{"id":2685,"date":"2015-05-10T10:40:28","date_gmt":"2015-05-10T13:40:28","guid":{"rendered":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=2685"},"modified":"2015-05-10T10:40:28","modified_gmt":"2015-05-10T13:40:28","slug":"raul-wassermann-editor-e-dirigente-visionario-do-setor","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=2685","title":{"rendered":"RAUL WASSERMANN, EDITOR E DIRIGENTE VISION\u00c1RIO DO SETOR"},"content":{"rendered":"<p>Raul Wassermann \u00e9 editor, fundados da Summus (onde publiquei meu livro O Brasil Pode Ser um Pa\u00eds de Leitores? &#8211; Pol\u00edticas para a Cultura, Pol\u00edticas para o Livro) e foi presidente da CBL por duas gest\u00f5es.<\/p>\n<p>Ao final dessas gest\u00f5es, com a posse de Oswaldo Siciliano, encerrei minha participa\u00e7\u00e3o na entidade, depois de mais de uma d\u00e9cada.<\/p>\n<p>A mat\u00e9ria de Ivani Cardoso, publicada n&#8217;A Tribuna, de Santos, atualiza as opini\u00f5es do Raul sobre sua trajet\u00f3ria e o mercado editorial.<\/p>\n<p>Raul Wassermann \u00e9 meu amigo.<\/p>\n<h1>Raul Wassermann fala sobre o mercado liter\u00e1rio<\/h1>\n<p>Ivani Cardoso &#8211; A Tribuna &#8211; 04\/05\/2015<\/p>\n<div class=\"social\"><a href=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/wassermann.jpe\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Foxisdoproblema.com.br%2Fwp-content%2Fuploads%2F2015%2F05%2Fwassermann.jpe','')\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-2686\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/wassermann.jpe\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Foxisdoproblema.com.br%2Fwp-content%2Fuploads%2F2015%2F05%2Fwassermann.jpe','')\" alt=\"wassermann\" width=\"112\" height=\"144\" \/><\/a><\/div>\n<p>Sempre gostei muito de conversar com o editor Raul Wassermann, do Grupo Summus, de S\u00e3o Paulo, uma editora criada h\u00e1 40 anos, com sete selos e mais de 1500 livros publicados, v\u00e1rios h\u00e1 d\u00e9cadas no cat\u00e1logo. Raul tem a universalidade do pensamento para falar sobre qualquer assunto com interlocutores de diferentes idades e ideias. E um conhecimento grande do mercado editorial que vem passando por grandes transforma\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Raul nasceu em Santos, mas com 17 anos mudou-se para S\u00e3o Paulo e s\u00f3 raramente volta \u00e0 Cidade. Foi presidente da C\u00e2mara Brasileira do Livro (CBL), realizou duas bienais de grande sucesso (2000 e 2002) e diariamente est\u00e1 na editora, embora nesses \u00faltimos tempos com hor\u00e1rios menos r\u00edgidos. \u201cSempre gostei do que fa\u00e7o, mas agora estou um pouco cansado. Peguei o fim de uma \u00e9poca de implanta\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria editorial no Brasil, a grande profissionaliza\u00e7\u00e3o. Havia menos editoras, mais livrarias, mais leitores, menos concorr\u00eancia de outras m\u00eddias. O dia continua tendo 24 horas e voc\u00ea tem Internet, televis\u00e3o, n\u00e3o d\u00e1 tempo para se atualizar\u201d.<\/p>\n<p>Mas atualizado Raul sempre foi. Quando come\u00e7ou com a Summus, n\u00e3o teve medo de se arriscar. Lan\u00e7ou t\u00edtulos inusitados e de retorno financeiro duvidoso para atender a leitores que buscavam informa\u00e7\u00f5es sobre novos campos do conhecimento em ci\u00eancias e humanidades. Desde o in\u00edcio quis ter uma editora com perfil multidisciplinar. \u201cN\u00e3o ia atr\u00e1s de livros de sucesso, mas de livros que tivessem leitores interessados\u201d. Casado h\u00e1 25 anos com Edith Elek Wassermann, jornalista e tradutora, Raul hoje em dia quer mais tempo para atividades que possam trazer prazer.