{"id":2692,"date":"2015-05-20T11:38:07","date_gmt":"2015-05-20T14:38:07","guid":{"rendered":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=2692"},"modified":"2015-05-20T11:38:07","modified_gmt":"2015-05-20T14:38:07","slug":"politicas-publicas-de-leitura-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=2692","title":{"rendered":"POL\u00cdTICAS P\u00daBLICAS DE LEITURA &#8211; 2"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-2693\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/Capturar.jpg\" alt=\"Capturar\" width=\"869\" height=\"466\" srcset=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/Capturar.jpg 869w, http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/Capturar-300x161.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 869px) 100vw, 869px\" \/><\/p>\n<p>No artigo publicado na semana passada, ainda sobre pol\u00edticas p\u00fablicas de leitura, abordei quest\u00f5es relacionadas ao direito ao acesso \u00e0 cultura e ao PNLL \u2013 Plano Nacional do Livro e Leitura. Quero acrescentar apenas mais algumas observa\u00e7\u00f5es sobre a quest\u00e3o do direito ao acesso. Desta vez, no \u00e2mbito das bibliotecas, da media\u00e7\u00e3o da leitura e de sua import\u00e2ncia.<br \/>\nExiste uma multiplicidade de correntes e teorias sobre cada um desses aspectos. Os ferrenhos defensores da \u201cconta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3ria\u201d se unem \u2013 ou n\u00e3o \u2013 aos que destacam o \u201cpapel transformador\u201d do livro. Algo, por\u00e9m, existe em comum a todos esses que eu chamo de \u201cleitur\u00f3logos\u201d: a \u00eanfase na import\u00e2ncia de que se leiam os \u201cbons livros\u201d, os \u201clivros transformadores\u201d e qualquer outro adjetivo que se escolha.<br \/>\nQue bom! Mas o grande problema da diversidade de experi\u00eancias se resume em alguns aspectos: a) aus\u00eancia de avalia\u00e7\u00f5es OBJETIVAS sobre sua efic\u00e1cia, at\u00e9 porque n\u00e3o se sabe bem o que buscam; 2) aus\u00eancia quase absoluta de difus\u00e3o das que sejam efetivamente avaliadas como \u201cboas pr\u00e1ticas\u201d, principalmente dos m\u00e9todos usados, de modo a que possam ser replicados. O Pr\u00eamio VivaLeitura procura, de certo modo, suprir essa defici\u00eancia. Entretanto, est\u00e1 profundamente marcado pela subjetividade da avalia\u00e7\u00e3o dos programas apresentados, na minha opini\u00e3o.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-2523\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/banner-e-books1.jpg\" alt=\"banner e-books\" width=\"631\" height=\"229\" srcset=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/banner-e-books1.jpg 631w, http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/banner-e-books1-300x109.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 631px) 100vw, 631px\" \/><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>At\u00e9 a\u00ed, \u00f3timo. Como diz outro pensador contempor\u00e2neo, \u201cque mil flores desabrochem, que mil escolas de pensamento flores\u00e7am\u201d.<\/p>\n<p>Mas quando se trata da constru\u00e7\u00e3o de acervos para as bibliotecas p\u00fablicas, \u00e9 sempre oportuno lembrar a quest\u00e3o do direito ao acesso.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, e chovendo no molhado, a situa\u00e7\u00e3o das bibliotecas p\u00fablicas no Brasil \u00e9 uma vergonha. Na quantidade, na qualidade, tudo nos faz ruborizar. Existe, nessa quest\u00e3o, mais uma nega\u00e7\u00e3o do direito ao acesso.<\/p>\n<p>\u00c9 bom lembrar a hist\u00f3ria da g\u00eanese da biblioteca p\u00fablica moderna. Matthew Battles, que foi curador da biblioteca de livros raros de Harvard e hoje trabalha com Robert Darnton na constru\u00e7\u00e3o da Biblioteca P\u00fablica Digital dos EUA, \u00e9 o autor de \u201cA Conturbada Hist\u00f3ria das Bibliotecas\u201d. Um livro fascinante, que recomendo a todos. Foi editado aqui pela Planeta que, infelizmente, n\u00e3o o reeditou depois de esgotada a primeira edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesse livro, Battles mostra como o surgimento da biblioteca p\u00fablica moderna deu-se em fun\u00e7\u00e3o, na Inglaterra, do movimento sindical, que buscava criar meios para o auto aperfei\u00e7oamento pessoal, intelectual, t\u00e9cnico e cient\u00edfico dos oper\u00e1rios. O mesmo esp\u00edrito se transferiu para as bibliotecas nos EUA. O sistema de classifica\u00e7\u00e3o decimal, inclusive, foi inventado por Dewey para facilitar, com a classifica\u00e7\u00e3o, a busca dos livros pela infinidade dos ramos do conhecimento humano.