{"id":2352,"date":"2014-06-17T12:12:18","date_gmt":"2014-06-17T15:12:18","guid":{"rendered":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=2352"},"modified":"2014-06-17T12:12:18","modified_gmt":"2014-06-17T15:12:18","slug":"projecao-internacional-da-cultura-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=2352","title":{"rendered":"PROJE\u00c7\u00c3O INTERNACIONAL DA CULTURA BRASILEIRA"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/publishnews-cabe\u00e7a.jpg\" alt=\"publishnews cabe\u00e7a\" width=\"995\" height=\"105\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2353\" srcset=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/publishnews-cabe\u00e7a.jpg 995w, http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/publishnews-cabe\u00e7a-300x31.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 995px) 100vw, 995px\" \/><br \/>\nA pol\u00edtica cultural do Estado brasileiro &#8211; responsabilidade basicamente do Itamaraty \u2013 \u00e9, para usar um adjetivo caridoso, simplesmente insuficiente. Os n\u00fameros, a estrutura dispon\u00edvel para suas a\u00e7\u00f5es demonstram isso, e a compara\u00e7\u00e3o com outros pa\u00edses chega a ser humilhante. A pretens\u00e3o de assumir um papel mais relevante atrav\u00e9s de mecanismos de \u201csoft-power\u201d \u2013 entre os quais a cultura \u00e9 muito importante \u2013 fica assim comprometida.<\/p>\n<p>Comecemos por uma breve an\u00e1lise descritiva dos instrumentos institucionais dispon\u00edveis na estrutura do Itamaraty.<\/p>\n<p>A estrutura do Departamento Cultural do Itamaraty, o \u00f3rg\u00e3o da Chancelaria encarregado de administrar as a\u00e7\u00f5es de pol\u00edtica externa na \u00e1rea, revela alguns pontos interessantes. <\/p>\n<p>A estrutura do DC est\u00e1 conformada por cinco divis\u00f5es e uma Coordena\u00e7\u00e3o de Divulga\u00e7\u00e3o. As Divis\u00f5es s\u00e3o: 1) Promo\u00e7\u00e3o do Audiovisual (DAV); 2) Acordos e Assuntos Multilaterais Culturais (DAMC); 3) Opera\u00e7\u00f5es de Difus\u00e3o Cultural (DODC); 4) Temas Educacionais (DCE) e 5) Promo\u00e7\u00e3o da L\u00edngua Portuguesa (DPLP).<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria estrutura evidencia que, no \u00e2mbito operacional, os instrumentos de a\u00e7\u00e3o s\u00e3o setorizados e incluem a\u00e7\u00f5es institucionalizadas (acordos culturais, organismos internacionais multilaterais, coopera\u00e7\u00e3o na \u00e1rea de educa\u00e7\u00e3o, programa de estudantes-conv\u00eanio, negocia\u00e7\u00e3o e administra\u00e7\u00e3o da execu\u00e7\u00e3o dos acordos culturais bilaterais, etc.), sob a responsabilidade de duas divis\u00f5es, a DAMC e a DCE, al\u00e9m de incluir parte das a\u00e7\u00f5es da DPLP.<br \/>\n<!--more--><br \/>\nDas duas divis\u00f5es voltadas diretamente para a a\u00e7\u00e3o cultural no exterior (DODC e DAV), a segunda est\u00e1 dedicada especificamente a um segmento da cultura brasileira, a do audiovisual. O pessoal do cinema, ali\u00e1s, sempre agiu de forma muito mais decisiva que os demais setores culturais, e consegue articula\u00e7\u00f5es institucionais mais funcionais que o segmento da literatura, por exemplo.<\/p>\n<p> A outra divis\u00e3o atua principalmente atendendo \u00e0s demandas elaboradas pelos diversos postos (embaixadas e consulados), atrav\u00e9s de seus programas de difus\u00e3o cultural. A experi\u00eancia observada indica que os programas elaborados pelos postos (quando existem) respondem muito mais \u00e0s prefer\u00eancias intelectuais, art\u00edsticas e culturais dos chefes de miss\u00e3o que a um planejamento proativo de difus\u00e3o cultural gerado na chancelaria. Evidentemente alguns postos desenvolvem programas de grande import\u00e2ncia e de car\u00e1ter abrangente. O observado mais comumente, entretanto, \u00e9 que os programas privilegiados refletem as idiossincrasias dos titulares: se gostam de literatura, mais a\u00e7\u00f5es nessa \u00e1rea; se de musica, mais atividades ligadas ao segmento, e assim sucessivamente. <\/p>\n<p>Essas observa\u00e7\u00f5es podem estar distorcidas por falta de informa\u00e7\u00f5es mais gerais. Isso tamb\u00e9m, por si s\u00f3, revela uma falha de comunica\u00e7\u00e3o da eventual abrang\u00eancia e da qualidade das a\u00e7\u00f5es de pol\u00edtica externa cultural.