{"id":2379,"date":"2014-07-22T12:51:51","date_gmt":"2014-07-22T15:51:51","guid":{"rendered":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=2379"},"modified":"2014-07-22T12:52:14","modified_gmt":"2014-07-22T15:52:14","slug":"autopublicacao-sera-mesmo-uma-revolucao-no-mercado-editorial","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=2379","title":{"rendered":"AUTOPUBLICA\u00c7\u00c3O \u2013 SER\u00c1 MESMO UMA \u201cREVOLU\u00c7\u00c3O\u201d NO MERCADO EDITORIAL"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2353\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/publishnews-cabe\u00e7a.jpg\" alt=\"publishnews cabe\u00e7a\" width=\"995\" height=\"105\" srcset=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/publishnews-cabe\u00e7a.jpg 995w, http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/publishnews-cabe\u00e7a-300x31.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 995px) 100vw, 995px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Certamente um dos fen\u00f4menos mais impactantes dos \u00faltimos anos na ind\u00fastria editorial foi o desenvolvimento do mercado de e-books. Apesar de v\u00e1rias tentativas anteriores, esse mercado come\u00e7ou a existir de fato e a se desenvolver a partir do momento em que a Amazon lan\u00e7ou seu e-reader Kindle, em 2007.<\/p>\n<p>O sucesso do Kindle se deveu, certamente, \u00e0 press\u00e3o que a Amazon desenvolveu, nos meses pr\u00e9vios ao seu lan\u00e7amento, para que as editoras disponibilizassem vers\u00f5es eletr\u00f4nicas de seus t\u00edtulos. A digitaliza\u00e7\u00e3o dos livros dos acervos editoriais n\u00e3o come\u00e7ou ali, entretanto. H\u00e1 v\u00e1rios anos as editoras j\u00e1 vinham digitalizando os livros em fun\u00e7\u00e3o de dois fatores: a) facilidade de produ\u00e7\u00e3o editorial. Era muito mais f\u00e1cil e pr\u00e1tico desenvolver a produ\u00e7\u00e3o editorial a partir de arquivos eletr\u00f4nicos, principalmente com o lan\u00e7amento de softwares espec\u00edficos para isso; 2) Os sistemas de print-on-demand. Desde meados dos anos 1990 o mercado editorial dos EUA, principalmente, e tamb\u00e9m os europeus, j\u00e1 vinham usando os sistemas de POD para otimizar seus estoques e revitalizar o fundo de cat\u00e1logo. A McGraw Hill foi pioneira nisso, e foi logo seguida pelas outras grandes ind\u00fastrias.<\/p>\n<p>O lan\u00e7amento do Kindle e dos livros eletr\u00f4nicos tamb\u00e9m deveram muito do sucesso \u00e0 oferta de conte\u00fado com pre\u00e7os de capa substancialmente inferiores aos dos hard-covers, ou mesmo das edi\u00e7\u00f5es de bolso, de capa mole e mais populares. A raz\u00e3o disso, evidentemente, era a elimina\u00e7\u00e3o dos custos de impress\u00e3o e a substancial redu\u00e7\u00e3o dos custos de log\u00edstica. Para distribuir e-books, n\u00e3o era mais necess\u00e1rio ter caminh\u00f5es atravessando o pa\u00eds, carregados de livros. Note-se, tamb\u00e9m, que o Kindle usa um formato espec\u00edfico. Na verdade, o que \u00e9 particular \u00e9 o tipo de DRM que a Amazon usa, que foi desenhado especificamente para facilitar o engajamento dos clientes dentro do seu ecossistema. O formato \u00e9 o Mobi (que havia sido desenvolvido pela Palm e adquirido pela Amazon). A empresa se recusou a usar o formato e-Pub, desenvolvido por um cons\u00f3rcio, o International <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/idpf.org\/');\"  href=\"http:\/\/idpf.org\/\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fidpf.org%2F','Digital+Publishing+Forum')\" target=\"_blank\">Digital Publishing Forum<\/a>, \u00a0e usado por todos os demais leitores.