{"id":2152,"date":"2014-01-21T10:49:39","date_gmt":"2014-01-21T13:49:39","guid":{"rendered":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=2152"},"modified":"2014-01-21T10:49:39","modified_gmt":"2014-01-21T13:49:39","slug":"os-temas-de-2013-continuam-em-2014","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=2152","title":{"rendered":"OS TEMAS DE 2013 CONTINUAM EM 2014"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2153\" alt=\"Capturar\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/Capturar.jpg\" width=\"863\" height=\"464\" srcset=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/Capturar.jpg 863w, http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/Capturar-300x161.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 863px) 100vw, 863px\" \/><\/p>\n<p><em>\u201cCom mais de trinta anos de viv\u00eancia no mercado editorial, busco mais aprender a fazer as perguntas certas do que qualquer outra coisa. Fazer as perguntas certas para as v\u00e1rias personas sociais, e procurar verificar se os paradigmas (no conceito de Thomas Kuhn) se sustentam ou n\u00e3o. At\u00e9 porque, ao contr\u00e1rio das ci\u00eancias f\u00edsicas, a sociedade muda ao mesmo tempo em que s\u00e3o feitas as perguntas e se elaboram os discursos. E, nessa situa\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7as e incertezas, sobra pouco espa\u00e7o para afirma\u00e7\u00f5es taxativas, e necessidade de muito empenho para come\u00e7ar a vislumbrar o que se deseja compreender.\u201d<\/p>\n<p>1<\/em>4 de maio \u2013 Um mercado opaco<\/p>\n<p>Entre esta coluna no PublishNews e as que sa\u00edram no blog <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www.oxisdoproblema.com.br');\"  href=\"http:\/\/www.oxisdoproblema.com.br\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fwww.oxisdoproblema.com.br','O+Xis+do+Problema')\" target=\"_blank\">O Xis do Problema<\/a> publiquei  ano passado cerca de setenta posts sobre quest\u00f5es do mercado editorial. <\/p>\n<p>\tOs temas foram bem variados. Os livros t\u00eam essa caracter\u00edstica de servir de \u201cmeio\u201d para se falar de qualquer coisa. S\u00e3o, de certa maneira, um reflexo do mundo real. E as complexidades do mercado editorial acompanham essa variedade: autores, editores, distribuidores, livreiros, leitores. Para se realizar, o livro precisa ser lido, chegar a seu destinat\u00e1rio final, o leitor. Sem isso, perde sentido. O esfor\u00e7o de todos os envolvidos, portanto, se unifica nesse objetivo comum: chegar ao leitor.<\/p>\n<p>\tE como o livro \u00e9, ao mesmo tempo, produto, objeto de consumo e um bem cultural ou educacional, a mescla dessas caracter\u00edsticas torna as atividades de todos dessa cadeia sujeitas a in\u00fameros condicionantes.<br \/>\n<!--more--><br \/>\nNesta primeira coluna de 2014 quero fazer um apanhado de alguns temas que foram relevantes em 2013 e que continuar\u00e3o, certamente, na pauta deste ano. Sem ordem de import\u00e2ncia.<\/p>\n<p><strong>FRANKFURT E A DIVULGA\u00c7\u00c3O DA LITERATURA BRASILEIRA NO MUNDO<\/strong><\/p>\n<p>\tO evento mais importante do ano foi a participa\u00e7\u00e3o do Brasil como convidado do ano da Feira de Livros de Frankfurt.<\/p>\n<p>\tA festa foi bonita e teve seus momentos de pol\u00eamica.<\/p>\n<p>\tO que salientar nisso?<\/p>\n<p>\tEm primeiro lugar, a caracter\u00edstica de EVENTO da Feira de Frankfurt. Um evento de enorme repercuss\u00e3o no mundo do livro, e certamente uma oportunidade para que a cultura do pa\u00eds convidado se apresente diante de um p\u00fablico altamente qualificado.<\/p>\n<p>\tMas \u00e9 um evento. Coisa transit\u00f3ria. Em 2014, o convidado j\u00e1 ser\u00e1 outro pa\u00eds, e assim sucessivamente.