{"id":2339,"date":"2014-05-28T12:09:35","date_gmt":"2014-05-28T15:09:35","guid":{"rendered":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=2339"},"modified":"2014-05-28T12:38:23","modified_gmt":"2014-05-28T15:38:23","slug":"snel-divulga-pesquisa-sobre-mercado-editorial-otima-iniciativa","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=2339","title":{"rendered":"SNEL DIVULGA PESQUISA SOBRE MERCADO EDITORIAL &#8211; \u00d3TIMA INICIATIVA"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Capturar2.jpg\" alt=\"Capturar\" width=\"856\" height=\"487\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2341\" srcset=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Capturar2.jpg 856w, http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Capturar2-300x170.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 856px) 100vw, 856px\" \/><\/p>\n<p>O Sindicato Nacional de Editores de Livros \u2013 SNEL, divulgou pesquisa fruto de bolsa de estudo financiada pela entidade junto ao Instituto Coppead de Administra\u00e7\u00e3o. Esse apoio resultou em uma tese de mestrado, de autoria de Leonardo Bastos da Fonseca, <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www.snel.org.br\/wp-content\/themes\/snel\/docs\/pesquisa_na_integra.pdf');\"  href=\"http:\/\/www.snel.org.br\/wp-content\/themes\/snel\/docs\/pesquisa_na_integra.pdf\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fwww.snel.org.br%2Fwp-content%2Fthemes%2Fsnel%2Fdocs%2Fpesquisa_na_integra.pdf','%E2%80%9CCrescimento+da+Ind%C3%BAstria+Editorial+de+Livros+do+Brasil+e+seus+Desafios%E2%80%9D')\" target=\"_blank\">\u201cCrescimento da Ind\u00fastria Editorial de Livros do Brasil e seus Desafios\u201d<\/a>, orientado pela professora Denise Lima Fleck.<\/p>\n<p>\u00c9 uma iniciativa importante, at\u00e9 pela escassez de estudos anal\u00edticos e sistem\u00e1ticos sobre o tema. A pr\u00f3pria bibliografia apresentada no trabalho mostra uma abund\u00e2ncia de mat\u00e9rias jornal\u00edsticas vis \u00e0 vis a produ\u00e7\u00e3o mais extensa e pesquisada.<br \/>\n<!--more--><\/p>\n<p>Uma das carater\u00edsticas significativas do estudo \u00e9 a sua perspectiva de an\u00e1lise, centrada nas quest\u00f5es e temas da administra\u00e7\u00e3o de empresas. Para quem, como eu, est\u00e1 mais familiarizado com conceitos da Hist\u00f3ria e das Ci\u00eancias Sociais em geral, a terminologia t\u00e9cnica usada apresentou algumas caracter\u00edsticas esot\u00e9ricas que nem sempre foram explicitadas no texto, limitado \u00e0 indica\u00e7\u00e3o das refer\u00eancias de estudos e trabalhos te\u00f3ricos na \u00e1rea da administra\u00e7\u00e3o de empresas. Essa abordagem via quest\u00f5es da administra\u00e7\u00e3o de empresas oferece algumas perspectivas interessantes, embora em momentos perca uma vis\u00e3o sist\u00eamica dos mecanismos de articula\u00e7\u00e3o propriamente sociais. A equipara\u00e7\u00e3o das empresas do setor como entidades individualizadas que se relacionam com outras do mesmo tipo lembra fortemente uma vis\u00e3o da sociedade como um simples mecanismo de rela\u00e7\u00f5es entre indiv\u00edduos. Isso deixa de fora da an\u00e1lise condicionantes de ordem hist\u00f3rico-social significativos, embora o autor se esforce por incluir uma vis\u00e3o \u2013 ainda que \u00e0s vezes isolada do contexto social mais amplo \u2013 da hist\u00f3ria do setor. Assim, o contexto social mais amplo fica entendido como \u201cambiente externo\u201d \u00e0s empresas e \u00e0 sua din\u00e2mica de relacionamento como entidades individualizadas. Uma