{"id":1896,"date":"2013-07-16T11:33:12","date_gmt":"2013-07-16T14:33:12","guid":{"rendered":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=1896"},"modified":"2013-07-16T11:33:12","modified_gmt":"2013-07-16T14:33:12","slug":"movimentos-atuais-da-literatura-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=1896","title":{"rendered":"MOVIMENTOS ATUAIS DA LITERATURA BRASILEIRA"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/Capturar1.jpg\" alt=\"Capturar\" width=\"856\" height=\"527\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1897\" srcset=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/Capturar1.jpg 856w, http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/Capturar1-300x184.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 856px) 100vw, 856px\" \/><br \/>\nO projeto Conex\u00f5es Ita\u00fa Cultural \u2013 mapeamento Internacional da Literatura Brasileira, se prop\u00f5e a construir um banco de dados sobre professores, pesquisadores e tradutores da literatura brasileira no exterior. J\u00e1 escrevi algumas vezes aqui sobre o Conex\u00f5es, do qual sou um dos curadores, juntamente com o professor Jo\u00e3o Cezar de Castro Rocha. Alguns dos dados estat\u00edsticos sobre os quase 250 mapeados podem ser consultados <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/conexoesitaucultural.org.br\/');\"  href=\"http:\/\/conexoesitaucultural.org.br\/\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fconexoesitaucultural.org.br%2F','aqui')\" target=\"_blank\">aqui<\/a>. Ali tamb\u00e9m podem ser consultados textos resgatados de pesquisadores, alguns produzidos especialmente para o projeto. Tamb\u00e9m podem ser vistos cerca de 150 v\u00eddeos gravados com depoimentos de autores e pesquisadores que participaram dos v\u00e1rios eventos do Conex\u00f5es e de outros programas do Ita\u00fa Cultural.<\/p>\n<p>\tAl\u00e9m do mapeamento, o Conex\u00f5es suscita, junto aos curadores e outros pesquisadores, a produ\u00e7\u00e3o de pesquisas espec\u00edficas, seja usando o banco de dados, sejam inspiradas pelos temas do projeto. Foi assim na \u00faltima FLIP, quando o Conex\u00f5es apresentou quatro pesquisas in\u00e9ditas reunidas como \u201cMovimentos Atuais da Literatura Brasileira\u201d. As quatro em breve estar\u00e3o dispon\u00edveis no site mencionados.<\/p>\n<p>\tA professora Laetitia Jensen Eble, que integra o Grupo de Estudos em Literatura Brasileira da UnB (coordenado pela prof. Regina Dalcastagn\u00e9) preparou um trabalho, a partir do levantamento dos curr\u00edculos da Plataforma Lattes, do CNPq.<\/p>\n<p>\tO professor Jo\u00e3o C\u00e9zar Castro Rocha aproveitou alguns dados dessa pesquisa, comparou-os com os do banco de dados do Conex\u00f5es e preparou um instigante trabalho sobre o novo perfil do \u201cbrasilianista\u201d, e que autores s\u00e3o estudados. <\/p>\n<p>\tF\u00e1bio Malini, professor da Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo, onde coordena o Laborat\u00f3rio de Estudos sobre Imagem e Cibercultura (Labic) do Departamento de Comunica\u00e7\u00f5es, preparou um interessante mapeamento das fanpages e hashtags dos retu\u00edtes sobre cinco autores da literatura brasileira: Leminski, Machado de Assis, Clarice Lispector e Caio Fernando de Abreu.<\/p>\n<p>\tEu, que n\u00e3o dou aula em lugar nenhum, fiz um levantamento sobre o espetacular aumento de feiras de livros e festivais liter\u00e1rios no Brasil, assim como o montante gasto por prefeituras e governos estaduais em diversas formas de \u201ccheque-livro\u201d ou \u201cvale-livro\u201d entregues para professores, alunos e bibliotecas nessas feiras de livro.<!--more--><\/p>\n<p>Os interessados poder\u00e3o ter acesso, em breve, \u00e0 \u00edntegra desses trabalhos. S\u00f3 pretendo aqui assinalar alguns pontos de interesse.<\/p>\n<p>\tEm primeiro lugar, o fato do Conex\u00f5es \u2013 com cerca de 250 question\u00e1rios preenchidos \u2013 j\u00e1 permitir que dali se retirem informa\u00e7\u00f5es pertinentes e importantes para o desenvolvimento de pol\u00edticas p\u00fablicas para a literatura brasileira, e em especial sua difus\u00e3o no \u00e2mbito internacional. Quais os autores mais estudados, os temas e \u00e1reas de interesse desses pesquisadores s\u00e3o, entre outros, alguns dos dados tabulados.