{"id":2273,"date":"2014-03-18T13:15:43","date_gmt":"2014-03-18T16:15:43","guid":{"rendered":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=2273"},"modified":"2014-03-18T13:15:43","modified_gmt":"2014-03-18T16:15:43","slug":"fundo-de-catalogo-a-mina-a-ser-explorada","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=2273","title":{"rendered":"FUNDO DE CAT\u00c1LOGO: A MINA A SER EXPLORADA"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/Capturar.jpg\" alt=\"Capturar\" width=\"862\" height=\"471\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2274\" srcset=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/Capturar.jpg 862w, http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/Capturar-300x163.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 862px) 100vw, 862px\" \/><\/p>\n<p>O chamado \u201cfundo de cat\u00e1logo\u201d \u2013 os livros que v\u00e3o sendo editados no decorrer dos anos e continuam com contratos v\u00e1lidos \u2013 pode ser uma ben\u00e7\u00e3o ou uma maldi\u00e7\u00e3o para as editoras. Para certo tipo de editoras que desenvolvem seu cat\u00e1logo pensando em t\u00edtulos de vida longa, s\u00e3o muitas vezes a principal fonte de rendimentos. As b\u00edblias, por exemplo, fazem esse papel nas editoras religiosas crist\u00e3s. Certo tipo de manuais e publica\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas de car\u00e1ter universit\u00e1rio constituem a espinha dorsal de muitas editoras.<\/p>\n<p>Para outras, entretanto, o fundo de cat\u00e1logo pode se transformar em uma verdadeira amea\u00e7a \u00e0 sua sobreviv\u00eancia. Quando a editora erra o c\u00e1lculo e imprime uma quantidade muito grande de exemplares, o que poderia ser a bonan\u00e7a de um best-seller se transforma em encalhes e o bicho realmente pega. <\/p>\n<p>Mesmo sem caracterizar como encalhe, o fundo de cat\u00e1logo \u00e9 sempre um fator a ser administrado com muito cuidado pelas editoras. Isso porque os processos de impress\u00e3o tradicionais \u2013 ainda muito usados no Brasil, seja com m\u00e1quinas planas ou com rotativas \u2013 acabam sempre por resultar em uma sobra depois que a \u201cvida de prateleira\u201d do t\u00edtulo se esgota. Essa vida de prateleira \u00e9 o per\u00edodo logo ap\u00f3s os lan\u00e7amentos, quando os t\u00edtulos (principalmente das editoras de obras gerais) ainda encontram espa\u00e7o nas livrarias. Se calham de se transformar em best-seller, o problema se resume em administrar corretamente as reimpress\u00f5es. Inclusive a decis\u00e3o de reimprimir ou n\u00e3o, caso a tiragem se esgote.<br \/>\n<!--more--><br \/>\nSempre \u00e9 conveniente lembrar a observa\u00e7\u00e3o que o Gabriel Zaid faz em seu \u201cLivros Demais\u201d: cada t\u00edtulo lan\u00e7ado tem um p\u00fablico potencial de leitores (e poss\u00edveis compradores) definido. Mas sempre h\u00e1 que resolver dois problemas. O primeiro \u00e9 tentar adivinhar qual \u00e9 o tamanho desse p\u00fablico leitor potencial. O segundo \u00e9 fazer com que os livros cheguem a todos esses poss\u00edveis leitores.<\/p>\n<p>Como n\u00e3o se trata de ci\u00eancia \u2013 muit\u00edssimo pelo contr\u00e1rio \u2013 o mais comum \u00e9 que sempre sobre alguma quantidade de exemplares no estoque, mesmo que o t\u00edtulo n\u00e3o tenha dado preju\u00edzo.<\/p>\n<p>Suponhamos uma editora que publique, digamos, cinquenta t\u00edtulos por ano, e que de cada um desses acabe sobrando uma quantidade m\u00e9dia de duzentos exemplares. No final do ano, ser\u00e3o 10.000 exemplares no armaz\u00e9m, que podem levar muitos anos para serem escoados (quando o s\u00e3o). <\/p>\n<p>Al\u00e9m da amortiza\u00e7\u00e3o desses exemplares  se contabilizar como d\u00e9bito nas contas das editoras, continuam gerando custos: espa\u00e7o nos armaz\u00e9ns e administra\u00e7\u00e3o disso tudo. At\u00e9 o dia em que a sobra final \u00e9 vendida como saldo ou, pior, picotada e vendida como<br \/>\napara.<\/p>\n<p>Entretanto, n\u00e3o podemos nos esquecer que esses t\u00edtulos fazem parte da composi\u00e7\u00e3o da bibliodiversidade do pa\u00eds.<\/p>\n<p>O desenvolvimento da Internet tem contribu\u00eddo muito para minimizar esse problema . O livro some das livrarias, mas pode ser encontrado atrav\u00e9s de busca na rede, por algum leitor que saiba o t\u00edtulo, o autor ou a editora.<\/p>\n<p>Segundo a GfK, que acompanha as vendas com dados fornecidos automaticamente por livrarias e lojas online, uma m\u00e9dia de 73.400 ISBNs s\u00e3o adquiridos semanalmente no pais. Em 2012, o total de ISBNs que tiveram movimenta\u00e7\u00e3o de vendas foi de 215.500, de um total de 519.900 que est\u00e3o no banco de dados da empresa.