{"id":2217,"date":"2014-01-29T11:24:50","date_gmt":"2014-01-29T14:24:50","guid":{"rendered":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=2217"},"modified":"2014-01-29T11:24:50","modified_gmt":"2014-01-29T14:24:50","slug":"thema-a-nova-ferramenta-de-metadados","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=2217","title":{"rendered":"\u201cTHEMA\u201d A Nova Ferramenta de Metadados"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/Capturar1.jpg\" alt=\"Capturar\" width=\"852\" height=\"524\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2218\" srcset=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/Capturar1.jpg 852w, http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/Capturar1-300x184.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 852px) 100vw, 852px\" \/><\/p>\n<p>Os leitores de \u201cO Nome da Rosa\u201d, do Umberto Eco, podem lembrar que os crimes no mosteiro acontecem, no final das contas, em torno de um assunto aparentemente prosaico: a classifica\u00e7\u00e3o a ser dada ao suposto manuscrito de Arist\u00f3teles achado na biblioteca do convento. O suposto tratado sobre o riso seria obra filos\u00f3fica (no sentido dado \u00e0 palavra pela escol\u00e1stica), ou um texto demon\u00edaco que negava o cristianismo? Dessa classifica\u00e7\u00e3o dependeria o acesso ao manuscrito ou sua condena\u00e7\u00e3o ao \u201cinferno\u201d dos livros proibidos. Da disputa, surge a raz\u00e3o dos assassinatos.<\/p>\n<p>\tPor isso \u00e9 que \u00e0s vezes eu brinco, conversando com bibliotec\u00e1rios, que eles s\u00e3o capazes de assassinar em disputas sobre a classifica\u00e7\u00e3o. O estruturado sistema decimal usado nas bibliotecas abre espa\u00e7os para esse tipo de disputas (felizmente, rara vez resultando em assassinatos, mas muitas vezes em disputas acerbas entre os bibliotec\u00e1rios).<\/p>\n<p>\tO sistema decima serve muito bem aos sistemas de bibliotecas. Mas, para a ind\u00fastria editorial e para o com\u00e9rcio de livros resulta demasiadamente complicado. O assunto foi progressivamente sendo enfrentado pela ind\u00fastria. Primeiro veio o ISBN, um identificador un\u00edvoco de cada t\u00edtulo e edi\u00e7\u00e3o, Mas, se n\u00e3o se sabe qual o ISBN, as buscas devem utilizar algum outro metadado. Os mais comuns, certamente, s\u00e3o o t\u00edtulo e o nome do autor. Durante v\u00e1rias d\u00e9cadas isso funcionou bem para o mercado e foi incorporado nos sistemas de bibliotecas. Mecanismos com o protocolo Z.39.5 permitem que os computadores de diferentes bibliotecas \u201cconversem\u201d entre si a partir de fragmentos como esses, e importem\/exportem dados de classifica\u00e7\u00e3o cooperativa (nossa BN, infelizmente, n\u00e3o abre esse mecanismo. O sistema de bibliotecas das universidades paulistas abre, em parte).<br \/>\n<!--more--><br \/>\nMas a classifica\u00e7\u00e3o por \u201cassuntos\u201d do ISBN sempre foi muito frouxa e desregulada. Quando aconteceu o avan\u00e7o do com\u00e9rcio internacional de livros e particularmente o surgimento dos e-books, as defici\u00eancias dos mecanismos de busca por assunto revelaram de vez suas fragilidades. Da\u00ed que as entidades ligadas aos livros, em cada pa\u00eds (as que levam esses assuntos a s\u00e9rio, \u00e9 claro), come\u00e7aram a enfrentar o problema. O BISG \u2013 Book Industry Study Group, dos EUA, formulou o BISAC, os ingleses criaram o BIC, os franceses o CLIL e os alem\u00e3es o WGS. E come\u00e7aram os remendos, com gente armando esquemas para \u201ctraduzir\u201d as classifica\u00e7\u00f5es de um para o outro.  Isso sem falar na Amazon, que usa o BISAC, mas acrescenta um monte de outros metadados que lhe permite fazer listas de best-sellers extremamente segmentadas e tornar mais fluido seu mecanismo de buscas.<\/p>\n<p>\tNo meio do caminho apareceu o <strong>DOI \u2013 Digital Object Identifier<\/strong> e o cons\u00f3rcio EdiTeur. O EdiTeur \u00e9, digamos assim, o meta incentivador\/organizador de padr\u00f5es para a ind\u00fastria editorial. Praticamente tudo de relevante formatado em termos de padroniza\u00e7\u00e3o surgiu de iniciativas do grupo, embora a administra\u00e7\u00e3o de cada um deles logo tenha passado para \u00f3rg\u00e3os espec\u00edficos. O padr\u00e3o Epub \u00e9 administrado por um cons\u00f3rcio espec\u00edfico, assim como o ISBN possui um escrit\u00f3rio central sediado em Berlim. O <strong>ONIX (ON line Interface eXchange)<\/strong>, criado pelo BISG, tamb\u00e9m se integra a essa constela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\tGosto de citar o DOI porque acompanhei um tanto de perto as etapas finais de sua formula\u00e7\u00e3o, quando ainda trabalhava na CBL, e pela sua import\u00e2ncia nos sistemas de gerenciamento de direitos. O DOI permite que qualquer segmento de informa\u00e7\u00e3o digital, definido como tal pelo editor (de livros, de m\u00fasica, de filmes), receba um identificador \u00fanico. Assim, um livro inteiro pode ter um identificador, ou um cap\u00edtulo, ou uma ilustra\u00e7\u00e3o, ou um gr\u00e1fico, etc. Uma vez embutido, o DOI permite, em tese, que a circula\u00e7\u00e3o desse documento digital possa ser rastreado na Internet. O DOI, \u00e9 administrado pela DOI Foundation, e conta com a participa\u00e7\u00e3o dos mencionados segmentos de m\u00fasica e filmes. <\/p>\n<p>\tA mais recente iniciativa do EdiTeur \u00e9 o <strong>THEMA<\/strong>, um sistema internacional para classifica\u00e7\u00e3o de assuntos. O THEMA pretende incorporar progressivamente os demais sistemas de classifica\u00e7\u00e3o de assuntos, permitindo uma uniformiza\u00e7\u00e3o dos objetos de pesquisa.