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Mas o tema que estou tratando aqui come\u00e7a a tomar forma j\u00e1 nos aos 2000, quando surgem as primeiras plataformas de autopublica\u00e7\u00e3o. Em 2007 a Amazon lan\u00e7a o KDP \u2013 Kindle Direct Publish, que permite tamb\u00e9m que os autores publiquem em formato digital para venda direta na Amazon. Hoje, entretanto, existem talvez centenas de plataformas de autopublica\u00e7\u00e3o, algumas gigantescas como a <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www.lulu.com\/');\"  href=\"http:\/\/www.lulu.com\/\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fwww.lulu.com%2F','Lulu.com')\" target=\"_blank\">Lulu.com<\/a> \u00a0nos EUA. O modelo se espalhou, e aqui mesmo no Brasil temos plataformas j\u00e1 com milhares de autores, como o <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www.clubedeautores.com.br\/');\"  href=\"https:\/\/www.clubedeautores.com.br\/\" onclick=\"return TrackClick('https%3A%2F%2Fwww.clubedeautores.com.br%2F','Clube+de+Autores%2C')\" target=\"_blank\">Clube de Autores,<\/a> a <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www.perse.com.br\/novoprojetoperse\/home.aspx');\"  href=\"http:\/\/www.perse.com.br\/novoprojetoperse\/home.aspx\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fwww.perse.com.br%2Fnovoprojetoperse%2Fhome.aspx','PerSe')\" target=\"_blank\">PerSe <\/a>\u00a0e mesmo editoras tradicionais que j\u00e1 se embrenharam no nicho, como a Saraiva e seu <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/livrariasaraiva.com.br\/publique-se\/');\"  href=\"http:\/\/livrariasaraiva.com.br\/publique-se\/\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Flivrariasaraiva.com.br%2Fpublique-se%2F','PubliqueSe')\" target=\"_blank\">PubliqueSe<\/a>. N\u00e3o pretendo listar aqui, nem como exemplos, outros sites. Mas eles se multiplicam como fungos.<\/p>\n<p>As duas quest\u00f5es que interessam aqui s\u00e3o:<\/p>\n<p>&#8211; Isso \u00e9 novidade?<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 uma revolu\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Novidade n\u00e3o \u00e9. A autopublica\u00e7\u00e3o tem uma longa hist\u00f3ria. O autor pagar para publicar, ou ele mesmo produzir sua obra \u00e9 fen\u00f4meno antigo. A rigor, pode se dizer que a ind\u00fastria editorial j\u00e1 tinha isso desde o come\u00e7o. As gr\u00e1ficas se desenvolveram depois da inven\u00e7\u00e3o de Gutenberg, e publicavam as obras pagas pelos autores. O surgimento e o desenvolvimento das editoras, tal como entendemos hoje, foi um processo longo e complicado. Mesmo aqui no Brasil, por volta dos anos vinte, muitos autores fundamentais, como Oswald de Andrade, tiveram que pagar pela publica\u00e7\u00e3o de seus primeiros livros. E sempre existiram editoras-gr\u00e1ficas que produziam livros por conta dos autores. Nos EUA eram conhecidas como \u201cVanity Press\u201d. Algumas daqui chegaram a ter bastante prest\u00edgio como a Massao Ohno. E a <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www.scortecci.com.br\/home.php');\"  href=\"http:\/\/www.scortecci.com.br\/home.php\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fwww.scortecci.com.br%2Fhome.php','Scortecci')\" target=\"_blank\">Scortecci<\/a> continua a\u00ed, progredindo e trabalhando com equipamentos de impress\u00e3o digital.<\/p>\n<p>O segmento da autopublica\u00e7\u00e3o, at\u00e9 o advento do e-book, embora tivesse uma presen\u00e7a at\u00e9 significativa em n\u00famero de t\u00edtulos, era uma parte bem pequena do mercado editorial. Em alguns c\u00edrculos, ali\u00e1s, tinha certa conota\u00e7\u00e3o negativa, certamente estimulada pelas editoras constitu\u00eddas. E, comparados com os de com hoje, os pre\u00e7os eram altos, e certamente n\u00e3o havia nada gr\u00e1tis. O conceito estava indissoluvelmente ligado a pagar para ser publicado. Al\u00e9m do mais, o problema da distribui\u00e7\u00e3o era insol\u00favel.