{"id":205,"date":"2011-08-02T16:12:10","date_gmt":"2011-08-02T19:12:10","guid":{"rendered":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/blog\/?p=205"},"modified":"2011-08-02T16:12:11","modified_gmt":"2011-08-02T19:12:11","slug":"qual-a-vantagem-de-ir-para-um-congresso-do-livro-digital","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=205","title":{"rendered":"Qual a vantagem de ir para um Congresso do livro digital?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/blog\/?attachment_id=206\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Foxisdoproblema.com.br%2Fblog%2F%3Fattachment_id%3D206','Capturar')\" rel=\"attachment wp-att-206\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/Capturar1.jpg\" alt=\"\" title=\"Capturar\" width=\"860\" height=\"355\" class=\"aligncenter size-full wp-image-206\" srcset=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/Capturar1.jpg 860w, http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/Capturar1-300x123.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 860px) 100vw, 860px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Nos dias 26 e 27 de julho passado aconteceu o 2\u00ba. Congresso Internacional CBL do Livro Digital. Foram doze eventos, entre palestras e mesas-redondas, al\u00e9m da apresenta\u00e7\u00e3o de trabalhos cient\u00edficos em uma sala anexa. Boa frequ\u00eancia, apesar do pre\u00e7o salgado. Poucas perguntas e ainda menos discuss\u00f5es. A plateia permaneceu passiva depois da maior parte das palestras\/mesas redondas, e mesmo as perguntas feitas n\u00e3o provocaram grandes discuss\u00f5es.<br \/>\nN\u00e3o pretendo comentar todas as palestras ou discuss\u00f5es. Quero apenas chamar aten\u00e7\u00e3o para alguns t\u00f3picos que me pareceram os mais interessantes.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>O primeiro ponto a destacar \u00e9 que esta segunda vers\u00e3o do Congresso do Livro Digital teve menos \u201cvendedores de solu\u00e7\u00f5es\u201d que o primeiro. Achei isso bem positivo. \u00c9 um tanto abusivo pagar para ouvir um monte de gente querendo vender solu\u00e7\u00f5es desenhadas para outro ambiente de neg\u00f3cios e est\u00e1gios tecnol\u00f3gicos muito diferentes dos que temos aqui.<br \/>\nAinda assim, aus\u00eancias se fizeram notar, principalmente a das empresas em desenvolvimento de distribui\u00e7\u00e3o e convers\u00e3o de conte\u00fados digitais j\u00e1 presentes no Brasil. N\u00e3o se teve not\u00edcias nem da empresa formada pelo cons\u00f3rcio que organizou a DLD \u2013 Distribuidora de Livros Digitais (Objetiva, Record, Sextante, Planeta, Rocco e L&#038;PM), nem do \u201cMinha Biblioteca\u201d, a vers\u00e3o brasileira do programa iniciado pala Ingram nos EUA e que aqui inclui o GEN, Atlas e Grupo A e a Editora Saraiva. E tamb\u00e9m nada da Xeriph, distribuidora de conte\u00fado digital que n\u00e3o est\u00e1 vinculada a nenhum grupo editorial.  Na minha opini\u00e3o, faltou tamb\u00e9m outro tema relevante: o uso de conte\u00fado digital nas universidades p\u00fablicas, j\u00e1 que h\u00e1 anos tanto a CAPES\/CNPq quanto a FAPESP investem grandes somas na aquisi\u00e7\u00e3o de revistas acad\u00eamicas em formato digitalizado. Pode ser que em outro Congresso os organizadores se lembrem disso.<br \/>\nComo acontece em qualquer evento do g\u00eanero, houve momentos interessantes e outros que chegaram a ser pat\u00e9ticos. Um deles, que vou me poupar de mencionar, me fez lembrar o movimento de cria\u00e7\u00e3o de um partido anti-powerpoint que andou aparecendo na Europa, e \u201cbrindou\u201d a plateia com uma dessas apresenta\u00e7\u00f5es que \u00e0s vezes aparecem na Internet, cheia de lugares comuns, fotos comovedoras e mensagens de autoajuda. Quase sa\u00ed para entrar online e pedir filia\u00e7\u00e3o nesse partido&#8230;<br \/>\nOutra apresenta\u00e7\u00e3o que chegou perto do pat\u00e9tico foi a do representante da Digisign, empresa conceituada na certifica\u00e7\u00e3o digital mas que, aparentemente, n\u00e3o sacou a dos e-books. Quer garantir a inviolabilidade do conte\u00fado com DRMs que funcionam com tokens ou somente online. Acabam inventando um e-book acoplado com jaca ou melancia. Imaginem se para ler um conte\u00fado for preciso fazer uma opera\u00e7\u00e3o similar \u00e0 de acessar a conta corrente banc\u00e1ria&#8230;<br \/>\nA palestra mais instigante e sensata, sem d\u00favida, foi a do Ed Nawotka, editor do Publishing Perspectives. Ed fugiu totalmente da futurologia e colocou de modo muito simples: os editores s\u00f3 podem \u2013 ou melhor, devem \u2013 se preparar para as conting\u00eancias do futuro da edi\u00e7\u00e3o digital com os mecanismos mais abrangentes de coleta de informa\u00e7\u00f5es sobre seu p\u00fablico, com o uso amplo de metadados.  J\u00e1 comentei no meu blog que os editores brasileiros est\u00e3o uns dez anos atrasados nisso.