{"id":256,"date":"2011-08-18T21:56:00","date_gmt":"2011-08-19T00:56:00","guid":{"rendered":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/blog\/?p=256"},"modified":"2011-08-18T21:56:00","modified_gmt":"2011-08-19T00:56:00","slug":"como-os-dados-modelam-o-mercado-editorial","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=256","title":{"rendered":"Como os dados modelam o mercado editorial"},"content":{"rendered":"<p>A inform\u00e1tica permite hoje a coleta de dados importantes sobre o desempenho dos livros. \u00c9 claro, desde que os metadados estejam corretamente assinalados e sejam \u201ccolet\u00e1veis\u201d.<br \/>\nOs instrumentos para tanto s\u00e3o v\u00e1rios. Alguns podem estar dentro da pr\u00f3pria editora, ou da livraria, consolidando dados sobre os clientes e vendas, devolu\u00e7\u00f5es, pagamento de direitos autorais, amortiza\u00e7\u00e3o do investimento, etc.<br \/>\nUm dos mais interessantes \u00e9 o <strong>BookScan<\/strong>, da <em>Nielsen International<\/em>. Esse instrumento recolhe informa\u00e7\u00f5es de vendas no varejo, a partir do ponto de venda, em mais de 31.500 livrarias nos cinco continentes. Apenas livros em ingl\u00eas, na Inglaterra, Estados Unidos, Irlanda, Austr\u00e1lia, \u00c1frica do Sul, It\u00e1lia, Nova Zel\u00e2ndia, Dinamarca, Espanha e \u00cdndia.<br \/>\n<!--more--><\/p>\n<p>Os dados s\u00e3o recolhidos em diferentes formas, incluindo a participa\u00e7\u00e3o no mercado de diferentes categorias de livros e por editoras individuais e seus respectivos selos editoriais, autor, e pre\u00e7o efetivamente praticado pelo ponto de venda. Cada venda individual \u00e9 registrada, de modo que os relat\u00f3rios podem ser exaustivos e incluem elementos para o acompanhamento e o planejamento de editoras de todos os portes. O <strong>BookScan<\/strong> captura os dados diretamente do sistema de vendas das cadeias de livrarias e das livrarias independentes, e os relat\u00f3rios, em seus v\u00e1rios n\u00edveis, podem ser adquiridos tanto por editoras quanto bibliotecas e pela m\u00eddia, em tempo real.<br \/>\nEm 2009 a Nielsen lan\u00e7ou o <strong>LibScan<\/strong>, que registra a movimenta\u00e7\u00e3o de empr\u00e9stimo das bibliotecas. Estas t\u00eam que aderir ao sistema e permitir que o software da Nielsen capture as informa\u00e7\u00f5es dos seus usu\u00e1rios.<br \/>\nA quantidade de informa\u00e7\u00f5es \u00e9 estonteante.<br \/>\nAs cadeias de livrarias, com seus sistemas de \u201cclientes preferenciais\u201d (milhagem), organizam dados sobre seus principais consumidores e clientes. Cruzando essas informa\u00e7\u00f5es com todas as compras feitas, saem relat\u00f3rios sobre o tipo de livros adquiridos, a frequ\u00eancia de compras, o local e a hora dessas compras, e assim por diante. As carreirinhas de cliente preferencial e os descontos que oferecem s\u00e3o compensados n\u00e3o apenas pela maior frequ\u00eancia na loja, mas tamb\u00e9m pelos dados que proporcionam.<br \/>\nQuem j\u00e1 fez compras na Amazon, conhece os frequentes e-mail chamando aten\u00e7\u00e3o para sugest\u00f5es baseadas nas compras de outros clientes que adquiriram o mesmo livro, ou livros do mesmo g\u00eanero, etc. A coisa vai se refinando ao ponto de permitir a elabora\u00e7\u00e3o de ofertas absolutamente personalizadas.<br \/>\nA Amazon n\u00e3o revela o funcionamento de seus sistemas, mas a simples observa\u00e7\u00e3o do funcionamento das listas e do modo de opera\u00e7\u00e3o da empresa permite que editoras tentem aumentar as chances de seus t\u00edtulos subirem na classifica\u00e7\u00e3o de vendas da Amazon segundo a categoria do livro. Um artigo interessante foi publicado no <em><a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www.digitalbookworld.com\/2011\/maximizing-digital-book-sales\/?et_mid=514904&#038;rid=2643650');\"  href=\"http:\/\/www.digitalbookworld.com\/2011\/maximizing-digital-book-sales\/?et_mid=514904&#038;rid=2643650\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fwww.digitalbookworld.com%2F2011%2Fmaximizing-digital-book-sales%2F%3Fet_mid%3D514904%26rid%3D2643650','Digital+Book+World')\" target=\"_blank\">Digital Book World<\/a><\/em> a esse respeito  .