{"id":2315,"date":"2014-05-06T12:44:13","date_gmt":"2014-05-06T15:44:13","guid":{"rendered":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=2315"},"modified":"2014-05-06T12:44:13","modified_gmt":"2014-05-06T15:44:13","slug":"as-livrarias-querem-se-atualizar","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=2315","title":{"rendered":"AS LIVRARIAS QUEREM SE ATUALIZAR?"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Capturar.jpg\" alt=\"Capturar\" width=\"864\" height=\"515\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2316\" srcset=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Capturar.jpg 864w, http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Capturar-300x178.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 864px) 100vw, 864px\" \/><\/p>\n<p>Mat\u00e9ria publicada nesta segunda-feira no <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www.estadao.com.br\/noticias\/impresso,sob-pressao-livrarias-reinventam-seu-negocio,1162315,0.htm');\"  href=\"http:\/\/www.estadao.com.br\/noticias\/impresso,sob-pressao-livrarias-reinventam-seu-negocio,1162315,0.htm\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fwww.estadao.com.br%2Fnoticias%2Fimpresso%2Csob-pressao-livrarias-reinventam-seu-negocio%2C1162315%2C0.htm','Estado+de+S.+Paulo')\" target=\"_blank\">Estado de S. Paulo<\/a> relata que as grandes livrarias (no caso, as paulistanas Cultura, Saraiva e Livraria da Vila) est\u00e3o desenvolvendo um esfor\u00e7o especial para a melhoria de suas opera\u00e7\u00f5es na internet, em detrimento da expans\u00e3o da rede f\u00edsica.<\/p>\n<p>Vamos tentar ver isso mais de perto.<\/p>\n<p>Quando a Amazon foi lan\u00e7ada, anunciava-se como a maior livraria do mundo, disponibilizando mais de um milh\u00e3o de t\u00edtulos. Certamente n\u00e3o tinha nada disso em seu estoque. Jeff Bezos constatou o \u00f3bvio: as livrarias podem trabalhar com o estoque das editoras, que lhes d\u00e3o prazo e o desconto que proporciona a margem.<\/p>\n<p>S\u00f3 que, no caso das livrarias f\u00edsicas, o livreiro deve sempre fazer o balan\u00e7o entre os t\u00edtulos que vendem com mais rapidez, os best-sellers, e uma sele\u00e7\u00e3o, dentro do milh\u00e3o de t\u00edtulos dispon\u00edveis nos cat\u00e1logos das editoras, daqueles que acham que pode dar a \u201ccara\u201d da loja. E a\u00ed, sim, montar o sortimento da livraria, seu estoque.<\/p>\n<p>A Amazon n\u00e3o precisava disso. O investimento foi dirigido basicamente para permitir que os clientes achassem os livros que desejavam no meio da cornuc\u00f3pia de t\u00edtulos oferecidos. O resto \u00e9 hist\u00f3ria. At\u00e9 hoje a Amazon s\u00f3 mantem em seus centros de distribui\u00e7\u00e3o a quantidade de t\u00edtulos que seus c\u00e1lculos determinam que podem ser vendidos no per\u00edodo que vai entre o pedido do comprador e a entrega do exemplar pela distribuidora ou pela editora.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>O investimento continua sendo, em grande medida, na Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o que permite o aperfei\u00e7oamento desse processo. De fato, a Amazon for\u00e7ou o mercado editorial a pensar em algo que j\u00e1 existia: os metadados. Antes limitados ao t\u00edtulo, autor e ISBN, basicamente, e as bibliotec\u00e1rias se preocupavam com seus processos de classifica\u00e7\u00e3o e cataloga\u00e7\u00e3o pr\u00f3prios, que vem desde o Dewey.<\/p>\n<p>No entanto, a percep\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia da informa\u00e7\u00e3o sistematicamente colocada, desenvolvida e disponibilizada na Internet ainda \u00e9 muito desigual. <\/p>\n<p>Nos \u00faltimos meses percebi uma quantidade de iniciativas relacionadas com o assunto: cursos b\u00e1sicos sobre metadados, t\u00e9cnicas para fazer o fundo de cat\u00e1logo reviver, semin\u00e1rios e cursos diversos sobre esses temas. A maioria absoluta nos EUA. Por aqui, pouca coisa.