{"id":2288,"date":"2014-03-31T15:42:13","date_gmt":"2014-03-31T18:42:13","guid":{"rendered":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=2288"},"modified":"2014-03-31T15:42:13","modified_gmt":"2014-03-31T18:42:13","slug":"um-abril-para-nao-esquecer","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=2288","title":{"rendered":"Um abril para n\u00e3o esquecer"},"content":{"rendered":"<p>Essa coisa dos anos \u201credondos\u201d \u00e0s vezes \u00e9 muito chata. Mas h\u00e1 momentos em que se torna important\u00edssimo lembrar de coisas, principalmente por aqui na Pindorama, com essa hist\u00f3ria de que se esquece tudo.<\/p>\n<p>Outro dia, na academia, meu instrutor, que \u00e9 um jovem a\u00ed dos trinta e poucos anos, acabou puxando pelo assunto da Ditadura. Acontece que eu tenho a coluna detonada, j\u00e1 operei uma h\u00e9rnia de disco e agora apareceu outra. Uma nutricionista irid\u00f3loga, C\u00e9lia Mara Melo Garcia, depois de me examinar, perguntou se, a\u00ed pelos meus vinte anos, eu havia sofrido uma queda, um \u201ctrauma forte\u201d. Respondi que sim, mas que n\u00e3o havia sido queda. Foi tortura, por eu ter sido preso pol\u00edtico precisamente entre os 21 e os 23 anos. Isso aparece na minha \u00edris, segundo ela, como um achatamento.<\/p>\n<p>Bom, contei essa hist\u00f3ria para o instrutor, e comentei que achava que pelo menos uma parte dos problemas da minha postura e de m\u00e1 articula\u00e7\u00e3o corporal vinham dessa \u00e9poca. Para que ele entendesse o que, talvez, fosse parte do meu problema e das dores que eventualmente aparecem. Bom, a aula inteira seguiu nessa toada, ele querendo saber detalhes n\u00e3o sobre minha vida, mas sobre a Ditadura. Claro que falei o que pude naquele tempo, e tenho certeza de que o assunto vai voltar.<\/p>\n<p>\u00c9 um exemplo da import\u00e2ncia da Comiss\u00e3o da Verdade e, a prop\u00f3sito, do tanto que o assunto apareceu na imprensa nesses dias. A maior parte da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds n\u00e3o viveu aqueles anos, ou era crian\u00e7a na \u00e9poca. \u00d3timo para eles n\u00e3o terem passado pelo que minha gera\u00e7\u00e3o sofreu.<\/p>\n<p>Foi bom n\u00e3o terem passado pelos sofrimentos, pelo medo, pela aliena\u00e7\u00e3o brutal do \u201cmilagre econ\u00f4mico\u201d e as ilus\u00f5es do Brasil Grande. Mas pena que tamb\u00e9m n\u00e3o tenham vivido a efervesc\u00eancia cultural, principalmente de 1968. Isso tamb\u00e9m merece ser lembrado, at\u00e9 para se entender o nojo que provocaram as atitudes de algumas pessoas que foram fant\u00e1sticas naquela \u00e9poca, e ano passado se uniram ao obscurantismo lavignesco. Mas isso, deixa pra l\u00e1.<br \/>\n<!--more--><br \/>\nMas para quem, como dizem os espanh\u00f3is, j\u00e1 estava \u201cvivito e coleante\u201d em 1964 e nos anos seguintes, o que aconteceu h\u00e1 cinquenta anos \u2013 meio s\u00e9culo \u2013 e nas d\u00e9cadas seguintes, \u00e9 algo que transcende a simples experi\u00eancia pessoal. <\/p>\n<p>Em 1964 eu tinha quatorze anos. Na minha casa pol\u00edtica sempre foi um assunto cotidiano, seguida, discutida e, de certa maneira, vivida. Nos anos seguintes, mais vivida ainda. Lembro