<\/p>\n<p>O perfil da Sumus mudou nos \u00faltimos tempos?<\/p>\n<p>Continua o mesmo, mas muita coisa mudou no editorial atual. Aumenta o n\u00famero de alunos nas faculdades, mas as tiragens continuam as mesmas. Todo mundo continua dizendo que o livro \u00e9 caro, eu tamb\u00e9m acho, mas o Brasil \u00e9 caro. Na Espanha, as livrarias tradicionais tamb\u00e9m est\u00e3o diminuindo, \u00e9 um fen\u00f4meno mundial. O mercado est\u00e1 sendo tomado pelas grandes redes e elas s\u00e3o administradas com a filosofia do supermercado: girou fica, n\u00e3o girou sai da prateleira.<\/p>\n<p>Com 15 a 20 mil livros novos por m\u00eas, como voc\u00ea consegue manter uma editora? Para se adequar a esse ano considerado dif\u00edcil, prev\u00ea mudan\u00e7as?<\/p>\n<p>No ano passado, publicamos cerca de seis livros por m\u00eas, e em 2015 vamos chegar \u00e0 metade, tr\u00eas por m\u00eas. Talvez em alguns meses um a mais que, na verdade, ser\u00e1 reedi\u00e7\u00e3o de obras mais antigas totalmente revistas. Nossa sorte \u00e9 que a\u00ed a Internet veio para ajudar. Nossos maiores clientes s\u00e3o opera\u00e7\u00f5es de e-commerce. Nosso leitor sabe buscar na Internet o que quer. Nas grandes redes voc\u00ea se perde e n\u00e3o acha o que deseja. Dos dez maiores clientes nossos, dois s\u00e3o grandes redes e dois s\u00e3o grandes operadoras de e-commerce.<br \/>\n<img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-2501\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/banner-for\u00e7a-din\u00e2mica-e1418947035210.jpg\" alt=\"banner for\u00e7a din\u00e2mica\" width=\"350\" height=\"119\" \/><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Qual \u00e9 o maior sucesso do Grupo Summus?<\/p>\n<p>Entre os sucessos garantidos est\u00e3o os livros do psiquiatra Fl\u00e1vio Gikovate, todos pelo selo MG. Seu \u00faltimo livro, Mudar, saiu em agosto e j\u00e1 est\u00e1 na\u00a0 edi\u00e7\u00e3o. Ele \u00e9 um dos nossos best-sellers, mas n\u00e3o \u00e9 por acaso. \u00c9 um autor que sabe trabalhar o pr\u00f3prio livro, n\u00e3o \u00e9 aquele que acha que s\u00f3 porque escreveu j\u00e1 est\u00e1 resolvido. Se n\u00e3o tem a dobradinha autor\/editora, nada acontece, principalmente nesse Pa\u00eds onde n\u00e3o se tem espa\u00e7o na imprensa. \u00c9 um ramo em que n\u00e3o se tem dois produtos iguais, ent\u00e3o tem que criar condi\u00e7\u00f5es de divulga\u00e7\u00e3o o tempo todo.<\/p>\n<p>Voc\u00ea parece desanimado, pensa em parar de trabalhar?<\/p>\n<p>Meu pai parou na minha idade, foi para o sof\u00e1 e n\u00e3o durou muito. Tem que pegar mais leve, aos poucos estou fazendo isso. Antes era o primeiro a chegar e o \u00faltimo a sair. Hoje eu acordo, tomo caf\u00e9, leio jornais, chego \u00e0s 10 horas, saio para almo\u00e7ar, volto e fico mais um pouco; \u00e0s vezes, n\u00e3o volto nas tardes de sextas-feiras.<\/p>\n<p>Voc\u00ea atua em v\u00e1rias \u00e1reas da editora?<\/p>\n<p>Sim, procuro estar bem presente. Um orgulho \u00e9 ter conseguido desenvolver sistemas de controles internos, que come\u00e7aram a ser feitos na base do l\u00e1pis, calculadora e borracha, passaram para planilhas e hoje s\u00e3o softwares desenvolvidos na empresa. Pelo fato de fazermos long-sellers, trabalhamos com estat\u00edstica o ano todo. Por esse sistema, eu sei quanto livro vendemos em m\u00e9dia, quanto tenho no estoque e quando pensar em reeditar. Partimos de um sistema padr\u00e3o, fizemos um novo e fomos desenvolvendo. \u00c9 uma \u00e1rea em que se investe um bocado de dinheiro.<\/p>\n<p>Quais s\u00e3o os temas de destaque do Grupo Summus?