<\/p>\n<p>Meu amigo M\u00e1rcio Souza h\u00e1 anos fez uma piada, dizendo que \u00e9 mais f\u00e1cil se livrar de um cad\u00e1ver que de mil exemplares de um livro. O sujeito publicava seu t\u00edtulo, recebia os mil exemplares (as tiragens em m\u00e1quinas planas eram necessariamente maiores, por conta do custo b\u00e1sico de composi\u00e7\u00e3o, diagrama\u00e7\u00e3o, etc.), atochava tudo na sala da sua casa e sa\u00eda com os exemplares debaixo do bra\u00e7o para dar de presente para amigos, conhecidos, quem pintasse pela frente. Distribuir mil exemplares \u00e9 uma tarefa herc\u00falea. Os amigos come\u00e7avam a trocar de cal\u00e7ada quando viam o indigitado autor no horizonte, e de longe diziam \u201cJ\u00e1 tenho, voc\u00ea j\u00e1 me deu tr\u00eas exemplares de presente\u201d.<\/p>\n<p>Isso mudou.<\/p>\n<p>Os programas de autom\u00e1ticos de editora\u00e7\u00e3o s\u00e3o f\u00e1ceis de usar, e essas plataformas penduram os t\u00edtulos nos servidores e os colocam no site. Sentadinhos \u00e0 espera de compradores. As melhores e mais sofisticadas oferecem tamb\u00e9m a possibilidade de impress\u00e3o sob demanda, tanto para o autor quanto para o eventual\u00edssimo comprador, que pode optar por receber o exemplar impresso em vez de e-book.<\/p>\n<p>\u00c9 uma revolu\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Sinceramente, n\u00e3o acredito.<\/p>\n<p>As raz\u00f5es s\u00e3o v\u00e1rias.<\/p>\n<p>Primeiro, o fato \u00e9 que certamente abriu um segmento de mercado para os editores que vendem, sob demanda, os mais variados servi\u00e7os. Desde editar o texto \u2013 no sentido de corrigir, emendar, dar coer\u00eancia e um m\u00ednimo de estrutura narrativa ao material entregue pelos pretensos autores, at\u00e9 a elabora\u00e7\u00e3o de capas, provid\u00eancias para registro na BN (os autores amadores acham isso fundamental, para evitar serem plagiados posteriormente&#8230;) e inscri\u00e7\u00e3o no ISBN. Quando algum exemplar \u00e9 vendido no site, a comiss\u00e3o \u00e9 cobrada.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, a ideia de que a distribui\u00e7\u00e3o (isto \u00e9, a venda) deixou de ser problema porque o livro est\u00e1 dispon\u00edvel na Web revelou-se uma completa ilus\u00e3o. Ali\u00e1s, essa tamb\u00e9m foi um aprendizado para as editoras tradicionais.<\/p>\n<p>Estar dispon\u00edvel n\u00e3o significa ser descoberto e lido. Muito pelo contr\u00e1rio. Com o crescimento geom\u00e9trico do n\u00famero de t\u00edtulos, fica cada vez mais dif\u00edcil que um t\u00edtulo seja descoberto por seu poss\u00edvel leitor para al\u00e9m do c\u00edrculo fam\u00edlia e das amizades. E esses querem o livro de gra\u00e7a.<\/p>\n<p>Na verdade, os custo de marketing, divulga\u00e7\u00e3o e \u201cdescobribilidade\u201d (ainda n\u00e3o descobri, literalmente, uma palavra menos esdr\u00faxula para o problema, e aceito sugest\u00f5es), no \u00e2mbito das editoras tradicionais, hoje \u00e0s vezes ultrapassam os custos agora inexistentes de impress\u00e3o e log\u00edstica. E essa \u00e9 uma das raz\u00f5es pela qual h\u00e1 cada vez mais resist\u00eancia por parte das editoras estabelecidas a diminuir ainda mais o pre\u00e7o dos e-books.<\/p>\n<p>Certamente isso pode ser compensado,\u00a0 pelo menos em parte, pelos autores autopublicados, por um intenso esfor\u00e7o de divulga\u00e7\u00e3o nas redes sociais. Mas, com certeza, a taxa de sucesso \u00e9 baix\u00edssima.