{"id":259,"date":"2011-08-19T20:06:50","date_gmt":"2011-08-19T23:06:50","guid":{"rendered":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/blog\/?p=259"},"modified":"2011-08-19T20:06:50","modified_gmt":"2011-08-19T23:06:50","slug":"a-definicao-do-publico-alvo-leitor-como-dados-tambem-complicam","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=259","title":{"rendered":"A defini\u00e7\u00e3o do p\u00fablico alvo leitor: como dados tamb\u00e9m complicam"},"content":{"rendered":"<p>O ambiente editorial norte-americano vive imerso em uma enorme quantidade de dados sobre vendas, que definem quem compra, onde compra, quem indica, quais as bibliotecas e escolas que indicam livros, etc., como indiquei no post de ontem.<br \/>\nO <em>New York Times Sunday Book Review<\/em>, que recebo por e-mail nas sextas-feiras, trouxe hoje um interessante artigo de Robert Lypsite, intitulado <strong><a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/migre.me\/5wylp');\"  href=\"http:\/\/migre.me\/5wylp\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fmigre.me%2F5wylp','Boys+and+Reading%3A+Is+There+any+Hope%3F')\" target=\"_blank\">Boys and Reading: Is There any Hope?<\/a><\/strong> que aborda dois problemas interessantes. O artigo \u00e9 publicado nessa edi\u00e7\u00e3o do <em>NY Times Sunday Book Review<\/em> porque na pr\u00f3xima semana se inicia o semestre letivo nos EUA.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/blog\/?attachment_id=264\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Foxisdoproblema.com.br%2Fblog%2F%3Fattachment_id%3D264','Capturar')\" rel=\"attachment wp-att-264\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/Capturar5.jpg\" alt=\"\" title=\"Capturar\" width=\"595\" height=\"509\" class=\"aligncenter size-full wp-image-264\" srcset=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/Capturar5.jpg 595w, http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/Capturar5-300x256.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 595px) 100vw, 595px\" \/><\/a><br \/>\n<!--more--><br \/>\nO primeiro problema levantado pelo autor diz respeito \u00e0 relut\u00e2ncia dos rapazes para a leitura, comparativamente \u00e0s garotas. E lista alguns dos problemas constatados: os testes escolares enfatizam os cl\u00e1ssicos, os rapazes preferem livros de n\u00e3o-fic\u00e7\u00e3o e os professores n\u00e3os sabem o que indicar para os garotos lerem. Tudo isso \u00e9 certo no ambiente escolar americano. E Lypsite acrescenta mais alguns problemas: a maioria tem professoras (sexo feminino) e as bibliotec\u00e1rias tamb\u00e9m s\u00e3o mulheres, o que leva os rapazes a n\u00e3o encontrar com facilidade modelos masculinos de conduta que incentivem a leitura.<br \/>\nDiz Lypsite que at\u00e9 os anos cinquenta n\u00e3o havia o g\u00eanero &#8220;literatura juvenil&#8221; (Young Adults Literature), e os alunos passavam direto dos livros infantis para os autores adultos. Nos anos sessenta se inicia o boom da literatura juvenil, mas os principais autores do per\u00edodo n\u00e3o escreviam livros focados no g\u00eanero dos jovens leitores. Algumas autoras inclusive usavam iniciais ou pseud\u00f4nimos que &#8220;neutralizavam&#8221; o seu g\u00eanero como escritoras. E mais, os temas tamb\u00e9m ratavam dos problemas dos jovens, e n\u00e3o das quest\u00f5es que interessassem especificamente as adolescentes mulheres ou aos adolescentes rapazes. Eram pontos de interesse para a faixa et\u00e1ria em geral.<br \/>\nDos anos oitenta em diante as pesquisas come\u00e7aram a mostrar que as garotas liam mais fic\u00e7\u00e3o &#8211; pelo menos em um certo per\u00edodo &#8211; que os garotos, mas que no final da adolesc\u00eancia os dois g\u00eaneros liam a mesma quantidade e o mesmo tipo de livros.<br \/>\nComo a maioria dos editores do segmento YA s\u00e3o mulheres, as professoras e as bibliotec\u00e1rias s\u00e3o mulheres e as pesquisas diziam que as meninas liam mais, as editoras come\u00e7aram a dar prefer\u00eancia e a encomendar t\u00edtulos focados no p\u00fablico adolescente feminino.<br \/>\nA retroalimenta\u00e7\u00e3o provocada por essa atitude foi acentuada por outro fato: os livros aparentemente destinados aos jovens rapazes, em sua maioria, tratavam temas que j\u00e1 estavam presentes nos videogames e nos programas de televis\u00e3o e cinema para esse grupo: fantasia, capa e espada em planetas distantes e entre seres alien\u00edgenas e coisas do g\u00eanero. Os rapazes preferem jogar os videogames que ler vers\u00f5es requentadas do que disp\u00f5em em outros canais.<br \/>\nAs meninas, por sua vez, se satisfazem com um tipo de literatura que responde a seu universo particular: fofocas, amizades-inimizades, hist\u00f3rias rom\u00e2nticas e ao mesmo tempo apavorantes (vampiros e lobisomens).<br \/>\nMas Lypsite cita outro problema, que considero tamb\u00e9m grav\u00edssimo: censura.<br \/>\nDiretores e bibliotec\u00e1rios n\u00e3o querem problemas com os pais e tratar ficcionalmente de algumas quest\u00f5es presentes no universo masculino \u00e9 altamente problem\u00e1tico. E cita alguns exemplos, inclusive um livro de autoria dele que trata das dif\u00edceis rela\u00e7\u00f5es de competi\u00e7\u00e3o nos esportes, entre os jovens, e como os treinadores manipulam e exercem um poder \u00e0s vezes francamente maligno sobre o grupo de rapazes. S\u00e3o problemas enfrentados pelos jovens e que, al\u00e9m de pouco abordados ficcionalmente, sofrem ainda esse fator censura, que se imiscui com maior facilidade na defini\u00e7\u00e3o do que \u00e9 colocado \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos adolescentes. Afinal, eles s\u00e3o &#8220;imaturos&#8221;&#8230;<br \/>\nComo se v\u00ea, n\u00e3o \u00e9 apenas o ac\u00famulo de dados disponibilizados pelos instrumentos cada vez mais sofisticados de coleta de informa\u00e7\u00e3o que condicionam as decis\u00f5es editoriais. O ambiente social e pol\u00edtico e a censura tamb\u00e9m tem seu papel.<br \/>\nAli\u00e1s, e para terminar, \u00e9 importante notar que a censura para livros vive e prospera muito nos EUA. A intoler\u00e2ncia religiosa, o fanatismo criacionista, os preconceitos e os \u00f3dios pululam diariamente nas comiss\u00f5es escolares, com exemplos chocantes de proibi\u00e7\u00e3o de livros. At\u00e9 o Harry Potter pagou o pato: magia \u00e9 coisa do dem\u00f4nio e os fundamentalistas crist\u00e3os barraram a s\u00e9rie em muitas escolas.<br \/>\nMas essas hist\u00f3rias de censura, aqui e alhures, ficam para outra ocasi\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ambiente editorial norte-americano vive imerso em uma enorme quantidade de dados sobre vendas, que definem quem compra, onde compra, quem indica, quais as bibliotecas e escolas que indicam livros, etc., como indiquei no post de ontem. 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