<\/p>\n<p>\tO artigo do prof. Jo\u00e3o C\u00e9zar de Castro Rocha destaca algumas quest\u00f5es. Em primeiro lugar, a mudan\u00e7a do conceito de \u201cbrasilianista\u201d, termo que, quando cunhado, dizia respeito a especialistas estrangeiros que se dedicavam ao estudo de temas brasileiros. Pois bem, dos quase 250 mapeados, 85 \u2013 ou seja, um quarto \u2013 s\u00e3o nascidos no Brasil. Estudar assuntos brasileiros a partir de universidades do exterior vem se tornando uma alternativa profissional para jovens pesquisadores brasileiros. Jo\u00e3o C\u00e9zar destaca, tamb\u00e9m, que alguns desses brasileiros que trabalham no exterior j\u00e1 est\u00e3o formando uma nova gera\u00e7\u00e3o de pesquisadores \u2013 alguns brasileiros, outros estrangeiros \u2013 que continuam esse aprofundamento de estudos, n\u00e3o apenas em literatura, como tamb\u00e9m em outras \u00e1reas. <\/p>\n<p>\tUm segundo ponto de interesse no artigo de Jo\u00e3o C\u00e9zar de Castro Rocha \u00e9 a amplia\u00e7\u00e3o das \u00e1reas de estudo. Os \u201cbrasilianistas\u201d da literatura brasileira estudam cada vez mais a nossa literatura dentro do contexto de pesquisas mais amplas, que abarcam o cinema, a m\u00fasica, e outras formas de manifesta\u00e7\u00e3o cultural. E, muito importante, cada vez mais dentro de um contexto de estudos de literatura comparada \u2013 seja com as demais literaturas latino-americanas, ou dentro dos estudos de g\u00eanero \u2013 literatura feminina, sobre a viol\u00eancia, gay, etc. <\/p>\n<p>\tFinalmente, o artigo do prof. Jo\u00e3o Cezar destaca que os estudiosos de nossa literatura no exterior est\u00e3o muito mais atentos aos autores contempor\u00e2neos \u2013 sem excluir os autores do c\u00e2none \u2013 que os que estudam nas universidades brasileiras. Essa informa\u00e7\u00e3o decorre da compara\u00e7\u00e3o dos dados do Conex\u00f5es com os levantados por Laetitia Jansen, que detectou, estudando os dados da plataforma Lattes, do CNPq (cujo preenchimento \u00e9 mandat\u00f3rio para quem segue carreira acad\u00eamica no Brasil), a presen\u00e7a de 2.176 professores-doutores, dentro da \u00e1rea de Letras, que se dedicam especificamente a estudar literatura brasileira. Laetitia Jansen extraiu dos curr\u00edculos registrados algumas informa\u00e7\u00f5es muito interessantes, entre as quais as quantidades de artigo e obras publicadas em revistas especializadas que divulgam a produ\u00e7\u00e3o de 111 programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Letras existentes no pa\u00eds. <\/p>\n<p>\tUma das constata\u00e7\u00f5es mais interessantes desse trabalho aparece no ranking dos autores mais estudados: ao contr\u00e1rio dos pesquisadores que trabalham no exterior, os que aqui est\u00e3o preferem, maci\u00e7amente, estudar os autores do c\u00e2none. <\/p>\n<p>Os dois pesquisadores concluem: para os brasileiros, \u00e9 mais frut\u00edfero se dedicar aos autores sobre os quais o di\u00e1logo com os pares est\u00e1 mais desenvolvido, as refer\u00eancias s\u00e3o mais abundantes e os resultados acad\u00eamicos mais frut\u00edferos. Para os que trabalham no exterior, ao contr\u00e1rio, o conhecimento dos movimentos contempor\u00e2neos \u00e9 o mais valorizado, e por isso mesmo a presen\u00e7a de autores vivos e atuantes \u00e9 significativamente maior. <\/p>\n<p>Seja como for, existe uma coincid\u00eancia: Machado de Assis, com certeza, \u00e9 o autor mais estudado, aqui e l\u00e1 fora.