{"id":1914,"date":"2013-07-26T17:30:56","date_gmt":"2013-07-26T20:30:56","guid":{"rendered":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=1914"},"modified":"2013-07-26T17:39:28","modified_gmt":"2013-07-26T20:39:28","slug":"tuiteratura-uma-experiencia-que-vale-ser-vista","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=1914","title":{"rendered":"#TUITERATURA \u2013 Uma experi\u00eancia que vale ser vista"},"content":{"rendered":"<p>O <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www.sescsp.org.br\/programacao\/3172_EXPOSICAO+TUITERATURA#\/content=na-midia');\"  href=\"http:\/\/www.sescsp.org.br\/programacao\/3172_EXPOSICAO+TUITERATURA#\/content=na-midia\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fwww.sescsp.org.br%2Fprogramacao%2F3172_EXPOSICAO%2BTUITERATURA%23%2Fcontent%3Dna-midia','')\"\" target=\"_blank\">SESC de Santo Amaro<\/a> (SP) est\u00e1 com a exposi\u00e7\u00e3o <strong>#Tuiteratura<\/strong>, at\u00e9 o final do pr\u00f3ximo fim de semana. Vale a pena ir l\u00e1 ver. O projeto foi concebido por Giselle Zamboni, advogada e tuiteira (@gisellezamboni) e \u00e9 totalmente interativo. Gisele localizou e convidou sessenta e um \u201cautores tuiteiros\u201d, mais vinte autores j\u00e1 publicados em papel, aos quais convidou para elaborar tu\u00edtes especialmente para a mostra. Al\u00e9m disso, quem escreve tu\u00edtes com a hashtag #tuiteratura corre o risco de ter sua obra selecionada para o painel, assim como quem tu\u00edta na hora, l\u00e1 na exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o em si est\u00e1 em uma sala comprida, onde uma tela de material especial, revestida com uma pel\u00edcula que nem sei mesmo do que \u00e9 feita, mas que segundo a Gisele \u00e9 a maior do mundo fabricada assim, vai mostrando cont\u00ednuos dos tu\u00edtes, com diferentes formas de intera\u00e7\u00e3o com o espectador. Na primeira se\u00e7\u00e3o, \u00e9 a silhueta do corpo que destaca os tu\u00edtes que v\u00e3o desfilando. Na segunda, o gestual de quem joga coisas no ar (como quem espalha \u00e1gua) levanta uma chuva de letras que s\u00e3o \u201caparadas\u201d com as m\u00e3os e revelam os tu\u00edtes. Pode-se repetir o gesto \u00e0 vontade, descobrindo o que foi produzido pelos tuiteiros convidados e os diariamente selecionados pela equipe. Na terceira se\u00e7\u00e3o uma h\u00e1 esp\u00e9cie de mandala com todas as letras e sinais gr\u00e1ficos que permitem que o visitante construa seus tu\u00edtes.<\/p>\n<p>Em frente a essa tela, um banco de madeira com os tu\u00edtes em braile \u2013 Gisele pensou nos deficientes visuais. Quando algu\u00e9m se senta em cada uma das se\u00e7\u00f5es, dispara uma grava\u00e7\u00e3o por cima de sua cabe\u00e7a, recitando os tu\u00edtes.<\/p>\n<p>No sagu\u00e3o de entrada do SESC uma quantidade de tsuru, cegonhas da sorte feitas em origami, est\u00e3o arrumadas formando uma @, esse eu intern\u00e9tico.<\/p>\n<p>Pois bem, na noite do dia 25, chuvosa e desgra\u00e7adamente paulistana, l\u00e1 fui para o SESC Santo Amaro, convidado para mediar uma mesa sobre Tuiteratura. A mesa tinha a presen\u00e7a de <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www.facebook.com\/cristiane.costa.eco');\"  href=\"https:\/\/www.facebook.com\/cristiane.costa.eco\" onclick=\"return TrackClick('https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2Fcristiane.costa.eco','Cristiane+Costa')\" target=\"_blank\">Cristiane Costa<\/a>, que foi editora do finado e pranteado caderno \u201cIdeias\u201d, que existia quando o JB ainda era jornal; Andr\u00e9 Vallias   , nosso <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www.andrevallias.com\/');\"  href=\"http:\/\/www.andrevallias.com\/\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fwww.andrevallias.com%2F','cyberpoeta')\" target=\"_blank\">cyberpoeta<\/a>, <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www.facebook.com\/andrevallias');\"  href=\"https:\/\/www.facebook.com\/andrevallias\" onclick=\"return TrackClick('https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2Fandrevallias','facebuqueiro')\" target=\"_blank\">facebuqueiro<\/a>. tuiteiro (@andrevallias); e o prof. Jo\u00e3o Cezar Castro Rocha, da UERJ (que n\u00e3o havia sido apresentado nem ao tweeter nem ao FB).<br \/>\n<!--more--><br \/>\nFoi uma experi\u00eancia \u00f3tima, apesar do frio. <\/p>\n<p>Cristiane mostrou exemplos de cyberliteratura, e de formatos mais recentes de e-books \u201caumentados\u201d com elementos gr\u00e1ficos, e experi\u00eancias de escrituras online e colaborativas. Os exemplos, muito interessantes, est\u00e3o dispon\u00edveis no formato Prezi, de acesso aberto, neste <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/prezi.com\/ggigjgularzm\/copy-of-copy-of-narrativas-digitais\/');\"  href=\"http:\/\/prezi.com\/ggigjgularzm\/copy-of-copy-of-narrativas-digitais\/\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fprezi.com%2Fggigjgularzm%2Fcopy-of-copy-of-narrativas-digitais%2F','link')\" target=\"_blank\">link<\/a>. Cristiane mostra como o conceito de narrativa pode ultrapassar as formas liter\u00e1rias, que s\u00e3o as mais conhecidas, ampliando o conceito para v\u00e1rios outros meios e formatos (como jogos eletr\u00f4nicos, por exemplo).