{"id":1980,"date":"2013-10-01T11:36:35","date_gmt":"2013-10-01T14:36:35","guid":{"rendered":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=1980"},"modified":"2013-10-01T11:36:35","modified_gmt":"2013-10-01T14:36:35","slug":"frankfurt-vem-ai","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=1980","title":{"rendered":"FRANKFURT VEM A\u00cd"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/Capturar.jpg\" alt=\"Capturar\" width=\"855\" height=\"523\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1981\" srcset=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/Capturar.jpg 855w, http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/Capturar-300x183.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 855px) 100vw, 855px\" \/><br \/>\nNa pr\u00f3xima semana acontecer\u00e1 a Feira de Livros de Frankfurt, o maior evento mundial da ind\u00fastria editorial, e na qual o Brasil ser\u00e1, pela segunda vez o pa\u00eds Convidado de Honra.<\/p>\n<p>H\u00e1 dois anos escrevi uma s\u00e9rie de posts sobre a primeira experi\u00eancia do g\u00eanero, em 1994, quando fui um dos participantes da organiza\u00e7\u00e3o. N\u00e3o vou voltar sobre o tema, e muito menos sobre o conte\u00fado da programa\u00e7\u00e3o deste ano. Tenho certeza de que ser\u00e1 uma bela festa, com muito espa\u00e7o na imprensa europeia, tanto para os autores presentes quanto para os demais eventos paralelos.<\/p>\n<p>A minha preocupa\u00e7\u00e3o continua sendo o p\u00f3s feira. Com o risco de parecer redundante e cansativo, volto ao essencial: o esfor\u00e7o s\u00f3 vale a pena se estiver no contexto de uma pol\u00edtica continuada \u2013 \u201cde Estado\u201d, como virou moda dizer \u2013 de difus\u00e3o da cultura brasileira no exterior. N\u00e3o apenas de nossa literatura e de nossos escritores, mas da cultura brasileira, vista inclusive na perspectiva de desenvolvimento do tal \u201csoft power\u201d do qual tanto se tem falado.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos dois anos muito se fez na cria\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es para o aumento da presen\u00e7a da nossa literatura e de nossos autores \u2013 que n\u00e3o s\u00e3o necessariamente liter\u00e1rios, pois livros s\u00e3o escritos sobre tudo \u2013 no exterior. O programa de bolsas da Funda\u00e7\u00e3o Biblioteca Nacional \u00e9 um bom exemplo disso.<br \/>\n<!--more--><br \/>\nEsse programa foi iniciado em 1992, com Affonso Romano de Sant\u2019Anna na presid\u00eancia da FBN e o escritor M\u00e1rcio Souza \u00e0 frente do Departamento Nacional do Livro. O programa funcionou razoavelmente bem por dois anos, depois enlanguideceu na burocracia, e a aus\u00eancia de um calend\u00e1rio definido para a concess\u00e3o de bolsas dificultava muito o trabalho dos agentes liter\u00e1rios e editores. Houve anos em que nenhuma bolsa foi concedida.<\/p>\n<p>H\u00e1 dois anos, logo no in\u00edcio do governo Dilma, com a Ministra Ana de Hollanda e Galeno Amorim na presid\u00eancia da FBN, o programa foi reformulado de modo a receber elogios de todos os interessados. Algumas das principais caracter\u00edsticas do novo formato, como a inscri\u00e7\u00e3o permanente e a possibilidade de inclus\u00e3o de a\u00e7\u00f5es de divulga\u00e7\u00e3o no or\u00e7amento aprovado, foram particularmente bem-vindas.<\/p>\n<p>O Programa de Resid\u00eancia de Tradutores, outra excelente iniciativa, teve seu primeiro edital lan\u00e7ado em 2012, e os tradutores estiveram no Brasil no primeiro semestre de 2013. At\u00e9 o momento n\u00e3o foi divulgado outro edital. Portanto, n\u00e3o se sabe sobre sua continuidade. Em agosto de 2013 foi lan\u00e7ado edital pela BN para um programa de resid\u00eancia para pesquisadores. N\u00e3o est\u00e1 explicitado se substitui o programa para tradutores. De qualquer forma esse programa tem um alcance acad\u00eamico, pois para ele s\u00f3 recebem como candidatos pesquisadores com doutorado reconhecido no Brasil.