<br \/>\nDo lado das editoras, essa pletora de dados possibilita muitos tipos de an\u00e1lises. Muito \u00fateis para a administra\u00e7\u00e3o geral do neg\u00f3cio, mas que trazem tamb\u00e9m um perigo embutido para os livros de qualidade que n\u00e3o conseguem \u00edndices altos de venda.<br \/>\n<em>Andr\u00e9 Schiffrin<\/em>, importante editor independente americano que viu sua empresa, a <strong>Pantheon<\/strong>, ser adquirida pela <em>Random House<\/em> (hoje faz parte do grupo de selos encabe\u00e7ados pela <em>KnopfDoubleday<\/em>, ainda da <em>Random House<\/em> mas controlados pela <em>Bertelsmann<\/em> alem\u00e3), chamava aten\u00e7\u00e3o sobre como a tradicional perspectiva dos editores de que os best-sellers ajudavam a financiar os t\u00edtulos mais arriscados foi sendo liquidada pelo processo de concentra\u00e7\u00e3o e  conglomeriza\u00e7\u00e3o do mundo editorial.  <em>Schiffrin<\/em> escreveu <strong>The Business of Books<\/strong>, livro com sua trajet\u00f3ria profissional e an\u00e1lise desses desenvolvimentos do mercado editorial, e que foi publicado no Brasil pela <em><a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www.casadapalavra.com.br\/livros\/283\/Negocio+dos+livros%2C+O');\"  href=\"http:\/\/www.casadapalavra.com.br\/livros\/283\/Negocio+dos+livros%2C+O\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fwww.casadapalavra.com.br%2Flivros%2F283%2FNegocio%2Bdos%2Blivros%252C%2BO','Casa+da+Palavra')\" target=\"_blank\">Casa da Palavra<\/a><\/em>.<br \/>\nA cultura corporativa n\u00e3o se dava bem com esse racioc\u00ednio. Para as grandes corpora\u00e7\u00f5es, cada um dos t\u00edtulos tinha que ser rent\u00e1vel. Os publishers dos selos e cada editor tinham seu desempenho medido e avaliado segundo o hist\u00f3rico de vendas de cada t\u00edtulo, e n\u00e3o simplesmente pelos resultados globais. O resultado, segundo Schiffrin, era a busca desenfreada pelos best-sellers, independentemente da qualidade do livro.<br \/>\nPalavras prof\u00e9ticas, que os mecanismos de captura e an\u00e1lise dos dados s\u00f3 mostram como podem se tornar cada vez mais precisos.<br \/>\nOs dados, entretanto, s\u00e3o neutros. O uso que deles se faz \u00e9 que conforma o ambiente de neg\u00f3cios, que n\u00e3o necessariamente deveriam ser assim t\u00e3o perversos (embora as chances de que seja assim cres\u00e7am cada vez mais).<br \/>\nDe qualquer forma, as an\u00e1lises de Schiffrin, o BookScan e os outros mecanismos de coleta de dados de desempenho dos livros mostram simplesmente o quanto estamos defasados nesse sentido. Talvez menos na \u00e1rea do varejo. Tenho certeza que Pedro Herz, na Cultura, a Saraiva, a Submarino, a Livraria da Vila e as outras redes de livraria est\u00e3o aprendendo rapidamente a usar melhor seus dados.<br \/>\nMas todas elas enfrentam o dilema: ou desenvolvem sistemas de metadados para cada um dos livros que compram, ou ficam com informa\u00e7\u00f5es incompletas, j\u00e1 que as editoras realmente me parecem n\u00e3o prestar muita aten\u00e7\u00e3o no assunto.<br \/>\nEm tempo: a Nielsen, no Brasil, faz pesquisas desse tipo para muitos produtos. Mas n\u00e3o de livros. N\u00e3o sei se por falta de interesse deles ou de est\u00edmulo por parte dos editores e livreiros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A inform\u00e1tica permite hoje a coleta de dados importantes sobre o desempenho dos livros. \u00c9 claro, desde que os metadados estejam corretamente assinalados e sejam \u201ccolet\u00e1veis\u201d. Os instrumentos para tanto s\u00e3o v\u00e1rios. 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