{"id":232,"date":"2011-08-09T14:02:59","date_gmt":"2011-08-09T17:02:59","guid":{"rendered":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/blog\/?p=232"},"modified":"2011-08-09T14:02:59","modified_gmt":"2011-08-09T17:02:59","slug":"feiras-internacionais-vale-a-pena-ser-pais-tema","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=232","title":{"rendered":"Feiras Internacionais &#8211; vale a pena ser pa\u00eds-tema?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/blog\/?attachment_id=233\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Foxisdoproblema.com.br%2Fblog%2F%3Fattachment_id%3D233','Capturar')\" rel=\"attachment wp-att-233\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/Capturar2.jpg\" alt=\"\" title=\"Capturar\" width=\"1003\" height=\"387\" class=\"aligncenter size-full wp-image-233\" srcset=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/Capturar2.jpg 1003w, http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/Capturar2-300x115.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 1003px) 100vw, 1003px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Sabendo do meu envolvimento com a presen\u00e7a internacional da literatura brasileira, amigos meus j\u00e1 perguntaram para que serve essa hist\u00f3ria de ser \u201cpa\u00eds convidado\u201d ou \u201ctema central\u201d de feiras internacionais. Com a pr\u00f3xima reapresenta\u00e7\u00e3o do Brasil como tema em Frankfurt, em 2013, vale a pena pensar um pouco a respeito.<br \/>\nComo j\u00e1 escrevi neste blog, o inventor desses \u201ctemas centrais\u201d em feiras do livro foi Peter Weidhaas que, durante vinte e cinco anos, foi o diretor da Feira do Livro de Frankfurt, como resposta a uma demanda de que aquele evento n\u00e3o se restringisse a ser um amplificador do neg\u00f3cio de best-sellers e abordasse tamb\u00e9m temas relevantes no \u00e2mbito da discuss\u00e3o intelectual.<br \/>\n<!--more--><\/p>\n<p>Temas como \u2018Ano das Mulheres\u201d, \u201cLiteratura latino-americana\u201d,  \u201c\u00c1frica\u201d e outros foram se desenvolvendo em Frankfurt e, a partir de um certo momento, cada feira passou a ter um pa\u00eds como \u201cTema Focal\u201d a cada ano. O Brasil ocupou esse lugar em 1994 e o ocupar\u00e1 novamente em 2013.<br \/>\nAl\u00e9m de Frankfurt, o Brasil j\u00e1 foi \u201ctema central\u201d das feiras de Livros de Bogot\u00e1, Paris e Guadalajara.<br \/>\nSer o pa\u00eds convidado para um evento desses implica em investimento por parte do homenageado. \u00c9 necess\u00e1rio ter um estande especial, geralmente muito maior que o normalmente ocupado pelas editoras; organizar a presen\u00e7a de um n\u00famero significativo de escritores, e tamb\u00e9m organizar eventos culturais relevantes, seja na \u00e1rea da pr\u00f3pria feira, na cidade e no pa\u00eds onde se \u00e9 homenageado.<br \/>\nO que justifica aceitar essa homenagem, para ir al\u00e9m do ufanismo?<br \/>\nDois fatores, na minha opini\u00e3o, podem justificar isso. Os dois n\u00e3o s\u00e3o excludentes, e sim complementares. O primeiro \u00e9 a amplia\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a dos autores brasileiros no exterior, com a venda de direitos autorais. O segundo \u00e9 inserir essas homenagens dentro do contexto da diplomacia cultural, o que remete o evento \u00e0 considera\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia do pa\u00eds que homenageia para os objetivos da pol\u00edtica exterior do Brasil.<br \/>\nA cultura \u2013 e o livro em particular \u2013 \u00e9 um instrumento valios\u00edssimo de pol\u00edtica cultural. A produ\u00e7\u00e3o intelectual do pa\u00eds, a proje\u00e7\u00e3o dos seus autores e os demais eventos culturais, abrem portas para outras dimens\u00f5es da pol\u00edtica externa: investimentos, com\u00e9rcio internacional, interesses geopol\u00edticos e econ\u00f4micos do pa\u00eds homenageado. Para citar um exemplo n\u00e3o brasileiro e bem extremo disso: a presen\u00e7a do Chile como pa\u00eds homenageado em Guadalajara se deu fortemente em torno dos vinhos e das frutas, itens fortes da pauta de exporta\u00e7\u00e3o daquele pa\u00eds e de consumo direto pela popula\u00e7\u00e3o (o cobre, outro ponto forte das exporta\u00e7\u00f5es chilenas, \u00e9 mat\u00e9ria prima e sua import\u00e2ncia \u00e9 conhecida apenas pelas ind\u00fastrias; o grande p\u00fablico n\u00e3o tem nada a ver com isso). Assim, a jun\u00e7\u00e3o de livros com vinhos e frutas criou um ambiente favor\u00e1vel para uma presen\u00e7a maior dos produtos chilenos na mesa dos mexicanos. Como o Chile j\u00e1 tem dois ganhadores do Pr\u00eamio Nobel de Literatura, brindes a Pablo Neruda e Gabriela Mistral foram muito bem vindos na ocasi\u00e3o.