{"id":1744,"date":"2013-05-09T11:58:23","date_gmt":"2013-05-09T14:58:23","guid":{"rendered":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=1744"},"modified":"2013-05-09T11:58:23","modified_gmt":"2013-05-09T14:58:23","slug":"literatura-brasileira-no-exterior-problema-dos-editores","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=1744","title":{"rendered":"Literatura brasileira no exterior: problema dos editores?"},"content":{"rendered":"<p><strong>Pr\u00f3logo<\/strong>.<br \/>\n\tEsse \u00e9 um assunto que me interessa muito. Participei da organiza\u00e7\u00e3o da primeira vez em que o Brasil foi pa\u00eds convidado da Feira de Livros de Frankfurt, em 1994. Depois, participei tamb\u00e9m da organiza\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a brasileira em outras feiras: Bogot\u00e1 (1995), Guadalajara (2001). Em 2011 publiquei uma s\u00e9rie de posts no blog sobre a participa\u00e7\u00e3o em 1994 (veja <a href=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=415\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Foxisdoproblema.com.br%2F%3Fp%3D415','aqui')\" target=\"_blank\">aqui<\/a>, <a href=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=455\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Foxisdoproblema.com.br%2F%3Fp%3D455','aqui')\" target=\"_blank\">aqui<\/a>, <a href=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=466\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Foxisdoproblema.com.br%2F%3Fp%3D466','aqui')\" target=\"_blank\">aqui<\/a>, <a href=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=491\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Foxisdoproblema.com.br%2F%3Fp%3D491','aqui')\" target=\"_blank\">aqui<\/a>, <a href=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=512\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Foxisdoproblema.com.br%2F%3Fp%3D512','aqui')\" target=\"_blank\">aqui<\/a>, e <a href=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=529\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Foxisdoproblema.com.br%2F%3Fp%3D529','aqui')\" target=\"_blank\">aqui<\/a>) e tamb\u00e9m j\u00e1 me manifestei sobre a import\u00e2ncia e as condi\u00e7\u00f5es de participa\u00e7\u00e3o em feiras internacionais <a href=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=232\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Foxisdoproblema.com.br%2F%3Fp%3D232','aqui')\" target=\"_blank\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pr\u00f3xima presen\u00e7a do Brasil em Frankfurt, em outubro, minha contribui\u00e7\u00e3o se resumiu em um <em>paper<\/em> com considera\u00e7\u00f5es sobre as poss\u00edveis linhas mestras do pavilh\u00e3o principal. N\u00e3o fiz e n\u00e3o fa\u00e7o parte da organiza\u00e7\u00e3o da feira, nem da programa\u00e7\u00e3o dos autores. Al\u00e9m disso, estou como editor da Machado de Assis Magazine, coedi\u00e7\u00e3o entre a FBN e o Instituto Ita\u00fa Cultural (trabalho que n\u00e3o onera o or\u00e7amento da FBN). A revista publica excertos de tradu\u00e7\u00f5es de autores brasileiros, selecionados por uma Comiss\u00e3o Editorial a partir de chamamento p\u00fablico.<\/p>\n<p>O que eu gostaria aqui seria contribuir com a discuss\u00e3o, procurando analisar o que est\u00e1 em jogo, e as condi\u00e7\u00f5es em que esse jogo \u00e9 jogado no mundo editorial. \u00c9 o que posso fazer, como cidad\u00e3o envolvido com as quest\u00f5es de pol\u00edticas p\u00fablicas para o livro e a leitura.<br \/>\n<!--more--><br \/>\n<strong>PRIMEIRO ATO \u2013 CENTRALIDADE DOS AUTORES<\/strong><\/p>\n<p>\tExiste um campo farto de discuss\u00f5es sobre a exist\u00eancia de uma literatura mundial, a chamada \u201cRep\u00fablica Mundial das Letras\u201d. Na formula\u00e7\u00e3o original, que veio do Iluminismo, o di\u00e1logo entre escritores, atrav\u00e9s de suas obras, comporia esse mundo da intelig\u00eancia, no qual a filosofia e a literatura teriam papel primordial.<\/p>\n<p>Sabemos hoje que, se existe, a \u201cRep\u00fablica Mundial das Letras\u201d \u00e9 um campo de disputas. Pascale Casanova, disc\u00edpula de Pierre Bourdieu, h\u00e1 alguns anos publicou um livro com esse t\u00edtulo (traduzido aqui pela Esta\u00e7\u00e3o Liberdade). Nessa obra, Mme. Casanova discorre, mais especificamente, sobre a disputa pelo \u201ccapital liter\u00e1rio\u201d. Esse capital liter\u00e1rio \u00e9 espec\u00edfico de cada autor: \u201cQuando um escritor se torna uma \u2018refer\u00eancia\u2019, quando seu nome se torna um valor no mercado liter\u00e1rio, ou seja, quando \u00e9 consagrado escritor, ent\u00e3o \u2018d\u00e3o-lhe cr\u00e9dito\u2019 [que] \u00e9 o poder e o valor outorgados a um escritor, a uma inst\u00e2ncia, a um lugar ou a um \u2018nome\u2019, em virtude da cren\u00e7a que lhe concedem: \u00e9 o que ele julga ter, o que se acredita que tenha e o poder que, acreditando nisso, se lhe credita\u201d (p. 32).<\/p>\n<p>Essa posi\u00e7\u00e3o do escritor no mercado liter\u00e1rio, entretanto, sofre outras media\u00e7\u00f5es importantes. \u201cA l\u00edngua \u00e9 um dos principais componentes do capital liter\u00e1rio [&#8230;]. Em virtude do prest\u00edgio dos textos escritos em certas l\u00ednguas, existem no universo liter\u00e1rio l\u00ednguas consideradas mais liter\u00e1rias que outras e que pretensamente encarnam a pr\u00f3pria literatura\u201d (p.33).<\/p>\n<p>Ora, l\u00edngua \u00e9 express\u00e3o tamb\u00e9m de poder econ\u00f4mico e pol\u00edtico. Embora essa correla\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja autom\u00e1tica, ela \u00e9 forte (Casanova, boa francesa, lembra que no S\u00e9culo XIX, ainda que o poder econ\u00f4mico e pol\u00edtico hegem\u00f4nico estivesse com a Inglaterra, a \u201cl\u00edngua liter\u00e1ria\u201d referencial era o franc\u00eas).