<\/p>\n<p>O Programa de Interc\u00e2mbio de Autores Brasileiros no exterior teve seu edital lan\u00e7ado este ano. As primeiras viagens deveriam acontecer a partir de agosto. A reuni\u00e3o de avalia\u00e7\u00e3o das propostas s\u00f3 aconteceu no dia 26 de setembro (estava marcada para junho), e ainda n\u00e3o foram divulgadas as propostas aprovadas entre as dezessete qualificadas.<\/p>\n<p>Enfim, meio aos trancos e barrancos, algo avan\u00e7ou, o que \u00e9 \u00f3timo.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 motivos de preocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, n\u00e3o h\u00e1 clareza sobre os rumos e o conte\u00fado da pol\u00edtica para o livro e leitura. Foi anunciada a volta da Diretoria do Livro para o \u00e2mbito do MinC, em Bras\u00edlia. \u00c9 um processo complicado, certamente. <\/p>\n<p>Por\u00e9m, o mais preocupante \u00e9 a aus\u00eancia de not\u00edcias concretas sobre os planos previstos, em execu\u00e7\u00e3o ou a serem executados. O PNLL \u2013 Plano Nacional do Livro e Leitura, cuja secretaria executiva voltou a ser ocupada pelo Prof. Jos\u00e9 Castilho, foi um grande avan\u00e7o na conceitua\u00e7\u00e3o das demandas da sociedade sobre o assunto. Por suas caracter\u00edsticas, entretanto, o PNLL \u00e9 extremamente vago. N\u00e3o se sabe, at\u00e9 o momento, como ir\u00e3o se concretizar as a\u00e7\u00f5es relacionadas com suas diferentes linhas de a\u00e7\u00e3o. O diretor nomeado, Fabiano Santos Pi\u00faba, que estava no CERLALC, s\u00f3 voltou ao Brasil para ocupar o cargo em agosto. Certamente h\u00e1 de se argumentar que a transfer\u00eancia da DGLLB para o Rio de Janeiro, no \u00e2mbito da Biblioteca Nacional, desarticulou o que havia sido feito anteriormente. \u00c9 o resultado tamb\u00e9m do descompasso entre a secretaria executiva do PNLL e seu instrumento organizativo e operacional, que \u00e9 a Diretoria. Enquanto isso, o mundo gira e a lusitana roda&#8230;<\/p>\n<p>No que diz respeito \u00e0 divulga\u00e7\u00e3o internacional da cultura brasileira, a tal extens\u00e3o do \u201csoft power\u201d, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais confusa. De concreto o que se viu foi o minist\u00e9rio liberar a possibilidade de capta\u00e7\u00e3o de recursos, via Lei Rouanet, para desfiles de moda no circuito Elizabeth Arden. <\/p>\n<p>Nada contra, diga-se de passagem&#8230;<\/p>\n<p>Desde que isso estivesse claramente colocado dentro de um plano de a\u00e7\u00f5es sistem\u00e1ticas para que o tal \u201csoft power\u201d se manifestasse. Liberar autoriza\u00e7\u00e3o para captar recursos via Lei Rouanet para esse tipo de eventos s\u00f3 daria no que deu: em marola. Os estilistas n\u00e3o conseguiram captar recursos. Qual a empresa que est\u00e1 no lucro real e tem interesse em investir em desfile de moda em Nova York? O resultado da tentativa deu a resposta: nenhuma. Mas o Itamaraty promove <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/dc.itamaraty.gov.br\/noticias\/brasileiros-oferecem-workshop-sobre-moda-em-oslo');\"  href=\"http:\/\/dc.itamaraty.gov.br\/noticias\/brasileiros-oferecem-workshop-sobre-moda-em-oslo\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fdc.itamaraty.gov.br%2Fnoticias%2Fbrasileiros-oferecem-workshop-sobre-moda-em-oslo','workshop+sobre+a+moda+em+Oslo')\" target=\"_blank\">workshop sobre a moda em Oslo<\/a>. Legal. <\/p>\n<p>Se a expans\u00e3o do \u201csoft power\u201d se fundar na capta\u00e7\u00e3o de recursos de empresas via leis de incentivos, o projeto vai dar com os burros n\u2019\u00e1gua. Empresa brasileira que atua no exterior quer ganhar dinheiro l\u00e1, e se fizer a\u00e7\u00f5es de marketing \u2013 pois a\u00ed, \u00e9 verdade, o uso da Lei Rouanet estar\u00e1 dominada pelos departamentos de marketing \u2013 essas se dar\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o do p\u00fablico local, o que n\u00e3o significa necessariamente difus\u00e3o da cultura brasileira.