<\/p>\n<p>\tO trabalho que F\u00e1bio Malini desenvolve no Labic j\u00e1 abriu novas avenidas para a compreens\u00e3o do papel das redes sociais na sociedade contempor\u00e2nea. Basta dizer que os levantamentos feitos por ele e sua equipe das manifesta\u00e7\u00f5es recentes resultou em mat\u00e9rias publicadas em alguns dos principais jornais do Brasil e do mundo, como o New York Times e o El Pa\u00eds. <\/p>\n<p>\tMalini colocou seus rob\u00f4s para acompanhar os retu\u00edtes produzidos a partir de fanpages ou citados por tuiteiros an\u00f4nimos e que mencionavam os cinco autores citados. Apenas os retu\u00edtes, j\u00e1 que estes permitem verificar a extens\u00e3o das redes que se constroem, onde est\u00e3o os principais n\u00facleos geradores de tu\u00edtes sobre cada um desses autores, e como essas redes se relacionam entre si. Uma visita \u00e0 p\u00e1gina do <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www.labic.net');\"  href=\"http:\/\/www.labic.net\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fwww.labic.net','Labic')\" target=\"_blank\">Labic<\/a> \u00e9 muito instrutiva. Al\u00e9m do mais, os diagramas das redes formadas a partir de diferentes temas produzem objetos est\u00e9ticos com uma bel\u00edssima plasticidade.<\/p>\n<p>\tO trabalho que apresentei mostra um quadro da evolu\u00e7\u00e3o das feiras de livros no pa\u00eds, no que diz respeito \u00e0 sua forma e qualidade. No in\u00edcio eram apenas eventos promocionais das editoras. Posteriormente, foram acrescentados espa\u00e7os \u2013 cada vez mais estruturados \u2013 que permitiam o encontro dos autores com seus leitores, at\u00e9 chegarmos ao formato \u201cfestival de literatura\u201d, do qual a FLIP \u00e9 o exemplo mais conhecido, embora n\u00e3o \u00fanico. <\/p>\n<p>\tOutro ponto de destaque \u00e9 o aumento do n\u00famero desses eventos, particularmente a partir do ano 2.000. Hoje, o portal da FBN que registra feiras e festivais de literatura que acontecem em 2013 pelo Brasil afora, registra 261 feiras\/festivais, em quase todos os estados. O destaque num\u00e9rico \u00e9 do Rio Grande do Sul, que atribuo, pelo menos parcialmente, \u00e0 sexagen\u00e1ria exist\u00eancia do Instituto Estadual do Livro. Com suas defici\u00eancias e oscila\u00e7\u00f5es de programas e or\u00e7amentos, o IEL-RS \u00e9 um exemplo praticamente \u00fanico de continuidade institucional de pol\u00edticas p\u00fablicas para o livro no Brasil.<\/p>\n<p>\tOutro levantamento apresentado \u00e9 o do volume de recursos distribu\u00eddos a alunos, professores ou bibliotecas ou escolas atrav\u00e9s de v\u00e1rios mecanismos de vale livro ou cheque livro. Consegui informa\u00e7\u00f5es sobre 2010 e 2011. No primeiro ano, foram R$ 12.732.000. J\u00e1 em 2011, esse montante subiu para R$ 26.120.000 distribu\u00eddos. Esse volume de recursos, pulverizado nas feiras, foi muito superior \u00e0s compras de livros para bibliotecas feitas pelo Governo Federal (Minist\u00e9rio da Cultura) nos dois anos. N\u00e3o se compara com os recursos destinados aos livros escolares nem ao programa da Biblioteca na Escola, que s\u00e3o muito maiores que os do Minist\u00e9rio da Cultura, e destinados especificamente \u00e0s bibliotecas escolares e alunos.<\/p>\n<p>\tO que importa destacar, no caso, \u00e9 o seguinte: a) aumentam os espa\u00e7os para as intera\u00e7\u00f5es entre os autores e seus leitores. b) os recursos p\u00fablicos (n\u00e3o se trata de toda a movimenta\u00e7\u00e3o financeira das feiras) destinados ao mercado editorial nas feiras s\u00e3o significativos e tendem a crescer.<\/p>\n<p>\tCertamente haver\u00e1 quest\u00f5es de qualidade a serem levantadas nos dois fen\u00f4menos. Como se desenvolve efetivamente esse relacionamento autores\/leitores, inclusive os m\u00e9todos de sele\u00e7\u00e3o dos autores convidados, assim como o tipo de livros adquiridos com esses recursos. Mas aqui desejo destacar \u00e9 que essas quest\u00f5es podem ser pesquisadas, agora, a partir de uma base quantitativa muito significativa.<\/p>\n<p>\tE assim se movimenta a literatura brasileira.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O projeto Conex\u00f5es Ita\u00fa Cultural \u2013 mapeamento Internacional da Literatura Brasileira, se prop\u00f5e a construir um banco de dados sobre professores, pesquisadores e tradutores da literatura brasileira no exterior. J\u00e1 escrevi algumas vezes aqui sobre o Conex\u00f5es, do qual sou um dos curadores, juntamente com o professor Jo\u00e3o Cezar de Castro Rocha. 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