<\/p>\n<p>Antonio C\u00e2ndido sabia disso quando formulou suas ideias sobre o sistema liter\u00e1rio brasileiro: t\u00ednhamos autores que se afirmavam como tal (buscavam ser reconhecidos como autores de literatura); um grupo j\u00e1 significativo de leitores (apesar do grande n\u00famero de analfabetos); um sistema transmissor, a l\u00edngua, e meios para fazer a ponte entre autores e seus leitores: os livros editados. A literatura brasileira, assim, seria uma parte da literatura em portugu\u00eas (pequena, pobre), marcada pela forma\u00e7\u00e3o do estado nacional. Mas \u201c\u00e9 a nossa\u201d literatura.<\/p>\n<p>E vou parar por aqui com essa digress\u00e3o de teoria liter\u00e1ria, com uma premissa estabelecida: os escritores brasileiros disputam um espa\u00e7o no mercado mundial das letras a partir de uma posi\u00e7\u00e3o extremamente fr\u00e1gil diante da avassaladora presen\u00e7a do ingl\u00eas (principalmente), mas tamb\u00e9m do franc\u00eas, do espanhol e do alem\u00e3o. Mesmo esses tr\u00eas \u00faltimos idiomas (franc\u00eas, espanhol e alem\u00e3o) se enfrentam com a hegemonia do ingl\u00eas, a partir condi\u00e7\u00f5es sociais e culturais (maior n\u00famero de alfabetizados, sistemas escolares e de bibliotecas muito mais avan\u00e7ados) e econ\u00f4micas (renda per capita) melhores que os dois polos da literatura em portugu\u00eas, o Brasil e Portugal.<\/p>\n<p>Fica evidente que a posi\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds nessa Rep\u00fablica das Letras acontece atrav\u00e9s do prest\u00edgio, do \u201ccr\u00e9dito\u201d acumulado por escritores espec\u00edficos. Ningu\u00e9m pensa no pa\u00eds como sendo a sede das \u201cEditoras X, Y ou Z\u201d, e sim do n\u00famero de tradu\u00e7\u00f5es de autores desse pa\u00eds, e do prest\u00edgio que alcan\u00e7am na cr\u00edtica internacional e no reconhecimento de seus pares.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples quanto parece. <\/p>\n<p>Um dos meios de medir essa presen\u00e7a \u00e9 a an\u00e1lise dos dados do <em><a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/portal.unesco.org\/culture\/en\/ev.php-URL_ID=7810&#038;URL_DO=DO_TOPIC&#038;URL_SECTION=201.html');\"  href=\"http:\/\/portal.unesco.org\/culture\/en\/ev.php-URL_ID=7810&#038;URL_DO=DO_TOPIC&#038;URL_SECTION=201.html\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fportal.unesco.org%2Fculture%2Fen%2Fev.php-URL_ID%3D7810%26URL_DO%3DDO_TOPIC%26URL_SECTION%3D201.html','Index+Translationum')\" target=\"_blank\">Index Translationum<\/a><\/em>, um portal que registra as tradu\u00e7\u00f5es pa\u00eds por pa\u00eds. Esse banco de dados tem falhas, pois \u00e9 abastecido pelo que \u00e9 enviado pelas Bibliotecas Nacionais dos pa\u00edses membros da UNESCO (registros e informa\u00e7\u00f5es do ISBN, particularmente) e sofre com dois problemas: a) atraso no envio das informa\u00e7\u00f5es; b) inconsist\u00eancias nos registros e defici\u00eancia dos dados. <\/p>\n<p><em>(Para que se tenha uma ideia das dificuldades, vejam <\/em><a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www.unesco.org\/xtrans\/bscontrib.aspx');\"  href=\"http:\/\/www.unesco.org\/xtrans\/bscontrib.aspx\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fwww.unesco.org%2Fxtrans%2Fbscontrib.aspx','aqui')\" target=\"_blank\">aqui<\/a><em> a tabela das \u00faltimas atualiza\u00e7\u00f5es, por pa\u00edses. Nossa querida BN n\u00e3o envia nada desde 2007)<\/em>.<\/p>\n<p>Ainda assim, o Index \u00e9 onde \u00e9 poss\u00edvel garimpar informa\u00e7\u00f5es muito importantes sobre a dispers\u00e3o das tradu\u00e7\u00f5es no mundo inteiro. Existe uma <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www.unesco.org\/xtrans\/bsstatexp.aspx?crit1C=2&#038;crit1L=3&#038;nTyp=min');\"  href=\"http:\/\/www.unesco.org\/xtrans\/bsstatexp.aspx?crit1C=2&#038;crit1L=3&#038;nTyp=min\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fwww.unesco.org%2Fxtrans%2Fbsstatexp.aspx%3Fcrit1C%3D2%26crit1L%3D3%26nTyp%3Dmin','tabela')\" target=\"_blank\">tabela<\/a> que mostra o n\u00famero total de tradu\u00e7\u00f5es registradas por idioma de origem, e ano a ano, de 1979 a 2012, de centenas idiomas originais (entram todos os dialetos, formas arcaicas, l\u00ednguas mortas, etc. Basta ter registrada uma tradu\u00e7\u00e3o a partir desse idioma).<\/p>\n<p>Elaborei uma tabelinha com os dados de idioma de origem das tradu\u00e7\u00f5es. Peguei 14 pa\u00edses. At\u00e9 chegar ao coreano, eu estava buscando a quantidade de tradu\u00e7\u00f5es. Coloquei o farsi (persa), por mera curiosidade.<\/p>\n<p>Vejam s\u00f3:<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/idioma-de-origem1.jpg\" alt=\"idioma de origem\" width=\"534\" height=\"568\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1753\" srcset=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/idioma-de-origem1.jpg 534w, http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/idioma-de-origem1-282x300.jpg 282w\" sizes=\"(max-width: 534px) 100vw, 534px\" \/><\/p>\n<p>\tQue poss\u00edveis correla\u00e7\u00f5es podemos fazer a partir desses dados? \u00c9 dif\u00edcil fazer isso, mas pelo menos uma coisa fica absolutamente evidente: a total supremacia do ingl\u00eas. Tem outra informa\u00e7\u00e3o que me \u00e9 dada pela experi\u00eancia: TODOS esses pa\u00edses (o Ir\u00e3, realmente n\u00e3o sei&#8230;) tem extensos programas de apoio \u00e0 difus\u00e3o de seus autores.<br \/>\n(N\u00e3o se iludam, a quantidade de tradu\u00e7\u00f5es do sueco n\u00e3o \u00e9 decorrente apenas dos livros do Stieg Larsson e do Mankell. Todos esses pa\u00edses tem um trabalho sistem\u00e1tico e continuado de promo\u00e7\u00e3o de seus autores).<\/p>\n<p>Mas o Index tem mais dados interessantes.<\/p>\n<p>Vimos antes o idioma de origem. Mas existe um quadro que mostra os pa\u00edses que mais publicam tradu\u00e7\u00f5es. Vejamos:<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/paises-que-mais-traduzerm.jpg\" alt=\"paises que mais traduzerm\" width=\"691\" height=\"529\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1747\" srcset=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/paises-que-mais-traduzerm.jpg 691w, http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/paises-que-mais-traduzerm-300x229.