<\/p>\n<p>Uma aten\u00e7\u00e3o especial, no caso, merece ser dada \u00e0 Divis\u00e3o de Promo\u00e7\u00e3o da L\u00edngua Brasileira. A <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www.facebook.com\/RedeBrasilCultural');\"  href=\"https:\/\/www.facebook.com\/RedeBrasilCultural\" onclick=\"return TrackClick('https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2FRedeBrasilCultural','Rede+Brasil+Cultural')\" target=\"_blank\">Rede Brasil Cultural<\/a> \u00e9 formada pelos Centros Culturais Brasileiros, N\u00facleos de Estudos Brasileiros e Leitorados.<\/p>\n<p>As estruturas mais formais e fortes s\u00e3o os Centros Culturais Brasileiros, atualmente vinte e quatro, divididos em seis na \u00c1frica, treze na Am\u00e9rica (apenas um na Am\u00e9rica do Norte, no M\u00e9xico), tr\u00eas na Europa e dois no Oriente M\u00e9dio. H\u00e1 que lembrar que, entre 1994 e 2002, muitos centros importantes foram fechados, entre os quais os de Bogot\u00e1, Berlim e Paris. A retomada da instala\u00e7\u00e3o dos CEBs aconteceu a partir de 2003, com \u00eanfase significativa nos pa\u00edses africanos. \u00c9 importante destacar que os CEBs \u201cconcentram-se no ensino da l\u00edngua portuguesa\u201d, embora abranjam \u201ctamb\u00e9m\u201d outras atividades culturais. <\/p>\n<p>Abaixo dos CEBs existem os N\u00facleos de Estudos Brasileiros. Com apenas um professor de portugu\u00eas que tamb\u00e9m atua como animador cultural, conta apenas com cinco n\u00facleos que operam em quatro pa\u00edses.<\/p>\n<p>O programa de Leitorado tamb\u00e9m \u00e9 administrado pelo DPLP, e conta atualmente com \u201cmais de quarenta\u201d professores universit\u00e1rios que atuam em institui\u00e7\u00f5es estrangeiras de ensino superior, em 28 pa\u00edses. Cada Leitor recebe uma bolsa adicional do Itamaraty, al\u00e9m dos benef\u00edcios previstos nos acordos com as universidades, e o DPLP procura tamb\u00e9m \u201cpromover converg\u00eancias\u201d entre as atividades culturais promovidas pelos postos e os leitorados.<\/p>\n<p>Finalmente cabe mencionar o CELPE-BRAS, o certificado de profici\u00eancia em l\u00edngua portuguesa (oferecido em quatro n\u00edveis), exigido para os candidatos dos programas de estudantes-conv\u00eanio, tanto na gradua\u00e7\u00e3o como na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Em resumo, as a\u00e7\u00f5es de pol\u00edtica externa na \u00e1rea cultural se articulam em tr\u00eas n\u00edveis separados: o primeiro, institucional, que se d\u00e1 na opera\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o do Brasil em organismos multilaterais da cultura, inclusive a \tUNESCO e os programas do Mercosul Cultural, administra os conv\u00eanios e acordos culturais; o segundo, responde a demandas dos postos, al\u00e9m de manter um programa de passagens para viagens e miss\u00f5es culturais espec\u00edficas de artistas brasileiros, envia exposi\u00e7\u00f5es e participa de eventos culturais internacionais (feiras, congressos e exposi\u00e7\u00f5es) de acordo com demandas de outras \u00e1reas do governo ou dos postos. Inclui uma \u00fanica e exclusiva \u00e1rea espec\u00edfica de difus\u00e3o sistem\u00e1tica, vinculada ao audiovisual, com o apoio da Ancine e da Secretaria do Audiovisual do MinC; o terceiro \u00e9 o dos cursos de portugu\u00eas no exterior, atrav\u00e9s dos CEBs, n\u00facleos e leitorados.