<\/p>\n<p>\tPor isso \u00e9 que sempre insisti em continuidade de a\u00e7\u00f5es. A primeira experi\u00eancia do g\u00eanero, quando o Brasil foi o convidado em 1994, representou tamb\u00e9m um enorme esfor\u00e7o que se esvaiu rapidamente pela aus\u00eancia de continuidade. Os minist\u00e9rios da Cultura e de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores n\u00e3o tinham pol\u00edticas permanentes e continuadas para aproveitar o impulso dado. O programa de apoio \u00e0s tradu\u00e7\u00f5es se tornou irregular e n\u00e3o houve nenhum esfor\u00e7o para se dar continuidade \u00e0s medidas de promo\u00e7\u00e3o da literaturas brasileira no exterior. Recolhemo-nos na conhecida s\u00edndrome de vira-latas e deixamos o cen\u00e1rio.<\/p>\n<p>\tEste ano ser\u00e1 diferente?<\/p>\n<p>\tPode ser que n\u00e3o. Mas tenho minhas d\u00favidas.<\/p>\n<p>\tO Programa de Apoio \u00e0 Tradu\u00e7\u00e3o continua. Nas palavras do professor Renato Lessa, continuar\u00e1 pelo menos enquanto ele estiver na Biblioteca Nacional. E a\u00ed est\u00e1 o perigo. O programa est\u00e1 longe de se institucionalizar. Depende da vontade dos eventuais ocupantes dos cargos p\u00fablicos. Outras iniciativas j\u00e1 feneceram, descontinuadas, ou est\u00e3o no limbo: as viagens de escritores, a vinda de tradutores para est\u00e1gios no Brasil tiveram presen\u00e7a mete\u00f3rica ano passado. Ningu\u00e9m sabe se continuam ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>\tA<em> Machado de Assis Magazine<\/em>, que publica excertos de tradu\u00e7\u00f5es de autores brasileiros, continuar\u00e1. O Ita\u00fa Cultural comprometeu-se a manter o investimento. Mas j\u00e1 temos um intervalo de descontinuidade que certamente n\u00e3o contribui para sua consolida\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\tAs responsabilidades de editores e agentes p\u00fablicos nesse processo de divulga\u00e7\u00e3o da nossa literatura foi objeto de pol\u00eamica em v\u00e1rios momentos. A Funda\u00e7\u00e3o Biblioteca Nacional cobrou uma maior participa\u00e7\u00e3o financeira dos editores no processo. O artigo no qual analiso a quest\u00e3o foi, surpreendentemente, o que atraiu o maior n\u00famero de leitores para minha coluna. Meus poucos leitores habituais se transformaram em mais de sete mil naquele post. O que isso quer dizer, n\u00e3o sei.<\/p>\n<p>\tO assunto Frankfurt n\u00e3o pode deixar de tocar na cerim\u00f4nia de abertura e seus discursos.  Gostaria de salientar algumas coisas.<\/p>\n<p>\tA primeira, sobre o pol\u00eamico discurso do Ruffato. J\u00e1 escrevi que o ponto central do discurso era uma vis\u00e3o de reden\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da literatura. Como comentou uma amiga, depois, s\u00f3 faltou o autor nos convocar para criar a Igreja da Reden\u00e7\u00e3o pela Literatura. E o alinhavar dos males do pa\u00eds s\u00f3 se entende pelo que tamb\u00e9m foi dito: agora, depois de quinhentos anos, se come\u00e7a a mudar as coisas. Esse trecho \u00e9 o discurso do Lula, sem tirar nem por. Acho curioso que n\u00e3o se haja compreendido isso, e que eventualmente ele fosse criticado. Em uma feira de livros, a literatura foi apresentada como a solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\tEntretanto, o discurso do autor pecou por um detalhe muito significativo: restringiu essa experi\u00eancia do escritor falar sobre seu pa\u00eds, olhar para fora do umbigo, a algo estritamente pessoal. Faltou a primeira pessoal do plural, em vez da primeira pessoa do singular, para que o discurso pudesse se transformar em um ponto de agrega\u00e7\u00e3o para tantos outros escritores que, como ele, mergulham na nossa realidade para dar-lhe um sentido art\u00edstico e liter\u00e1rio. Ao n\u00e3o fazer isso, o discurso apareceu como algo n\u00e3o liter\u00e1rio e fora do lugar.<\/p>\n<p>\tO discurso da Ana Maria Machado foi, como previsto, um discurso institucional, de presidente da ABL. Correto, chamou aten\u00e7\u00e3o para a diversidade de abordagens que se apresentava aos visitantes da Feira atrav\u00e9s dos livros de nossos escritores.<\/p>\n<p>\tJ\u00e1 o do senhor Vice-Presidente Michel Temer, n\u00e3o vale a pena nem comentar.<\/p>\n<p><strong>OUTROS TEMAS, DE PASSAGEM<\/strong><\/p>\n<p>\tOutros temas estiveram bem presentes em 2013, e continuar\u00e3o a estar neste ano.