<\/p>\n<p>Educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um dos temas fortes, seguido pela psicologia, comunica\u00e7\u00e3o e pelas \u00e1reas de terapias corporais, fisioterapia, fonoaudiologia. Muitos dos nossos livros hoje s\u00e3o cl\u00e1ssicos, como Fertilidade e Propaganda, do Mena Barreto, que h\u00e1 37 anos \u00e9 reeditado de ano em ano ou de dois em dois anos. Ele \u00e9 adotad\u00edssimo. Temos v\u00e1rios livros de mais de 30 anos em cat\u00e1logo que continuam vendendo. Apostamos para este ano no livro sobre comunica\u00e7\u00e3o empresarial do Gaud\u00eancio Torquato, que estava h\u00e1 30 anos no cat\u00e1logo e agora ele resolveu reescrever. O t\u00edtulo ser\u00e1 Comunica\u00e7\u00e3o nas Organiza\u00e7\u00f5es. Virou um novo livro e vai ser outro cl\u00e1ssico nosso. Esses t\u00edtulos que ficam \u00e9 a \u00e1rea que eu gosto da minha editora. Best-seller \u00e9 acidente, nosso neg\u00f3cio \u00e9 long-seller.<\/p>\n<p>Quantos selos tem o Grupo Summus?<\/p>\n<p>S\u00e3o sete selos, mas alguns quase desativados como o GLS e Selo Negro, direcionados para p\u00fablicos espec\u00edficos e pioneiros na \u00e9poca da cria\u00e7\u00e3o. Eles foram montados pensando em estat\u00edsticas que n\u00e3o eram brasileiras. O leitor do GLS no Brasil \u00e9 igual ao de qualquer outra coisa. Hoje h\u00e1 muitos t\u00edtulos voltados para este p\u00fablico no mercado. O selo da Summus, criado em 98, foi o primeiro no sentido de abrir o jogo. Algumas editoras tinham livros da \u00e1rea, mas escondiam que eram da \u00e1rea. O Selo Negro \u00e9 de 99 e passou pelo mesmo problema. Foi criado antes da legisla\u00e7\u00e3o que obriga as escolas a tratarem dos assuntos e isso tem sido a t\u00e1bua da salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nas duas \u00faltimos edi\u00e7\u00f5es o Grupo Summus n\u00e3o esteve na Bienal. Por qu\u00ea?<\/p>\n<p>Foi uma decis\u00e3o muito pensada. J\u00e1 na minha \u00e9poca eu trabalhava intensamente para tentar amenizar os problemas de gigantismo que colidiam ao mesmo tempo com uma coisa do mercado que eu via l\u00e1 fora: o come-come das editoras e os grandes grupos tomando conta dos mercados. Na \u00e9poca de CBL eu ia \u00e0s feiras do exterior e via cinco ou seis grandes grupos e em volta editorinhas pequenas, a maior parte delas formada por gente que perdeu o emprego. Ainda existe aquela coisa brasileira de querer ser Frankfurt, com estandes cada vez maiores, mais bonitos e mais caros. Fui sentindo que o velho p\u00fablico da Bienal estava se afastando, substitu\u00eddo por gente que n\u00e3o frequenta biblioteca e que ia muito mais a passeio do que para comprar livros. Sempre defendi o lado dos pequenos e m\u00e9dios, acho que para eles o custo ficou meio insuport\u00e1vel.<\/p>\n<p>E o seu p\u00fablico de Bienal?<\/p>\n<p>Depois de muitas contas, eu e minha equipe percebemos que n\u00e3o valia a pena participar da Bienal, porque o p\u00fablico da Summus continuava comprando pelo site. Fizemos uma campanha de marketing de venda pelo nosso site e de algumas livrarias com as quais fizemos conv\u00eanio e o resultado foi muito maior do que o que vend\u00edamos ao p\u00fablico na bienal. Hoje em dia, se eu colocar na soma o que vende pelo site da Summus e das redes, o movimento fica no m\u00ednimo em 40%. N\u00f3s temos uma loja virtual que n\u00e3o oferece desconto, continuamos com a filosofia de n\u00e3o fazer concorr\u00eancia \u00e0s livrarias. As feiras de livros de v\u00e1rios pa\u00edses est\u00e3o diminuindo e acredito que o Brasil deveria encontrar uma nova f\u00f3rmula, com eventos menores e estandes padronizados, para que as pessoas compare\u00e7am realmente para comprar com foco nos segmentos que procuram.