<\/p>\n<p>Essa quest\u00e3o da descobribilidade dos livros j\u00e1 provocou at\u00e9 um mercado \u201csubprime\u201d de resenhas picaretas. Os espa\u00e7os para resenhas dos leitores come\u00e7aram a ser ocupados por \u201cresenhadores\u201d profissionais, pagos por autores para elogiar seus livros. Quando o assunto foi divulgado, a Amazon colocou no seu sistema que s\u00f3 podia postar resenha algu\u00e9m que houvesse comprado o livro. Parece que s\u00f3 aumentou o custo dos \u201cresenhadores\u201d profissionais, que passaram a incluir o pre\u00e7o da compra do livro no pacote de servi\u00e7os&#8230;<\/p>\n<p>A an\u00e1lise do DigitalBook World do novo programa da Amazon, o Kindle Unlimited, publicado no dia 21\/7, diz que, dos 600 mil t\u00edtulos dispon\u00edveis no programa, mais de 500 mil s\u00e3o do programa KDP. Ou seja, autopublicados. As plataformas Oyster e Scribd tamb\u00e9m incluem um n\u00famero consider\u00e1vel desses t\u00edtulos, mas as grandes editoras t\u00eam optado por elas em vez do programa <em>amazonian<\/em>.<\/p>\n<p>Certamente, no meio dessa profus\u00e3o, aparecem autores que fazem sucesso, e esses s\u00e3o os escolhidos como exemplos para atrair os demais. \u00c9 o mesmo processo de \u201cpeneira\u201d que acontece na edi\u00e7\u00e3o tradicional.<\/p>\n<p>Em conclus\u00e3o, penso que esse fen\u00f4meno da autopublica\u00e7\u00e3o reflete, efetivamente, uma abertura de possibilidades com os e-books. Mas est\u00e1 muito, muito longe de ser qualquer tipo de revolu\u00e7\u00e3o. Continua sendo, na verdade, um espa\u00e7o para quem quer brincar de ser autor. Uma mat\u00e9ria recente publicada na<a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2014\/07\/1488652-novos-autores-apostam-na-autopublicacao.shtml');\"  href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2014\/07\/1488652-novos-autores-apostam-na-autopublicacao.shtml\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fwww1.folha.uol.com.br%2Filustrada%2F2014%2F07%2F1488652-novos-autores-apostam-na-autopublicacao.shtml','Folha')\" target=\"_blank\"> Folha<\/a> \u00e9 exemplar: o banc\u00e1rio aposentado Toshio Katsurayama, de 71 anos, escreveu um livro sobre sua m\u00e3e. Escreveu, procurou v\u00e1rias editoras e n\u00e3o achou quem o publicasse. Contratou a consultoria \u201cTire Seu Livro da gaveta\u201d, gastou cinco mil reais e realizou seu sonho de \u201cbrincar de ser escritor\u201d<\/p>\n<p>Toshio ficou feliz, e deixou tamb\u00e9m feliz o C\u00e1ssio Barbosa, dono da consultoria e do Reino Editorial, que preparou a editora\u00e7\u00e3o e publicou o Toshio. Barbosa faz parte desse ainda pequeno mas crescente segmento de <strong>editores <\/strong>que presta servi\u00e7os para os autores que querem ser auto-publicados, que n\u00e3o pagam mais pela impress\u00e3o, mas pagam por esse tratamento de seus textos.<\/p>\n<p>Todos felizes.<\/p>\n<p>Mas isso n\u00e3o \u00e9 nenhuma revolu\u00e7\u00e3o. S\u00f3 ficou mais f\u00e1cil cumprir a antiga m\u00e1xima que rezava que todos na vida deveriam ter um filho, plantar uma \u00e1rvore e escrever um livro. Mas ningu\u00e9m fala inclu\u00eda no ditado que o livro s\u00f3 existe mesmo se for lido e disser algo relevante para um p\u00fablico, mesmo que pequeno.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Certamente um dos fen\u00f4menos mais impactantes dos \u00faltimos anos na ind\u00fastria editorial foi o desenvolvimento do mercado de e-books. Apesar de v\u00e1rias tentativas anteriores, esse mercado come\u00e7ou a existir de fato e a se desenvolver a partir do momento em que a Amazon lan\u00e7ou seu e-reader Kindle, em 2007. 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