<\/p>\n<p><strong>O que fazem outros pa\u00edses.<\/strong><\/p>\n<p>O pouco que o Brasil faz assume propor\u00e7\u00f5es humilhantes se comparado com a\u00e7\u00f5es e mecanismos institucionais de outros pa\u00edses. <\/p>\n<p><strong>Fran\u00e7a<\/strong>. O pa\u00eds disp\u00f5e de dois instrumentos de a\u00e7\u00e3o cultural no exterior. A <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www.fondation-alliancefr.org\/');\"  href=\"http:\/\/www.fondation-alliancefr.org\/\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fwww.fondation-alliancefr.org%2F','Alliance+Fran%C3%A7aise')\" target=\"_blank\">Alliance Fran\u00e7aise<\/a>, fundada em 1883, \u00e9 o mais antigo e espalhado. S\u00e3o mais de 800 Alliances Fran\u00e7aises, em 137 pa\u00edses. O segundo instrumento \u00e9 o <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www.institutfrancais.com\/');\"  href=\"http:\/\/www.institutfrancais.com\/\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fwww.institutfrancais.com%2F','Institut+Fran%C3%A7ais')\" target=\"_blank\">Institut Fran\u00e7ais<\/a>, que o Minist\u00e9rio do Exterior declara ser o \u201cmotor das ambi\u00e7\u00f5es de soft power da Fran\u00e7a\u201d. O Institut Fran\u00e7ais \u00e9 de funda\u00e7\u00e3o mais recente (2010), \u00e9 financiado pelo governo, e est\u00e1 presente em todos os pa\u00edses com os quais a Fran\u00e7a mantem rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas.<\/p>\n<p><strong>Alemanha<\/strong>. O <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www.goethe.de\/enindex.htm');\"  href=\"http:\/\/www.goethe.de\/enindex.htm\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fwww.goethe.de%2Fenindex.htm','Instituto+Goethe')\" target=\"_blank\">Instituto Goethe<\/a> \u00e9 o bra\u00e7o de atua\u00e7\u00e3o do governo alem\u00e3o na \u00e1rea cultural. Fundado em 1951, \u00e9 financiado pelo Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores. O site do Goethe afirma ter mais de 170.000 alunos e participantes de atividades em seus centros espalhados por 80 pa\u00edses.<\/p>\n<p><strong>Espanha<\/strong>. O <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www.cervantes.es');\"  href=\"http:\/\/www.cervantes.es\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fwww.cervantes.es','Instituto+Cervantes')\" target=\"_blank\">Instituto Cervantes<\/a>, ainda que nos anos recentes haja sofrido com as restri\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas da crise europeia, seu or\u00e7amento em 2013 alcan\u00e7ou quase noventa milh\u00f5es de Euros, dos quais 68% foram transfer\u00eancias or\u00e7ament\u00e1rias e o resto resultante dos ingressos dos cursos de espanhol. Est\u00e1 presente em 86 cidades de 43 pa\u00edses de todos os continentes, e os n\u00fameros do exerc\u00edcio de 2013 s\u00e3o impressionantes: 15.336 cursos de espanhol (entre gerais e especiais e de forma\u00e7\u00e3o de professores), com um total de 237.937 alunos. A rede conta com 60 bibliotecas e um acervo de 1.250.694 volumes. Os centros do Instituto Cervantes apresentaram, em 2013, 2.422 proje\u00e7\u00f5es de filmes, 384 concertos, 527 confer\u00eancias, 168 col\u00f3quios, 129 mesas redondas, al\u00e9m de representa\u00e7\u00f5es teatrais, semanas culturais, oficinas e outras atividades.