<\/p>\n<p>Em uma palavra, as bibliotecas p\u00fablicas modernas nasceram sob a \u00e9gide da universalidade do acervo e da vis\u00e3o da democracia no acesso ao conhecimento atrav\u00e9s da cultura letrada. Cada frequentador tinha o direito de encontrar nas bibliotecas o que necessitasse para a satisfa\u00e7\u00e3o de suas necessidades intelectuais, de conhecimento, de forma\u00e7\u00e3o pessoal, etc. Os bibliotec\u00e1rios estavam ali para ajud\u00e1-los a encontrar os livros que desejassem.<\/p>\n<p>Estamos muito longe disso aqui na Pindorama.<\/p>\n<p>As bibliotecas p\u00fablicas deveriam ser, em primeiro lugar um servi\u00e7o p\u00fablico, e de qualidade. Nesse sentido, a constru\u00e7\u00e3o de seus acervos deveria correr ao longo de dois eixos.<\/p>\n<p>O primeiro \u00e9 o da aten\u00e7\u00e3o ao p\u00fablico que a frequenta. Quem entra em uma delas deveria ser atendido na satisfa\u00e7\u00e3o de suas necessidades. Quer um livro que ensine a construir lajes, que o tenha. Quer literatura, que tenha a mais ampla op\u00e7\u00e3o. Quer filosofia, que encontre aquele que responda \u00e0s suas necessidades intelectuais e espirituais. O bibliotec\u00e1rio deveria atend\u00ea-lo no sentido de que encontre o que deseja.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, al\u00e9m de crescer segundo as necessidades manifestas ou esperadas do p\u00fablico a que serve, o acervo deve abrir possibilidades, democraticamente. Abrir a possibilidade de ampliar horizontes, despertar curiosidades, aumentar o campo de ofertas em todas as \u00e1reas. Mas, sem perder de vista o p\u00fablico espec\u00edfico daquela biblioteca. As caracter\u00edsticas desse p\u00fablico \u00e9 que devem orientar o crescimento do acervo.<\/p>\n<p>A forma de atender a demandas espec\u00edficas, j\u00e1 que nenhuma biblioteca pode ter acervos completos, tamb\u00e9m j\u00e1 se desenvolveu h\u00e1 mais de um s\u00e9culo: redes de bibliotec\u00e1rias e empr\u00e9stimos interbibliotecas. Infelizmente, a inexist\u00eancia disso por aqui representa outro atentado contra o direito democr\u00e1tico do cidad\u00e3o dispor do que deseja ler.<\/p>\n<p>Mas, sinceramente, o pior nem \u00e9 isso.<\/p>\n<p>O pior, desde meu ponto de vista, \u00e9 a insist\u00eancia na elimina\u00e7\u00e3o da autonomia da escolha dos acervos das bibliotecas, que \u00e9 sistematicamente retirada dos bibliotec\u00e1rios, que recebem verbas absolutamente insuficientes (quando recebem), e dependem da praga do fornecimento centralizado de acervos.<\/p>\n<p>A\u00ed a coisa pega. E em todos os n\u00edveis. Municipal, estadual e federal.<\/p>\n<p>Em todos eles, a defini\u00e7\u00e3o do acervo das bibliotecas p\u00fablicas \u2013 e escolares \u2013 \u00e9 feita por \u201ccomiss\u00f5es de especialistas\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o sou dominado por nenhum orix\u00e1 udenista que v\u00ea corrup\u00e7\u00e3o em tudo, mas sempre digo: quando existe comiss\u00e3o para a defini\u00e7\u00e3o de lista de livros, existe comiss\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de comiss\u00e3o monet\u00e1ria. Nada disso. Mas a comiss\u00e3o, a recompensa de exercer o poder. O poder de definir o que os cidad\u00e3os podem \u2013 ou, pior, devem \u2013 ler. \u00c9 um atentado violento, profundo e sistem\u00e1tico ao direito democr\u00e1tico de escolher. O acesso aos livros (em todos os formatos), que deveria ser a consagra\u00e7\u00e3o fundamental do acesso ao conhecimento letrado, \u00e9 frustrado e retirado dos cidad\u00e3os. Tanto pela pobreza dos acervos, o desprezo pela import\u00e2ncia das bibliotecas, como pela imposi\u00e7\u00e3o dada por essas comiss\u00f5es ao que pode ser lido pelos cidad\u00e3os.