de acompanhar as marchas do golpe pelo r\u00e1dio (como as passeatas das madames e o com\u00edcio do dia 13. Naquela \u00e9poca n\u00e3o havia TV em Manaus) e o ambiente de tens\u00e3o na cidade. O governo do Amazonas era do PTB e legalista, mas toda a reculhamba das for\u00e7as armadas que havia participado das quarteladas de Aragar\u00e7as e Jacareacanga estava servindo na Amaz\u00f4nia. O fato \u00e9 que o Pl\u00ednio Coelho, o governador, sobreviveu \u00e0s primeiras ondas de cassa\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>Mas, em junho, fei assistir ao Festival Folcl\u00f3rico, que acontecia em um campo diante do quartel do BC, a principal guarni\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito na cidade. L\u00e1 pelas tantas, come\u00e7ou o discurso do governador. Era de despedida.<\/p>\n<p>Foi o que comentei com meu pai quando voltei para casa. Ele estava na cal\u00e7ada, conversando com vizinhos e me viu, ao longe, fumando um cigarrinho enquanto subia a ladeira. Joguei o cigarro fora, mas quando cheguei, ele me disse que n\u00e3o se importava que eu fumasse. Respondi que o Pl\u00ednio havia sido cassado e se despediu l\u00e1 no Festival. \u201cMas ainda n\u00e3o saiu no r\u00e1dio!\u201d. Meia hora mais tarde, na Voz do Brasil, era anunciada a cassa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Meses depois eu j\u00e1 estava envolvido com o PCB, que era a \u00fanica organiza\u00e7\u00e3o de esquerda na cidade, que teve alguns de seus principais dirigentes presos logo depois do golpe, mas se rearticulou facilmente. Discutiam-se os documentos do chamado VI Congresso do PCB. Ora, o Partid\u00e3o alegava que Jango havia sido fraco, mas todo mundo sabia que existia o tal \u201cdispositivo militar\u201d que fora montado por militares ligados ou influenciados pelo PCB. Uma contradi\u00e7\u00e3o dif\u00edcil de explicar e de engolir para quem queria saber o que se podia fazer para acabar com a ditadura rec\u00e9m implantada. <\/p>\n<p>Nem vou tratar aqui de como minhas posi\u00e7\u00f5es foram se radicalizando. Quatro anos depois eu entrava na UnB, para estudar Antropologia. A inspira\u00e7\u00e3o j\u00e1 vinha de Nunes Pereira, Eduardo Galv\u00e3o e Darcy Ribeiro. Achava que era o melhor meio de conhecer o Brasil.<\/p>\n<p>Com essas cambalhotas que damos na vida, logo no primeiro semestre comecei a trabalhar na sucursal de Bras\u00edlia do Estad\u00e3o, contratado pelo Evandro Carlos de Andrade. E conheci a mulher que vai se tornar o ponto central da minha vida. Maria Jos\u00e9 Silveira era rep\u00f3rter do concorrente, o JB. Tamb\u00e9m estava na UnB. Em certo momento \u00e9ramos, os dois, setoristas dos Minist\u00e9rios do Ex\u00e9rcito, Marinha e Aeron\u00e1utica. De manh\u00e3, universidade, assembleias, pol\u00edtica. \u00c0 tarde, ouvir as diatribes dos milicos. \u00c0 noite, reuni\u00f5es, picha\u00e7\u00f5es, Clube de Cinema de Bras\u00edlia, barzinhos, namoro. No come\u00e7o de 1969, minha primeira pris\u00e3o, depois que participei de uma demonstra\u00e7\u00e3o contra o interventor da Marinha na UnB, o Azevedo. O engra\u00e7ado \u00e9 que eu evitei que dessem uma surra nele, argumentando com a