<br \/>\nAlgo que perpassou v\u00e1rias palestras e mesas redondas foi a confus\u00e3o \u2013 que acredito n\u00e3o deliberada, mas nem por isso menos daninha \u2013 entre os diferentes tipos de conte\u00fado digital que podem ser acessados pelo p\u00fablico leitor. Quando sabemos que o leitor de e-books mais popular no mundo \u00e9 o Kindle, com sua tela sem cores e que privilegia totalmente a leitura de textos; quando sabemos que a iBookstore acoplada nos aparelhos da Apple perde feio para o iTunes, e que a venda de livros no iPad e nos iPhones est\u00e1 sendo muito menor que o esperado; quando sabemos que o Nook e o Kobo seguem pelo mesmo rumo do Kindle, eu me pergunto: a que vem tantas apresenta\u00e7\u00f5es sobre \u201cenhanced e-books\u201d e sobre conte\u00fados compartilhados em redes digitais? Acredito que o conte\u00fado de livros did\u00e1ticos e de livros infantis v\u00e1 exigir telas coloridas (e a Amazon j\u00e1 prometeu seu tablet com essas caracter\u00edsticas at\u00e9 o final do ano) mas, no momento e como tend\u00eancia dominante, o que predomina \u00e9 a leitura de texto. O resto, por enquanto, \u00e9 jogo interativo online, o fen\u00f4meno \u201ctransm\u00eddia\u201d, que ainda veremos no que vai dar.<br \/>\nBob Stein, na palestra de abertura, se declarou muito feliz por ter sido pago durante anos para \u201cpensar o futuro do livro\u201d e veio com a ideia de que \u2013 no futuro, \u00e9 claro \u2013 o conte\u00fado seria distribu\u00eddo gratuitamente e que as pessoas pagariam para participar da \u201crede de leitores\u201d. Nessa rede todos os leitores fariam anota\u00e7\u00f5es, coment\u00e1rios, glosas e o que mais lhes apetecessem acrescentar ao conte\u00fado original. Quem faz parte do FaceBook (eu fa\u00e7o) sabe perfeitamente que a quantidade de coment\u00e1rios inanes que por ali circulam \u00e9 enorme. Imaginem o sujeito ler um Balzac acompanhado de coment\u00e1rios mandando florzinhas ou sinaizinhos de \u201ccurti\u201d a cada p\u00e1gina? Se fosse um grupo fechado lendo um ensaio, v\u00e1 l\u00e1. E mais, tanto o Kobo quando o pr\u00f3prio Kindle j\u00e1 permitem acesso \u2013 pelo menos parcial \u2013 a anota\u00e7\u00f5es de outros leitores. Se o Bob Stein ganhou para pensar isso, eu tamb\u00e9m quero me candidatar a pensador remunerado.<br \/>\nUma palestra interessante foi a da Dominique Raccah \u2013 e mais como vice-presidente do BISG (Book Industry Study Group) que como CEO da Sourcebooks \u2013 por ter apresentado dados sobre a demografia comparada de leitores de livros em papel e e-books, mostrando que o fator pre\u00e7o \u00e9 fundamental na ado\u00e7\u00e3o dos e-books. Os leitores do segmento trade \u2013 romances, ensaios, autoajuda, etc. \u2013 demandam sempre alguma esp\u00e9cie de conte\u00fado gratuito (download de cap\u00edtulos, material adicional), al\u00e9m do pre\u00e7o substancialmente mais baixo. Esses leitores tamb\u00e9m s\u00e3o os que mais usam e-readers, enquanto os universit\u00e1rios acessam conte\u00fado digital principalmente atrav\u00e9s de laptops, notebooks e desktops.<br \/>\nA palestra de Joseph Craven (Sterling Publishing), sobre a constru\u00e7\u00e3o de comunidades verticais desenvolvidas pelos editores em torno de livros ou cole\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m foi muito interessante. Tornou pr\u00e1tica e consequente a conversa de uso das redes sociais no neg\u00f3cio de livros, chamando aten\u00e7\u00e3o para a intera\u00e7\u00e3o entre o p\u00fablico leitor\/consumidor e os editores, inclusive no que diz respeito ao conte\u00fado adicional aos livros.<br \/>\nAlguns dos palestrantes abordaram muito de leve uma quest\u00e3o que tem atra\u00eddo bastante minha aten\u00e7\u00e3o. Atualmente, o segmento comercial\/industrial que efetivamente est\u00e1 ganhando dinheiro com o conte\u00fado digital \u00e9 o dos prestadores de servi\u00e7o de acesso e as empresas de telecomunica\u00e7\u00e3o, que viabilizam esse acesso.<br \/>\nO fato \u00e9 que uma parte dos custos de \u201clog\u00edstica\u201d dos e-books, \u00e9 transferido para os consumidores de conte\u00fado digital que pagam pelo acesso \u00e0 Internet. Esse \u00e9 um neg\u00f3cio espec\u00edfico das empresas de telecomunica\u00e7\u00e3o e dos provedores de acesso. Essas empresas pressionam todos os produtores de conte\u00fado para receber um fluxo constante de conte\u00fado barato ou gratuito. Por sua vez, esse conte\u00fado gera mais tr\u00e1fego na rede e agrega receita a essas empresas. Na discuss\u00e3o do conte\u00fado gratuito n\u00e3o podemos nos esquecer de que, como n\u00e3o existe almo\u00e7o gr\u00e1tis, estamos pagando pelo acesso e tamb\u00e9m, com nossas contribui\u00e7\u00f5es blogueiras, no FaceBook e no twitter, para proporcionar conte\u00fado gratuito para essas gigantes que inexoravelmente apresentam suas contas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos dias 26 e 27 de julho passado aconteceu o 2\u00ba. Congresso Internacional CBL do Livro Digital. Foram doze eventos, entre palestras e mesas-redondas, al\u00e9m da apresenta\u00e7\u00e3o de trabalhos cient\u00edficos em uma sala anexa. Boa frequ\u00eancia, apesar do pre\u00e7o salgado. Poucas perguntas e ainda menos discuss\u00f5es. 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