847\" aria-describedby=\"caption-attachment-2847\" style=\"width: 302px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-2847\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/greenlight_bookstore-793x595.jpg\" alt=\"Greenlight Bookstore - as independentes  ganham mais espa\u00e7o nos EUA, com tecnologia e apoio da comunidade\" width=\"302\" height=\"227\" srcset=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/greenlight_bookstore-793x595.jpg 793w, http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/greenlight_bookstore-793x595-300x225.jpg 300w, http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/greenlight_bookstore-793x595-768x576.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 302px) 100vw, 302px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2847\" class=\"wp-caption-text\">Greenlight Bookstore &#8211; as independentes ganham mais espa\u00e7o nos EUA, com tecnologia e apoio da comunidade<\/figcaption><\/figure>\n<p>A disputa final \u2013 e a\u00ed ainda est\u00e3o no jogo tanto as cadeias quanto as livrarias independentes \u2013 \u00e9 para que os leitores\/clientes se acostumem a usar um dos canais de venda dispon\u00edveis: online (dominantemente Amazon, com presen\u00e7a de outros concorrentes similares que variam de pa\u00eds a pa\u00eds), as superlojas e as livrarias independentes.<\/p>\n<p>O jogo, assim, muda de configura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mesmo quem parecia descartado em um determinado momento \u2013 as livrarias independentes \u2013 passaram a usar instrumentos tecnol\u00f3gicos para melhorar seu desempenho, e n\u00e3o apenas subsistir, como voltar a crescer.<\/p>\n<p>Um recente post escrito por Erin Cox, na <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/publishingperspectives.com\/2016\/01\/independent-bookstores-thrive-in-digital-age\/#.Vqfi2iorKUl');\"  href=\"http:\/\/publishingperspectives.com\/2016\/01\/independent-bookstores-thrive-in-digital-age\/#.Vqfi2iorKUl\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fpublishingperspectives.com%2F2016%2F01%2Findependent-bookstores-thrive-in-digital-age%2F%23.Vqfi2iorKUl','Publishing+Perspectives')\" target=\"_blank\">Publishing Perspectives<\/a>,\u00a0assinala isso de modo claro. No post, que entrevista v\u00e1rios livreiros independentes e tamb\u00e9m Oren Teicher, que \u00e9 o executivo da ABA \u2013 American Booksellers Association, este declara que \u201cNa medida em que o custo da tecnologia diminui, as pequenas empresas podem ter acesso \u00e0 mesma tecnologia que as grandes corpora\u00e7\u00f5es\u201d. N\u00e3o apenas para promo\u00e7\u00e3o em websites, m\u00eddias sociais e campanhas de email, mas tamb\u00e9m na tecnologia usada para operar o neg\u00f3cio, como sistemas de pontos de venda, administra\u00e7\u00e3o de estoque, contabilidade e web design. \u201cSomos agora capazes de conduzir os neg\u00f3cios de modo mais eficiente, a um custo suport\u00e1vel\u201d, conclui Teicher.<\/p>\n<p>No caso das independentes, outro fator importante \u00e9 o da liga\u00e7\u00e3o com a comunidade. A tecnologia permite que as mensagens sejam bem desenhadas para o p\u00fablico local, de uma maneira como n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel para as grandes lojas \u2013 nem para a Amazon. No caso, o apelo \u00e9 comunit\u00e1rio, enquanto o da Amazon \u00e9 completamente individualizado.<\/p>\n<p>Cabe notar que a disponibiliza\u00e7\u00e3o de instrumentos tecnol\u00f3gicos avan\u00e7ados, no caso das livrarias independentes, conta com um apoio de infraestrutura enorme proporcionado pela pr\u00f3pria ABA, como relatei <a href=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=2399\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Foxisdoproblema.com.br%2F%3Fp%3D2399','aqui')\" target=\"_blank\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p>O interessante \u00e9 que, em todos os casos, o foco passa a ser uma autonomia muito maior do leitor na escolha do que deseja ler\/comprar, com mecanismos de busca que ultrapassam de longe o que se podia escolher nas grandes lojas. A disputa se concentra em tornar os livros \u201cach\u00e1veis\u201d \u2013 n\u00e3o adianta simplesmente lotar as vitrines das lojas \u2013 e levar o cliente a fidelizar as compras, mesmo que use mecanismos de busca externos, como o Google ou o Bing.<\/p>\n<p>Cabe notar, finalmente, que para as independentes terem condi\u00e7\u00f5es de crescer nesse ambiente, tiveram que fortalecer a ABA e fazer discuss\u00f5es a s\u00e9rio, como a que acontece nesses dias em Denver, no \u201cWinter Institute\u201d. Essa \u00e9 uma reuni\u00e3o anual (n\u00e3o \u00e9 uma conven\u00e7\u00e3o), com pautas quent\u00edssimas, e tem uma lota\u00e7\u00e3o de quinhentos participantes (m\u00e1ximo dois por empresa). Oren Teicher at\u00e9 me convidou para assistir, o que farei algum dia, talvez&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O come\u00e7o do ano \u00e9 sempre oportunidade para pensar perspetivas e tend\u00eancias em cada ramo de atividades, e o mercado editorial n\u00e3o escapa disso. Foram v\u00e1rios artigos e posts publicados em janeiro tentando dar conta do que anda acontecendo no mercado editorial e livreiro. 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