multid\u00e3o que j\u00e1 o havia cercado. Mas fiquei identificado e \u00e0 tarde foram me pegar. Quinze dias, at\u00e9 que Rockefeller, que visitava o Brasil para \u201csolidificar a amizade Brasil-EUA\u201d passasse por Bras\u00edlia e fosse embora. N\u00e3o fui torturado na ocasi\u00e3o. Mas logo em seguida fui expulso da UnB, na primeira aplica\u00e7\u00e3o do rec\u00e9m editado Decreto 477, que facultava ao Ministro da Educa\u00e7\u00e3o a expuls\u00e3o sum\u00e1ria dos \u201csubversivos\u201d na universidade.<\/p>\n<p>Para encurtar uma longa hist\u00f3ria, estamos juntos, eu e Maria Jos\u00e9, desde 1969. Militamos, eu fui preso em 1971 e solto no final de 1972, e Maria Jos\u00e9 ficou clandestina fazendo trabalho de base no ABC. Ex\u00edlio no Peru, primeiro filho, Universidad de San Marcos e reencontro com a Antropologia, volta ao Brasil em 1976. Mestrado de Antropologia para mim no PPGAS da UFRJ, e de Ci\u00eancias Pol\u00edticas na USP para a Maria Jos\u00e9.<\/p>\n<p>Em 1981, a Marco Zero. J\u00e1 falei sobre a editora em outros momentos e contei toda essa hist\u00f3ria que j\u00e1 se faz longa para chegar ao depois, com a Maria Jos\u00e9 finalmente come\u00e7ando a cumprir o sonho pelo qual se preparou a vida inteira: ser escritora.<br \/>\nE essa hist\u00f3ria \u00e9 contada aqui por uma raz\u00e3o bem simples. O escritor \u2013 ali\u00e1s, todos os seres humanos \u2013 traz dentro de si a sua hist\u00f3ria pessoal vivida em um lugar e em um momento espec\u00edficos. Essa vida, no caso, deixa marcas indel\u00e9veis em tudo que fazemos. No caso da Maria Jos\u00e9, em sua literatura.<\/p>\n<p>N\u00e3o apenas na dela, \u00e9 claro. De todos, e a cada um segundo suas op\u00e7\u00f5es na hist\u00f3ria de suas vidas. Inclusive nas dos que, nos anos 1970, optaram pelo \u201cdesbunde\u201d, ou como diz (involuntariamente c\u00f4mico?) o Wisnik em cr\u00f4nica n\u2019O Globo, pela \u201cguerrilha existencial\u201d.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 dos romances da Maria Jos\u00e9 que quero falar aqui nesse \u201cmemorando\u201d dos cinquenta anos do golpe. Todos s\u00e3o marcados, profundamente marcados, por esse interesse pela pol\u00edtica e pela hist\u00f3ria. Laivos de autobiografia s\u00f3 aparecem, levemente, no primeiro cap\u00edtulo do <strong>Fantasma de Lu\u00eds Bu\u00f1uel<\/strong>, que conta a hist\u00f3ria de um grupo de amigos na UnB, apaixonados por cinema e pol\u00edtica, e especialmente pelo cineasta espanhol.<\/p>\n<p>O primeiro romance, <strong>A M\u00e3e de Sua M\u00e3e e Suas Filhas<\/strong>, publicado pela Globo em 2002, surgiu do conhecimento de uma pesquisa feita pela UFMG com o estudo do DNA mitrocondrial da popula\u00e7\u00e3o brasileira, mostrando que dois ter\u00e7os de n\u00f3s temos ascend\u00eancia materna de origem ind\u00edgena ou africana. O romance tenta mostrar como isso poderia acontecer, com uma genealogia que descreve as filhas de uma indiazinha que nasce no dia da chegada do Cabral e segue at\u00e9 a virada do mil\u00eanio. \u00cdndios, marinheiros, espanh\u00f3is, escravos, holandeses, todos v\u00e3o aparecendo na hist\u00f3ria de 22 gera\u00e7\u00f5es femininas, que vivem a saga da nossa hist\u00f3ria, da chegada dos portugueses, a coloniza\u00e7\u00e3o do sert\u00e3o, a independ\u00eancia, a rep\u00fablica, Bras\u00edlia e a ditadura. Nosso DNA \u00e9 uma bela salada. Resultado dos movimentos migrat\u00f3rios, das como\u00e7\u00f5es sociais e tamb\u00e9m pol\u00edticas do Brasil.