mencionada \u201cTeoria dos arqu\u00e9tipos de crescimento\u201d, por exemplo, passou por todo o livro sem que eu conseguisse realmente entender do que se trata. <\/p>\n<p>No final da pesquisa, sugerindo outras linhas de trabalho, o autor levanta a necessidade de an\u00e1lises individualizadas da trajet\u00f3ria das empresas. E cita dois casos: \u201cO escopo da presente pesquisa n\u00e3o contemplou o levantamento interno junto \u00e0s livrarias, editoras e distribuidoras sobre os sistemas, processos, pessoas e recursos dedicados ao gerenciamento das informa\u00e7\u00f5es que s\u00e3o trocadas com outras empresas e que apoiam o processo de decis\u00e3o\u201d. \u00c9 uma abordagem de vi\u00e9s claramente administrativo-editorial (nada contra, ali\u00e1s), que mostra um poss\u00edvel caminho profissional para o autor. Sugere ele tamb\u00e9m \u201coutra linha de investiga\u00e7\u00e3o [que] diz respeito ao fim de editoras, livrarias e distribuidores. Como teria sido o processo de decl\u00ednio dessas empresas, o que as levou \u00e0 decad\u00eancia e que li\u00e7\u00f5es podem ser tiradas para as empresas atuantes na IELB\u201d (Ind\u00fastria Editorial de Livros do Brasil, no acr\u00f4nimo que ele usa) (p. 126\/7). Lembro, ali\u00e1s, o trabalho de Gustavo Sor\u00e1 sobre a Jos\u00e9 Olympio (<em>Sor\u00e1, Gustavo: Brasilianas: Jos\u00e9 Olympio e a G\u00eanese do Mercado Editorial Brasileiro; S\u00e3o Paulo: Editora da Universidade de S. Paulo: Com-Arte, 2010<\/em>) H\u00e1 tamb\u00e9m um ru\u00eddo constante com o uso de pseudo-conceitos em ingl\u00eas e portugu\u00eas ao mesmo tempo (slack\/folga; stakeholders\/acionistas; compliance\/exig\u00eancias), ou meramente descritivos (product-minded; Empire-builders). Mas s\u00e3o mais v\u00edcios acad\u00eamicos. Afinal, disserta\u00e7\u00f5es de mestrados devem estar recheadas de refer\u00eancias&#8230;<\/p>\n<p>O trabalho se fundamentou no uso de  fontes de refer\u00eancia (o livro do Hallewell, certamente, \u00e9 um dos pontos centrais para a an\u00e1lise feita das \u201cetapas\u201d de desenvolvimento da IELB); levantamento e an\u00e1lise do arquivo digitalizado do jornal O Estado de S. Paulo; mas o n\u00facleo das observa\u00e7\u00f5es sobre a situa\u00e7\u00e3o se fundamenta em 41 entrevistas (39 entrevistados): 6 autores, 11 livreiros, 15 editores, 2 agentes liter\u00e1rios, 2 gr\u00e1ficos e 3 distribuidores. Perpassa no texto, tamb\u00e9m, a falta de familiaridade do autor com o funcionamento da ind\u00fastria editorial, suprida t\u00e3o somente por essas entrevistas. N\u00e3o \u00e9 explicitado o crit\u00e9rio de escolha dos entrevistados e eu diria tamb\u00e9m que h\u00e1 omiss\u00f5es importantes de pessoas, em todos os segmentos. N\u00e3o h\u00e1 observa\u00e7\u00f5es sobre eventuais recusas de outros entrevistados.<\/p>\n<p>No entanto, a an\u00e1lise mostra n\u00e3o apenas v\u00e1rias coincid\u00eancias com percep\u00e7\u00f5es de outros estudos, como aponta para os poss\u00edveis efeitos danosos para as empresas, e para o pr\u00f3prio mercado editorial, relacionados com o que chamaria de \u201cproblemas estruturais\u201d da industrial editorial brasileira.<\/p>\n<p>Vamos repassar isso.