<\/p>\n<p>As hist\u00f3rias a respeito das compras centralizadas s\u00e3o escabrosas. Desde o envio de cole\u00e7\u00f5es completas das obras do Goethe, nos tempos do INL, at\u00e9 a das obras completas do Padre Vieira e uma edi\u00e7\u00e3o do \u201cO Uraguai\u201d, do Bas\u00edlio da Gama, na primeira edi\u00e7\u00e3o do programa biblioteca na Escola, ainda na gest\u00e3o do Paulo Renato.<\/p>\n<p>Mas, como sou otimista, gosto de pensar nas iniciativas que vem de baixo, da popula\u00e7\u00e3o pobre das nossas cidades que percebe a import\u00e2ncia dos livros e do acesso \u00e0 cultura letrada.<\/p>\n<p>O <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/youtu.be\/HROjsxYI1gc');\"  href=\"https:\/\/youtu.be\/HROjsxYI1gc\" onclick=\"return TrackClick('https%3A%2F%2Fyoutu.be%2FHROjsxYI1gc','v%C3%ADdeo')\" target=\"_blank\">v\u00eddeo<\/a> produzido pela Edi\u00e7\u00f5es SM em 2006, por ocasi\u00e3o do 2\u00ba. Pr\u00eamio Barco a Vapor,\u00a0mostra a iniciativa de constru\u00e7\u00e3o de uma biblioteca comunit\u00e1ria em um pr\u00e9dio invadido no centro de S. Paulo. Severino Manuel da Costa, Lamartine Brasiliano e Roberta Maria da Concei\u00e7\u00e3o d\u00e3o seu depoimento. Em entrevista posterior, Severiano revela que o livro ali mostrado n\u00e3o apenas foi o primeiro que ele conseguiu, mas o mais solicitado nos primeiros meses da ocupa\u00e7\u00e3o: Eletricidade B\u00e1sica.<\/p>\n<p>Outro v\u00eddeo \u00e9 uma <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/youtu.be\/PKZ9TO_YCnM');\"  href=\"https:\/\/youtu.be\/PKZ9TO_YCnM\" onclick=\"return TrackClick('https%3A%2F%2Fyoutu.be%2FPKZ9TO_YCnM','entrevista')\" target=\"_blank\">entrevista<\/a> com S\u00e9rgio Vaz, \u00a0produzida pelo Ita\u00fa Cultural, sobre as atividades do Sarau da Cooperifa, uma impressionante iniciativa de produ\u00e7\u00e3o de literatura na periferia de S. Paulo. Programa fundamental para quem queira entender a din\u00e2mica dos movimentos populares em torno do livro e da leitura em S. Paulo. Todas as quartas-feiras, no Bar do Z\u00e9 Batid\u00e3o. Rua Bartolomeu dos Santos, 797 Ch\u00e1cara Santana. Periferia-SP.<\/p>\n<p>O terceiro \u00e9 uma <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/youtu.be\/0wH9YGHzBIw');\"  href=\"https:\/\/youtu.be\/0wH9YGHzBIw\" onclick=\"return TrackClick('https%3A%2F%2Fyoutu.be%2F0wH9YGHzBIw','entrevista')\" target=\"_blank\">entrevista<\/a> com Claudemir Cabral, um jovem morador de Parais\u00f3polis, que fundou, organiza e mant\u00e9m uma biblioteca comunit\u00e1ria na favela.<\/p>\n<p>Com estas observa\u00e7\u00f5es evidentemente n\u00e3o pretendi esgotar o tema proposto. Simplesmente aproveitei a oportunidade para apresentar a voc\u00eas algumas das minhas ang\u00fastias de viver essa coisa insana, mas profundamente visceral, que \u00e9 contribuir para que nosso pa\u00eds seja realmente um pa\u00eds de leitores.<\/p>\n<p>PS &#8211; Os jornais de hoje anunciam io cancelamento da Jornada de Passo Fundo, por falta de recursos. As leis de incentivo \u00e0 cultura n\u00e3o funcionou, o Governo do Rio Grande do Sul, os Minist\u00e9rios da Educa\u00e7\u00e3o e da Cultura n\u00e3o se dispuseram a financiar o evento.<\/p>\n<p>\u00c9 lament\u00e1vel!<\/p>\n<p>A Jornada de Passo Fundo \u00e9 um dos exemplos de evento liter\u00e1rio bem planejado, integrado \u00e0s escolas da regi\u00e3o e com profundos efeitos no sistema educacional de todo o pa\u00eds. Muito melhor e mais eficiente que outros que ganham manchetes de jornais por a\u00ed por conta de marketing, sem uma fra\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia que a jornada organizada por T\u00e2nia R\u00f6sling tem.<\/p>\n<p>Mais uma vez: \u00e9 lament\u00e1vel! Muito triste!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No artigo publicado na semana passada, ainda sobre pol\u00edticas p\u00fablicas de leitura, abordei quest\u00f5es relacionadas ao direito ao acesso \u00e0 cultura e ao PNLL \u2013 Plano Nacional do Livro e Leitura. Quero acrescentar apenas mais algumas observa\u00e7\u00f5es sobre a quest\u00e3o do direito ao acesso. 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