{"id":1781,"date":"2013-05-21T11:18:59","date_gmt":"2013-05-21T14:18:59","guid":{"rendered":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=1781"},"modified":"2013-05-21T19:58:21","modified_gmt":"2013-05-21T22:58:21","slug":"cinema-e-livros-dois-pesos-e-duas-medidas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=1781","title":{"rendered":"Cinema e livros: dois pesos e duas medidas"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/Capturar1.jpg\" alt=\"Capturar\" width=\"858\" height=\"476\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1782\" srcset=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/Capturar1.jpg 858w, http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/Capturar1-300x166.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 858px) 100vw, 858px\" \/><br \/>\nLuiz Zanin Oricchio, cr\u00edtico de cinema d\u2019O Estado de S. Paulo publicou em seu blog \u2013 <em><a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/blogs.estadao.com.br\/luiz-zanin\/cinema-a-nossa-imagem-la-fora\/');\"  href=\"http:\/\/blogs.estadao.com.br\/luiz-zanin\/cinema-a-nossa-imagem-la-fora\/\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fblogs.estadao.com.br%2Fluiz-zanin%2Fcinema-a-nossa-imagem-la-fora%2F','Cinema%2C+a+nossa+imagem+l%C3%A1+fora')\" target=\"_blank\">Cinema, a nossa imagem l\u00e1 fora<\/a><\/em>   e no Caderno 2 \u2013 <em><a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www.estadao.com.br\/noticias\/impresso,nova-diplomacia-para-divulgar-a-producao-brasileira-no-exterior-,1033389,0.htm');\"  href=\"http:\/\/www.estadao.com.br\/noticias\/impresso,nova-diplomacia-para-divulgar-a-producao-brasileira-no-exterior-,1033389,0.htm\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fwww.estadao.com.br%2Fnoticias%2Fimpresso%2Cnova-diplomacia-para-divulgar-a-producao-brasileira-no-exterior-%2C1033389%2C0.htm','Nova+diplomacia+para+divulgar+a+produ%C3%A7%C3%A3o+brasileira+no+exterior')\" target=\"_blank\">Nova diplomacia para divulgar a produ\u00e7\u00e3o brasileira no exterior<\/a><\/em>   &#8211; artigo sobre recentes medidas da Ancine para a divulga\u00e7\u00e3o do cinema brasileiro no exterior. Os dois foram publicados no domingo, 19 de maio. O artigo do blog s\u00f3 se diferencia do publicado na edi\u00e7\u00e3o impressa no acr\u00e9scimo do nome de dez t\u00edtulos do cinema nacional que seriam objeto da nova \u201cdiplomacia cinematogr\u00e1fica\u201d. <\/p>\n<p>\tEm resumo, Zanin Oricchio reporta que a Ancine \u201ccriou um programa para mostrar filmes brasileiros aos curadores de festivais internacionais\u201d, em uma parceria entre o MinC e o Itamaraty para \u201csolucionar um problema, a atual falta de visibilidade do cinema brasileiro no exterior\u201d. Segundo Zanin \u201cparte do problema se deve \u00e0 falta de divulga\u00e7\u00e3o adequada\u201d. Outra parte \u201ctem a ver como a natureza da produ\u00e7\u00e3o brasileira, ao menos como ela \u00e9 percebida no exterior\u201d. Segundo a mat\u00e9ria, os curadores de festivais \u201cverbalizam um diagn\u00f3stico que coincide com muitos dos cr\u00edticos de cinema patr\u00edcios [pois] estaria dividida entre filmes televisivos [&#8230;] e filmes que, por rea\u00e7\u00e3o, se colocam de maneira esteticamente muito fechada em rela\u00e7\u00e3o ao p\u00fablico\u201d. Esses dois tipos de filmes n\u00e3o interessam aos festivais. Mas Zanin Oricchio assinala a exist\u00eancia de filmes \u201cde ambi\u00e7\u00e3o art\u00edstica por\u00e9m sem menosprezo pelo p\u00fablico\u201d.