<\/p>\n<p>Nos anos 1990 o Itamaraty j\u00e1 passou por experi\u00eancia nesse sentido \u2013 e parece que isso n\u00e3o fez mudar as coisas. Na administra\u00e7\u00e3o FHC, o ministro Lampreia contratou a consultoria McKinsey para reformular a estrutura do MRE. Algumas das v\u00edtimas foram os CEBs \u2013 Centro de Estudos Brasileiros. Essa consultoria \u2013 curioso, como est\u00e1 metida em tudo, desde o SIVAM at\u00e9 as a\u00e7\u00f5es do NSA \u2013 recomendou que essas importantes institui\u00e7\u00f5es de divulga\u00e7\u00e3o da cultura brasileira fossem financiadas por empresas locais e pelos recursos dos cursos de portugu\u00eas. Foi uma devasta\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Somente com a administra\u00e7\u00e3o Celso Amorim houve uma renova\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o dos CEBs, desta vez focados na Am\u00e9rica Latina, \u00c1sia e \u00c1frica. Na Europa, s\u00f3 sobraram dois, em Barcelona e Helsinque, e n\u00e3o me perguntem a raz\u00e3o da Finl\u00e2ndia ser contemplada. \u00c9 \u00f3timo que o foco esteja na <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www.dc.itamaraty.gov.br\/lingua-e-literatura\/centros-culturais-do-brasil');\"  href=\"http:\/\/www.dc.itamaraty.gov.br\/lingua-e-literatura\/centros-culturais-do-brasil\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fwww.dc.itamaraty.gov.br%2Flingua-e-literatura%2Fcentros-culturais-do-brasil','Am%C3%A9rica+Latina%2C+%C3%81frica+e+%C3%81sia%2C')\" target=\"_blank\">Am\u00e9rica Latina, \u00c1frica e \u00c1sia,<\/a> mas evidentemente \u00e9 muito pouco para se expandir o tal \u201csoft power\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o vou me estender sobre as a\u00e7\u00f5es no \u00e2mbito cultural feitas pelas embaixadas e consulados. A experi\u00eancia mostra que dependem das iniciativas dos respectivos titulares e n\u00e3o se organizam de modo coerente e articulado. <\/p>\n<p>Para encerrar as observa\u00e7\u00f5es, volto \u00e0 Biblioteca Nacional.<\/p>\n<p>Os programas estabelecidos \u2013 principalmente o de apoio \u00e0s tradu\u00e7\u00f5es \u2013 continuam.<\/p>\n<p>Mas, continuar\u00e3o?<\/p>\n<p>Mat\u00e9ria publicada sexta-feira passada por Jos\u00e9lia Aguiar, no <strong><a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www.valor.com.br\/cultura\/3285112\/brasil-em-edicao-revista-e-ampliada');\"  href=\"http:\/\/www.valor.com.br\/cultura\/3285112\/brasil-em-edicao-revista-e-ampliada\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fwww.valor.com.br%2Fcultura%2F3285112%2Fbrasil-em-edicao-revista-e-ampliada','Valor+Econ%C3%B4mico')\" target=\"_blank\">Valor Econ\u00f4mico<\/a><\/strong>  cita o prof. Renato Lessa, presidente da FBN, sobre o programa de bolsas: <em>\u201cMas as bolsas de tradu\u00e7\u00e3o s\u00e3o vistas com &#8220;orgulho e carinho&#8221;, afirma ao Valor. &#8220;Enquanto eu estiver na FBN, ser\u00e1 permanente.&#8221; Lessa diz que ele mesmo vai se empenhar, nos di\u00e1logos com universidades e editoras acad\u00eamicas, para a tradu\u00e7\u00e3o de int\u00e9rpretes do Brasil que ainda s\u00e3o pouco difundidos l\u00e1 fora, como Sergio Buarque de Holanda e Celso Furtado\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>Enquanto o prof. Lessa estiver na FBN, as bolsas continuam. Quando ele sair, quem sabe? E se as editoras comerciais do exterior n\u00e3o se interessarem em publicar os pensadores caros \u00e0 intelectualidade brasileira (a mim inclusive)?<\/p>\n<p>J\u00e1 que depende s\u00f3 de quem manda, o programa de bolsas n\u00e3o \u00e9 l\u00e1 muito condizente com uma assertiva pol\u00edtica de estado, de car\u00e1ter permanente. <\/p>\n<p>Por enquanto, entretanto, vamos curtir a festa.<\/p>\n<p>Com certeza vai ser boa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na pr\u00f3xima semana acontecer\u00e1 a Feira de Livros de Frankfurt, o maior evento mundial da ind\u00fastria editorial, e na qual o Brasil ser\u00e1, pela segunda vez o pa\u00eds Convidado de Honra. H\u00e1 dois anos escrevi uma s\u00e9rie de posts sobre a primeira experi\u00eancia do g\u00eanero, em 1994, quando fui um dos participantes da organiza\u00e7\u00e3o. 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