<\/p>\n<p>\u201cA maior parte de livrarias e editoras n\u00e3o consegue criar disciplina para aprender sistematicamente com suas falhas e sucessos. A car\u00eancia de informa\u00e7\u00e3o e\/ou an\u00e1lise sobre compradores e leitores, sobre o desempenho de t\u00edtulos bem ou mal sucedidos e sobre a efic\u00e1cia de estrat\u00e9gias passadas de produ\u00e7\u00e3o, lan\u00e7amento, distribui\u00e7\u00e3o, etc, dificulta o processo de aprendizado. Isso refor\u00e7a a cren\u00e7a difundida na ind\u00fastria de que o sucesso ou fracasso de determinado t\u00edtulo \u00e9 imprevis\u00edvel e que depende \u201cde boa dose de sorte\u201d. Tal cren\u00e7a, por sua vez, retroalimenta o desinteresse pela (sic) ind\u00fastria em estabelecer novos processos sistem\u00e1ticos de registro e an\u00e1lise de informa\u00e7\u00f5es que a conduzam ao aprendizado, a partir de seus erros, o que permitiria assim o aperfei\u00e7oamento (exploiting) de suas fun\u00e7\u00f5es (cria\u00e7\u00e3o, sele\u00e7\u00e3o, produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o) e o melhor direcionamento de seus recursos\u201d (p. 119).<\/p>\n<p>No ponto. Mas ainda falta. Essa \u201ccren\u00e7a\u201d no acaso leva tamb\u00e9m \u00e0 passividade na explora\u00e7\u00e3o e desenvolvimento de mercados espec\u00edficos. Por exemplo, \u00e9 cren\u00e7a na ind\u00fastria editorial que s\u00f3 podem ser atendidos pedidos de um valor m\u00ednimo arbitrariamente definido pela editora. Ou seja, s\u00f3 vale vender se for em uma certa quantidade. Gabriel Zaid (\u201cLivros Demais\u201d, Summus), j\u00e1 chamava aten\u00e7\u00e3o para um ad\u00e1gio: livro se vende um a um. Jeff Bezos, da Amazon, foi at\u00e9 mais longe: livro \u00e9 commodity, um exemplar \u00e9 igual a outro, e o importante \u00e9 atender todos os que desejam aquele exemplar de um t\u00edtulo (menos, \u00e9 claro, quando ele est\u00e1 for\u00e7ando a barra com as editoras, como faz agora com a Hachette, mas isso \u00e9 outra hist\u00f3ria). O segmento do porta-a-porta (cuja import\u00e2ncia, ali\u00e1s, \u00e9 pouco apreciada no trabalho) aprendeu isso e vai atr\u00e1s do cliente onde ele esteja. A ideia da \u201csorte\u201d no sucesso est\u00e1 por tr\u00e1s da pregui\u00e7a em detectar os mercados espec\u00edficos para cada t\u00edtulo, o que pode transformar cada um deles em um sucesso relativo. N\u00e3o que entre nas listas de best-sellers, mas que alcance todo o seu p\u00fablico potencial. Para isso, \u00e9 preciso ter e analisar o m\u00e1ximo de dados dos compradores de todos e de cada um dos t\u00edtulos. Ou seja, \u00e9 imprescind\u00edvel ter bons sistemas de metadados para recolher as informa\u00e7\u00f5es de modo significativo e capacidade para analisa-los. Mas, como os editores sempre est\u00e3o em busca do grande sucesso, acabam desprezando as potencialidades reais de cada t\u00edtulo lan\u00e7ado.<\/p>\n<p>E mais: \u201cPor outro lado, identificamos que a falta de integra\u00e7\u00e3o sist\u00eamica entre os diferentes elos da cadeia produtiva se mant\u00eam mesmo diante do aumento significativo de empresas atuando em cada uma das fun\u00e7\u00f5es da ind\u00fastria. A falta de sistemas que integrem a comunica\u00e7\u00e3o entre editoras, livrarias e distribuidores, impede a disponibilidade e prazo dos livros nas livrarias, gerando erros, falhas de comunica\u00e7\u00e3o\u201d (p. 119). Outra observa\u00e7\u00e3o no alvo. Recentemente, a entrada no mercado de empresas como a GfK e a Nielsen BookScan come\u00e7ou a suprir, em parte, essa defici\u00eancia. Mas a observa\u00e7\u00e3o indica que os editores e livreiros consideram o investimento em informa\u00e7\u00e3o como gastos, destinados eventualmente a satisfazer curiosidades, e n\u00e3o como um investimento fundamental para seu neg\u00f3cio. \u00c9 verdade tamb\u00e9m que pequenas editoras eventualmente n\u00e3o possuem