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que, nas tr\u00eas redes citadas, os mecanismos de busca s\u00e3o simplesmente p\u00e9ssimos. Faz dois anos fiz um <a href=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=1061\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Foxisdoproblema.com.br%2F%3Fp%3D1061','levantamento')\" target=\"_blank\">levantamento<\/a> sobre isso, que estou para refazer. Mas, nas vezes em que entrei nos sites dessas e de outras livrarias, pude perceber que o panorama n\u00e3o mudou: s\u00f3 se acha com facilidade quando o j\u00e1 sabe o que quer.<\/p>\n<p>O problema se manifesta de v\u00e1rias formas. As planilhas que as livrarias pedem que os editores enviem s\u00e3o ris\u00edveis pelo desprezo com que abrem o espa\u00e7o para os metadados. A tentativa de CBL de implementar o ONIX, atrav\u00e9s do Canal, at\u00e9 hoje n\u00e3o conseguiu deslanchar. A coisa s\u00f3 melhorou um pouco, na \u00e1rea dos e-books, com a entrada da Amazon e da Kobo, que abrem mais espa\u00e7o para isso. Entretanto, mesmo o site brasileiro da Amazon, est\u00e1 muito longe de ter a sofistica\u00e7\u00e3o dos mecanismos de busca do site da matriz. <\/p>\n<p>As editoras t\u00eam vendido mais exemplares dos livros f\u00edsicos atrav\u00e9s do com\u00e9rcio eletr\u00f4nico, n\u00e3o por virtude dos seus pr\u00f3prios sites, mas do Google, que facilita muito a busca dos eventuais compradores. Desse modo, as vendas atrav\u00e9s dos sites da Cultura, Saraiva, Submarino\/Lojas Americanas e os das outras redes cresceram de modo muito significativo. Nessa situa\u00e7\u00e3o, perdem realmente os que prestam um servi\u00e7o ruim, como a Fnac e a Livraria da Vila. Nesse \u00faltimo caso, Samuel Seibel repete, mais uma vez, uma autocr\u00edtica que vem fazendo h\u00e1 anos sobre seu site e que, at\u00e9 hoje, n\u00e3o conseguiu resolver. O site da sua livraria \u00e9 de chorar. E a Fnac, decididamente, \u00e9 a que tem o pior atendimento, prazos, descontos, etc.<\/p>\n<p>Mas, al\u00e9m das livrarias, os sites das editoras tamb\u00e9m deixam muito a desejar. \u00c9 dif\u00edcil, na maioria deles, selecionar por g\u00eaneros, temas ou palavras-chave, por exemplo. \u00c0s vezes \u00e9 at\u00e9 complicado achar um autor espec\u00edfico. <\/p>\n<p>Por isso mesmo, n\u00e3o se pode debitar apenas \u00e0s livrarias os problemas mencionados. E vale a pena tocar em mais duas quest\u00f5es.<\/p>\n<p>A primeira est\u00e1 relacionada com a autopublica\u00e7\u00e3o. Os autores que conseguiram sucesso com essa pr\u00e1tica, todos, tiveram um imenso trabalho de divulga\u00e7\u00e3o e intera\u00e7\u00e3o com os leitores atrav\u00e9s das redes sociais. Muitos s\u00f3 publicam o livro inteiro depois de disponibilizarem gratuitamente o processo de elabora\u00e7\u00e3o do livro, atraindo uma legi\u00e3o de seguidores.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, o mesmo acontece, muitas vezes, com os autores publicados por editoras formais, inclusive as grandes. Autores como St\u00e9phanie Meyer, por exemplo, constroem seu p\u00fablico atrav\u00e9s de um intenso trabalho na Internet.<\/p>\n<p>F\u00e1bio Malini, diretor do <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www.labic.net\/');\"  href=\"http:\/\/www.labic.net\/\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fwww.labic.net%2F','LABIC+%E2%80%93+Laborat%C3%B3rio+de+Estudos+sobre+Imagem+e+Cibercultura')\" target=\"_blank\">LABIC \u2013 Laborat\u00f3rio de Estudos sobre Imagem e Cibercultura<\/a> tem produzido excelentes estudos sobre os relacionamentos que se desenvolvem nas redes sociais e seus variados impactos. Um pr\u00f3ximo n\u00famero da <em>Revista Continuum<\/em>, do Ita\u00fa Cultural, trar\u00e1 um estudo sobre a import\u00e2ncia das redes sociais na difus\u00e3o de um grupo de autores.