{"id":2113,"date":"2013-12-06T09:47:42","date_gmt":"2013-12-06T12:47:42","guid":{"rendered":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=2113"},"modified":"2013-12-06T09:47:42","modified_gmt":"2013-12-06T12:47:42","slug":"breve-historia-da-autoajuda-o-genero-mais-vendido-no-mundo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=2113","title":{"rendered":"BREVE HIST\u00d3RIA DA AUTOAJUDA, O G\u00caNERO MAIS VENDIDO NO MUNDO"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/sel-help.jpg\" alt=\"sel help\" width=\"527\" height=\"288\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2114\" srcset=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/sel-help.jpg 527w, http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/sel-help-300x163.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 527px) 100vw, 527px\" \/><br \/>\n<strong>Jessica Lamb-Shapiro<\/strong><\/p>\n<p>Publicada originalmente no <strong><a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www.publishingperspectives.com');\"  href=\"http:\/\/www.publishingperspectives.com\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fwww.publishingperspectives.com','Publishing+Perspectives')\" target=\"_blank\">Publishing Perspectives<\/a><\/strong><\/p>\n<p>A autoajuda anda por aqui h\u00e1 milhares de anos, amada e odiada por todo esse tempo. O mais antigo progenitor de livros de autoajuda foi um g\u00eanero eg\u00edpcio chamado \u201cSebayt\u201d, uma literatura de instru\u00e7\u00f5es sobre a vida (\u201cSebayt\u201d quer dizer \u201censinar\u201d). Uma carta de um pai para o filho com conselhos. \u201cAs M\u00e1ximas de Ptahotep\u201d, escrita certa de 2.800 a.C., propugnava um comportamento moral e autocontrole. Antigos textos gregos ofereciam medita\u00e7\u00f5es, aforismos e m\u00e1ximas sobre a melhor maneira de viver.<\/p>\n<p>Durante a Alta Idade M\u00e9dia, na Idade M\u00e9dia e no Renascimento, livros do tipo \u201cEspelho dos Pr\u00edncipes\u201d contavam hist\u00f3rias de reis cujo comportamento devia ser imitado ou evitado. Eram semelhantes \u00e0s hist\u00f3rias inspiracionais de hoje, como a s\u00e9rie \u201cCanja de Galinha para a Alma\u201d, s\u00f3 que tamb\u00e9m inclu\u00edam contos de advert\u00eancia. A literatura de aperfei\u00e7oamentos pessoal deu um grande salto depois de 1455, quando Gutemberg barateou a impress\u00e3o e tornou esses livros dispon\u00edveis para uma distribui\u00e7\u00e3o mais ampla. De repente, qualquer um podia escrever suas receitas sobre a melhor maneira de viver.<br \/>\n<img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/Jessica-Lamb-Shapiro.jpg\" alt=\"Jessica-Lamb-Shapiro\" width=\"250\" height=\"166\" class=\"alignleft size-full wp-image-2116\" \/> No decorrer dos anos 1600 e 1700, livros de comportamento ensinavam aos homens como se comportar polidamente em sociedade, e foram populares na It\u00e1lia, Fran\u00e7a e Inglaterra. Na Fran\u00e7a, eram conhecidos como livros de \u201csavoir vivre\u201d. O historiador Jacques Carre argumenta que \u201cseu esp\u00edrito se perdeu, e apenas aplica\u00e7\u00f5es mec\u00e2nicas de algumas recomenda\u00e7\u00f5es isoladas, supostamente destinadas a proporcionar refinamento imediato, era apresentadas aos leitores insuspeitos\u201d. Os t\u00f3picos abordados inclu\u00edam, \u201cCoisas Odiosas e Imundas\u201d, \u201cAssoando o Nariz\u201d, \u201cCabelos Cortados como uma Tigela\u201d, e \u201cBarbas de Comprimento Assustador\u201d.