<br \/>\nDessa maneira, se bem organizados e estruturados, a presen\u00e7a como \u201cpa\u00eds homenageado\u201d rende efeitos culturais imediatos, mostrando os mais variados aspectos da nossa cultura no pa\u00eds da feira, e cria um ambiente prop\u00edcio para o desenvolvimento de outras a\u00e7\u00f5es de pol\u00edtica externa, tanto na \u00e1rea cultural como das rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f4micas.<br \/>\nNo \u00e2mbito da pol\u00edtica cultural, entretanto, existe uma condi\u00e7\u00e3o para que essa a\u00e7\u00e3o possa ter um efeito duradouro. \u00c9 que o pa\u00eds tenha uma pol\u00edtica cultural consistente, tanto para a\u00e7\u00f5es internas quanto internacionais. Caso contr\u00e1rio, os efeitos dessas a\u00e7\u00f5es se desfazem muito rapidamente, sem que haja um \u201cretorno\u201d continuado que aproveite sistematicamente o esfor\u00e7o concentrado que foi feito.<br \/>\nInfelizmente, foi o que aconteceu nos exemplos mencionados das homenagens ao Brasil.<br \/>\nFoi feito um extraordin\u00e1rio esfor\u00e7o de difundir a melhor imagem poss\u00edvel do Brasil. Sem exageros \u2013 e falo particularmente de Frankfurt 1994 \u2013 foi mostrada aos alem\u00e3es a imagem da diversidade cultural do pa\u00eds, com a presen\u00e7a de muitas dezenas de autores, antes e durante a feira, e importantes exposi\u00e7\u00f5es de artes pl\u00e1sticas que, em v\u00e1rios casos, circularam por outras cidades da Alemanha e mesmo na Fran\u00e7a. (Sobre a pr\u00f3xima apresenta\u00e7\u00e3o do Brasil como pa\u00eds tema em Frankfurt, ali\u00e1s, farei uma s\u00e9rie de posts a partir da pr\u00f3xima semana, procurando tirar as li\u00e7\u00f5es do que foi feito para contribuir na defini\u00e7\u00e3o do que pode ser feito em 2013).<br \/>\nO esfor\u00e7o rendeu tradu\u00e7\u00f5es de livros, tanto de autores j\u00e1 traduzidos como de novos representantes da literatura brasileira, centenas de cent\u00edmetros\/colunas de not\u00edcias nos principais jornais europeus, n\u00e3o apenas nos alem\u00e3es, e a cria\u00e7\u00e3o de um extraordin\u00e1rio ambiente de admira\u00e7\u00e3o e boa vontade para com o Brasil.<br \/>\nMas esse esfor\u00e7o n\u00e3o teve continuidade.<br \/>\nO programa de apoio \u00e0s tradu\u00e7\u00f5es, como j\u00e1 disse em outro momento, viveu anos em \u201csolu\u00e7o\u201d: um ano tinha, outro n\u00e3o, outro talvez. O Itamaraty reduziu drasticamente o n\u00famero e as a\u00e7\u00f5es dos CEBs \u2013 os Centros de Estudos Brasileiros \u2013 que eram o principal instrumento da a\u00e7\u00e3o cultural brasileira no exterior. E o Minist\u00e9rio da Cultura fez pouqu\u00edssimas a\u00e7\u00f5es no per\u00edodo 1996\/2002. Depois de 1994, o MinC n\u00e3o retomou o programa de c\u00e1tedras de ensino de literatura que existia anteriormente, e s\u00f3 este ano deu impulso decisivo ao programa de apoio \u00e0s tradu\u00e7\u00f5es. O Itamaraty, por sua vez, continua sem dar o devido impulso aos CEBs que sobreviveram, depois de ter fechado v\u00e1rios deles.<br \/>\n\u00c9 claro que sempre sobram resqu\u00edcios positivos desses grandes eventos, aos que se somam, hoje, os efeitos da maior proje\u00e7\u00e3o do pa\u00eds no \u00e2mbito internacional. Mas \u00e9 necess\u00e1rio, definitivamente, ultrapassar a s\u00edndrome do grande evento e ter pol\u00edticas p\u00fablicas permanentes para a proje\u00e7\u00e3o da cultura brasileira no exterior. Vide a import\u00e2ncia que tem o Instituto Goethe, a Alliance Fran\u00e7aise, o Instituto Cervantes, o Instituto Cam\u00f5es e o Instituto Italiano de Cultura na pol\u00edtica exterior dos respectivos pa\u00edses.<br \/>\nEm resumo, ser \u201cpa\u00eds tema\u201d de grandes eventos \u00e9 algo excelente \u2013 se tivermos pol\u00edticas p\u00fablicas consistentes e com continuidade para dar seguimento \u00e0s a\u00e7\u00f5es e a coisa n\u00e3o se reduzir \u00e0 festa, sempre boa, mas ef\u00eamera.<br \/>\nUm evento n\u00e3o \u00e9 pol\u00edtica p\u00fablica, mas aproveitar de um grande evento para desenvolv\u00ea-las \u00e9 saber aproveitar as oportunidades, o que vale para feiras de livro, copas de futebol e olimp\u00edadas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sabendo do meu envolvimento com a presen\u00e7a internacional da literatura brasileira, amigos meus j\u00e1 perguntaram para que serve essa hist\u00f3ria de ser \u201cpa\u00eds convidado\u201d ou \u201ctema central\u201d de feiras internacionais. 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