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 691px) 100vw, 691px\" \/><\/p>\n<p>Estados Unidos e Reino Unido, os dois maiores <strong>fornecedores<\/strong> de tradu\u00e7\u00f5es, somados (84.835), publicam juntos menos tradu\u00e7\u00f5es que a Holanda. Mas \u00e9 importante notar que, se h\u00e1 uma concentra\u00e7\u00e3o na origem, h\u00e1 uma grande dispers\u00e3o no destino. Isso confirma a hip\u00f3tese do predom\u00ednio da produ\u00e7\u00e3o em ingl\u00eas no mercado internacional. <\/p>\n<p>Mas \u00e9 bom lembrar tamb\u00e9m que a tabela inclui todos os tipos de tradu\u00e7\u00f5es. N\u00e3o apenas as de literatura. A circula\u00e7\u00e3o da literatura t\u00e9cnico-cient\u00edfica \u00e9 important\u00edssima. E se \u00e9 verdade que a maioria dos cientistas pelo menos l\u00ea em ingl\u00eas, n\u00e3o se pode dizer que os dos EUA leem em outros idiomas. Por isso, o conhecimento produzido no resto do mundo tem que ser traduzido para ser acessado pelos monol\u00edngues de l\u00e1.<\/p>\n<p>Para que idiomas a maioria dos livros s\u00e3o traduzidos. Existe a tabela dos cinquenta idiomas, mas reduzi para os \u201cdez mais\u201d. Note-se, idiomas, e n\u00e3o pa\u00edses. Assim, o ingl\u00eas inclui tradu\u00e7\u00f5es, al\u00e9m dos EUA e Reino Unido, do Canad\u00e1, Austr\u00e1lia, \u00cdndia, Paquist\u00e3o e outros pa\u00edses que inclusive exportam livros em ingl\u00eas (como a Holanda) para o resto do mundo, al\u00e9m da literatura t\u00e9cnico-cient\u00edfica. <\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/linguas-para-as-quais-se-traduz.jpg\" alt=\"linguas para as quais se traduz\" width=\"268\" height=\"386\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1748\" srcset=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/linguas-para-as-quais-se-traduz.jpg 268w, http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/linguas-para-as-quais-se-traduz-208x300.jpg 208w\" sizes=\"(max-width: 268px) 100vw, 268px\" \/><\/p>\n<p>Os cinquenta autores mais traduzidos no mundo podem ser consultados <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www.unesco.org\/xtrans\/bsstatexp.aspx?crit1L=5&#038;nTyp=min&#038;topN=50');\"  href=\"http:\/\/www.unesco.org\/xtrans\/bsstatexp.aspx?crit1L=5&#038;nTyp=min&#038;topN=50\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fwww.unesco.org%2Fxtrans%2Fbsstatexp.aspx%3Fcrit1L%3D5%26nTyp%3Dmin%26topN%3D50','aqui')\" target=\"_blank\">aqui<\/a>. Nenhum escreveu originalmente em portugu\u00eas. E escrevendo originalmente em espanhol s\u00f3 o Garcia Marquez, que aparece em 48\u00ba. lugar. <\/p>\n<p>Para terminar nossa sopinha de n\u00fameros, os dez autores de l\u00edngua portuguesa mais traduzidos no mundo, segundo a Unesco:<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/autores-em-portugu\u00eas.jpg\" alt=\"autores em portugu\u00eas\" width=\"510\" height=\"330\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1749\" srcset=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/autores-em-portugu\u00eas.jpg 510w, http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/autores-em-portugu\u00eas-300x194.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 510px) 100vw, 510px\" \/><\/p>\n<p><em>(S\u00f3 para refer\u00eancia. Enquanto nosso Mago tem 1.077 tradu\u00e7\u00f5es registradas, a autora mais traduzida, de l\u00edngua inglesa (Agatha Christie) marcou 7.216 tradu\u00e7\u00f5es).<\/em><\/p>\n<p>\tDizer, portanto, que nossos escritores partem para a luta a partir de uma posi\u00e7\u00e3o extremamente fr\u00e1gil \u00e9 at\u00e9 um eufemismo. E cada pa\u00eds consegue resultados diferentes para conseguir os \u201ccr\u00e9ditos\u201d para seus autores. Enquanto o portugu\u00eas exibe o Paulo Coelho, a Su\u00e9cia aparece com a Astrid Lindgren, a do Pipi Meias Longas, seguida pelo Mankell, que tamb\u00e9m \u00e9 conhecido por aqui. Agora, algu\u00e9m que n\u00e3o seja aluno de sueco, conhece Margit Sandemo e Tove Jansson, que est\u00e3o em terceiro e quarto lugares? A Selma Lagerl\u00f6f, que est\u00e1 em quinto, est\u00e1 traduzida aqui, assim como Strindberg, que est\u00e1 em oitavo. Mas Per Wahl\u00f6\u00f6, Maj Sj\u00f6wall, Jan Guillou e Maria Gripe (n\u00e3o \u00e9 brincadeira), nunca apareceram por estas plagas.<\/p>\n<p>\tE assim por diante.<\/p>\n<p>\tA import\u00e2ncia dos autores, seus \u201ccr\u00e9ditos\u201d no mercado internacional de tradu\u00e7\u00f5es \u00e9 extremamente desigual, no que diz respeito ao prest\u00edgio cr\u00edtico que usufruem em seus pa\u00edses de origem. Como sabemos, h\u00e1 muita gente escandalizada com a posi\u00e7\u00e3o do Paulo Coelho e do Jos\u00e9 Mauro Vasconcelos, por exemplo, e injuriada pela aus\u00eancia de outros. <\/p>\n<p>\tA presen\u00e7a dos autores no mercado internacional, portanto, n\u00e3o \u00e9 uma fun\u00e7\u00e3o exclusiva da cr\u00edtica. Certamente podemos ficar felizes pelos grandes cl\u00e1ssicos do idioma portugu\u00eas que est\u00e3o na lista, e por Jorge Amado e pela Clarice Lispector. A presen\u00e7a de Leonardo Boff abre outra pista para que se entenda essa distribui\u00e7\u00e3o de \u201ccr\u00e9ditos\u201d, ou seja, a valoriza\u00e7\u00e3o de escritores: depende tamb\u00e9m do segmento para o qual escrevem. Astrid Lindgren \u00e9 autora de livros para jovens, assim como Enyd Blyton, (conhecida como Mary Pollock \u2013 n\u00e3o localizei tradu\u00e7\u00f5es aqui) que \u00e9 a quarta mais traduzida no mundo. E quem for examinar a lista dos 50 Mais encontrar\u00e1 autores como Barbara Cartland e Danielle Steel, mas tamb\u00e9m L\u00eanin, Marx, Tolstoi, Dostoievski. Enfim, para todos os gostos, e prato cheio para qualquer tipo de an\u00e1lise.