<\/p>\n<p>O segundo romance, <strong>Eleanor Marx, filha de Karl<\/strong>, resulta de uma perplexidade. Eleanor, a filha mais nova de Marx, foi a \u00fanica delas realmente militante, e foi executora do testamento liter\u00e1rio do pai, juntamente com Engels. No entanto, se suicida com cianureto aos quarenta e poucos anos. Qual a raz\u00e3o disso? Desilus\u00e3o ao descobrir que casou com um canalha. Essa intersec\u00e7\u00e3o entre pol\u00edtica e desilus\u00e3o amorosa \u00e9 o eixo do romance. Quest\u00e3o de hoje.<\/p>\n<p><strong>O Fantasma de Lu\u00eds Bu\u00f1uel<\/strong> foi o terceiro \u2013 e o que mais me emociona at\u00e9 hoje. O grupo de amigos na UnB. A estrutura do romance foi sugerida por um trecho da autobiografia do cineasta, ditada ao Carri\u00e8re, <strong>Mon Dernier Soupir<\/strong>. No finalzinho, o espanhol diz que n\u00e3o se importa em morrer, mas que gostaria, a cada vez anos, de sair da tumba, ir at\u00e9 a banca de jornais mais pr\u00f3xima e olhar como andava o mundo. O primeiro cap\u00edtulo do romance da Maria Jos\u00e9 \u00e9 narrado pelo personagem que se despede da turma, conta sua inf\u00e2ncia misturada com a hist\u00f3ria da constru\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia, faz amor pela primeira e \u00fanica vez com a colega pela qual estava apaixonado, e parte para outro pa\u00eds para um treinamento de guerrilha. Segue-se a vis\u00e3o de Tonho, o homossexual enrustido ainda na universidade e que depois se realiza como artista pl\u00e1stico e acaba morrendo de AIDS. Dina, que acaba exilada no Chile, vive os horrores pinochetianos, termina ecologista e produz document\u00e1rios com Tadeu, o que queria ser cineasta, esmagado pela hist\u00f3ria de suas origens que n\u00e3o consegue superar e pela trag\u00e9dia do casamento com uma mulher rica da qual \u00e9 obrigado a se separar, e que finalmente se encontra como documentarista, trabalhando com aquela com quem sempre manteve uma rela\u00e7\u00e3o de admira\u00e7\u00e3o e rejei\u00e7\u00e3o. Depois, Esmeralda, \u201calheia, l\u00e1 no alto, no seu ar rarefeito, sempre na dela, Esmeralda, nossa Passion\u00e1ria Libert\u00e1ria, nossa Anita Garibaldi, nossa Krupskaya, nossa Madame Mao. Minha Anna Karina\u201d, diz Tadeu nas suas lembran\u00e7as. E um final realmente bu\u00f1uelesco inspirado diretamente no <strong>Cet Obscur Objet du D\u00e9sir<\/strong> (Antes, na Marco Zero, publicamos o livro de Pierre Lou\u00ffs, <strong>La Femme et le Pantin<\/strong>, que deu origem ao filme).<\/p>\n<p>\u00c9 um romance da nossa gera\u00e7\u00e3o, com os diferentes caminhos, impasses, trag\u00e9dias e fortunas.