{"id":1946,"date":"2013-08-20T12:36:01","date_gmt":"2013-08-20T15:36:01","guid":{"rendered":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=1946"},"modified":"2013-08-20T12:36:01","modified_gmt":"2013-08-20T15:36:01","slug":"edicao-digital-outros-lados-de-varias-moedas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=1946","title":{"rendered":"EDI\u00c7\u00c3O DIGITAL \u2013 OUTROS LADOS DE V\u00c1RIAS MOEDAS"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/Capturar1.jpg\" alt=\"Capturar\" width=\"866\" height=\"473\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1947\" srcset=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/Capturar1.jpg 866w, http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/Capturar1-300x163.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 866px) 100vw, 866px\" \/><br \/>\nNormalmente se associa a quest\u00e3o da edi\u00e7\u00e3o digital aos e-books e e-readers. Mas a coisa n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples. J\u00e1 mencionei que o uso de formatos digitais pelas editoras do segmento t\u00e9cnico-cient\u00edfico est\u00e1 pr\u00f3xima de comemorar seu vig\u00e9simo anivers\u00e1rio.<\/p>\n<p>Mas o mundo digital afeta o mundo editorial n\u00e3o apenas dessa forma. Na \u00e1rea dos tradicionais livros impressos, os processos gr\u00e1ficos passaram, nos \u00faltimos anos, por transforma\u00e7\u00f5es igualmente grandes e significativas. Ali\u00e1s, as transforma\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas dos processos de impress\u00e3o t\u00eam impactos diretos na quantidade e na qualidade dos livros tradicionais ofertados. A mais recente dessas transforma\u00e7\u00f5es \u00e9 a da impress\u00e3o digital. <\/p>\n<p>A eletrofotografia (reprodu\u00e7\u00e3o por meios eletrost\u00e1ticos de um original, foto ou texto), desenvolvida pela Xerox no final nos anos 1950, foi onde a coisa come\u00e7ou. Anos depois a Xerox fundou o PARC \u2013 Palo Alto Research Center, matriz de in\u00fameras inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas na \u00e1rea da reprodu\u00e7\u00e3o (impressoras a jato de tinta e laser), e dos computadores pessoais.<\/p>\n<p>A chamada \u201cxerografia\u201d, como ficou popularmente conhecida, com m\u00e1quinas cada vez mais complexas, desembocou, nos anos 1990, na DocuTech, uma m\u00e1quina apresentada como a primeira \u201cf\u00e1brica de livros\u201d, que imprimia p\u00e1gina por p\u00e1gina um original, compaginava e apresentava na ponta o miolo do livro, pronto para ser encadernado. A DocuTech foi o primeiro sistema integrado de impress\u00e3o sob demanda.<br \/>\n<!--more--><br \/>\nMuita \u00e1gua rolou por baixo dessa ponte, e a Xerox h\u00e1 muito deixou de ser quase monop\u00f3lio de copiadoras e impressoras. V\u00e1rias empresas entraram no mercado, seja nas impressoras dom\u00e9sticas, m\u00e1quinas copiadoras ou impressoras de grande porte. Nos \u00faltimos anos, os processos de impress\u00f5es sob demanda (POD, em ingl\u00eas) v\u00eam assumindo import\u00e2ncia crescente. No mercado global de impress\u00f5es, a impress\u00e3o digital chega a apenas 4% do total de impressos produzidos, mas o crescimento \u00e9 continuado e r\u00e1pido, segundo Maur\u00edcio Ferreira, gerente do segmento Indigo &#038; Inkjet Web Press da HP.<\/p>\n<p>No dia 15 passado assisti, como convidado, a uma apresenta\u00e7\u00e3o sobre impress\u00e3o digital promovida pela HP. Foi um evento direcionado particularmente para o mercado de livros did\u00e1ticos. Hoje h\u00e1 m\u00e1quinas capazes de competir com rotativas offset, e com uma vantagem adicional: a capacidade de produzir livros praticamente individualizados. Ou seja, o conte\u00fado adaptado para um \u00fanico consumidor\/leitor\/estudante.<\/p>\n<p>Uma das apresenta\u00e7\u00f5es mais interessantes do evento foi feita por Allen C. Schulz, que trabalhou 33 anos na McGraw-Hill, onde foi um dos principais arquitetos e desenvolvedores do segmento de livros personalizados, impressos sob demanda.<\/p>\n<p>Acompanho as experi\u00eancias da McGraw-Hill h\u00e1 v\u00e1rios anos. A empresa foi pioneira na ado\u00e7\u00e3o do POD, reduzindo drasticamente estoques. Segundo Schulz, foi tamb\u00e9m pioneira na produ\u00e7\u00e3o de livros did\u00e1ticos costumizados, j\u00e1 nos anos 1980. O processo de composi\u00e7\u00e3o e prepara\u00e7\u00e3o de originais uilizava a linguagem Postscript, de dif\u00edcil uso para os prop\u00f3sitos pretendidos.