<\/p>\n<p>\tDurante a confer\u00eancia <em>Tools of Change<\/em> na edi\u00e7\u00e3o de 2012 da Feira de Frankfurt foi anunciado o projeto do THEMA, que imediatamente ganhou apoio das associa\u00e7\u00f5es de mais de doze pa\u00edses, tanto da Am\u00e9rica do Norte quanto da Europa. Logo se construiu um projeto piloto e uma proposta para a governan\u00e7a do sistema, que ficou adjudicado ao EdiTeur na \u00faltima Feira de Frankfurt, em 2013. Na ocasi\u00e3o tamb\u00e9m foi criado um comit\u00ea para dirigir o seu desenvolvimento, que dever\u00e1 se reunir durante as feiras de Londres e Frankfurt para acompanhar o projeto.<\/p>\n<p>\tA proposta do THEMA \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o de um sistema global de classifica\u00e7\u00e3o de assuntos, aplic\u00e1vel facilmente por todos os integrantes da cadeia de produ\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o de livros, com flexibilidade para permitir que cada mercado retenha suas especificidades culturais. Integrado ao ONIX, permitir\u00e1 o uso em m\u00faltiplas plataformas de comercializa\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o do livro.<\/p>\n<p>\tMas, afinal, como funciona esse tal de THEMA? O sistema estabelece uma hierarquia de assuntos, com vinte assuntos de n\u00edvel m\u00e1ximo, cada um dividido em quantas subcategorias forem necess\u00e1rias, cada uma dessas categorias inferiortes identificada por c\u00f3digos alfanum\u00e9ricos.  <\/p>\n<p>\tAs hierarquias maiores correspondem a uma letra. A, por exemplo, s\u00e3o as Artes. Da\u00ed em diante v\u00e3o se subdividindo: AB corresponde a Artes: assuntos gerais;  ABA vai para Artes \u2013 Teoria. E assim por diante. A chave, evidentemente, \u00e9 manter uniformes as categorias, na medida em que sejam formadas. <\/p>\n<p>\tA hierarquia implica que os livros devam ser classificados at\u00e9 o n\u00edvel de detalhe mais adequado, mas sempre relacionados com os n\u00edveis superiores. Por exemplo, um livro que entre na categoria AGA (Hist\u00f3ria da Arte) ser\u00e1 tamb\u00e9m automaticamente classificado nos n\u00edveis mais gerais \u2013 AG (Belas Artes: tratamentos e assuntos) e o A.<\/p>\n<p>\tO sistema permite tamb\u00e9m a combina\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias classifica\u00e7\u00f5es e o detalhamento por pa\u00edses, \u00e9poca hist\u00f3rica ou corrente art\u00edstica, idade poss\u00edvel de interesse para o livro e seja l\u00e1 mais que dado possa ser considerado relevante. Como os c\u00f3digos ser\u00e3o alfanum\u00e9ricos e constantes, os cabe\u00e7alhos podem ser traduzidos para qualquer idioma.<\/p>\n<p>\tEssa classifica\u00e7\u00e3o dever\u00e1 alterar tamb\u00e9m as categorias de assuntos das empresas de pesquisa de vendas, como a BookScan e a GfK. Cada uma delas usa crit\u00e9rios pr\u00f3prios para divis\u00e3o de assuntos, o que certamente dificulta a compara\u00e7\u00e3o de dados entre os v\u00e1rios pa\u00edses.<\/p>\n<p>\tA atribui\u00e7\u00e3o dos c\u00f3digos de classifica\u00e7\u00e3o \u00e9 feita pelos editores, que devem atentar para que os assuntos de cada livro sejam considerados e se tornem localiz\u00e1veis pelos mecanismos de busca. E \u00e9 gratuito, mesmo para as que est\u00e3o em pa\u00edses cujas organiza\u00e7\u00f5es profissionais n\u00e3o fa\u00e7am parte nem contribuam para o comit\u00ea de governan\u00e7a do <strong>THEMA<\/strong>.<\/p>\n<p>\t\u00c9 mais um esfor\u00e7o das organiza\u00e7\u00f5es s\u00e9rias de editores e livreiros para facilitar o interc\u00e2mbio internacional. Aqui ainda teremos que enfrentar v\u00e1rios problemas pr\u00e9vios, em particular que os editores e livreiros compreendam em profundidade a import\u00e2ncia da aplica\u00e7\u00e3o correta de metadados em suas informa\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>\tMas algum dia chegaremos l\u00e1. Nem que seja pela press\u00e3o do resto do mundo, inconformado com essa balb\u00fardia que reina por aqui.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os leitores de \u201cO Nome da Rosa\u201d, do Umberto Eco, podem lembrar que os crimes no mosteiro acontecem, no final das contas, em torno de um assunto aparentemente prosaico: a classifica\u00e7\u00e3o a ser dada ao suposto manuscrito de Arist\u00f3teles achado na biblioteca do convento. 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