{"id":228,"date":"2011-08-05T20:10:31","date_gmt":"2011-08-05T23:10:31","guid":{"rendered":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/blog\/?p=228"},"modified":"2011-08-06T13:59:43","modified_gmt":"2011-08-06T16:59:43","slug":"bienais-%e2%80%93-para-avancar-na-dicussao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=228","title":{"rendered":"BIENAIS \u2013 PARA AVAN\u00c7AR NA DISCUSS\u00c3O"},"content":{"rendered":"<p>Ao comentar o livro de Peter Weidhaas \u2013 \u201cSee You in Frankfurt!\u201d \u2013 assinalei como a resposta encontrada para as acusa\u00e7\u00f5es de que a Feira de Frankfurt s\u00f3 se preocupava com os best-sellers foi a de organiz\u00e1-la em torno de \u201cTemas\u201d. Primeiro foram temas mais gen\u00e9ricos: Ano da Mulher, Literatura Latino-americana, Livro Infantil, \u00c1frica. Depois vieram os pa\u00edses Tema, entre os quais o Brasil, em 1994, agora novamente convidado para 2013.<br \/>\nPor outro lado, no post do dia 8 de julho, comentando a FLIP, a Jornada de Passo Fundo e as feiras de livro em geral, mostrei como foram progressivamente implantados os eventos culturais em nossas feiras. Sem d\u00favida, essa din\u00e2mica representou um enorme avan\u00e7o diante do que existia at\u00e9 o final dos anos 90, quando os \u201ceventos paralelos\u201d nas Bienais do Livro se transformaram em Sal\u00e3o de Ideias (S. Paulo) e Caf\u00e9 Liter\u00e1rio (Rio de Janeiro), e como esses foram se multiplicando dentro dessas feiras e nas outras que foram surgindo Brasil afora.<br \/>\n<!--more--><\/p>\n<p>Quem acompanha de perto o mercado editorial sabe, entretanto, que o modelo das grandes bienais sofre muitas cr\u00edticas e apresenta sinais de esgotamento. Cr\u00edticas que partem principalmente de dois segmentos: as editoras de livros profissionais, t\u00e9cnico-cient\u00edficos, e tamb\u00e9m das editoras menores. Os primeiros reclamam que as bienais se tornaram \u201cpasseios alternativos \u00e0 ida a um shopping center ou \u00e0 praia\u201d, e os segundos \u2013 o das editoras menores \u2013 que se sentem perdidos diante do gigantismo dos estandes das principais editoras, que \u201csugam\u201d os frequentadores com a presen\u00e7a dos autores mais conhecidos. Esse tipo de reclama\u00e7\u00e3o aparece tamb\u00e9m no segmento de editoras religiosas, embora em menor grau, j\u00e1 que estas atraem um p\u00fablico espec\u00edfico para seus estandes.<br \/>\nEm uma palavra, reclama-se que as Bienais se transformaram em grandes m\u00e1quinas onde se amplifica o sucesso preexistente dos best-sellers, dos autores mais populares, etc. E isso apesar de hoje existir, nas duas grandes bienais, uma oferta muito significativa de discuss\u00f5es dos mais variados temas. Basta ver a excelente programa\u00e7\u00e3o apresentada pela pr\u00f3xima Bienal do Livro do Rio de Janeiro. Os \u201csal\u00f5es de ideias\u201d e \u201ccaf\u00e9s liter\u00e1rios\u201d segmentaram-se e proliferaram. Mas n\u00e3o eliminaram as queixas, como mostram as observa\u00e7\u00f5es de Raul Wassermann, editor da Summus, do segmento t\u00e9cnico-cient\u00edfico-profissional, que publiquei faz alguns dias.<br \/>\nGostaria de refletir com os leitores deste blog algumas alternativas e avan\u00e7ar nessa discuss\u00e3o.<br \/>\nQuero deixar claro, desde logo, que as feiras de livros s\u00e3o em princ\u00edpio locais de neg\u00f3cios: os editores querem ter a oportunidade de mostrar de modo concentrado sua produ\u00e7\u00e3o, inclusive porque esta passa muito rapidamente pelas livrarias. Sendo assim, nenhuma solu\u00e7\u00e3o \u2013 ou pseudo-solu\u00e7\u00e3o \u2013 que discrimine os best-sellers jamais ter\u00e1 sucesso. At\u00e9 porque discriminar os leitores desse tipo de livros refletiria um elitismo que n\u00e3o condiz com a ess\u00eancia mais fundamental da ind\u00fastria editorial, que \u00e9 a de apresentar na diversidade dos livros a diversidade do mundo real, e atender \u00e0s necessidades de todos os p\u00fablicos. Portanto, \u00e9 preciso respeitar tamb\u00e9m \u2013 e muito \u2013 os leitores de best-sellers.