<\/p>\n<p>Na minha estimativa (um chute mais ou menos informado), o total de livros dispon\u00edveis no cat\u00e1logo das editoras est\u00e1 por volta do meio milh\u00e3o de t\u00edtulos. Como a GfK contabiliza tamb\u00e9m vendas de livros estrangeiros importados, provavelmente ainda h\u00e1 uma quantidade de t\u00edtulos ausentes desse banco de dados, embora diminua  cada vez mais.<\/p>\n<p>Ora, em outro chute razoavelmente bem informado, estou seguro que os mais de setenta e tr\u00eas mil t\u00edtulos adquiridos semanalmente n\u00e3o est\u00e3o fisicamente presentes no estoque do conjunto das livrarias brasileiras. Ou seja, foram descobertos pelos leitores, que os encomendaram, atrav\u00e9s da Internet.<\/p>\n<p>Essa descoberta tem se dado por uma esp\u00e9cie de boca-a-boca cibern\u00e9tico. Blogs de literatura e outros, especializados, indicam para seus seguidores livros de interesse em cada \u00e1rea. Alguns programas de leitura cooperativa, como o Goodreads, tamb\u00e9m d\u00e3o dicas para os leitores de escolhas feitas por outros, interessados no mesmo assunto.<\/p>\n<p>Tudo isso, por\u00e9m, tem um ponto em comum: a atitude passiva das editoras. Os livros s\u00e3o achados por iniciativa dos leitores e de seus pares, e adquiridos pela Internet, que \u00e9 o caminho da encomenda de t\u00edtulos n\u00e3o fisicamente encontr\u00e1veis nas livrarias.<\/p>\n<p>Se o leitor, desavisado, entrar em um site das grandes cadeias de livrarias, s\u00f3 consegue encontrar um livro se souber o t\u00edtulo ou o nome do autor. Qualquer outra tentativa de busca por categorias \u00e9 extremamente frustrante. J\u00e1 escrevi sobre o assunto no post \u201c<a href=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=1061#more-1061\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Foxisdoproblema.com.br%2F%3Fp%3D1061%23more-1061','Como+editoras+e+livrarias+andam+%5Bmal%5Dtratando+seus+%5Bmeta%5Ddados+por+aqui')\" target=\"_blank\">Como editoras e livrarias andam [mal]tratando seus [meta]dados por aqui<\/a>\u201d . A situa\u00e7\u00e3o pode at\u00e9 ter melhorado um pouco desde essa publica\u00e7\u00e3o de maio de 2012, mas est\u00e1 longe de ser resolvida. Os instrumentos de organiza\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es, como o ONIX, continuam sendo pouco usados, e a inova\u00e7\u00e3o mais recente, a do \u201c<a href=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=2217\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Foxisdoproblema.com.br%2F%3Fp%3D2217','Thema')\" target=\"_blank\">Thema<\/a>\u201d, desenvolvida pelo EdiTeur, continua virtualmente desconhecida.<\/p>\n<p>Isso significa que o desenvolvimento das vendas do fundo de cat\u00e1logo praticamente se esgota na publica\u00e7\u00e3o dos cat\u00e1logos online. N\u00e3o existe um trabalho de marketing proativo de promo\u00e7\u00e3o desses t\u00edtulos, facilitando aos leitores a possibilidade de encontr\u00e1-los por temas e tags, que podem se multiplicar para cada livro, incluindo o conjunto dos assuntos tratados. \u00c9 verdade que algumas editoras j\u00e1 tratam o assunto com seriedade e t\u00eam respons\u00e1veis encarregados de desenvolver os metadados de cada t\u00edtulo, mas s\u00e3o exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O desenvolvimento da Amazon, com seu poderoso mecanismo de buscas (que, ali\u00e1s, funciona melhor no site dos EUA do que nos outros sites nacionais) representa, nesse sentido, uma faca de dois gumes: por um lado, a gigante facilita a busca de livros. Por outro, acumula cada vez mais dados sobre o comportamento dos leitores e compradores de livros e de todos os demais produtos que vende, o que lhe abre cada vez mais possibilidades estrat\u00e9gicas de ocupar espa\u00e7os editoriais, inclusive com a ajuda da autopublica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Recentemente, a <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/publishingperspectives.com\/2014\/03\/why-book-publishers-need-to-think-like-amazon\/');\"  href=\"http:\/\/publishingperspectives.com\/2014\/03\/why-book-publishers-need-to-think-like-amazon\/\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fpublishingperspectives.com%2F2014%2F03%2Fwhy-book-publishers-need-to-think-like-amazon%2F','Publishing+Perspectives')\" target=\"_blank\">Publishing Perspectives<\/a> publicou artigo de William Kingsland e Rakesh Satyal, no qual os autores nos d\u00e3o raz\u00f5es pelas quais as editoras deveriam \u201cpensar mais como a Amazon\u201d, e destacam o trabalho de desenvolvimento da marca da empresa, com \u00eanfase nas suas virtudes. E, dizem eles, as editoras deveriam mudar a \u00eanfase dos esfor\u00e7os de comercializa\u00e7\u00e3o a partir dos nomes dos grandes autores, e desenvolver processos de cria\u00e7\u00e3o e fortalecimento de suas marcas (branding), inclusive com sistemas de vendas diretas ao consumidor. \u201cA  maioria dos leitores \u2013 dizem eles \u2013 possui apenas um conhecimento superficial do que torna um selo liter\u00e1rio como a Knopf, da Random House, por exemplo, diferente de outro selo liter\u00e1rio como o Scribner, da Simon&#038;Schuster, ou mesmo de um selo mais comercial como o St. Martin\u2019s Press\u201d.