<\/p>\n<p>Continua sendo bom leitor?<\/p>\n<p>Ainda sou um bom leitor, fa\u00e7o aquilo que recomendo para muita gente: em vez de se estabelecer no ramo, leia livros porque assim se desenvolve o mercado. Leio uma m\u00e9dia de tr\u00eas por m\u00eas, se vou passar um fim de semana em algum lugar volto com o livro lido. O autor que marcou minha gera\u00e7\u00e3o foi o Fernando Sabino. Hoje tenho alguns autores preferidos, como o Philip Roth e o Am\u00f3s Oz. Desse \u00faltimo li Judas e achei incr\u00edvel, \u00e9 toda uma teoria sobre quem realmente foi Judas. No Brasil, meu padr\u00e3o sempre foi \u00c9rico Ver\u00edssimo que, vez em quando, eu pego para reler. Releio menos do que eu gostaria. Quer ver algo que eu releio de vez em quando mesmo que com um p\u00e9 atr\u00e1s? Monteiro Lobato. Meu amor por ele, que era compartilhado por toda minha gera\u00e7\u00e3o, ficou abalado com O Presidente Negro.<\/p>\n<p>O que est\u00e1 lendo atualmente?<\/p>\n<p>Longo Adeu, de Raymond Chandler, e La Cocina de la Salud, do chef Ferran Adri\u00e1, do m\u00e9dico Valentin Fauster e do jornalista Josep Corbella. Tamb\u00e9m acompanho as aventuras do Delegado Espinosa nos livros do escritor e psiquiatra Luiz Alfredo Garcia-Rosa. Fico angustiado de n\u00e3o conseguir ler tudo o que gostaria.<\/p>\n<p>Quando come\u00e7ou a gostar de ler?<\/p>\n<p>O h\u00e1bito da leitura sempre esteve presente. Lia tanto que chegava a preocupar minha m\u00e3e. T\u00ednhamos conta na banca de jornal e eu lia de tudo. Li todo Tarzan, os livros da Cole\u00e7\u00e3oTerra e Mar de Monteiro Lobato e Francisco Martins, que entre outras obras era autor de uma cole\u00e7\u00e3o de aventuras no S\u00edtio de Taquara-Poca. Quando fui presidente da CBL, nos correspondemos por um tempo, ele tamb\u00e9m presidiu a entidade.<\/p>\n<p>O livro \u00e9 caro?<\/p>\n<p>Tivemos uma \u00e9poca em que a tiragem normal era de cinco mil exemplares. Depois passou para tr\u00eas mil e hoje a m\u00e9dia \u00e9 de mil, dois mil. Ningu\u00e9m imagina quanto custa um livro. Tudo o que custa para fazer o livro voc\u00ea divide por mil, tem que ser caro mesmo. Muito se faz para desenvolver o mercado no Brasil, mas o Pa\u00eds \u00e9 t\u00e3o grande que tudo que se faz \u00e9 pouco. Da mesma forma que n\u00e3o existem mais estadistas no mundo, n\u00e3o existe pol\u00edtica a longo prazo para o livro. Voc\u00ea pega pa\u00edses como os Estados Unidos, onde h\u00e1 bibliotecas de funda\u00e7\u00f5es, de governos, e s\u00e3o elas que garantem a ind\u00fastria. O livro \u00e9 caro; se tivesse livro na biblioteca ele seria caro mas poderia ser lido. Quem tem dinheiro compra e quem n\u00e3o tem l\u00ea na biblioteca.<\/p>\n<p>Como v\u00ea o crescimento do mercado infantil?<\/p>\n<p>Acho que \u00e9 a grande esperan\u00e7a, mas mesmo assim h\u00e1 muitos desafios. O problema \u00e9 que em determinado momento muitos desses leitores se perdem, falta incentivo e ainda tem a concorr\u00eancia com as outras plataformas. A curto prazo eu n\u00e3o vejo solu\u00e7\u00e3o. O que eu vejo \u00e9 que cada um vai ficar com um pedacinho. \u00c9 um problema s\u00e9rio do ponto de vista econ\u00f4mico. Quantas empresas v\u00e3o se sustentar e quantos leitores v\u00e3o poder comprar livros? Para o leitor, a sa\u00edda \u00e9 a biblioteca, mas tamb\u00e9m n\u00e3o temos uma pol\u00edtica para isso.<\/p>\n<p>Que outros assuntos atraem os leitores?