capital suficiente para adquirir e analisar essas informa\u00e7\u00f5es. E partem para as lamenta\u00e7\u00f5es, e n\u00e3o para a busca de solu\u00e7\u00f5es. \u201cAs livrarias pequenas tamb\u00e9m podem explorar mais a\u00e7\u00f5es conjuntas atrav\u00e9s de suas entidades de classe como ANL e AEL\/RJ para, por exemplo, compartilharem melhores pr\u00e1ticas comerciais e de gest\u00e3o, uma vez que grande parte das livrarias independentes n\u00e3o concorre entre si. <em>A aquisi\u00e7\u00e3o de insumos, servi\u00e7os, e at\u00e9 mesmo treinamento da equipe de vendedores poderiam ser realizados de forma coletiva. Os sistemas utilizados pelas livrarias tamb\u00e9m poderiam ser comprados de forma unificada<\/em> (grifo meu. FL)\u201d. Parece \u00f3bvio, mas quem vive o dia-a-dia da institui\u00e7\u00f5es do livro sabe o quanto isso \u00e9 dif\u00edcil.<\/p>\n<p>Ainda sobre as livrarias: \u201cAs grandes redes de livrarias (f\u00edsicas e virtuais) tamb\u00e9m disp\u00f5em de maior capacidade em termos de espa\u00e7o e pontos de venda para viabilizar essas \u201capostas\u201d de lan\u00e7amento [&#8230;] Muitas delas desenvolveram sistemas pr\u00f3prios de distribui\u00e7\u00e3o que lhes permitem maior capilaridade, cobertura geogr\u00e1fica e controle sobre a disponibilidade de livros f\u00edsicos.\u201d (p. 123).<\/p>\n<p>Aqui, na minha opini\u00e3o, o autor superestima a capacidade gerencial das redes e seus sistemas de gerenciamento de informa\u00e7\u00f5es. Os investimentos em sistemas se dirigem muito mais para a seguran\u00e7a nas opera\u00e7\u00f5es de venda do que no gerenciamento. As redes, na verdade, abriram espa\u00e7os para a comercializa\u00e7\u00e3o de seus espa\u00e7os privilegiados. Dessa maneira, acabam \u00e9 reatroalimentando as defici\u00eancias das editoras, porque tamb\u00e9m n\u00e3o exigem qualidade gerencial. Esse aspecto fica particularmente evidente na observa\u00e7\u00e3o das funcionalidades dos sites das grandes livrarias e cadeias. S\u00f3 se acha algum t\u00edtulo se j\u00e1 se sabe o que se procura. N\u00e3o h\u00e1 busca eficiente por palavras-chaves e categorias. O curioso \u00e9 que algumas dessas grandes livrarias, hoje redes de prest\u00edgio, cresceram no per\u00edodo pr\u00e9-inform\u00e1tica exatamente na busca de clientes, com ofertas levadas aos locais de trabalho dos lan\u00e7amentos de cada \u00e1rea. Essa busca de desenvolver e cultivar clientes n\u00e3o foi acompanhada com mecanismos de busca e gerenciamento de ofertas. A Amazon, particularmente, d\u00e1 uma surra em todas elas nessa \u00e1rea. Mas, mesmo na administra\u00e7\u00e3o do estoque f\u00edsico das lojas, o que se observa \u00e9 uma desaten\u00e7\u00e3o crescente para o aspecto curatorial na sele\u00e7\u00e3o dos t\u00edtulos presentes, e a pesquisa sugere que, principalmente para as pequenas livrarias, esse aspecto e o fortalecimento da livraria como \u201cespa\u00e7o cultural\u201d s\u00e3o fundamentais para sua sobreviv\u00eancia.&#8221;<\/p>\n<p>A pesquisa volta uma e outra vez \u00e0 import\u00e2ncia do estabelecimento de sistemas de avalia\u00e7\u00e3o e gerenciamento. \u201cAs editoras n\u00e3o costumam empreender buscas para entender porque parte significativa de seus lan\u00e7amentos n\u00e3o foi economicamente rent\u00e1vel ou porque determinados t\u00edtulos se tornaram um sucesso retumbante. [&#8230;] sem uma rotina sistem\u00e1tica de avalia\u00e7\u00e3o, as justificativas para o \u201cfracasso\u201d de alguns t\u00edtulos se resumem a explica\u00e7\u00f5es gen\u00e9ricas. [&#8230;] O mesmo acontece quando um livro \u00e9 um sucesso em termos de vendas\u201d. Na verdade, a precariedade dos sistemas da maioria das editoras \u00e9 tal que \u00e0s vezes n\u00e3o conseguem nem selecionar adequadamente t\u00edtulos com temas similares para participar de programas espec\u00edficos ou desenvolver sistemas de oferta (\u201cQuem comprou esse livro tamb\u00e9m comprou&#8230;.