<\/p>\n<p><strong>Portugal<\/strong>. O <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www.instituto-camoes.pt');\"  href=\"https:\/\/www.instituto-camoes.pt\" onclick=\"return TrackClick('https%3A%2F%2Fwww.instituto-camoes.pt','Instituto+Cam%C3%B5es')\" target=\"_blank\">Instituto Cam\u00f5es<\/a>. Al\u00e9m das atividades culturais, o Instituto Cam\u00f5es assumiu, desde alguns anos, a fun\u00e7\u00e3o de ag\u00eancia de coopera\u00e7\u00e3o do governo portugu\u00eas, al\u00e9m da promo\u00e7\u00e3o da l\u00edngua e da cultura de Portugal no exterior. S\u00e3o trinta e oito centros de l\u00edngua portuguesa, mais trinta e cinco c\u00e1tedras espalhadas por todos os continentes. A \u201cRede Cam\u00f5es\u201d apresenta 785 pontos, entre centros culturais, c\u00e1tedras, atividades conveniadas e outras formas de atua\u00e7\u00e3o. O Instituto Cam\u00f5es est\u00e1 integrado \u00e0 estrutura do estado, no Minist\u00e9rio dos Neg\u00f3cios Estrangeiros.<\/p>\n<p>O caso de Portugal \u00e9 exemplar. O PIB de Portugal, em 2012, foi de US$ 228.872 milh\u00f5es, e o do Brasil de US$ 2.350.889 milh\u00f5es, segundo o Banco Mundial. Ou seja, o de Portugal \u00e9 menos de 10% do PIB brasileiro, menor mesmo que o PIB estadual do Rio Grande do Sul, que naquele ano alcan\u00e7ou US$ 252.500 milh\u00f5es. E o pa\u00eds tamb\u00e9m sofre com a crise europeia. <\/p>\n<p>Por isso mesmo, comparar os 785 pontos de a\u00e7\u00e3o do Instituto Cam\u00f5es com o que o Brasil apresenta em termos de a\u00e7\u00f5es continuadas denota simplesmente que nosso pa\u00eds pensa pequeno e age pequeno em termos de pol\u00edtica externa na \u00e1rea da cultura. Uma compara\u00e7\u00e3o dessas desmerece totalmente o discurso sobre a import\u00e2ncia da proje\u00e7\u00e3o internacional do Brasil.<\/p>\n<p>Por conta das defici\u00eancias da diplomacia cultural brasileira, o apoio \u00e0s iniciativas \u2013 pessoais e institucionais \u2013 que procurem suplementar as debilidades da diplomacia devem ser apoiados, pelo menos com compet\u00eancia, sem discrimina\u00e7\u00e3o e com efici\u00eancia. Os autores brasileiros v\u00eam sendo cada vez mais chamados para eventos internacionais, seja por suas editoras estrangeiras, seja por v\u00e1rios tipos de institui\u00e7\u00f5es. A maioria estrangeira, que paga os custos das viagens e da presen\u00e7a dos autores.<\/p>\n<p>Por isso mesmo fiquei muito preocupado com o trecho final da entrevista do escritor Luiz Ruffato s\u00e1bado passado, no <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/cultura.estadao.com.br\/noticias\/literatura,luiz-ruffato-mescla-realidade-e-ficcao-em-seu-novo-livro,1511553');\"  href=\"http:\/\/cultura.estadao.com.br\/noticias\/literatura,luiz-ruffato-mescla-realidade-e-ficcao-em-seu-novo-livro,1511553\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fcultura.estadao.com.br%2Fnoticias%2Fliteratura%2Cluiz-ruffato-mescla-realidade-e-ficcao-em-seu-novo-livro%2C1511553','Estad%C3%A3o')\" target=\"_blank\">Estad\u00e3o<\/a>, por ocasi\u00e3o da divulga\u00e7\u00e3o de lan\u00e7amento de seu \u00faltimo romance.<\/p>\n<p>Entrevistado por Ubiratan Brasil, a \u00faltima pergunta foi assim respondida pelo autor:<\/p>\n<p>\u201cPassados alguns meses desde seu discurso na abertura da Feira de Frankfurt, em que voc\u00ea foi mais contestado que propriamente os dados ali apresentados, o que ficou de positivo e negativo daquela experi\u00eancia?<\/p>\n<p><em>Meu discurso foi o de algu\u00e9m que acredita no papel que o intelectual deve exercer no \u00e2mbito das sociedade Ningu\u00e9m contestou a s\u00e9rio os dados ali comentados que mostram um Brasil machista, homof\u00f3bico, racista, sexista, hip\u00f3crita, violento, intolerante. Os ataques pessoais que sofri e as repres\u00e1lias oficiais s\u00f3 comprovam os meus argumentos<\/em>.