<\/p>\n<p>As grandes editoras \u2013 principalmente dos EUA \u2013 t\u00eam dedicado cada vez mais recursos ao processo de difus\u00e3o dos t\u00edtulos que consideram quentes atrav\u00e9s das redes sociais, com hot-sites e a\u00e7\u00f5es de divulga\u00e7\u00e3o intensa.<\/p>\n<p>Toda essa movimenta\u00e7\u00e3o destaca outra quest\u00e3o. Os custos relacionados com os mecanismos de descoberta dos t\u00edtulos na Internet crescem exponencialmente. O que se deixou de gastar com impress\u00e3o e log\u00edstica, em v\u00e1rios casos, j\u00e1 est\u00e1 sendo superado pelos gastos em marketing e divulga\u00e7\u00e3o na Internet. O que aumenta a discuss\u00e3o sobre os pre\u00e7os, particularmente dos e-books, para variar.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m relacionada com a quest\u00e3o dos mecanismos de descobrir t\u00edtulos est\u00e1 a quest\u00e3o da globaliza\u00e7\u00e3o do mercado editorial. Os brasileiros que moram no exterior t\u00eam, no livro eletr\u00f4nico, uma oportunidade de manter os la\u00e7os culturais com o pa\u00eds, e dar a seus filhos acesso aos livros brasileiros. Mas as dificuldades, nesse caso, s\u00e3o ainda maiores, pela falta de a\u00e7\u00f5es de divulga\u00e7\u00e3o dirigidas especificamente para esses mercados. Quem procura, de alguma maneira caba achando. Mas quem visita os sites de brasileiros no exterior nota claramente a aus\u00eancia de a\u00e7\u00f5es espec\u00edficas destinadas a esse p\u00fablico. Em alguns casos o que se v\u00ea \u00e9 o trabalho de formiga de alguns heroicos e dedicados internautas, que agem \u00e0s vezes como \u201ccuradores\u201d do acesso aos livros brasileiros pela Internet.<\/p>\n<p>Nesse caso, mais uma vez, as editoras em l\u00edngua inglesa se aproveitam da avassaladora for\u00e7a do idioma internacional para aumentar as vendas em outros mercados. J\u00e1 se discute, na Internet, a possibilidade das editoras originais promoverem elas mesmas a tradu\u00e7\u00e3o de t\u00edtulos e sua coloca\u00e7\u00e3o direta no mercado internacional, com a consequente diminui\u00e7\u00e3o do tempo entre a publica\u00e7\u00e3o original e a disponibiliza\u00e7\u00e3o de outras vers\u00f5es. Pessoalmente n\u00e3o acredito muito no sucesso disso, a menos que o segmento dos e-books ultrapasse decididamente o patamar atual de aproximadamente 20% do mercado americano e ingl\u00eas, e se aproxime ultrapasse os 50% de vendas nesse formato. Se, e enquanto isso n\u00e3o acontecer, ainda ser\u00e1 vantajoso deixar a comercializa\u00e7\u00e3o a cargo das editoras locais que adquirem os direitos.<\/p>\n<p>Os defeitos dos sites das livrarias brasileiras, curiosamente, s\u00e3o at\u00e9 diversificados. A Saraiva, por exemplo, aprendeu com a Amazon a inundar a caixa postal de quem se cadastrou no site. Mas o conte\u00fado das ofertas n\u00e3o tem nenhuma rela\u00e7\u00e3o com o que se comprou ou mesmo pesquisou anteriormente. S\u00f3 relatam as promo\u00e7\u00f5es do site. <\/p>\n<p>Na situa\u00e7\u00e3o atual, o an\u00fancio da Amazon sobre seu um milh\u00e3o de t\u00edtulos dispon\u00edveis soa at\u00e9 nost\u00e1lgico. Quantos milh\u00f5es de t\u00edtulos est\u00e3o dispon\u00edveis hoje na Internet?<\/p>\n<p>O propalado objetivo das redes de investir mais no com\u00e9rcio eletr\u00f4nico ter\u00e1 sentido se, al\u00e9m das quest\u00f5es de seguran\u00e7a das transa\u00e7\u00f5es, houver uma mudan\u00e7a radical de atitude em rela\u00e7\u00e3o aos mecanismos de buscas, que induza, inclusive, as editoras a serem mais ativas a esse respeito.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mat\u00e9ria publicada nesta segunda-feira no Estado de S. Paulo relata que as grandes livrarias (no caso, as paulistanas Cultura, Saraiva e Livraria da Vila) est\u00e3o desenvolvendo um esfor\u00e7o especial para a melhoria de suas opera\u00e7\u00f5es na internet, em detrimento da expans\u00e3o da rede f\u00edsica. Vamos tentar ver isso mais de perto. 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