<\/p>\n<p><strong>Guerra no Cora\u00e7\u00e3o do Cerrado<\/strong> retoma, sob forma completamente diferente, alguns temas do primeiro romance. No caso, a presen\u00e7a do \u00edndio na nossa cultura. Mas, dessa vez, a hist\u00f3ria de Damiana, personagem hist\u00f3rico, desvenda a trag\u00e9dia das dificuldades da conviv\u00eancia entre as culturas, quando a dominante quer, a todo custo, fazer que a dominada mimetize seus valores e aceite passivamente a domina\u00e7\u00e3o. Tema que Darcy Ribeiro havia trabalhado, de modo diferente, em <strong>Ma\u00edra<\/strong>, em que mostra a impossibilidade real da convers\u00e3o sincera de um \u00edndio que deseja manter sua cultura e aceitar o catolicismo.<\/p>\n<p><strong>Com Esse \u00d3dio e com Esse Amor<\/strong>, parte para abordar ficcionalmente parte de nossa experi\u00eancia de ex\u00edlio e de pol\u00edtica. Uma engenheira brasileira vai trabalhar na Col\u00f4mbia na constru\u00e7\u00e3o de uma ponte, empregada por uma empreiteira brasileira. Acaba sequestrada pelas FARC, essa vetusta e ainda ativa guerrilha. A hist\u00f3ria \u00e9 entrela\u00e7ada com um roteiro que seu namorado colombiano est\u00e1 escrevendo, contando a hist\u00f3ria do T\u00fapac Amaru, o l\u00edder da grande revolta ind\u00edgena contra a domina\u00e7\u00e3o espanhola, a primeira nas Am\u00e9ricas. As liga\u00e7\u00f5es entre luta armada no presente e no passado, os dilemas e dramas da engenheira, \u00e9 que est\u00e3o entrela\u00e7ados no romance.<\/p>\n<p>O \u00faltimo romance, <strong>Pauliceia dos Mil Dentes<\/strong>, \u00e9 um retrato panor\u00e2mico com personagens que habitam a metr\u00f3pole onde, depois de muita ciganagem (Manaus, para mim, Goi\u00e2nia para a Zez\u00e9, Bras\u00edlia, Nova York e Paris tamb\u00e9m para a Zez\u00e9, Lima e Rio de Janeiro), decidimos morar. Somos, h\u00e1 quase trinta anos, paulistanos de cora\u00e7\u00e3o. A megal\u00f3pole contradit\u00f3ria, com personagens que se entrela\u00e7am sem saber como isso acontece, \u00e9 o personagem central desse \u00faltimo e bel\u00edssimo romance.<\/p>\n<p>Finalmente, para encerrar, a Maria Jos\u00e9 tem um livro de contos preparado, <strong>A Boa Vida<\/strong>, e alguns deles j\u00e1 apareceram em antologias. S\u00e3o contos que ficcionam a milit\u00e2ncia, o ex\u00edlio, a viol\u00eancia e a esperan\u00e7a desses \u00faltimos cinquenta anos. Em um deles, h\u00e1 esta passagem: <em>\u201cPega um livro que quer deixar \u00e0 m\u00e3o. Caso tenha clima, quer mostrar um artigo de John Elster para Olavo. Abre na p\u00e1gina marcada e l\u00ea um trecho: \u201cNo cora\u00e7\u00e3o do marxismo h\u00e1 uma concep\u00e7\u00e3o espec\u00edfica da boa vida\u201d. No lugar da ilus\u00e3o do consumo passivo, a alegria vem do objetivo conquistado pelo indiv\u00edduo com seus projetos no trabalho ou na luta pol\u00edtica. Sua felicidade pode-se dizer, vem disso. Da auto realiza\u00e7\u00e3o. Como quando ela se senta ao piano e consegue tocar como queria.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Sim. Apesar da Ditadura. Fomos felizes. Somos felizes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Essa coisa dos anos \u201credondos\u201d \u00e0s vezes \u00e9 muito chata. Mas h\u00e1 momentos em que se torna important\u00edssimo lembrar de coisas, principalmente por aqui na Pindorama, com essa hist\u00f3ria de que se esquece tudo. 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