<\/p>\n<p>H\u00e1 muita procura por temas sobre fam\u00edlia. Outro assunto que antes era tabu e hoje em dia vende bem \u00e9 sobre luto e perdas. Hoje somos os maiores na \u00e1rea de psico-oncologia, de apoio aos pacientes com c\u00e2ncer e doen\u00e7as mais violentas. Quando come\u00e7amos a publicar, alguns clientes nossos nem queriam colocar nas prateleiras. Essa hist\u00f3ria de jogar novidades no mercado e que se espalha depois est\u00e1 no DNA da Summus. Vimos isso com nossas obras sobre programa\u00e7\u00e3o neurolingu\u00edstica ou cinema (Super 8, um grande sucesso). Conhe\u00e7o bem o meu cat\u00e1logo mas n\u00e3o d\u00e1 para ler tudo o que publicamos. Atuamos com um editor e uma assistente, mas tem uma equipe grande e muito boa de consultores por tr\u00e1s.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de ler, o que gosta de fazer?<\/p>\n<p>Gosto de cozinhar. Sou um cineasta frustrado, teve uma \u00e9poca da minha vida em que me dediquei \u00e0 fotografia e ao cinema, mas foi antes da era digital. Cinema ficou mais dif\u00edcil para mim com a digitaliza\u00e7\u00e3o; certamente meu neto de 8 anos vai se virar bem. H\u00e1 40 anos eu e minha primeira mulher, Clarice, ganhamos um pr\u00eamio de cinema, um document\u00e1rio sobre o tr\u00e2nsito, filmes educativos, era uma mistura de tempo real com anima\u00e7\u00e3o. Talvez um dia eu volte, tenho vontade, mas sou muito pregui\u00e7oso.<\/p>\n<p>Voc\u00ea pensa em voltar a atuar em uma entidade do mercado editorial?<\/p>\n<p>N\u00e3o, j\u00e1 fiz a minha durante os anos em que permaneci na diretoria da CBL. Aprendi muito, gostei muito de algumas coisas e sa\u00ed desgostoso com outras, mas \u00e9 um ciclo que se fechou. Perdi na minha empresa, perdi na conviv\u00eancia familiar, mas fiz algo que minha forma\u00e7\u00e3o me obrigava a fazer. Conseguimos em minha gest\u00e3o montar um esquema de feiras de Interior que funcionaram muito bem e cuja cultura se perdeu. Acho que tivemos uma atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que na verdade era consequ\u00eancia da atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que meus antecessores vinham implantando e muitas das coisas que n\u00f3s obtivemos se perderam depois. Compramos a sede pr\u00f3pria atual, implantamos um novo estatuto exaustivamente discutido e que era um passo a mais na profissionaliza\u00e7\u00e3o da entidade como tal deveria ser o futuro de todas as entidades de classe. Pena que isso tamb\u00e9m se perdeu na gest\u00e3o seguinte, num novo estatuto que voltou aos tempos dos anos 40.<\/p>\n<p>Depois de tantos anos de atua\u00e7\u00e3o neste mercado e com um panorama sombrio pela frente, ainda h\u00e1 futuro para o livro?<\/p>\n<p>H\u00e1, sim, talvez n\u00e3o da forma que \u00e9 hoje e n\u00e3o sei de que forma ser\u00e1, mas acho que vai existir, principalmente para as editoras, porque conte\u00fado sempre ser\u00e1 necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>Quando foi para S\u00e3o Paulo?<\/p>\n<p>Para fazer o terceiro colegial e o cursinho, mas n\u00e3o deu muito certo. Ca\u00ed na gandaia e n\u00e3o entrei no vestibular, voltei para Santos, fiz um ano no cursinho. Mas a adolesc\u00eancia em Santos, nos anos 60, foi a melhor fase da minha vida. Era um per\u00edodo de efervesc\u00eancia cultural, espet\u00e1culos de m\u00fasica e teatro o tempo todo. Sempre gostei de cinema, frequentava os cines Atl\u00e2ntico, Gonzaga e Indai\u00e1. Ia com meu irm\u00e3o aos jogos do Santos quando as arquibancadas ainda eram de madeira e n\u00e3o perdia jogo do Jabaquara e da Portuguesa Santista. Jogava futebol na praia, mas eu era aquele que ningu\u00e9m queria e acabava no gol. Andei muito de bonde, o condutor sabia a hora em que peg\u00e1vamos o bonde e esperava quando um de n\u00f3s se atrasava.