<\/p>\n<p>\tAssim, se determinados autores s\u00e3o centrais nessa desigual\u00edssima distribui\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos da Rep\u00fablica Mundial das Letras, \u00e9 sempre bom lembrar que as for\u00e7as que condicionam essa presen\u00e7a n\u00e3o s\u00e3o facilmente dom\u00e1veis, ou detect\u00e1veis. <\/p>\n<p>\tTemos, aqui no Brasil, um esfor\u00e7o sistem\u00e1tico para conhecer o alcance e a dispers\u00e3o do conhecimento da nossa literatura no exterior. \u00c9 o Conex\u00f5es Ita\u00fa Cultural \u2013 Mapeamento Internacional da Literatura Brasileira, <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www.conexoesitaucultural.org.br');\"  href=\"http:\/\/www.conexoesitaucultural.org.br\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Fwww.conexoesitaucultural.org.br','')\" target=\"_blank\"><\/a> projeto do qual sou um dos curadores, juntamente com o professor Jo\u00e3o Cezar de Castro Rocha. <\/p>\n<p>\tO Conex\u00f5es constr\u00f3i um banco de dados de professores, pesquisadores e tradutores de literatura brasileira que trabalham no exterior. Surgiu da conjun\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios fatores. Claudiney Ferreira, Gerente da \u00e1rea no Ita\u00fa Cultural, acompanhou como jornalista a presen\u00e7a do Brasil em Frankfurt em 1994, e notou o aumento do n\u00famero de tradu\u00e7\u00f5es em fun\u00e7\u00e3o do evento, e a diminui\u00e7\u00e3o desse ritmo nos anos seguintes. O professor Jo\u00e3o Cezar, ent\u00e3o professor visitante em Manchester, chamou aten\u00e7\u00e3o para um fen\u00f4meno por ele observado, o aumento dos estudos de literatura brasileira no exterior. Claudiney Ferreira ent\u00e3o montou o projeto, convidando a mim e ao Jo\u00e3o Cezar como curadores.<\/p>\n<p>Saber quem s\u00e3o, o que estudam, que autores est\u00e3o \u201cno radar\u201d desses professores\/pesquisadores e tradutores, e procurar respostas sobre a posi\u00e7\u00e3o da literatura brasileira no exterior, portanto, \u00e9 o objetivo do Conex\u00f5es, que j\u00e1 tem 244 participantes cadastrados, de todos os continentes. Algumas das estat\u00edsticas resultantes disso, assim como grava\u00e7\u00f5es dos v\u00e1rios encontros internacionais do Conex\u00f5es est\u00e3o dispon\u00edveis no site mencionado. <\/p>\n<p>\tVale a pena, entretanto, alinhar alguns desses dados.<\/p>\n<p>\tS\u00e3o 759 autores brasileiros mencionados pelos mapeados, como os denominamos. Mencionados porque s\u00e3o estudados ou fazem parte do universo de refer\u00eancias desses profissionais.<\/p>\n<p>\tOs participantes est\u00e3o vinculados a 139 institui\u00e7\u00f5es de ensino ou pesquisa espalhadas por quase vinte pa\u00edses. Desses 244 mapeados, 65 s\u00e3o brasileiros, que trabalham em institui\u00e7\u00f5es no exterior. O pa\u00eds que tem maior n\u00famero de mapeados s\u00e3o os EUA, seguidos pela Fran\u00e7a, M\u00e9xico, It\u00e1lia, Alemanha e Inglaterra.<\/p>\n<p>\tUma das perguntas do question\u00e1rio que abastece o banco de dados \u00e9 a respeito de sugest\u00f5es para o incremento da presen\u00e7a da literatura brasileira no exterior. A resposta mais frequente \u00e9 o programa de bolsas de tradu\u00e7\u00e3o (126), seguida por programas de c\u00e1tedras de literatura brasileira no exterior (76); interc\u00e2mbio entre universidades brasileiras e estrangeiras (71); cria\u00e7\u00e3o do \u201cInstituto Machado de Assis\u201d para promo\u00e7\u00e3o da cultura brasileira no exterior (66); presen\u00e7a de escritores brasileiros no exterior (56); festivais de literatura brasileira no exterior (41), al\u00e9m de respostas discursivas (57) e outras com menor frequ\u00eancia, que podem ser vistas no site mencionado.<\/p>\n<p>\tO Conex\u00f5es Ita\u00fa Cultural \u2013 Mapeamento Internacional da Literatura Brasileira revela um crescente interesse pelo estudo da nossa literatura no exterior. Esse grupo de mapeados \u00e9 de grande import\u00e2ncia: s\u00e3o tradutores, divulgadores, eventualmente pareceristas de editoras internacionais. Essas pessoas trabalham no exterior por iniciativa das universidades e institui\u00e7\u00f5es de pesquisa de fora. N\u00e3o contam com apoio sistem\u00e1tico do MEC, da CAPES, do CNPq e muito menos da BN. E contrastam essa atitude do governo brasileiro com o governo portugu\u00eas, que bem ou mal mantem o Instituto Cam\u00f5es com leitores, um programa de apoio \u00e0 tradu\u00e7\u00e3o mais antigo que o nosso, c\u00e1tedras e um esfor\u00e7o no ensino do portugu\u00eas. E n\u00e3o vou mencionar aqui a hist\u00f3ria triste dos CEBs \u2013 Centros de Estudos Brasileiros, mantidos por nossas embaixadas, muitos fechados e v\u00e1rios \u00e0 m\u00edngua.<\/p>\n<p>\tA nossa estimativa \u00e9 de que conseguimos mapear cerca de um quarto, apenas, dos profissionais \u2013 professores, pesquisadores e tradutores \u2013 que trabalham no exterior com a nossa literatura. O Conex\u00f5es pretende ampliar o banco de dados para incluir as editoras que publicam autores brasileiros, os jornalistas que divulgam a literatura brasileira, e aumentar o volume de informa\u00e7\u00f5es sobre os centros de pesquisa. \u00c9 um trabalho lento, conseguir as informa\u00e7\u00f5es n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, mas j\u00e1 estamos no quinto ano de exist\u00eancia do projeto, cujo conte\u00fado est\u00e1 \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os governamentais e de pesquisadores, com senhas especiais de acesso ao conte\u00fado completo.<\/p>\n<p><strong>SEGUNDO ATO \u2013 ONDE FICAM OS EDITORES?<\/strong><\/p>\n<p>\tE os editores, como ficam nesse furdun\u00e7o? Que papel podem ter, t\u00eam ou deixam de ter, na maior ou menor presen\u00e7a da literatura brasileira nesse mercado mundial?<\/p>\n<p>\tEm primeiro lugar, eles publicam aqui os autores brasileiros, \u00e9 claro. Sem ter seu lugar no sistema liter\u00e1rio brasileiro, os escritores n\u00e3o existem. Pode ser que, no futuro, a auto publica\u00e7\u00e3o substitua essas pontes entre as obras e seus leitores, mas como minha bola de cristal anda esfuma\u00e7ada, n\u00e3o sei se isso acontecer\u00e1, nem quando.<\/p>\n<p>\tEsse papel das editoras brasileiras (ou das editoras que publicam no Brasil, pois uma parte j\u00e1 \u00e9 de capital estrangeiro) \u00e9 razoavelmente bem cumprido. <\/p>\n<p>\tRazoavelmente?