<\/p>\n<p>Andr\u00e9 Vallias, como cyberpoeta, apresentou alguns quadros bem interessantes nos quais mostrava como o registro das narrativas ocupa um lugar muito pequeno e recente na hist\u00f3ria de v\u00e1rios milhares de anos da humanidade. Associou as manifesta\u00e7\u00f5es pict\u00f3ricas registradas nas cavernas a diagramas. Mais que uma simples representa\u00e7\u00e3o pict\u00f3rica, aqueles desenhos registravam cren\u00e7as, fases da lua, jornadas, etc. Os pictogramas est\u00e3o na base dos primeiros registros \u201cescritos\u201d. Registrados em tabletes de cera, argila, papiro ou pedra, constru\u00edam narrativas articuladas a partir desses sinais pict\u00f3ricos, que foram se estilizando at\u00e9 chegar \u00e0s formas atuais, por exemplo, dos ideogramas chineses. Os ideogramas s\u00e3o efetivamente flex\u00edveis para o estabelecimento de narrativas, e Andr\u00e9 assinalou a conjun\u00e7\u00e3o da narrativa com a arte caligr\u00e1fica e a pintura, tra\u00e7o comum aos poetas chineses cl\u00e1ssicos. Mas, o primo Cadmo (afinal, o L\u00edbano \u00e9 a Fen\u00edcia!), provavelmente um comerciante (tinha que ser, \u00e9 claro) inventou um sistema em que o registro n\u00e3o passava pela representa\u00e7\u00e3o das coisas, e sim dos fonemas, da fala &#8211; e nasceu o alfabeto, com toda sua flexibilidade.<\/p>\n<p>Andr\u00e9 chamou a aten\u00e7\u00e3o para o salto do momento em que tudo estava escrito em livros (e os registros, como o ISBN) se tornaram o meio pelo qual toda a experi\u00eancia humana estava registrada, para o do o registro eletr\u00f4nico e as formas atuais de comunica\u00e7\u00e3o. No final das contas, assinalou Andr\u00e9, esses registros eletr\u00f4nicos modificaram radicalmente v\u00e1rias coisas: praticamente tudo que se escreve passa a ter uma forma eletr\u00f4nica (e a NSA sabe bem disso&#8230;), mesmo que n\u00e3o seja publicada. De alguma maneira, a equa\u00e7\u00e3o de saber o estado atual do conhecimento (cient\u00edfico, human\u00edstico, art\u00edstico) se transfere para a possibilidade de descoberta (e eu que vivo falando em metadados&#8230;) atrav\u00e9s dos mecanismos de busca.<\/p>\n<p>Um dos quadros interessantes que Andr\u00e9 nos mostrou \u00e9 aquilo que est\u00e1 por tr\u00e1s de uma p\u00e1gina de tu\u00edtes: os c\u00f3digos (HTML) que instruem as m\u00e1quinas a apresentar o conte\u00fado da forma como o programador o deseja. Anedota: os 140 caracteres do tu\u00edte foram definidos a partir de uma \u201cjanela\u201d descoberta por um engenheiro, que deixava espa\u00e7o para 160 caracteres. Os 140 foram definidos para que sobrasse espa\u00e7o para as instru\u00e7\u00f5es. Na China, com seu alfabeto semi-ideogr\u00e1fico, s\u00f3 cabem 70 caracteres no tu\u00edte (\u201cMas d\u00e1 quase para escrever um livro com isso\u201d, comentou Andr\u00e9).<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Cezar de Castro Rocha, apesar de analfabeto em tu\u00edtes, deu contribui\u00e7\u00f5es inestim\u00e1veis para o debate, assinalando as origens sem\u00e2nticas de palavras como literatura, narrativa, inven\u00e7\u00e3o, e de como James Joyce pode at\u00e9 ter contribu\u00eddo com alguns termos para o vocabul\u00e1rio cibern\u00e9ticos atual, pelo menos no esp\u00edrito de construir sentidos com aglutina\u00e7\u00e3o de termos que comp\u00f5em outros termos e que podem ser recombinados (vide Finnegans Wake, no original ou na tradu\u00e7\u00e3o de Donaldo Sch\u00fcle). Mostrou tamb\u00e9m como a busca de formas sint\u00e9ticas est\u00e1 presente em toda a hist\u00f3ria da literatura (por exemplo, epigramas, epit\u00e1fios \u2013 sim, fazem parte da literatura cl\u00e1ssica \u2013 e outras formas sint\u00e9ticas. Depois nos lembramos dos haicais). <\/p>\n<p>E por a\u00ed fomos.<\/p>\n<p>Duas horas de conversa riqu\u00edssima, onde eu estava na confort\u00e1vel posi\u00e7\u00e3o, como mediador, de ouvir muito e aprender bastante. Espero que todos os tr\u00eas produzam por escrito (para divulga\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica, claro) as contribui\u00e7\u00f5es dessa noite.<br \/>\nGiselle Zamboni nos informou que a exposi\u00e7\u00e3o deve viajar, e que vai querer que repitamos a conversa por onde ela for. Por mim, est\u00e1 topado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[502,503,501,504,493,505,499,500],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1914"}],"collection":[{"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1914"}],"version-history":[{"count":9,"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1914\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1923,"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1914\/revisions\/1923"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1914"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1914"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1914"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}