<br \/>\nNo entanto, segundo Schulz, o processo valia a pena pela diminui\u00e7\u00e3o dos estoques (os livros eram produzidos em tiragens espec\u00edficas para cada grupo de consumidores), e diminui\u00e7\u00e3o do mercado de livros escolares usados. O que aqui acontece de modo quase amador, com os col\u00e9gios e faculdades fazendo feirinhas nas quais os alunos repassam para os colegas mais novos os livros usados no ano anterior, nos EUA j\u00e1 era um neg\u00f3cio estruturado, com empresas especializadas na compra dos usados, limpeza e recondicionamento e venda. <\/p>\n<p>Nos anos 1990, passam a ser usadas pela McGraw-Hill as su\u00edtes Adobe Acrobat e Adobe Creative, de uso bem mais f\u00e1cil, padronizando os processos. Nessa \u00e9poca tamb\u00e9m foram institu\u00eddas as primeiras bibliotecas digitais de conte\u00fado. Nessas bibliotecas, os conte\u00fados dos livros publicados pela McGraw-Hill podiam ser \u201cfatiados\u201d em cap\u00edtulos, e os pr\u00f3prios professores montavam o conte\u00fado dos livros adotados. Era uma \u201cpasta do professor\u201d impressa, legalizada e vendida na livraria da universidade. Os pr\u00f3prios professores foram estimulados a produzir material digital que pudesse ser incorporado aos livros (licenciado e remunerado). Os processos gr\u00e1ficos foram sendo desenvolvidos a partir de uma parceria da editora com a HP e gr\u00e1ficas.<\/p>\n<p>A partir do in\u00edcio do novo s\u00e9culo come\u00e7aram a testar impressoras ink-jet para a produ\u00e7\u00e3o dos livros. Mais importante ainda, a formata\u00e7\u00e3o do material passou a ser em XML, a matriz de praticamente todas as linguagens de formata\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica existentes hoje, permitindo uma flexibilidade anteriormente mais dif\u00edcil.<\/p>\n<p>A associa\u00e7\u00e3o entre a McGraw-Hill e a HP se desenvolveu em outros segmentos. A editora decidiu transferir todos seus processos de produ\u00e7\u00e3o e pr\u00e9-impress\u00e3o para a \u00cdndia. A medida, entretanto, se desenvolveu com uma pol\u00edtica estrita de imposi\u00e7\u00e3o de qualidade e pre\u00e7o. \u00c9 um processo comum, na situa\u00e7\u00e3o em que uma grande empresa alcan\u00e7a um tamanho capaz de impor condi\u00e7\u00f5es estritas aos fornecedores. Ou seja, n\u00e3o \u00e9 nem privil\u00e9gio nem foi inven\u00e7\u00e3o da Amazon, e muitas outras empresas que alcan\u00e7am esse n\u00edvel de controle da produ\u00e7\u00e3o sistematicamente imp\u00f5em padr\u00f5es e pre\u00e7os. Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 privil\u00e9gio das empresas. Um exemplo parecido \u00e9 a que o FNDE imp\u00f5e aos editores no fornecimento dos livros did\u00e1ticos aqui.<br \/>\nA introdu\u00e7\u00e3o da impress\u00e3o digital, com sua grande flexibilidade, permite a elabora\u00e7\u00e3o de conte\u00fados que podem ser produzidos para atender especifica\u00e7\u00f5es dirigidas at\u00e9 o consumidor individual. Conjuntos de livros para classes e cursos espec\u00edficos j\u00e1 s\u00e3o rotina. <\/p>\n<p>Mas a impress\u00e3o digital provocou outras mudan\u00e7as importantes. O ajuste da oferta \u00e0 demanda, por exemplo. Anteriormente, os editores tinham que calcular (com base na sua experi\u00eancia, cada vez mais sofisticada, \u00e9 claro), qual deveria ser a tiragem de cada t\u00edtulo. A impress\u00e3o sob demanda deixa de lado essa exig\u00eancia. N\u00e3o apenas podem fabricar livros individualizados, como cada tiragem \u00e9 ajustada perfeitamente \u00e0 demanda. Portanto, h\u00e1 uma menor depend\u00eancia na previs\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Outro aspecto importante \u00e9 o da redu\u00e7\u00e3o dos estoques. E a redu\u00e7\u00e3o dos estoques aliada aos processos de impress\u00e3o digital, produz outros dois efeitos de grande import\u00e2ncia na economia da editora. O primeiro \u00e9 a elimina\u00e7\u00e3o do \u201cmercado secund\u00e1rio\u201d dos livros usados. Por\u00e9m, ainda mais importante, \u00e9 o processo de \u201cobsolesc\u00eancia programada\u201d das edi\u00e7\u00f5es. Na medida em que os livros s\u00e3o produzidos para cada classe (ou pelo menos para cada curso), e modificados facilmente de um ano para o outro com o uso desses enormes \u201cbancos de dados\u201d\/bibliotecas digitais de conte\u00fado, al\u00e9m das notas e contribui\u00e7\u00f5es de professores, os livros usados por uma turma s\u00e3o inaproveit\u00e1veis para as turmas seguintes. O que, evidentemente, \u00e9 \u00f3timo para a editora, e p\u00e9ssimo do ponto de vista social. N\u00e3o existe mais o reaproveitamento do livro usado.