<\/p>\n<p>\tSim. \u00c9 positivo o fato de publicarem, pois o sistema liter\u00e1rio brasileiro efetivamente existe, e as editoras ganham dinheiro fazendo parte dele. Mas o esfor\u00e7o de promo\u00e7\u00e3o e os recursos de marketing usados para os escritores brasileiros s\u00e3o p\u00e1lidos, se comparados com os usados na promo\u00e7\u00e3o de autores estrangeiros, particularmente os chamados best-sellers.<\/p>\n<p>\tGosto de lembrar que passei a me interessar nas quest\u00f5es de pol\u00edtica do livro e leitura quando me fiz a pergunta, quando era s\u00f3cio da Marco Zero: por que raz\u00e3o nossos bons livros n\u00e3o vendem? Na raiz da pergunta, uma obviedade: sem vender a editora fecha; portanto, a busca de meios de vender seus livros \u00e9 uma necessidade vital para a exist\u00eancia de qualquer uma delas. Por mais que os editores queiram editar \u2013 e editem \u2013 bons livros (de autores nacionais e estrangeiros), no fim das contas \u00e9 preciso pagar os custos e ter do que viver.<\/p>\n<p>\tOu seja, as editoras brasileiras est\u00e3o tamb\u00e9m envolvidas nessa disputa interna e internacional pelos autores referenciais do mercado: os que vendem. Existem estrat\u00e9gias diferenciadas para conseguir isso, inclusive na combina\u00e7\u00e3o de autores nacionais e estrangeiros, mas a quest\u00e3o de fundo \u00e9 sempre a mesma: se n\u00e3o faturar, fecha.<\/p>\n<p>\tOra, o polo dominante dessa disputa internacional, como sabemos, \u00e9 a l\u00edngua inglesa, e o portugu\u00eas \u00e9 absolutamente secund\u00e1rio nesse panorama. E essa hist\u00f3ria de que temos duzentos e tantos milh\u00f5es de falantes do portugu\u00eas pelo mundo s\u00f3 esconde o simples fato de que oitenta por cento deles est\u00e3o aqui, e somos n\u00f3s, os brasileiros. Mais uma vez, nosso sistema liter\u00e1rio e nosso mercado est\u00e1 aqui dentro.<\/p>\n<p>\tMas, se editamos aqui, nossos editores est\u00e3o profundamente condicionados por essas condi\u00e7\u00f5es de \u201cdescentralidade\u201d do portugu\u00eas e a enorme predomin\u00e2ncia dos autores de l\u00edngua inglesa. Nada \u00e9 sem consequ\u00eancias.<\/p>\n<p>\tE n\u00e3o \u00e9 o que acontece com os editores de l\u00edngua inglesa, que est\u00e3o em posi\u00e7\u00e3o simetricamente inversa.<\/p>\n<p>\tAl\u00e9m de dispor de um mercado enorme, maduro, com bons \u00edndices de alfabetiza\u00e7\u00e3o, sistema de distribui\u00e7\u00e3o eficiente, rede de bibliotecas, que proporcionam uma base s\u00f3lida, os neg\u00f3cios do livro envolvem, particularmente nesses casos, o licenciamento das tradu\u00e7\u00f5es. Isso acontece porque, no c\u00e1lculo das editoras \u2013 e dos agentes e dos autores \u2013 o mercado internacional \u00e9 uma fonte importante de renda e componente da recupera\u00e7\u00e3o dos adiantamentos pagos. A predomin\u00e2ncia do sistema liter\u00e1rio em l\u00edngua inglesa (autores e suas obras em ingl\u00eas, agentes liter\u00e1rios e editores) sup\u00f5e e inclui, al\u00e9m de seu p\u00fablico interno \u2013 que j\u00e1 \u00e9 internacional \u2013 tamb\u00e9m a conquista de mercados no exterior.<\/p>\n<p>\tPor isso mesmo, seja atrav\u00e9s das editoras \u2013 ou, principalmente, dos agentes liter\u00e1rios \u2013 as negocia\u00e7\u00f5es internacionais usam, no maior limite do poss\u00edvel, a predomin\u00e2ncia do ingl\u00eas nessa etapa atual da Rep\u00fablica Mundial das Letras precisamente para valorizar seus autores.<\/p>\n<p>\tAs editoras brasileiras s\u00e3o, como as de outros pa\u00edses, os alvos disso. Por essa raz\u00e3o e pelo fato do portugu\u00eas ser uma l\u00edngua de menor express\u00e3o nessa constela\u00e7\u00e3o, os editores brasileiros participam do mercado liter\u00e1rio internacional principalmente como compradores, n\u00e3o como vendedores.<\/p>\n<p>\tNesse contexto, querer que sejam os editores os que fa\u00e7am a promo\u00e7\u00e3o da literatura brasileira no exterior \u00e9 t\u00e3o somente uma manifesta\u00e7\u00e3o de wishful thinking. N\u00e3o funciona. <\/p>\n<p>\tCertamente existem algumas editoras (inclusive j\u00e1 integradas no mercado internacional, como subsidi\u00e1rias ou afiliadas aos grandes grupos internacionais), que se esfor\u00e7am por levar alguns nomes para participar desse circuito. Menos por serem brasileiros, e mais por considerarem que esses autores podem participar desse concerto, independentemente de escreverem em portugu\u00eas. E algumas j\u00e1 aprenderam a usar a sua import\u00e2ncia no mercado interno \u2013 inclusive como grandes compradoras de direitos de tradu\u00e7\u00e3o \u2013 e selecionam alguns autores com esse fim. Afinal, ningu\u00e9m despreza prest\u00edgio.<\/p>\n<p>\tRepito: prest\u00edgio. O retorno financeiro da venda de direitos de um autor brasileiro no exterior \u00e9 \u00ednfimo, pois os valores s\u00e3o pequenos (salvo para nosso Mago, \u00e9 claro) e o m\u00e1ximo que se ganha \u00e9 uma comiss\u00e3o. Que n\u00e3o paga uma passagem para Frankfurt, com certeza.<\/p>\n<p>\tExistem tamb\u00e9m aquelas que acreditam que alguns de seus autores podem ser vozes de respeito nesse concerto internacional, precisamente por serem brasileiros. Conhe\u00e7o pequenas e m\u00e9dias editoras que tentam levar autores para publica\u00e7\u00e3o no exterior em busca tamb\u00e9m de prest\u00edgio, qualidade intang\u00edvel, que possa alavancar sua posi\u00e7\u00e3o no mercado interno. Existem as que fazem prospec\u00e7\u00e3o de mercados espec\u00edficos para venda de seus autores, como os programas do governo mexicano de compra de livros, ou as escolas para decass\u00e9guis no Jap\u00e3o que precisam de livros em tamb\u00e9m portugu\u00eas.<\/p>\n<p>\tDesse modo, existem interst\u00edcios por onde algumas editoras levam, ou tentam levar, autores para o mercado internacional. Mas s\u00e3o poucas. E muitas n\u00e3o t\u00eam a tenacidade e perseveran\u00e7a e a capacidade de superar os problemas de colocar autores no mercado internacional.