<\/p>\n<p>\t\u201cFata de visibilidade\u201d, \u201cfalta de divulga\u00e7\u00e3o adequada\u201d? Onde ser\u00e1 que li algo assim?<\/p>\n<p>\tDiante dessa situa\u00e7\u00e3o, Ancine \u2013 Minist\u00e9rio da Cultura \u2013 e Itamaraty bolaram o programa de divulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\tA mat\u00e9ria n\u00e3o menciona valores.<\/p>\n<p>\tEntretanto, algu\u00e9m por a\u00ed ouviu falar em desperd\u00edcio de recursos p\u00fablicos para favorecer os produtores de cinema nacionais? Eu, pelo menos, n\u00e3o.<br \/>\n<!--more--><br \/>\nQue bom. <\/p>\n<p>Nisso, como em tantas outras coisas, o lobby do cinema funciona muito bem.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o vemos o funcionamento relativamente fluido entre o MinC, a Ancine (que como ag\u00eancia, depende diretamente da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, mas cujos diretores passam pela indica\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Cultura) e do Itamaraty. A atual diretoria da Ancine vem sido reconduzida, atendendo ao lobby do cinema (mais uma vez, parab\u00e9ns) e garantindo uma continuidade de a\u00e7\u00f5es que se reflete no mercado interno e nas a\u00e7\u00f5es internacionais.<\/p>\n<p>\tEm 2004, no livro \u201cO Brasil pode ser um pa\u00eds de leitores?\u201d escrevi: \u201cUm dos grandes problemas das institui\u00e7\u00f5es existentes (e, se n\u00e3o for equacionado, das que vierem a existir) \u00e9 o da descontinuidade administrativa. Ao mudar o prefeito, o governador e o presidente, mudan-se os secret\u00e1rios e o ministro da Cultura. Da\u00ed em diante a ciranda continua, a ponto de mudarem motoristas, porteiros e at\u00e9 a pessoa que faz caf\u00e9\u201d (pg. 41).<\/p>\n<p>E mais adiante, dizia: \u201cO livro e a leitura t\u00eam interfaces que ultrapassam em muito o \u00e2mbito dos dois minist\u00e9rios que atualmente se ocupam \u2013 pelo menos nominalmente \u2013 do assunto, o da Educa\u00e7\u00e3o e o da Cultura\u201d (pg. 181). E listava v\u00e1rios dos outros segmentos que deveriam integrar uma pol\u00edtica governamental. E mencionei tamb\u00e9m sobre processos de mudan\u00e7as, que certamente devem existir, de programas e pessoas, pendentes de processos de avalia\u00e7\u00e3o. Continuidade n\u00e3o \u00e9 imobilidade.<\/p>\n<p>H\u00e1 muito presto aten\u00e7\u00e3o em um fen\u00f4meno curioso. As administra\u00e7\u00f5es (em todos os n\u00edveis, da federal \u00e0s municipais), dificilmente atuam de forma coordenada, em conjunto. Pode ser um dos tantos efeitos desse sistema de coliga\u00e7\u00e3o de sustenta\u00e7\u00e3o das administra\u00e7\u00f5es, talvez. Mas o fato \u00e9 que cada secretaria ou minist\u00e9rio se constitui como uma esp\u00e9cie de \u201cfeudo\u201d: essa \u00e1rea \u00e9 minha e ningu\u00e9m tasca, \u00e9 a impress\u00e3o que passa. E \u00e9 muito t\u00eanue, prec\u00e1ria mesma, a articula\u00e7\u00e3o entre diferentes \u00e1reas das administra\u00e7\u00f5es para a execu\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas. <\/p>\n<p>A\u00e7\u00f5es conjugadas da administra\u00e7\u00e3o geralmente acontecem por iniciativa de setores interessados. Quando bem articulados, conseguem a\u00e7\u00f5es. Nem preciso mencionar os grandes interesses: empreiteiras, bancos, setor automobil\u00edstico, por exemplo. No caso da cultura, est\u00e1 a\u00ed o exemplo claro do cinema, que consegue se articular. Eu ainda vou aprender a usar os mecanismos do portal da transpar\u00eancia e levantar quanto o cinema custa em incentivos, investimento das estatais e a\u00e7\u00f5es governamentais como essas que citei.