<\/p>\n<p>Quais s\u00e3o as primeiras lembran\u00e7as de Santos?<\/p>\n<p>Meus pais eram russos e chegaram a Santos em momentos diferentes, minha m\u00e3e com seis meses e meu pai com 18 anos. Eles se conheceram e se casaram na Cidade. Nasci na Benefic\u00eancia Portuguesa e fui criado no Gonzaga, na Rua Pernambuco, 140. Na inf\u00e2ncia, uma das brincadeiras preferidas era pegar siri na boca do Canal 3. Estudei no Tarqu\u00ednio Silva e no Col\u00e9gio Canad\u00e1, na minha turma estavam o escritor Pedro Bandeira e o advogado Nelson Fabiano. Entre os professores do Canad\u00e1 lembro do padre Geraldo, se voc\u00ea fizesse um erro de concord\u00e2ncia ele dava um zero na prova toda. Esse cara me fez ler e escrever. Matem\u00e1tica tinha a professora Vera, que me fez gostar da mat\u00e9ria. Fiz campanha para o Mario Covas (\u201cPor que eu sou Covas\u201d era o slogan, na primeira vez que ele se candidatou a prefeito. O outro candidato era o Luiz La Scalla Jr. Como a esposa dele era a Ruty La Scala, professora de Geografia do Canad\u00e1, e eu odiava a aula dela, fiz campanha para o Covas. Continuei Covas at\u00e9 o fim.<\/p>\n<p>Por que deixou de vir \u00e0 Cidade?<\/p>\n<p>Logo que fui para S\u00e3o Paulo, voltava para Santos todos os finais de semana. Depois da \u00faltima aula do cursinho ia para a Pra\u00e7a Cl\u00f3vis pegar o Cometa e retornava no domingo \u00e0 noite. Com novas amizades e programas na Capital, as visitas foram espa\u00e7ando. Ap\u00f3s a morte da minha m\u00e3e, eu me afastei de vez, mas ainda tenho parentes na Cidade. Estou muito desligado de Santos, mas santista tem uma coisa, \u00e9 bairrista mesmo e \u00e9 santista at\u00e9 o fim. Sempre me pego falando \u2018t\u00e1 vendo aquele cara, \u00e9 santista\u2019. Conheci Pl\u00ednio Marcos e Pagu em Santos, no Bar Regina, ela j\u00e1 nos seus \u00faltimos anos. Gostava de frequentar o Chopp do Gonzaga. Pena que depois de 64 a Cidade acabou de v\u00e1rios pontos de vista. Meu pai, que era comerciante, viveu e sofreu com essa mudan\u00e7a. Ele era dono da loja de m\u00f3veis Mobili\u00e1rio Wassermann, na Senador Feij\u00f3. Comecei a aprender com\u00e9rcio l\u00e1. Sa\u00eda do Tarqu\u00ednio Silva \u00e0 tarde e ia para l\u00e1 ajudar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Raul Wassermann \u00e9 editor, fundados da Summus (onde publiquei meu livro O Brasil Pode Ser um Pa\u00eds de Leitores? &#8211; Pol\u00edticas para a Cultura, Pol\u00edticas para o Livro) e foi presidente da CBL por duas gest\u00f5es. Ao final dessas gest\u00f5es, com a posse de Oswaldo Siciliano, encerrei minha participa\u00e7\u00e3o na entidade, depois de mais de &hellip; <a href=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=2685\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Foxisdoproblema.com.br%2F%3Fp%3D2685','Continue+lendo+RAUL+WASSERMANN%2C+EDITOR+E+DIRIGENTE+VISION%C3%81RIO+DO+SETOR+%26rarr%3B')\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">RAUL WASSERMANN, EDITOR E DIRIGENTE VISION\u00c1RIO DO SETOR<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[28,38,662,663],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2685"}],"collection":[{"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2685"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2685\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2687,"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2685\/revisions\/2687"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2685"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2685"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2685"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}