<\/p>\n<p>\tMetadados, distribui\u00e7\u00e3o, impress\u00e3o sob demanda, a sombra da Amazon no mercado internacional e aqui, e a quest\u00e3o onipresente do acesso aos livros.<\/p>\n<p>\tOutro tema fortemente presente \u00e9 o das pol\u00edticas p\u00fablicas para o livro e a leitura.<\/p>\n<p>\tAno passado, com a sa\u00edda de Galeno Amorim da FBN, iniciou-se uma nova transforma\u00e7\u00e3o na estrutura institucional das pol\u00edticas para o livro no Minist\u00e9rio da Cultura. Pelo que sei, at\u00e9 o momento, esse processo est\u00e1 lento e com muitas indefini\u00e7\u00f5es. Reservo-me a possibilidade de opinar sobre esse conjunto de problemas mais adiante.<\/p>\n<p>\tO que vale dizer, aqui, \u00e9 que essa hist\u00f3ria de pol\u00edticas p\u00fablicas e institucionalizadas est\u00e1 cada vez mais longe de ser verdade. J\u00e1 mencionei o caso do programa de apoio \u00e0s tradu\u00e7\u00f5es. Continuar\u00e1 \u201cenquanto eu permanecer na FBN\u201d, disse o prof. Lessa. Ora, esse tipo de afirma\u00e7\u00e3o s\u00f3 revela uma coisa, essencial: n\u00e3o \u00e9 pol\u00edtica p\u00fablica. Continua sendo \u2013 ou n\u00e3o \u2013 praticada ao alvedrio de quem ocasionalmente ocupe os postos de dire\u00e7\u00e3o. O mesmo vale para o vai-vem institucional dos \u00f3rg\u00e3os encarregados \u2013 em tese \u2013 de desenvolver os programas. Criam-se e se cancelam programas tamb\u00e9m de acordo com o gosto do dirigente da ocasi\u00e3o. Pretextos nunca faltam, \u00e9 claro. Afinal, papel aguenta tudo. Mas isso revela a fragilidade e o descaso com que \u00e9 tratada a quest\u00e3o do livro no Brasil. Muda o(a) ministro(a) e muda n\u00e3o apenas a senhora que serve o cafezinho, como tamb\u00e9m programas, metas e objetivos, e toda a cadeia de respons\u00e1veis(?) pelos programas.<\/p>\n<p>\tO que est\u00e1 na raiz dessa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 a aus\u00eancia e fragilidade de press\u00e3o p\u00fablica para a continuidade e institucionaliza\u00e7\u00e3o dos programas. As ditas entidades de classe de editores e livreiros se revelam tamb\u00e9m fr\u00e1geis e oscilantes. Dos escritores, nem falar. De fato, n\u00e3o existe nenhuma inst\u00e2ncia representativa dos criadores, que, quando assim o desejam, se manifestam individualmente ou em grupos de press\u00e3o ocasionais, como foi o caso da pol\u00eamica sobre as biografias.<\/p>\n<p>\tE, para iniciar o ano de forma desalentadora, tivemos um editorial assinado pelo vice-presidente da CBL, Hubert Alqu\u00e9res no qual, com ret\u00f3rica mal disfar\u00e7ada, leva a entidade a um posicionamento eleitoral, falando dos \u201cdesacertos\u201d do governo Dilma no mesmo tom dos grandes jornais, e afirmando que tudo isso \u201ctem que mudar\u201d.<\/p>\n<p>\tIsso vindo de uma entidade que tem ou teve v\u00e1rios conv\u00eanios com o MinC e uma atua\u00e7\u00e3o no m\u00ednimo discret\u00edssima nos grandes debates dos \u00faltimos anos relacionados com o livro e a leitura: modifica\u00e7\u00f5es na Lei de Direitos Autorais, mudan\u00e7as nas leis de incentivos fiscais e, mais recentemente, na implanta\u00e7\u00e3o do Vale Cultura, deixado inteiramente nas m\u00e3os das empresas. Sem falar na farsa de manipula\u00e7\u00e3o na tentativa de achar \u201cpre\u00e7o m\u00e9dio\u201d dos livros na pesquisa de produ\u00e7\u00e3o, junto com o SNEL, e lan\u00e7ando uma enorme sombra na respeitabilidade da FIPE. Algo que nenhum estat\u00edstico de respeito pode avalizar. <\/p>\n<p>\tDepois de um 2013 movimentado, acho que come\u00e7amos mal 2014. Espero que melhore.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cCom mais de trinta anos de viv\u00eancia no mercado editorial, busco mais aprender a fazer as perguntas certas do que qualquer outra coisa. Fazer as perguntas certas para as v\u00e1rias personas sociais, e procurar verificar se os paradigmas (no conceito de Thomas Kuhn) se sustentam ou n\u00e3o. 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