<\/p>\n<p>O inverso disso \u00e9 o que se v\u00ea no livro, leitura, bibliotecas. Primeiro, a esquizofrenia governamental chega ao n\u00edvel de existir dentro mesmo do Minist\u00e9rio da Cultura. Enquanto o cinema consegue o que quer, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 bem diferente no livro. <\/p>\n<p>Mesmo quando se alcan\u00e7a um belo resultado, como foi o caso da desonera\u00e7\u00e3o total do livro (simplesmente levando ao final um dispositivo constitucional, e mesmo assim sem incluir pequenas livrarias e editoras que est\u00e3o no Simples), a coisa fica pela metade: a constitui\u00e7\u00e3o do Fundo para financiamento de bibliotecas e a\u00e7\u00f5es de desenvolvimento do setor nunca saiu do papel, diante do corpo mole das editoras e da desarticula\u00e7\u00e3o dos demais interessados. O MinC n\u00e3o consegue articular com a Fazenda o projeto, que nunca sai. E como os editores e as grandes livrarias ficaram felizes com a desonera\u00e7\u00e3o, se esqueceram do compromisso assumido para constituir o fundo, e os leitur\u00f3logos dizem que isso n\u00e3o serviu para nada, n\u00e3o h\u00e1 press\u00e3o para que o Fundo avance. Como o ditado: \u201cCada um por si, e Deus por todos\u201d. Como a divindade anda meio ausente&#8230;<\/p>\n<p>Na m\u00fasica e nas artes pl\u00e1sticas, os projetos de \u201cAno do Brasil na&#8230;\u201d e \u201cAno da&#8230; no Brasil\u201d movimentam recursos significativos (j\u00e1 houve a Copa da Cultura na Alemanha, Anos da Fran\u00e7a, de Portugal e agora novamente da Alemanha, sem esquecer da Europalia), e sempre se destaca a  import\u00e2ncia da divulga\u00e7\u00e3o da cultura brasileira, como parte da diplomacia cultural, etc. etc. e bl\u00e1, bl\u00e1, bl\u00e1.<\/p>\n<p>Mas quando \u00e9 uma iniciativa que levar\u00e1 a cultura brasileira a partir de um evento ligado ao mundo do livro&#8230; \u00e9 desperd\u00edcio, \u00e9 muito dinheiro para pouca coisa&#8230; O engra\u00e7ado \u00e9 que, no caso de Frankfurt, as pessoas se esquecem que a maior parte da movimenta\u00e7\u00e3o cultural se d\u00e1 fora da Feira e abrange todas as demais manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas: artes pl\u00e1sticas, m\u00fasica, dan\u00e7a, diversidade cultural. E tamb\u00e9m cinema, \u00e9 claro. Mas como tudo se d\u00e1 ao redor da feira de livros, arma-se a mazorca.<\/p>\n<p>Bem, afinal, como foi um compromisso assumido pelo governo, vai sair a participa\u00e7\u00e3o brasileira como pa\u00eds convidado da Feira de Livros de Frankfurt, j\u00e1 que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel mais voltar atr\u00e1s. Esperemos que, depois, pelo menos o programa de apoio \u00e0 tradu\u00e7\u00e3o continue, como anunciado.<\/p>\n<p>E viva o cinema brasileiro!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luiz Zanin Oricchio, cr\u00edtico de cinema d\u2019O Estado de S. Paulo publicou em seu blog \u2013 Cinema, a nossa imagem l\u00e1 fora e no Caderno 2 \u2013 Nova diplomacia para divulgar a produ\u00e7\u00e3o brasileira no exterior &#8211; artigo sobre recentes medidas da Ancine para a divulga\u00e7\u00e3o do cinema brasileiro no exterior. 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