\u201d<\/p>\n<p>Escrevi dois posts sobre o discurso do RufFato na Feira de Frankfurt. O primeiro, logo no dia seguinte, est\u00e1 <a href=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=1986 \" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Foxisdoproblema.com.br%2F%3Fp%3D1986','aqui')\" target=\"_blank\">aqui<\/a>. O segundo, no qual fazia um balan\u00e7o geral da Feira, pode ser lido na \u00edntegra <a href=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=2033\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Foxisdoproblema.com.br%2F%3Fp%3D2033','aqui')\" target=\"_blank\">aqui<\/a>. No primeiro me solidarizo com o discurso do autor, ressaltando que o car\u00e1ter pol\u00eamico fazia bem para a presen\u00e7a do Brasil em Frankfurt. No segundo post, reiterando meu apoio ao discurso, fiz mais algumas observa\u00e7\u00f5es, depois de comentar tamb\u00e9m a fala do Paulo Lins no encerramento da Feira.<\/p>\n<p>A primeira observa\u00e7\u00e3o foi precisamente sobre o <em>ex-abrupto<\/em> do Vice-Presidente Michel Temer, que falou logo depois de Ruffato, na abertura, e entremeou suas palavras com uma velada amea\u00e7a e o lamento por sua obra po\u00e9tica n\u00e3o ter sido devidamente avaliada. Escrevi: \u201cN\u00e3o entendi. A estrutura do discurso [do Rufatto] corresponde exatamente ao que o Lula sempre disse: depois de 500 anos de opress\u00e3o \u201cpela primeira vez na hist\u00f3ria desse pa\u00eds\u201d, se fazia algo para mudar a condi\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o mais pobre. Acho que deviam era faturar a coincid\u00eancia do discurso do Rufatto com o do Lula, da Presidente Dilma e da propaganda oficial.\u201d<\/p>\n<p>Observei tamb\u00e9m sobre o discurso do Ruffato, em complemento \u00e0s minhas observa\u00e7\u00f5es do primeiro post: \u201cO segundo ponto a ser observado no discurso do escritor, e de forma negativa, foi o uso exclusivo da primeira pessoa do singular. \u00c9 at\u00e9 compreens\u00edvel que Rufatto quisesse destacar sua experi\u00eancia pessoal. Mas \u00e9 bom lembrar que essas ang\u00fastias expressadas no discurso, a responsabilidade dos escritores diante de uma realidade angustiante, n\u00e3o \u00e9 exclusividade dele.\u201d<\/p>\n<p>O preocupante, por\u00e9m, \u00e9 a \u00faltima frase da entrevista no Estad\u00e3o, onde Ruffato diz que sofre \u201crepres\u00e1lias oficiais\u201d. E falou disso depois de passar v\u00e1rias semanas no exterior.<\/p>\n<p>O autor, por\u00e9m, n\u00e3o explicitou quais foram essas repres\u00e1lias, nem o jornalista procurou se informar junto ao Itamaraty e ao Minist\u00e9rio da Cultura sobre o assunto.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o tipo de coisa que n\u00e3o pode ficar no terreno das insinua\u00e7\u00f5es e do disse-que-disse. \u00c9 grave demais.<\/p>\n<p>Est\u00e1 em jogo o profissionalismo do Itamaraty, que n\u00e3o pode deixar que posi\u00e7\u00f5es dos autores impe\u00e7a o devido apoio a ser dado para quem \u2013 junto com outros autores, em v\u00e1rios pa\u00edses \u2013 faz o trabalho complementar ao deles, que \u00e9 o de apresentar o pa\u00eds atrav\u00e9s de sua literatura, com todas as nossas contradi\u00e7\u00f5es, problemas e belezas. N\u00e3o d\u00e1 para sucumbir ao ufanismo da \u00e9poca da ditadura, e h\u00e1 que reconhecer que, apesar do muito que foi feito, muito mais ainda falta fazer. O mesmo pode ser dito do Minist\u00e9rio da Cultura.<\/p>\n<p>O autor, Ruffato, precisa explicitar o que entende por repres\u00e1lias oficiais, e os dois minist\u00e9rios esclarecer esse assunto. Na ambiguidade \u00e9 que n\u00e3o d\u00e1 para ficar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pol\u00edtica cultural do Estado brasileiro &#8211; responsabilidade basicamente do Itamaraty \u2013 \u00e9, para usar um adjetivo caridoso, simplesmente insuficiente. Os n\u00fameros, a estrutura dispon\u00edvel para suas a\u00e7\u00f5es demonstram isso, e a compara\u00e7\u00e3o com outros pa\u00edses chega a ser humilhante. 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