\u201d).<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao livro eletr\u00f4nico e ao desenvolvimento da impress\u00e3o sob demanda, o estudo avan\u00e7a pouco, e as avalia\u00e7\u00f5es s\u00e3o parciais. Assinala que as editoras mantiveram (ou ainda mantem?) atitudes muito t\u00edmidas em rela\u00e7\u00e3o ao livro eletr\u00f4nico, e assinala o receio de que aumente a pirataria. A sobreviv\u00eancia das pequenas livrarias e sua presen\u00e7a no mundo digital s\u00e3o tratadas de forma ligeira. Na verdade, o autor sugere que as pequenas livrarias n\u00e3o t\u00eam chance de competir no livro digital e deveriam se concentrar no cultivo do mercado circunvizinho e no fortalecimento da a\u00e7\u00e3o cultural dentro de seus espa\u00e7os.<\/p>\n<p>A impress\u00e3o sob demanda passa tamb\u00e9m por esse mesmo tipo de avalia\u00e7\u00e3o: o processo tecnol\u00f3gico permite eventualmente o aumento da contrafa\u00e7\u00e3o. Assinala a import\u00e2ncia da impress\u00e3o sob demanda para recolocar em circula\u00e7\u00e3o t\u00edtulos que n\u00e3o mais comportam tiragens em m\u00e1quinas planas ou rotativas, mas passa longe de compreender ou antever as imensas potencialidades log\u00edsticas que a impress\u00e3o sob demanda pode proporcionar para a IELB.<\/p>\n<p>Os temas e observa\u00e7\u00f5es da pesquisa ainda nos levariam muito mais longe. Mas \u00e9 importante destacar uma observa\u00e7\u00e3o sobre os programas de compras governamentais. Leonardo Fonseca destaca corretamente a import\u00e2ncia crescente, do ponto de vista econ\u00f4mico e financeiro, desses programas. E afirma que deixam as editoras em uma situa\u00e7\u00e3o confort\u00e1vel e diminui o impulso pela busca de amplia\u00e7\u00e3o de mercado. \u00c9 uma verdade, mas parcial, e revela, de certa maneira, as limita\u00e7\u00f5es da abordagem \u201cadministrativa\u201d do trabalho. As compras governamentais hoje, s\u00e3o decorrentes de uma demanda social fort\u00edssima, vinculada inclusive \u00e0 exig\u00eancia de melhoria na qualidade da educa\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o simplesmente o resultado de press\u00e3o e demanda dos editores. Como nada \u00e9 eterno, esses programas podem sofrer retrocessos, mas a sua continuidade est\u00e1 muito mais garantida pelas exig\u00eancias sociais dos usu\u00e1rios do sistema de educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica do que \u00e0 press\u00e3o dos editores. Assim, a busca pela amplia\u00e7\u00e3o do mercado n\u00e3o-governamental deve ser vista no contexto de aproveitamento m\u00e1ximo das possibilidades do mercado potencial.<\/p>\n<p>Enfim, como j\u00e1 disse, muitos outros temas e percep\u00e7\u00f5es s\u00e3o vislumbrados pela pesquisa. Nem sempre concordo com as conclus\u00f5es, mas, no seu conjunto, trata-se de importante e valiosa contribui\u00e7\u00e3o para o entendimento da ind\u00fastria editorial brasileira. Pode \u2013 inclusive com o fortalecimento dessa vis\u00e3o \u201cgerencial-administrativa\u201d dos problemas, motivar e orientar editores, distribuidores e livreiros para enfrentar seus desafios e continuar crescendo sem algumas das distor\u00e7\u00f5es e defici\u00eancias detectadas.