<\/p>\n<p>De fato, na maioria dos casos, os livros das editoras dos EUA n\u00e3o mostram nem o seu logotipo na capa. Assim, dizem os dois (que trabalham na <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www.siegelgale.com\/');\"  href=\"http:\/\/www.siegelgale.com\/\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fwww.siegelgale.com%2F','Siegel%2BGale')\" target=\"_blank\">Siegel+Gale<\/a>, empresa de cria\u00e7\u00e3o, fortalecimento e administra\u00e7\u00e3o de marcas), as editoras deveriam, em vez de focar separadamente nos autores, como \u00e9 a estrat\u00e9gia tradicional de marketing, capitalizar \u201cseu principal ativo, que \u00e9 o conjunto de seus autores\u201d. Ou seja, sua marca.<\/p>\n<p>Penso que aqui no Brasil, de certo modo, avan\u00e7amos mais nesse sentido. H\u00e1 uma corrente de selos editoriais que, a cada momento, se destacam como \u201cselos de qualidade\u201d. Na minha adolesc\u00eancia, eu automaticamente procurava os lan\u00e7amentos da Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, por conta de afinidades pol\u00edticas, est\u00e9ticas e liter\u00e1rias. E antes dela houve a Jos\u00e9 Olympio, e depois a Brasiliense e a Companhia das Letras. Hoje, um selo como o Verus, da Record, atrai os leitores de fantasia, como os de Harlequin continuam atraindo as leitoras de romances \u00e1gua com a\u00e7\u00facar (papel que j\u00e1 foi ocupado por outros selos).<\/p>\n<p>Entretanto, faz-se necess\u00e1rio usar uma abordagem mais sistem\u00e1tica e definida, inclusive com o estabelecimento de v\u00e1rios selos dentro de cada editora (tend\u00eancia que j\u00e1 existe), mas focando os esfor\u00e7os de marketing na linha editorial e no conjunto desses autores. Na marca, em uma palavra.<\/p>\n<p>Mas, para isso, o melhor uso de metadados \u00e9 absolutamente fundamental, de modo que os leitores possam encontram esses selos com o uso de tags, palavras-chave, que estejam fortemente vinculados a essas linhas editoriais.<\/p>\n<p>O estado da situa\u00e7\u00e3o, entretanto, \u00e9 muito mais dram\u00e1tico, e a maioria das editoras ainda dependem de an\u00e1lise manual dos cat\u00e1logos para sele\u00e7\u00e3o de t\u00edtulos para programas espec\u00edficos de compras governamentais, como aconteceu com o PNBE da literatura ind\u00edgena, recentemente.<\/p>\n<p>Valeria a pena falar no efeito da escassez de espa\u00e7o na imprensa para com os autores \u201cn\u00e3o famosos\u201d, que quase nunca s\u00e3o resenhados, ou escolhidos para participar dos eventos liter\u00e1rios, como bem assinalou Pedro Almeida em sua coluna da semana passada no PublishNews. Mas isso j\u00e1 fica para outra ocasi\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O chamado \u201cfundo de cat\u00e1logo\u201d \u2013 os livros que v\u00e3o sendo editados no decorrer dos anos e continuam com contratos v\u00e1lidos \u2013 pode ser uma ben\u00e7\u00e3o ou uma maldi\u00e7\u00e3o para as editoras. Para certo tipo de editoras que desenvolvem seu cat\u00e1logo pensando em t\u00edtulos de vida longa, s\u00e3o muitas vezes a principal fonte de rendimentos. &hellip; <a href=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=2273\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Foxisdoproblema.com.br%2F%3Fp%3D2273','Continue+lendo+FUNDO+DE+CAT%C3%81LOGO%3A+A+MINA+A+SER+EXPLORADA+%26rarr%3B')\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">FUNDO DE CAT\u00c1LOGO: A MINA A SER EXPLORADA<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[178],"tags":[579,101,458],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2273"}],"collection":[{"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2273"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2273\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2275,"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2273\/revisions\/2275"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2273"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2273"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2273"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}