<\/p>\n<p>Pode haver muito desprezo pelos livros de autoajuda de hoje, mas estes fazem parte de um mercado de melhoria pessoal em crescente expans\u00e3o que n\u00e3o mostra nenhum sinal de esquecimento. A autoajuda \u00e9 t\u00e3o popular agora quanto foi no tempo de Chesterton, e como ind\u00fastria, cresceu exponencialmente.<\/p>\n<p>Muitos dos textos mais antigos de autoajuda ainda est\u00e3o no mercado. \u201cA Arte da Guerra\u201d, de SunTzu, um antigo tratado militar chin\u00eas, \u00e9 popular entre os homens de neg\u00f3cio dos Estados Unidos; as \u201cMedita\u00e7\u00f5es\u201d, de Marco Aur\u00e9lio \u00e9 um best-seller na China contempor\u00e2nea. Livros de autoajuda criados em uma cultura podem ser muito populares em outras: Wayne Dyer (\u201cSeus pontos fracos\u201d, entre outros) \u00e9 popular na Holanda. \u201cO Segredo\u201d, de Rhonda Byrne, autora australiana, \u00e9 best-seller no Ir\u00e3.<\/p>\n<p>A despeito de sua ubiquidade, \u00e9 dif\u00edcil dizer se os livros de autoajuda ajudam ou n\u00e3o algu\u00e9m. H\u00e1 pouqu\u00edssima pesquisa acad\u00eamica sobre o assunto. As estat\u00edsticas do mercado editorial alegam que 80% dos leitores de livros de autoajuda s\u00e3o compradores que repetem suas compras, o que poderia indicar que os livros n\u00e3o est\u00e3o ajudando. Alguns sugerem que os leitores de livros de autoajuda n\u00e3o leem mais que as primeiras vinte p\u00e1ginas, se \u00e9 que chegam a abrir o livro. O simples ato de comprar um livro de autoajuda \u00e9 relatado como algo que fez algu\u00e9m sentir-se melhor.<\/p>\n<p>Arist\u00f3teles acreditava que a leitura tinha capacidades curativas. Ao mesmo tempo em que os compradores de livros de autoajuda talvez n\u00e3o curem o que os aflige, sentir-se melhor n\u00e3o \u00e9 algo a ser inteiramente descartado. As pessoas odeiam seus trabalhos, se apaixonam, temem envelhecer e se preocupam com o peso, e os livros de autoajuda tratam e tentam atenuar esses problemas. A vida machuca, e a promessa feita pelos livros de autoajuda \u00e9 um al\u00edvio dessa dor.<\/p>\n<p>O colapso de outros sistemas de cren\u00e7as, sistemas que, em algum momento, proporcionaram dire\u00e7\u00e3o e significado, permitiram que a autoajuda a se tornasse ainda mais valiosa. A autoajuda proporciona um sentido de comunidade para os solit\u00e1rios; mas tamb\u00e9m pode isol\u00e1-los ainda mais. A autoajuda proporciona uma linguagem com a qual discutir problemas particulares e dif\u00edceis; mas \u00e0s vezes essa linguagem desliza para um discurso sem sentido. \u00c9 um mundo cheio de charlat\u00f5es e boas pessoas, e um no qual nem sempre \u00e9 f\u00e1cil separar a escumalha do ouro.<\/p>\n<p>Um an\u00fancio no metr\u00f4 de New York para a Marble Colegiate Church, onde o autor de autoajuda, Norman Vincent Peale j\u00e1 foi pregador, explica a ansiedade b\u00e1sica que alimenta essa ind\u00fastria mamute: \u201cA vida n\u00e3o vem com um manual de instru\u00e7\u00e3o\u201d. Nossos seres racionais sabem que esse manual de instru\u00e7\u00e3o n\u00e3o existe, mas nossos seres ansiosos continuar\u00e3o tentando comprar um.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jessica Lamb-Shapiro Publicada originalmente no Publishing Perspectives A autoajuda anda por aqui h\u00e1 milhares de anos, amada e odiada por todo esse tempo. O mais antigo progenitor de livros de autoajuda foi um g\u00eanero eg\u00edpcio chamado \u201cSebayt\u201d, uma literatura de instru\u00e7\u00f5es sobre a vida (\u201cSebayt\u201d quer dizer \u201censinar\u201d). 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