<\/p>\n<p>No entanto, cabe uma palavra final sobre a pr\u00f3pria capacidade da IELB de investir em forma\u00e7\u00e3o, conhecimento e m\u00e9todos. O car\u00e1ter in\u00e9dito da pesquisa, sua excepcionalidade na abordagem a partir das quest\u00f5es de administra\u00e7\u00e3o de empresas, revela que a ind\u00fastria editorial brasileira est\u00e1 longe de compreender a import\u00e2ncia de manter esse tipo de atividade de forma sistem\u00e1tica. O exemplo mais evidente de uma maneira proativa e sistem\u00e1tica de enfrentar os desafios da ind\u00fastria editorial, para mim, \u00e9 o BISG \u2013 Book Industry Study Group, mantido pelos editores dos EUA. O BISG n\u00e3o apenas desenvolve pesquisas sistem\u00e1ticas e continuadas, como tamb\u00e9m estabelece padr\u00f5es \u2013 O ONIX, por exemplo e, mais recentemente, o \u201cThema\u201d, sistema de metadados de assuntos que j\u00e1 conta com a participa\u00e7\u00e3o de <a href=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=2217#more-2217\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Foxisdoproblema.com.br%2F%3Fp%3D2217%23more-2217','doze+pa%C3%ADses')\">doze pa\u00edses<\/a> em sua elabora\u00e7\u00e3o (o Brasil est\u00e1 fora) \u2013 assim como a edi\u00e7\u00e3o de manuais das \u201cmelhores pr\u00e1ticas\u201d em v\u00e1rias \u00e1reas. Na Europa tamb\u00e9m existem experi\u00eancias similares (de iniciativa da ind\u00fastria ou sob responsabilidade estatal, como na Fran\u00e7a), mas no Brasil pouco se faz, al\u00e9m da pesquisa sobre produ\u00e7\u00e3o (CBL\/SNEL, hoje executada pela FIPE e sobre a qual j\u00e1 manifestei aqui v\u00e1rias restri\u00e7\u00f5es) e o \u201cRetrato da leitura no Brasil\u201d, que teve uma primeira edi\u00e7\u00e3o em 2000 feita pela CBL, patrocinada pela Bracelpa, e mais duas sob a responsabilidade do Instituto Pr\u00f3-Livro. Importantes, mas insuficientes.<\/p>\n<p>Como o estudo foi o primeiro, quem sabe conseguiremos chegar a algo semelhante?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Sindicato Nacional de Editores de Livros \u2013 SNEL, divulgou pesquisa fruto de bolsa de estudo financiada pela entidade junto ao Instituto Coppead de Administra\u00e7\u00e3o. Esse apoio resultou em uma tese de mestrado, de autoria de Leonardo Bastos da Fonseca, \u201cCrescimento da Ind\u00fastria Editorial de Livros do Brasil e seus Desafios\u201d, orientado pela professora Denise &hellip; <a href=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=2339\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Foxisdoproblema.com.br%2F%3Fp%3D2339','Continue+lendo+SNEL+DIVULGA+PESQUISA+SOBRE+MERCADO+EDITORIAL+%26%238211%3B+%C3%93TIMA+INICIATIVA+%26rarr%3B')\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">SNEL DIVULGA PESQUISA SOBRE MERCADO EDITORIAL &#8211; \u00d3TIMA INICIATIVA<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[178],"tags":[599,600,55],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2339"}],"collection":[{"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2339"}],"version-history":[{"count":5,"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2339\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2345,"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2339\/revisions\/2345"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2339"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2339"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2339"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}