<\/p>\n<p>\tAqui, mais uma vez, encontramos os problemas decorrentes de publicarmos em portugu\u00eas. S\u00e3o rar\u00edssimos os editores e agentes liter\u00e1rios do exterior que podem ler na nossa inculta e bela flor do L\u00e1cio. Apresentar autores a eles, portanto, exige o investimento pr\u00e9vio na tradu\u00e7\u00e3o para o ingl\u00eas de excertos do livro, a elabora\u00e7\u00e3o de cat\u00e1logos em ingl\u00eas, e o esfor\u00e7o de encontrar tanto os argumentos para \u201cvender\u201d os autores quanto achar quem possa eventualmente se interessar pela escrita deles.<\/p>\n<p>\tEssas defici\u00eancias decorrem, evidentemente, da posi\u00e7\u00e3o estruturalmente \u201ccompradora\u201d do mercado brasileiro vis-\u00e0-vis os participantes de polo dominante (os de l\u00edngua inglesa), e mesmo dos que v\u00eam logo depois (alem\u00e3o, franc\u00eas, espanhol, italiano, etc.). A Machado de Assis Magazine supre, pelo menos em parte, esse problema da apresenta\u00e7\u00e3o de textos em ingl\u00eas (ou espanhol). Mas n\u00e3o supera as dificuldades de achar os alvos suscet\u00edveis de comprar autores brasileiros e aceitar coloc\u00e1-los na roda da valoriza\u00e7\u00e3o internacional.<\/p>\n<p>\tExiste tamb\u00e9m um fator decorrente da falta de investimentos em marketing e promo\u00e7\u00e3o dos autores no nosso pr\u00f3prio mercado interno. As editoras internacionais apresentam seus autores com uma hist\u00f3ria de vendas e de tradu\u00e7\u00f5es. Querem vender o autor \u201cx\u201d porque em seu pa\u00eds de origem ele vende uma m\u00e9dia de cinquenta ou cem mil exemplares por t\u00edtulo. Diante da pergunta de quantos exemplares seu autor vendeu aqui, o editor brasileiro fica encolhido e intimidado ao revelar que os livros de obras gerais t\u00eam a m\u00e9dia de venda a que estamos acostumados. E o estrangeiro retruca: se n\u00e3o vendeu no seu pa\u00eds, como vai vender em outro?<\/p>\n<p>\tA\u00ed se revela um problema central para o aumento do \u201ccr\u00e9dito\u201d dos autores brasileiros. S\u00e3o, na maior parte das vezes, apresentados ao exterior com base nas suas qualidades liter\u00e1rias (e os mapeados do Conex\u00f5es t\u00eam seu papel nisso). Certamente isso \u00e9 importante, mas restringe dramaticamente o universo de interessados, pois esses autores s\u00f3 atraem a aten\u00e7\u00e3o de pequenas e m\u00e9dias editoras liter\u00e1rias, de qualidade. Evidentemente, isso \u00e9 muito importante. Mas nem sempre \u00e9 suficiente.<\/p>\n<p>\tEssa tens\u00e3o entre \u201cqualidade\u201d e \u201cquantidade\u201d (do ponto de vista das vendas e da caracteriza\u00e7\u00e3o dos autores e suas obras) gera uma enorme ansiedade. Os autores querem ser reconhecidos pela qualidade em um mercado onde essa caracter\u00edstica \u00e9 muito relativizada. Ou, melhor dito, \u00e9 muitas vezes entendida pura e simplesmente como quantidade. <\/p>\n<p>\tIsso n\u00e3o \u00e9 novidade e nem \u00e9 particularidade do mercado internacional. O conhecido livro de Andr\u00e9 Schiffrin, The Business of Books (tem tradu\u00e7\u00e3o brasileira) \u00e9 na verdade uma grande discuss\u00e3o sobre esse assunto, focada nas modifica\u00e7\u00f5es no mercado editorial americano desde a d\u00e9cada de 1990, e que se aceleraram dramaticamente nos \u00faltimos anos, com mais fus\u00f5es e concentra\u00e7\u00e3o de empresas. Veja <a href=\"http:\/\/oxisdoproblema.com.br\/?p=1240\" onclick=\"return TrackClick('http%3A%2F%2Foxisdoproblema.com.br%2F%3Fp%3D1240','aqui')\" target=\"_blank\">aqui<\/a> o tamanho da pinimba em uma entrevista com Alberto Vitale, que defenestrou Schiffrin.<\/p>\n<p>Seja por planejamento ou por mero acaso (o que existe muito no mundo editorial), subitamente aparecem algumas tend\u00eancias de temas (como o recente porn\u00f4-soft, por exemplo), mas tamb\u00e9m em uma combina\u00e7\u00e3o \u00e0s vezes inusitada de g\u00eanero\/pa\u00eds. \u00c9 o caso dos \u201cpoliciais n\u00f3rdicos\u201d, moda que n\u00e3o chega a ter o furor do porn\u00f4-soft, mas lan\u00e7ou uma quantidade apreci\u00e1vel de autores suecos, islandeses, etc. Os islandeses, ali\u00e1s, aproveitaram muito bem seu turno de ser o Pa\u00eds Convidado da Feira de Frankfurt, ano retrasado, para promover isso.<\/p>\n<p>\tQuando examinamos o papel das editoras nesse processo de inser\u00e7\u00e3o dos autores na Rep\u00fablica Mundial das Letras, ressalte-se, portanto, o seguinte:<\/p>\n<p>a) O primeiro e mais primordial papel das editoras brasileiras \u00e9 de publicar bem os autores brasileiros aqui no pa\u00eds. Cumprem essa tarefa, sim. Mas com algumas defici\u00eancias decorrentes da situa\u00e7\u00e3o interna e outras decorrentes da pr\u00f3pria inser\u00e7\u00e3o no mercado internacional. As defici\u00eancias internas podem se resumir em: 1) dificuldades de distribui\u00e7\u00e3o e log\u00edstica; 2) aus\u00eancia de um sistema de bibliotecas p\u00fablicas decente; 3) defici\u00eancias no sistema educacional; 4) baixo n\u00edvel de investimento na forma\u00e7\u00e3o e crescimento do mercado interno, j\u00e1 que as editoras se conformam com as dificuldades e n\u00e3o exploram de modo suficiente estrat\u00e9gias de pre\u00e7o, formato e cria\u00e7\u00e3o de novos p\u00fablicos com o dinamismo que seria necess\u00e1rio (as condi\u00e7\u00f5es para isso, entretanto, exigem outro conjunto de observa\u00e7\u00f5es, que n\u00e3o cabem aqui).<\/p>\n<p>b) A domin\u00e2ncia internacional dos autores de l\u00edngua inglesa permite que eles cheguem no mercado brasileiro j\u00e1 com um potencial de marketing muito grande. S\u00e3o autores de renome internacional, ou autores de g\u00eaneros que tem uma s\u00f3lida presen\u00e7a no imagin\u00e1rio e nos h\u00e1bitos de consumo tamb\u00e9m dos leitores brasileiros. E, em alguns casos, as a\u00e7\u00f5es de marketing s\u00e3o apoiadas por um conjunto paralelo de outros produtos: filmes, jogos eletr\u00f4nicos, comics, programas de televis\u00e3o e s\u00e9ries etc. A disputa entre as editoras \u00e9 para conseguir esses produtos \u201cpremium\u201d, o que desvia, obviamente, recursos que eventualmente poderiam ser aplicados na promo\u00e7\u00e3o de autores nacionais.