<\/p>\n<p>Os processos de \u201cmontagem\u201d de conte\u00fado e impress\u00e3o em pequenas tiragens permitem tamb\u00e9m o desenvolvimento de mercado de nichos, ou o teste de conte\u00fados em nichos espec\u00edficos e de modo controlado.<br \/>\nFinalmente, o desenvolvimento de facilidades locais para impress\u00e3o digital proporcionou ainda outra economia em log\u00edstica. Quanto mais pr\u00f3xima estiver a gr\u00e1fica digital do consumidor final, menor ser\u00e1 o custo de transporte. Recentemente as grandes transportadoras dos EUA tiveram que refazer c\u00e1lculos de produtividade e ocupa\u00e7\u00e3o com a prolifera\u00e7\u00e3o dos armaz\u00e9ns da Amazon. Como o frete \u00e9 cobrado por faixas de dist\u00e2ncia calculadas em um raio a partir do ponto de recolhimento, a produ\u00e7\u00e3o localizada come\u00e7a a afetar o uso do transporte terrestre.<\/p>\n<p>Essas modifica\u00e7\u00f5es no sistema de produ\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica e editorial, decorrentes da introdu\u00e7\u00e3o de sistemas digitais em uma extens\u00e3o cada vez maior, ocorre, evidentemente, fora dos olhos do consumidor final. O livro tradicional, impresso, tamb\u00e9m se transforma com os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>Essas considera\u00e7\u00f5es aqui s\u00e3o feitas levando em conta o segmento dos livros did\u00e1ticos (em todos os n\u00edveis de ensino, em maior ou menor grau). No Brasil ainda estamos bem longe da sofistica\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica dos EUA. At\u00e9 porque, \u00e9 bom n\u00e3o esquecer, o maior volume na produ\u00e7\u00e3o de livros did\u00e1ticos \u00e9 o comprado pelos programas governamentais. Segundo informa\u00e7\u00f5es da ABRELIVROS (dadas por Antonio Luiz Rios, vice-presidente da entidade no evento da HP), os programas governamentais absorvem oitenta por cento da produ\u00e7\u00e3o, mas geram apenas 50% do faturamento das editoras do setor. Os vinte por cento absorvidos pelo mercado geram a outra metade do faturamento, e essa faixa poder\u00e1 ser melhor explorada com a sofistica\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado. <\/p>\n<p>Al\u00e9m do setor tradicional das editoras did\u00e1ticas, os chamados sistemas de ensino tamb\u00e9m crescem (e quase todas as editoras tamb\u00e9m t\u00eam sistemas). Nessa \u00e1rea pode haver um aumento consistente no uso desses processos digitais.<\/p>\n<p>Algumas institui\u00e7\u00f5es de ensino superior j\u00e1 usam modelos parecidos. H\u00e1 universidades particulares que, para alguns cursos, incluem no pre\u00e7o da anuidade o custo do material did\u00e1tico desenhado especialmente, entregue aos alunos. E a ABDR, em uma encabulada retirada da mania persecut\u00f3ria das reprografias, lan\u00e7ou a \u201cPasta do professor\u201d, uma f\u00f3rmula que era usada h\u00e1 quase trinta anos pela McGraw-Hill e outras editoras de livros t\u00e9cnico-cient\u00edficos e universit\u00e1rios dos EUA.<\/p>\n<p>O impacto da impress\u00e3o sob demanda na \u00e1rea dos livros de interesse geral \u00e9 um cap\u00edtulo, que tentarei abordar melhor em outra ocasi\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Normalmente se associa a quest\u00e3o da edi\u00e7\u00e3o digital aos e-books e e-readers. Mas a coisa n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples. J\u00e1 mencionei que o uso de formatos digitais pelas editoras do segmento t\u00e9cnico-cient\u00edfico est\u00e1 pr\u00f3xima de comemorar seu vig\u00e9simo anivers\u00e1rio. Mas o mundo digital afeta o mundo editorial n\u00e3o apenas dessa forma. 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