<br \/>\nPenso que o passo adiante para que as Bienais satisfa\u00e7am tamb\u00e9m ao p\u00fablico mais sofisticado passa de certo modo pela solu\u00e7\u00e3o encontrada por Weidhaas para Frankfurt: encontrar um modo de tornar as Bienais do Livro culturalmente relevantes, al\u00e9m de centro de neg\u00f3cios.<br \/>\nOs \u201csal\u00f5es de ideias\u201d e \u201ccaf\u00e9s liter\u00e1rios\u201d precisam continuar existindo e proliferando, \u00e9 claro. Mas seria importante que cada uma das feiras tivesse tamb\u00e9m um eixo agregador das discuss\u00f5es, e que esse fosse relevante para o p\u00fablico sofisticado que, de certa forma, sente-se hoje exclu\u00eddo desses eventos. Em uma palavra, instituir um Tema Focal em cada Bienal.<br \/>\nUma ideia exemplificadora pode tornar mais f\u00e1cil a compreens\u00e3o do conceito.<br \/>\nNos \u00faltimos anos tem se falado muito da chamada \u201cnova classe m\u00e9dia\u201d brasileira, que aumentou o consumo de todos os tipos de bens, inclusive de livros; a incorpora\u00e7\u00e3o de amplas camadas de consumidores, anteriormente exclu\u00eddas do consumo de bens que n\u00e3o fossem os da cesta b\u00e1sica.<br \/>\nPois bem, suponhamos que essa \u201cNova Classe M\u00e9dia\u201d fosse um \u201cTema Focal\u201d. Sem excluir a presen\u00e7a dos autores populares \u2013 afinal, quem consome as Talitas Rebou\u00e7as da vida se n\u00e3o esse segmento de classe m\u00e9dia ampliado? \u2013 pode-se estruturar uma s\u00e9rie de eventos e discuss\u00f5es que tentem entender esse fen\u00f4meno. Como a Avon se tornou um dos principais canais de distribui\u00e7\u00e3o de livros do pa\u00eds. Como os livros destinados ao aperfei\u00e7oamento profissional desse segmento vendem cada vez mais (como vender, como administrar, como montar pequenos neg\u00f3cios). Como o desenvolvimento de novos formatos de livros e de canais de comercializa\u00e7\u00e3o procura atender a esse segmento \u2013 Avon, livros de bolso, livros em bancas de jornais, etc. Como cresce o setor educacional com essa incorpora\u00e7\u00e3o de novos contingentes de universit\u00e1rios; os \u201csistemas de ensino\u201d, os cursos de idioma, etc, etc. etc.<br \/>\nEnfim, n\u00e3o quero dar receitas aqui.<br \/>\nPode se perguntar: essa discuss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 feita na universidade? Isso n\u00e3o \u00e9 tema de teses e estudos acad\u00eamicos?<br \/>\nO que respondo \u00e9 que sim. Mas em nenhuma universidade se teria a oportunidade de tratar esse assunto com a diversidade de abordagens que seria poss\u00edvel em uma grande feira de livros, com uma oferta de autores buscando leitores acad\u00eamicos e n\u00e3o acad\u00eamicos. E assim trazendo para as bienais um novo e qualificado contingente de frequentadores.<br \/>\nE, principalmente, fazendo que uma camada significativa de formadores de opini\u00e3o tivesse uma nova percep\u00e7\u00e3o sobre o significado e a import\u00e2ncia das grandes feiras de livros. Esse universo fascinante de ofertas de produtos culturais, multifacetados, com abordagens diferenciadas, procurando ampliar seu p\u00fablico, procurando satisfazer essa sede de conhecimento, informa\u00e7\u00e3o, divers\u00e3o e lazer que o mundo dos livros proporciona adquiriria mais uma camada de significado e poderia, no caso, satisfazer tamb\u00e9m um universo mais amplo de editoras. \u00c9 o conjunto delas, no final das contas, que pagam a conta e, se n\u00e3o tiverem retorno, v\u00e3o acabar desistindo de participar das bienais. E as editoras de best-sellers v\u00e3o querer bancar sozinhas essa conta?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao comentar o livro de Peter Weidhaas \u2013 \u201cSee You in Frankfurt!\u201d \u2013 assinalei como a resposta encontrada para as acusa\u00e7\u00f5es de que a Feira de Frankfurt s\u00f3 se preocupava com os best-sellers foi a de organiz\u00e1-la em torno de \u201cTemas\u201d. Primeiro foram temas mais gen\u00e9ricos: Ano da Mulher, Literatura Latino-americana, Livro Infantil, \u00c1frica. 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