<\/p>\n<p>c) Esse processo de dom\u00ednio dos autores traduzidos \u00e9 facilitado pela atitude da imprensa. Quando se v\u00ea que um autor ingl\u00eas de romances policiais consegue p\u00e1ginas inteiras nos jornais, espa\u00e7o dific\u00edlimo de ser conseguido por autores nacionais em uma situa\u00e7\u00e3o de crescente escassez de suplementos liter\u00e1rios, isso n\u00e3o deixa de ter consequ\u00eancias (nada contra autores de romances policiais, sou f\u00e3 e leitor dedicado do g\u00eanero). Quem quiser que especule sobre as raz\u00f5es disso. Eu me abstenho.<\/p>\n<p>O panorama pode parecer sombrio. E, de certa forma, \u00e9 mesmo. Mas n\u00e3o estou aqui para iluminar o lado positivo, pois o objetivo deste texto \u00e9 tentar entender a raz\u00e3o pela qual as editoras s\u00e3o incapazes de exercer um grande papel na divulga\u00e7\u00e3o de nossos autores no exterior. N\u00e3o porque sejam gananciosas, malvadas, etc, etc. Mas porque atuam em um cen\u00e1rio que as condiciona profundamente a agir de determinada maneira.<\/p>\n<p>Espero que tenha ficado claro que falo a partir de uma posi\u00e7\u00e3o de mercado. Por isso falo em produtos e valor de mercado. O valor liter\u00e1rio est\u00e1 fora destas considera\u00e7\u00f5es. Seu lugar \u00e9 outro, simplesmente.<\/p>\n<p><strong>TERCEIRO ATO: \u00c9 POSS\u00cdVEL DAR A VOLTA POR CIMA?<\/strong><\/p>\n<p>Duas grandes quest\u00f5es emergem desse cen\u00e1rio: 1) Podem (ou devem) os escritores brasileiros &#8211; <strong>que escrevem em portugu\u00eas<\/strong> &#8211; participar dessa \u201cRep\u00fablica\u201d, suas vozes merecem ser ouvidas e participar desse di\u00e1logo mundial? 2) Se podem \u2013 e devem \u2013 como enfrentar essas imensas dificuldades?<\/p>\n<p>\tAcredito que podem e devem participar desse di\u00e1logo liter\u00e1rio. Temos o que dizer nessa Rep\u00fablica Mundial das Letras, e a literatura mundial fica mais pobre sem as vozes brasileiras. Haver\u00e1 quem discorde disso, como volta e meia se l\u00ea nos jornais, articulistas e editorialistas lamentando qualquer esfor\u00e7o feito nesse sentido, afirmando que isso vem em detrimento do mais importante, que s\u00e3o nossos pr\u00f3prios leitores. Eu, particularmente, penso que essa posi\u00e7\u00e3o ainda reflete aquela \u201cmentalidade de vira-lata\u201d, para usar a imagem de Nelson Rodrigues, que acomete a alguns brasileiros.<\/p>\n<p>\tO que as editoras n\u00e3o podem \u2013 lamentavelmente &#8211; \u00e9 se responsabilizar pela supera\u00e7\u00e3o desses obst\u00e1culos. N\u00e3o por serem m\u00e1s, gananciosas, ou qualquer outro adjetivo que se lhes pespegue, repito. Mas por isso n\u00e3o fazer parte, efetivamente, da din\u00e2mica de sua exist\u00eancia e sobreviv\u00eancia. <\/p>\n<p>\tA quest\u00e3o principal, no entanto, &#8211; e aqui chego ao que este artigo pretendia chegar &#8211; \u00e9 que, em praticamente todos os pa\u00edses que n\u00e3o os Estados Unidos, a promo\u00e7\u00e3o da literatura e da difus\u00e3o dos livros e dos escritores no exterior faz parte de uma pol\u00edtica de Estado.<\/p>\n<p>\tEssas pol\u00edticas incluem, evidentemente, as bolsas de tradu\u00e7\u00e3o. E tamb\u00e9m os meios para que os autores circulem por outros pa\u00edses. No fundo, esses incentivos s\u00e3o para que os autores \u2013 geralmente atrav\u00e9s de seus agentes &#8211; aumentem seu \u201ccr\u00e9dito\u201d no mercado internacional. \u00c9 atrav\u00e9s deles que os pa\u00edses \u2013 o locus dos idiomas nacionais \u2013 procuram aumentar sua participa\u00e7\u00e3o nesse coral de vozes liter\u00e1rias que se espalha pelo mundo. Procuram contrapor a avassaladora predomin\u00e2ncia da literatura em ingl\u00eas com pol\u00edticas pr\u00f3prias de promo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\tA imensa discuss\u00e3o que precedeu a aprova\u00e7\u00e3o da Conven\u00e7\u00e3o Internacional da Prote\u00e7\u00e3o e Promo\u00e7\u00e3o Diversidade Cultural, em 2005, se deu com esse pano de fundo, a partir da consci\u00eancia crescente de que os EUA usavam seu poderio econ\u00f4mico e as negocia\u00e7\u00f5es comerciais para impor, tamb\u00e9m, mecanismos de domina\u00e7\u00e3o cultural. Ou seja, a pol\u00edtica cultural \u00e9 instrumento de defesa comercial <strong>tamb\u00e9m<\/strong>, e de <strong>afirma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e econ\u00f4mica<\/strong> dos pa\u00edses. <\/p>\n<p>\tO natural, portanto, das pol\u00edticas de promo\u00e7\u00e3o da literatura no exterior, \u00e9 a promo\u00e7\u00e3o das tradu\u00e7\u00f5es e tamb\u00e9m da circula\u00e7\u00e3o dos autores (e dos agentes, que s\u00e3o os que diretamente trabalham esse assunto).<\/p>\n<p>\tDurante d\u00e9cadas os editores brasileiros participaram nas feiras internacionais que lhes interessavam \u2013 particularmente Frankfurt \u2013 ocupando o lugar que lhes toca nesse mercado internacional, na fun\u00e7\u00e3o que at\u00e9 agora lhes coube, que \u00e9 a de compradores de direitos. <\/p>\n<p>Foi s\u00f3 depois da d\u00e9cada de 70, quando a Feira de Frankfurt, sob a dire\u00e7\u00e3o de Peter Weidhaas, assumiu tamb\u00e9m essa faceta de evento cultural, que aumentou o interesse de diferentes pa\u00edses em estar ali presentes, para aproveit\u00e1-la como vitrine de suas literaturas e de suas pol\u00edticas de apoio a seus escritores. <\/p>\n<p>\tA partir de ent\u00e3o as feiras de livros \u2013 praticamente todas &#8211; tem se transformado cada vez mais em eventos culturais importantes, com a presen\u00e7a de autores, discuss\u00f5es liter\u00e1rias e outras atividades do mesmo g\u00eanero. Dessa maneira, deixaram de ser simplesmente eventos editoriais: s\u00e3o eventos culturais onde se promovem os autores e se negociam direitos autorais, ao mesmo tempo.<\/p>\n<p>\tHoje, a simbiose entre o conte\u00fado \u2013 a obra liter\u00e1ria produzida pelos autores \u2013 e seus continentes \u2013 o livro, seja em que formato for \u2013 \u00e9 tamanha, que n\u00e3o acredito ser poss\u00edvel a separa\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es em muitos desses eventos. Separar \u201ceventos editoriais\u201d \u2013 a\u00ed entendidos como de interesse comercial \u2013 de \u201ceventos liter\u00e1rios\u201d, no caso das feiras de livros, \u00e9 meio assim como separar corpo e intelecto. Quem descobrir essa f\u00f3rmula, resolve o problema.<\/p>\n<p><strong>CODA: FRANKFURT VEM A\u00cd<\/strong><\/p>\n<p>\tConhe\u00e7o v\u00e1rios editores que ficaram muito ressabiados quando se anunciou que o Brasil mais uma vez seria o pa\u00eds convidado de honra da Feira de Frankfurt. N\u00e3o era para menos. Muitos se lembraram de que uma conta pesada sobrou para a CBL (ou seja, para seus s\u00f3cios), que levou mais de quatro anos para quitar o que ficou devendo na Alemanha. D\u00edvidas que foram assumidas porque, na ocasi\u00e3o, promessas foram feitas de que os recursos viriam. E viriam porque se tratava exatamente de uma promo\u00e7\u00e3o do Brasil, e n\u00e3o simplesmente do mercado editorial.<\/p>\n<p>\tAl\u00e9m disso, em um evento desse porte, sobram, sempre, cr\u00edticas para todos os lados. O desfile de egos \u00e9 monumental, e administr\u00e1-los uma tarefa quase insana. Tome-se, por exemplo, a quest\u00e3o dos autores. N\u00e3o importa quais sejam os crit\u00e9rios para a escolha dos que ir\u00e3o \u201crepresentar\u201d o pa\u00eds. Chovem as cr\u00edticas, por aus\u00eancias e presen\u00e7as. O mesmo acontece com os outros eventos: por que esse e n\u00e3o aquele? Por que fulaninha vai dan\u00e7ar e beltraninha n\u00e3o conseguiu um palco? E as caipirinhas, o samba, as passagens de classe executiva e os hot\u00e9is melhores ou piores&#8230;<\/p>\n<p>\tUm inferno, sinceramente. <\/p>\n<p>\tSabendo de tudo isso, entretanto, achei fant\u00e1stico o novo convite e sua aceita\u00e7\u00e3o pelo ent\u00e3o Ministro Juca Ferreira, com a anu\u00eancia do Embaixador Celso Amorim. E mais satisfeito ainda ao saber que sua organiza\u00e7\u00e3o caberia a um Comit\u00ea no qual as entidades do livro teriam participa\u00e7\u00e3o, mas cuja condu\u00e7\u00e3o e responsabilidade seria do Governo Federal.<\/p>\n<p>\tA retomada do programa de apoio \u00e0s tradu\u00e7\u00f5es, pela FBN, e a percep\u00e7\u00e3o que deveria haver continuidade nas pol\u00edticas relacionadas \u00e0 difus\u00e3o da literatura brasileira no exterior tamb\u00e9m reduziram meu temor quanto a um problema claramente detectado depois de Frankfurt 1994. O enorme esfor\u00e7o feito naquele momento se diluiu na descontinuidade do programa de bolsas e no abandono quase total, que durou anos, de pol\u00edticas p\u00fablicas relacionadas ao tema.<\/p>\n<p>\tFiquei satisfeito tamb\u00e9m porque tenho a mania meio besta de achar que o Brasil tem que mostrar a cara e lutar para que seus autores tenham maior presen\u00e7a na Rep\u00fablica Mundial das Letras. Definitivamente acho n\u00e3o sofro da s\u00edndrome de vira-lata: penso que o Brasil tem muito a dizer.<\/p>\n<p>\tPor isso, acho muito curioso o tipo de rea\u00e7\u00e3o que a destina\u00e7\u00e3o de recursos or\u00e7ament\u00e1rios para a Feira de Frankfurt tem provocado. Nem imagino o quanto de dinheiro p\u00fablico vem sendo gasto, ano ap\u00f3s ano, na famosa retomada do cinema brasileiro. Dinheiro dos incentivos fiscais e de empresas estatais para fazer os filmes e dinheiro da Ancine e da Secretaria do Audiovisual tamb\u00e9m, para participar de festivais, escolher um filme para concorrer ao Oscar, mandar nutridas delega\u00e7\u00f5es para Cannes, Berlim, Veneza e outros que tais. Por favor, n\u00e3o me venham dizer que os cineastas e as produtoras pagam tudo.<\/p>\n<p>\tEntretanto, acho importante que isso seja feito. Precisamos do cinema. <\/p>\n<p>\u00c9 importante tamb\u00e9m participar da Documenta de Kassel, da Bienal de Artes de Veneza e outras bienais, frequentadas por galeristas que ali v\u00e3o n\u00e3o apenas para desfrutar de deleite est\u00e9tico, com certeza.<\/p>\n<p>\tTamb\u00e9m acho fant\u00e1stico que o Ano do Brasil na Fran\u00e7a, o Ano do Brasil na Alemanha, o Ano do Brasil em Portugal, a Europalia e eventos semelhantes contem com espet\u00e1culos de nossos m\u00fasicos, que se divulgue o choro, nossos bailados, nossos bons m\u00fasicos, e nossos escritores, tamb\u00e9m, nesses eventos. Todos devidamente remunerados por seu trabalho.<\/p>\n<p>\tO Brasil n\u00e3o pode deixar de participar de Exposi\u00e7\u00f5es Mundiais, como foi o caso de Lisboa, Hannover e Shangai, para citar apenas algumas. <\/p>\n<p>\tMas, quando se fala de Feiras de Livros, vozes n\u00e3o faltam para protestar pelo suposto desperd\u00edcio de recursos, que \u201ccertamente\u201d poderiam ser mais bem aproveitados em outras coisas, e para cobrar a contribui\u00e7\u00e3o dessa ind\u00fastria \u201cfenomenalmente lucrativa\u201d que seria a edi\u00e7\u00e3o de livros no Brasil.<\/p>\n<p>\tBom, parab\u00e9ns para o lobby dos cineastas, dos artistas pl\u00e1sticos e dos m\u00fasicos. Enquanto nossos autores se empenham na guerra de egos e nossos pujantes editores se acovardam e ficam na defensiva. <\/p>\n<p><em>C\u2019est la vie.<\/em><\/p>\n<p>Para finalizar, reiterando: a Feira de Livros de Frankfurt \u00e9, realmente, uma feira de neg\u00f3cios, tal como festivais de cinema, exposi\u00e7\u00f5es universais e bienais de arte. Mas reduzir todos esses eventos a isso n\u00e3o \u00e9 justo, nem correto. Quem acha que devemos nos enclausurar &#8211; e quem quiser nos conhecer que venha at\u00e9 aqui, a porta est\u00e1 aberta, somos cordiais e am\u00e1veis &#8211; deve pelo menos ser coerente e pedir que isso valha para todos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pr\u00f3logo. Esse \u00e9 um assunto que me interessa muito. Participei da organiza\u00e7\u00e3o da primeira vez em que o Brasil foi pa\u00eds convidado da Feira de Livros de Frankfurt, em 1994. Depois, participei tamb\u00e9m da organiza\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a brasileira em outras feiras: Bogot\u00e1 (1995), Guadalajara (2001). 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